Melhores e Piores Leituras de Junho de 2016

Esse mês de junho tem 10 minirresenhinhas aqui. Mas dessa vez, além de melhores e piores, resolvi colocar aquelas que me confundem, que “não sei o que pensar, só sentir!”. Então fique à vontade para dar uma olhada nessas leituras e não se esqueça de dizer o que acha também!

MELHORES

JUNpatrulhaPATRULHA DO DESTINO: A PINTURA QUE DEVOROU PARIS, DE GRANT MORRISON E RICHARD CASE

Bem, para começar, eu devo dizer que essa edição não trata apenas de uma pintura misteriosa que engole pessoas, coisas, uma cidade inteira. É uma edição que trata da história da arte inteira. É como a Divina Comédia de Dante Alighieri, que vai descendo cada vez mais profundamente nos crimes cometidos para que as pessoas estejam nos círculos mais distantes do inferno. No caso da pintura que devorou Paris, a Patrulha do Destino vai decendo desde a escola de arte mais abstrata, como o Dadaísmo, até a escola mais realista, como o Hiperrealista, até chegar na própria realidade. Além disso, tem a loucura que acomete a Irmandade Dada, que rejeita o real. Então porque não fugir para dentro de uma pintura? Quem nunca desejou isso?


JUnmarshallBATMAN: O DETETIVE DAS TREVAS, DE STEVE ENGLEHART, MARSHALL ROGERS E TERRY AUSTIN

O que é divulgado por aí é que essa fase inspirou muito Tim Burton quando foi fazer os primeiros filmes do Batman, mas a verdade é que podemos encontrar também a inspiração para os filmes de Christopher Nolan. Estão lá os inimigos Espantalho, Duas-Caras e Coringa fazendo das suas artes para que o Coringa consiga se eleger governador – senão ele mata todo mundo. Lá está a bela – e mais charmosa e interessante – namorada do Batman, Silver St. Cloud, que inclusive sabe que o morcego é Bruce Wayne disfarçado. Temos ainda a bela arte de Marshall Rogers impactada pela fina arte-final de Terry Austin que dão todo um retrabalho para a história. Enfim, uma HQ que saiu muito próximo dos filmes do Nolan e que qualquer fã do Batman não deve perder. Se eu que não sou fã, não perdi…


JUNasgardTHOR: CONTOS DE ASGARD, DE STAN LEE E JACK KIRBY

Eu sempre fui fã de mitologia e sempre gostei dos personagens coadjuvantes do Thor, mas sinceramente eu não sabias das histórias mitológicas deles. Com essa compilação dos Contos de Asgard, histórias back-up que vinham na revista Journey Into Mystery, eu finalmente soube. Gostei muito de saber as origens de Heimdall e Balder, ainda mais desenhadas pelo mestre Jack Kirby e com as artes revitalizadas com uma nova colorização. Essa edição faz parte da expansão de clássicos da Coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat. Ela tem muitas páginas e pode ser dividida em duas partes: a primeira parte baseadas em lendas nórdicas focadas em alguns personagens coadjuvantes do Thor. Por exemplo foi a lenda da deusa Idunn que deu origem à história infantil da Chapeuzinho Vermelho. Você sabia? Eu não. A segunda parte conta a lenda do Ragnarock, a destruição do mundo, pelo ponto de vista dos personagens de Thor e mostra a origem dos famosos Três Guerreiros, Hogun, Frandrall e Volstagg. Eu gostei muito, que venham mais volumes clássicos da Marvel pela Salvat e se for com tantas páginas como esse, um tanto melhor!


JUNthanosO IMPERATIVO THANOS, DE DAN ABNETT E ANDY LANNYNG, BRAD WALKER, MIGUEL SEPÚLVEDA

Mais um arco ignorado pela Panini, que encerra a primeira fase dos Guardiões da Galáxia que fizeram tanto sucesso nos cinemas dos EUA e do mundo. A fase em questão foi arquitetada desde as grandiosas fases de Aniquilação (quando o nova ganhou seu título pelas mãos da dupla) e Aniquialção 2 – A Conquista, (quando foi a vez de Peter Quill e seus Guardiões da Galáxia ganharem um título). Com o evento Guerra dos Reis, envolvendo Inumanos, Krees e Shiar, o universo cósmico da Marvel ganhou mais força. A  dupla DnA, como é conhecida lá fora, deu força para suas histórias e personagens sempre com uma camada de humor por trás da histórias. Não por acaso resultou no sucesso dos cinemas. Infelizmente, no Brasil, as HQs cósmicas pararam de ser publicadas após Guerra dos Reis. Aqui em Imperativo Thanos, os dois dão um encerramento para sua fase focando tanto em Richard Rider, o Nova, quanto em Peter Quill, o Senhor das Estrelas. Dessa vez Thanos, impedido de morrer deve enfrentar uma ameaça muito maior do que a destruição universal, mas algo como a supraexistência! A importância de O Imperativo Thanos é grande, tanto é que esse arco é abordado novamente durante o evento Pecado Original na revista dos Guardiões por Brian Michael Bendis. Fica aqui minha homenagem a esta fase, que eu ainda gostaria de ver toda publicada no Brasil. Sonhar não custa.


