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“Nunca Assisti Nenhum Filme de Super-Heróis”, diz David Lloyd, autor de V de Vingança

Grande atração da Comic Con RS 2016, que ocorre neste final de semana na Ulbra – Canoas/RS, o criador do clássico dos quadrinhos V de Vingaça ao lado de Alan Moore, David Lloyd não simpatiza com os filmes de super-heróis. Ainda mais, com os super-heróis em geral. Apenas aqueles que oferecem algo a mais como Deadpool e KIck-Ass. Para saber mais sobre esse ponto de vista, leia a seguir.

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Bem, se você conhece a carreira de David Lloyd, não deve estranhar essa declaração. O desenhista e autor quase nunca teve de desenhar super-heróis. Seus trabalhos começaram na revista de antologias britânica 2000 a.D.. Ele também trabalhou na Marvel UK, onde criou  o personagem Night Raven. E foi daí que surgiu a ideia de fazer V de Vingança, então pela revista Warrior de Dez Skinn, ao lado do mesmo parceiro, Alan Moore.

NIGnightravenNIGHT RAVEN E A INFLUÊNCIA EM V DE VINGANÇA

Night Raven é um herói criado nos moldes dos pulps, mais precisamente do Sombra. Assim como O Aranha e o Fantasma, Night Raven deixa uma marca em vítimas. Ele usa roupas modificadas e uma máscara de rosto inteiro com aspectos semelhantes a aves. É um justiceiro solitário e sua identidade é envolvida em mistério. Night Raven não tem poderes, mas é imortal e atua em Nova York e Chicago. Ele se vê como um curandeiro, “e um curandeiro deve lutar contra as doenças. E se ele não pode salvá-los seja com habilidade ou amor – então ele precisa levá-los gentilmente à morte”. Originalmente criado pelos editores Dez Skinn e Richard Burton, as primeira histórias de Night Raven eram escritas por Steve Parkhouse e desenhadas por David Lloyd. Stan Lee não gostava da arte “dura” de Lloyd e logo o artista foi substituído por John Bolton. As histórias do personagem duraram menos de um ano. A série era popular e os leitores pediam por mais, mas a Marvel tinha outras prioridades (a revista do Doctor Who, por exemplo) e por um tempo Nigh Raven foi interrompido.

Mais tarde, a Marvel reparou seu erro e trouxe o personagem de volta, mas com uma grande diferença: as histórias retornaram em formato de texto com pouquíssimas ilustrações. Agora, Night Raven era descrito como “uma figura espectral com um rosto ósseo”. Junto a isso vinha sua voz sinistra e “um som estranho sibilante e grasnante” que emanava de sua boca, um personagem bastante desconcertante. Coisas mais bizarras foram surgir quando Alan Moore pôs suas mãos no personagem. Seu corpo era descrito como “pouco mais que uma massa disforme de gânglios e terminações nervosas expostas”. Suas roupas eram então amarrotadas e rasgadas; suas mãos eram “paródias pervertidas de mãos, revestidas de luvas imundas”. Moore deixaria o personagem para cuidar de outros projetos, entre eles V de Vingança, desenhada por David Lloyd, que tempos depois viria admitir que Night Raven foi uma influência para desenvolver o personagem V. Duvida, olha aí na imagem a máscara do Night Raven. Se lermos os textos de Alan Moore para o Night Raven e aforma como ele era publicado na Marvel UK, também veremos uma grande influência na forma como foi feito V de Vingança.

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QUADRINHOS NÃO SÃO GRANDES

Na entrevista dada a Gustavo Brigatti, do jornal Zero Hora, em 17 de agosto de 2016, além de dizer que nunca viu os filmes de heróis, Lloyd admite que os quadrinhos, hoje, não são grandes. Na verdade o que são grandes são os personagens de cinema adaptados dos referentes quadrinhos. “Eu adoraria que os quadrinhos como como um todo fossem grandes e tivessem um impacto real sobre a grande massa. Receio que, como mídia, eles ainda sejam pequenos demais no mercado de entretenimento – pelo menos na maior parte do mundo ocidental”

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Entretanto, Lloyd ficou feliz com o filme de V de Vingança realizado por James McTeigue e que ele foi feito por pessoas que se importaram com os personagem e com o que a história tem a dizer. E, apesar de achar que a mídia quadrinhos tem muito a oferecer em termos de possibilidades, infelizmente, para ele, os super-heróis ainda dominam o cenário. Ele acha importante que as graphic novels tenham atingido as livrarias e levantado o mercado, mas, mais uma vez, isso deu fôlego aos super-heróis. Assim, o valor de mercado dos quadrinhos foi provado. Porém, ainda falta mais diversidade de quadrinhos na prateleiras para, aí sim, provar que os quadrinhos são relevantes também no que tange à cultura.

Gracias Dudu Bandeira por me mostra a entrevista.

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