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“Estão Faltando Vilões”, por Luis Fernando Veríssimo

Com tantos filmes de super-herói contra super-herói, como Batman v Superman e Capitão América: Guerra Civil, e filmes de vilões que se passam por heróis, como Esquadrão Suicida, levaram o escritor gaúcho a essa conclusão. Vamos destacar partes de sua coluna e comentar com nosso lastro nerd.

Luis Fernando Veríssimo, escritor gaúcho que completou 80 anos nesta semana, é um ícone do humor, das crônicas e também dos quadrinhos, tendo publicado tirinhas como As Cobras e As Aventuras da Família Brasil. Sempre genial, sua crítica à sociedade brasileira e ao mundo contemporâneo, lhe rendeu muitos leitores e espaços em quase todos os principais jornais diários do país. Foi em sua coluna no jornal O Globo, de 24/04/2016, intitulada “Supers”, que ele falou mais sobre esse aspecto da percepção popular sobre os super-heróis.

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As colunas de LFV costumam sempre brincar ou discutir a percepção popular das coisas.O seu livro, que se transformou em programa na TV Globo, Comédias da Vida Privada costumava ter coisas assim como tema. Se Veríssimo levou o assunto para uma de suas colunas no jornal deve ser porque ele anda ouvindo ou lendo o povo comentar (e por povo, aqui, falo dos “civis”, e não de nós nerds que consumimos todos esses produtos relacionados com super-heróis).

“Superman contra Batman, o filme, é apenas o exemplo mais evidente de uma tendência preocupante, da qual poucos se deram conta. Os super-heróis não estão mais combatendo vilões, alguns reincidentes e tão tradicionais quanto eles, estão combatendo um ao outro. Quem imaginaria que um dia veríamos o Super-Homem e o Homem-Morcego no mesmo filme não como aliados contra o crime mas como inimigos? O que nos espera no futuro?”

O parágrafo acima  é retirado da coluna de LFV. O que me leva a indagar que no mundo atual não sabemos mais distinguir quem são os heróis e quem são os vilões. Ou distinguimos para além da conta. Explico. Até a Segunda Guerra Mundial, o inimigo principal eram os nazistas, depois dela, os comunistas. Depois da queda do Muro de Berlim, ficou bastante difícil estabelecer quem era o verdadeiro “grande inimigo”. Os extraterrestres? As grandes corporações? Os governos?

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Na falta de encontrar alguém para odiar, puf, a sociedade fez seus próprios inimigos. Com as redes sociais pipocando os reais pensamentos das pessoas. Tóin! Fez-se o inimigo: quem pensa diferente de nós. Que nada mais são do que um substituto dos nazistas, dos comunistas e – por que não? – dos extraterrestres. Pensar diferente, hoje, é motivo de guerra. Ou a guerra provocada pelo ISIS não se dá justamente por se pensar diferente? E não foram assim todas as guerras?

Então, é natural que super-heróis que tenham percepções diferentes de como determinada coisa deve ser conduzida entrem em conflito. Se nós, reles mortais, nos odiamos por um apoiar a Dilma e outro o Temer, por um torcer para o Grêmio e outro pelo Inter, imagina se tivéssemos super poderes. BOOM! Acabou o mundo! Que bom que o Criador foi sábio e não permitiu lasers nos olhos dessas criaturas mesquinhas que somos.

Sigo com mais uma citação de Luis Fernando Veríssimo, em sua sabedoria:

“Essa estranha novidade de guerra entre os supers tem outros significados. Do nosso tempo de leitores de gibis até agora, dissolveram-se as barreiras entre o bem e o mal, ou o Bem e o Mal, e nossos heróis perderam a certeza da sua missão na Terra. Hoje não faltam herois, faltam vilões, ou vilões identificáveis com tal. Há uma enorme quantidade de poderes ociosos no mundo, aguardando a volta dos tempos em que não havia dúvidas sobre quem eram os maus, que nunca voltarão”.

Se até os heróis perderam sua certeza de missão na Terra, de saber como é fazer o bem e como não fazer o mal, quem somos nós, fracos e oprimidos, para dizer como um ou outro deve se comportar, quem está com a razão ou não, ou mesmo em quem depositar nossos votos de um futuro melhor – isso mesmo, votar. Só sei que nada sei e minha missão é espalhar a dúvida e o questionamento pela Terra. Talvez essa seja a missão dos novos super-heróis: relativizar e não radicalizar.

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