JUNbull

BULLDOGMA, DE WAGNER WILLIAN

Como eu poderia definir Bulldogma? Ah, já sei! Uma HQ incidental. E por incidental não quero dizer que ela seja baseada em um incidente, mas por ocorrer uma sucessão de incidentes que fazem a história ocorrer e a personagem ser moldada. No caso, a personagem é Deisy Mantovani, nossa protagonista. Uma das personagens mais bem trabalhadas do quadrinho nacional. E sabe a razão? Deisy é esférica como naqueles milhares de execícios também incidentais que temos de fazer para uma oficina literária para aprendermos a dominar um personagem. Parece que Wagner Willian aprendeu, tendo feito oficina ou nao. Apesar de ser incidental com várias frases de Maria Bonita pichadas na parede, várias referências que fariam inveja ao Capitão América, de filmes, a álbuns de música, quadrinhos e videogames, Bulldogma é assim, que nem Seinfeld. Uma HQ sobre nada. Uma HQ sobre tudo. Pelo menos no universo de Deisy Mantovani, que, sim, inclui ETs. Mas a maior referência que Bulldogma faz é com a realidade: pessoas do ramo, a atividade de ilustrador e quadrinista. Seria isso referência ou metalinguagem? Bem, somente Wagner Willian sabe estabelecer essa tênue fronteira.


NEM BOM, NEM RUIM, NÃO SEI O QUE PENSAR, SÓ SENTIR

MAJultronVINGADORES: A IRA DE ULTRON, DE RICK REMENDER, JEROME OPEÑA E PEPE LARRAZ

Fazia muito tempo que eu não lia uma história realmente boa escrita por Rick Remender. Já foi de má vontade para essa graphic novel original ainda mais por ser um caça-níquel lançado na época do segundo filme dos Vingadores. A história se passa dentro da cronologia Marvel, mas possui várias incongruências. Primeiro a história ocorre no passado, quando uma equipe clássica dos Vingadores enfrenta Ultron, entre dilemas paternos e de filhos nuca dantes mencionados nas histórias dos Vingadores entre Hank Pym, Visão e Ultron. Mas tudo bem, forma bem usadas. Então Ultron é mandado para o espaço e – aparentemente – tinha ficado lá até os dias de hoje. WHAT? E todas aquelas histórias envolvendo Jocasta, Alkema e trocentas outras incluindo A Era de Ultron? Bem, então que o Ultron que foi levado ao espaço retorna e vem atormentar os Vingadores, primeiro atacando a Lua de Saturno, Titã, lar de Starfox, depois vindo ameaçar a Terra e matando um Vingador. A história tem um ritmo e uma atmosfera muito legais, dessas que nos enchem o coração de aventura e os rins de adrenalina, mas… tem muitas incongruências conológicas. Assim como a Fabulosa X-Force de Remender que não se x-forçou em ler todas as histórias dos X-Men para escrevê-las. Uma lástima pois conhecimento cronológico enriquece uma história. Não sei o que pensar, só sentir.


JUNproPROMETHEA: EDIÇÃO DEFINITIVA – VOLUME UM, DE ALAN MOORE, J. H. WILLIAMS E MICK GRAY

O quê? Uma história clássica e conceituada do mestre Alan Moore e você não sabe o que pensar, só sentir? Pois é! Já cheguei num momento em que li tanta coisa do Moore que começo a entender como suas formuletas funcionam na sua cabeça, e talvez isso, me tirou o encanto de Promethea, que estou lendo algumas histórias pela segunda, talvez terceira vez. Promethea é uma história que demonstra como a magia e a linguagem – seja ela pictórica ou não -pictórica – estão atreladas. Nisso Moore desfila símbolos e artefatos místicos, de um jeito, para mim que conheço um pouquinho de simbologia e misticismo começa a ficar enfadonho, didático demais e gratuito. Muita gente odeia diálogos expositivos – não é o meu caso – mas em Promethea é dessa forma. Da mesma forma que ele usa o mecanismo da sucessão de Prometheas e suas versões um depois da outra. Em 1999 poderia parecer uma ideia um tanto inédita, mas hoje com tantas histórias de linhagens e sucessões de heróis se torna algo um tanto banal. Fora que é uma HQ muito datada com o ano de 1999, em que se achava que o bug do milênio iria destruir o mundo. Amo Alan Moore, amo a maneira como ele constrói suas histórias e personagens, mas me pergunto se Promethea não envelheceu mal e se não ficou muito voltada para pessoas leigas demais em misticismo. Afora isso, J. H. Williams e sua arte maravilhosa moram pra sempre no meu coraçãozinho Crowleyiano.


