“Por Toda a Minha Vida Eu Fui Um Espião” A Master Class de Brian Azzarello na CCXP 2016

O escritor de 100 Balas e Cavaleiro das Trevas 3 deu uma aula / foi sabatinado pelo público em um evento no auditório Prime da Comic Con Experience 2016. Ele falou sobre suas técnicas e rotina de trabalho, bem como de seus trabalhos e colaborações com artistas.

Brian Azzarello começou sendo perguntado sobre sua rotina de trabalho. Ele disse que está trabalhando o tempo todo, sua cabeça é como uma esponja que absorve todos os estímulos ao redor dele e ele está sempre pensando em como usar aquilo para seu trabalho. Sua rotina diária começa com a leitura de jornais e carinhos nos gatos, depois, então ele parte para escrever, mas precisa sair de casa ´para fazer isso. Ou vai a um bar, ou café ou ainda em um parquinho com seu laptop.

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O roteirista disse que ele não é nem o escritor mais rápido de todos, mas também não é o mais lento. E contou que quando entrega seu rascunho de roteiro para os editores, ele é quase a versão final. poucas alterações são feitas após isso, uma vez que ele entrega os trabalhos quase sempre depois do deadline, não dando tempo para que os editores possam pedir muitas alterações.

azz100Perguntado de onde tira suas ideias, Azzarello disse que tira de vários lugares. Por exemplo, se sai uma notícia no jornal contando que um homem atirou em outro e estava vestindo um robe. Isso já é o final de uma história. Cabe ao escritor fazer um exercício de imaginação e tramar como a situação chegou àquele ponto. Para ele, os jornais geralmente providenciam finais de histórias. Sobre o seu estilo, ele disse que ainda está desenvolvendo-o, que isso não é algo imutável.

A inevitável pergunta de como um escritor poderia se destacar no mundo dos quadrinhos foi respondida com a resposta “seja visto!”. Para comprovar se um artista é bom, não precisa muito, basta ver sua arte. Mas para legitimar um roteirista é preciso ler páginas e páginas de roteiros. Muitas vezes os editores têm preguiça de fazer isso. A melhor forma de chegar aos olhos de um editor é fazer seus quadrinhos. Faça webcomics, diz ele. Você também precisa ser capaz de comunicar bem.

“Tente escrever uma história curta”, aconselhou, “quanto mais curta melhor”. Ele mesmo começou na Vertigo escrevendo uma história de oito páginas na antologia Weird War Tales. Ele aconselhou não escrever uma epopéia. Não escrever uma primeira história maior que 20 páginas. Ele disse que o aspirante a escritor precisa encontrar um desenhista parceiro, mesmo que muitas vezes esse desenhista seja contratado muito antes do que você.

azzwwSobre sua metodologia de roteiro, ele disse que gosta de escrever no programa Word. Ele primeiro escreve todos os detalhes e depois quebra eles em páginas e cenas. A parte que ele mais odeia no processo é fazer as vezes de diretor de arte. Ele também acha que fazer essa parte no roteiro por parte do roteirista também deve ser odiado pelos desenhistas. Mas é necessário porque este trabalho vai passar pelas mãos de um ou mais editores.

azzdarkAzzarello falou que também é sempre importante ter os finais de suas histórias em mente. Mesmo que estejam planejados para durar quase três anos, como sua run na Mulher-Maravilha. Um quadrinista não deve fazer como nas séries de TV em que os finais são estendidos. “Nunca seja o último a sair de uma festa”, aconselha. Ainda sobre TV, declarou sua admiração pela série Breaking Bad. Disse que os canais por demanda como o Netflix estão usando um modelo que copia o dos quadrinhos. Lançar em contos episódicos mas que podem ser assistidos numa maratona ou num encadernado.

azzbbPerguntado sobre sua técnica de criar diálogos críveis para os personagens de suas histórias, ele disse que o papel dessa ferramenta é passar para o leitor o que os personagens são, o que sentem e o que pensam. Para ele, ouvir as pessoas na rua é a melhor dica. Como escritor, a pessoa deve ser como um espião. Ouvir as colegiais fofocando, as pessoas no ônibus. E declara: “Eu fui um espião por toda a minha vida!”. Para ver se seus diálogos soam naturais, ele confessou que lê-os em voz alta. Mas que nunca faz isso fora de casa. Outro truque é fazer as pessoas discordarem. Se as pessoas travarem um diálogo “Eu gostei da palestra do Azzarello” e a outra “Eu também”, o diálogo se encerra aí e não há razão para que ele exista.

Por fim ele deixou mais uma dica: “Tente ter certeza de que tudo e todos numa história estão lá por uma razão”.

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