A Melhor HQ de Mark Millar: O Legado de Júpiter, de Mark Millar e Frank Quitely

Imagine que os super-heróis, no meio de um caos econômico e político mundial, decidem tomar as rédeas do planeta para si. E isso acontece no meio de um conflito de gerações super-heróico. Esse é o mote para O Legado de Júpiter, a última HQ de Mark Millar lançada no Brasil e a que eu considero a melhor de todas até agora. A seguir, conto mais sobre ela!

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É impossível não comparar O Legado de Júpiter com o quadrinho de Mark Waid e Alex Ross, O Reino do Amanhã, em que os dois quadrinistas imaginam o futuro do universo da DC Comics. Aqui, em O legado, também temos o debate e confronto de ideologias entre uma geração de heróis e outra, tendo inclusive um confronto mortal entre pai e filho.

A origem dos heróis deste mundo se dá em 1929, quando houve o grande crack da bolsa de valores de Nova Iorque. O grande futuro super-herói dos Estados Unidos havia tido o sonho com uma ilha que o chamava. Essa parte da história de origem é tão aventuresca que lembra livros como O Coração da Tempestade, de Joseph Conrad. O editor Levi Trindade destaca em sua abertura do encadernado que Millar tentou comparar a crise de 29 com a crise que estamos vivendo agora e que começou lá em 2008.

jupsuperAssim, rumamos para mais um tipo de metáfora, que é a do complexo de Èdipo sobre a população. Ao mesmo tempo que os filhos querem derrubar a autoridade de um pai, o povo quer a derrota da autoridade do Estado. Tanto é que, ao ver que governantes não conseguem manobrar o ocaso da economia mundial, alguns super-heróis resolvem tomar a dianteira e provocar um golpe de estado para assumir o controle dos Estados Unidos e, depois, do mundo. Mas o tiro acaba saindo pela culatra, como em todo golpe.

O Estado acaba se tornando ainda mais totalitário, beirando uma ditadura, com ainda mais levantes populares, e uma eterna vigilância contra rebeldes contra o governo. Qualquer semelhança com a realidade atual do Brasil é mera coincidência. Mas o fato é que as histórias e a História com H maiúsculo ensinam. A esperança reside um alguns super humanos fora-da-lei que conseguiram se esconder dos déspotas mundiais. Como a filha do pai morto pelo filho, no caso, o irmão dela.

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Quem rouba a cena é Jason, o filho da garota com um antigo filho de supervilão. Jason se finge de coitado e, numa espécie de Clark Kent juvenil acaba sendo o maior garoto perdedor da Austrália, país em que vive. Tudo isso para esconder seu plano de que está construindo um sensor na Lua que o ajudará a encontrar os super-heróis rebeldes e escondidos para que lhe ajudem em sua causa contra o governo totalitário mundial de seu tio. Um grande personagem que poderia ser uma Hit-Girl, mas muito melhor orientada e altruísta.

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Já na arte, Frank Quitely peca somente na hora de desenvolver o visual dos personagens super-heróis, com uniformes sem muita criatividade. De resto, sua arte e narrativa são impecáveis. A maneira como eles contam a história é empolgante. Com vilões nem tão vilões e heróis nem tão heróis, com exceção de Jason. Mas ainda temos muitos segredos para descobrir, pois esse é apenas o primeiro volume de O Legado de Júpiter, que sofre num atraso de publicação para que Frank Quitely possa trabalhar bem na sua arte.

Com tantos quadrinhos mega apelativos que Mark Millar produziu durante os anos é bom saber que ele é capaz de fazer um quadrinho que ao mesmo tempo seja divertido, bonito e empolgante e que possa embutir um pouco de consciência política nos seus leitores ao mesmo tempo. Por essa razão, essa me parece a HQ de Mark Millar em que ele conseguiu atingir melhor seu intento de fazer um bom quadrinho.

jupcapa

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