JUNbizBIZARRO, DE HEATH CORSON E GUSTAVO DUARTE

Em primeiro lugar, não vá atrás dessa edição pelo humor. Ela é uma aventura bacaninha bem entrelaçada. Também não vá atrás da edição pelos desenhos do brasileiro Gustavo Duarte. Muitos amigos meus vieram me dizer que não acharam os desenhos dele essas coisas e se decepcionaram muito. Além disso existem muitas discrepâncias no sneak peek – o aperitivo colocado nessa edição – e o resto da edição. Também é uma HQ muito voltada para o público americano, a maioria das piadas só o povo de lá vai entender (e gostar). Mas a história não é ruim, como falei é uma história de ação e um road trip engraçadinho. Achei muito boa a sacada de Bizarro ser um mago reverso melhor que a Zatanna, por exemplo. Também é legal como o roteirista vai trabalhando alguns elementos e trazendo eles de volta durante a revista e o seu final cheio de participações especiais. Mas essas é mais uma edição que não sei o que pensar, apenas sentir.


PIORES

CONSTANTINE HELLBLAZER 1CONSTANTINE: HELLBLAZER – FANTASMAS DO PASSADO, DE JAMES TYNION III, MING DOYLE, RILEY ROSSMO E VANESSA DEL REY

Para começar parece que fomos enviados para um episódio do Scooby Doo. Tudo é muito alegre e faceiro, com fantasminhas divertidos conversando com John Constantine. Seria uma desconstrução? Não, seria mais uma DCpção de personagens ótimos mal trabalhados pela editora das lendas. Os demônios realmente parecem ter saído de um episódio da Hanna- Barbera e só causam risadas. A tentativa de retratar Constantine como bissexual é ridiculamente ridícula. Isso ainda foi melhor trabalhado em sua versão anterior de Os Novos 52 – pra vocês verem o nível dessa nova fase. Diferente do que andaram falando por aí, ela não retoma nenhum elemento do Constantine da Vertigo. Ela adiciona novos e esses elementos são decepcionantes e ridículos. Imagine um Constantine para crianças. Bem, é isso aqui.

Leia aqui porque Constantine é o personagem melhor trabalhado da DC (mas não nesse encadernado)


JUNplacasPLACAS TECTÔNICAS, DE MARGAUX MOTIN

São uns desenhos tão bonitinhos, bem feitos e bem coloridos que poderiam ter saído de uma escola de animação da Disney. Mulheres que parecem princesas e homens que parecem príncipes. Mas bem reais. Talvez essa aproximação demais da realidade, de uma hiperrealidade de submergir dentro do oceano revoltoso que é a vida de Margaux Motin que me afastou dessa compilação de cartuns/tiras/quadrinhos. É a vida de uma mulher histérica – no sentido mais moderno que a palavra histérica pode assumir. É uma mulher que precisa de atenção o tempo todo e grita nos nossos ouvidos que a sua vida e seus pensamentos são mais importantes que o que a rodeia. Assumindo uma posição de que está certa o tempo todo e que não admite uma brecha para se questionar e se desconstruir – uma moda que está pegando em várias mulheres que vestem o manto do feminismo do avesso. Margaux Motin faz de um assobio uma ópera e transforma a sua vida numa clara declaração de bipolaridade. Fazer terapia ia fazer bem para suas histórias. Mas os desenhos são bem bonitinhos. Eeee… foi dançar no sebo! Bye!


E vocês? Quais foram suas melhores leituras e piores – ah, sempre tem elas – do mês? Abraços!

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4 Comments

  1. Cara, umas das coisas q li e curti e q imagino q vc gosta é a Saga de Legião. Cara, q legal essa história! Apesar de todas as loucuras de linhas temporais, é uma história bem amarrada e cria a expectativa certa pra Era do Apocalipse. Gostei mto!

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    1. Sim, acho bem legal! Podia sair aqui (de novo e dessa vez em encadernado). Mas se tu curte o Legião, então te recomendo a Salvat Vermelha do Professor X, que saiu A Saga da Ilha Muir, a minha saga que foi porta de entrada pra todo o universo de quadrinhos de super-heróis e mora no meu <3. Abraços!

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      1. Então cara, eu achei a saga da Ilha Muir nos formatinhos e a edição histórica, q é da batalha psíquica, eu achei em uma edição de Classic X-Men por 10 cents em uma yardsale qdo estava visitando meu cunhado nos EUA ano passado. Um achado! Como tinha tudo optei por não gastar 40 dinheiros com a edição da Salvat. Minha porta de entrada para o universo dos super-heróis e p os X-Men foi a clássica Wolverine 39 =)

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      2. Sim, clássica capa rasgadinha da WV#39! Muito boa! Uma das melhores fases do Wolvie pelo Larry Hama. Difícil de superar! Abraços!

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