As Melhores HQs Estrangeiras Que Li em 2016

Olá mergulhadores! Começaram nossas listas de final de ano! Para iniciar este processo vamos de estrangeiras, e por estrangeiras quero dizer quadrinhos que não são nem americanos e nem brasileiros, que estão alocados em outras categorias. Em seguida teremos outras categorias. Fiquem ligados no blog!

 

MELfarARGENTINA/URUGUAI
Far South, de Rodolfo Santullo e Leandro Fernandez

Pra quem mora quase na fronteira com estes dois países, a aculturação castelhana é um coisa corriqueira no nosso dia-a-dia. Mas eu imagino que para o resto do país essa proximidade com os hermanos possa parecer no mínimo esquisita e no máximo uma heresia. Entretanto, para nós, habitantes da região sul do Brasil, fica fácil se identificar nos “causos” contados nas páginas dessa HQ que saiu pela editora Stout Club. Lembram histórias dos nosso avós, de tempos de guerras federalistas, e os desenhos de Leandro Fernandes, que já trabalhou na série Justiceiro MAX com Garth Ennis também colaboram para dar a HQ esse estilo de faroeste pampeano. Lembra os contos de Simões Lopes Neto, nosso maior literato gauchesco e também muitos contos dos gauchos de Jorge Luiz Borges, mas ainda com aquela influência do quadrinho americano e argentino.


 

rsz_eternauta-edicion-vintage-19572012-oesterheld-solano-lopezARGENTINA

El Eternauta, de Hector German Oesterheld e Alberto Breccia

Caso você nunca tenha tido contato com os quadrinhos argentinos, basta dizer que esta é a maior e mais emblemática obra feita no país de Evita e Perón. Mas diferente dessas duas figuras, os responsáveis por essa HQ sempre foram grandes lutadores contra a ditadura argentina. E isso rendeu algumas histórias bem tristes, como o desaparecimento do escritor de El Eternauta. A HQ foi uma pioneira na maneira de retratar a ficção científica pelos sul-americanos, mostrando uma invasão alienígena e, nesta versão desenhada por Alberto Breccia, a América Latina é dado aos alienígenas em troca da liberdade do resto do mundo e suas grandes potências. Uma crítica contundente de Oesterheld que lhe rendeu os percalços enfrentados contra a ditadura militar argentina. Para ler uma resenha completa sobre esse quadrinho, clique aqui.


MAIautomatas

ARGENTINA

Los Autómatas Del Desierto, de Diego Agrimbau e Fernando Baldó

Na minha última viagem para a Argentina (como se eu fosse pra lá todo ano, quem me dera, só fui duas vezes) fui visitar as comiquerias de lá – passeio imperdível para todo fã de quadrinhos, e pedi uma indicação ao vendedor. Ele me indicou uma HQ muito ruim, mas em compensação, me saiu com essa Los Autómatas Del Desierto, que é muito legal. Fala sobre uma civilização steampunk de robôs que vive numa plataforma andante no meio do deserto. Eles enfrentam nazistas. Ao sequestrar dois deles, passam a apresentar seu mundo maravilhoso de inteligências artificiais para eles. Uma HQ que me trouxe um grande senso de maravilhamento, tanto pela história, mas  principalmente pelo desenvolvimento do mundo inventado por Agrimbau e Baldó. De duas HQs, o vendedor acertou em uma. Manteve as possibilidades nos 50% iniciais.


amnhusband

JAPÃO

My Brother’s Husband, de Gengoroh Tagame

Gengoroh Tagame é famoso no mundo inteiro por ser um dos grandes nomes do mangá bara. Para quem não sabe, bara é o mangá erótico para homens. Enquanto que yaoi é o mangá erótico para mulheres. Mas esse mangá de Tagame não tem nada a ver com bara – a não ser algumas cenas dos personagens no banho. My Brother’s Husband, eu diria, é mais um mangá educativo para héteros saberem como se comportar com gays. Praticamente um manual de etiqueta. A história mostra um pai e sua filha lidando com a visita do cunhado do pai, que era casado com seu irmão gêmeo no Canadá. Assim, reparamos que a criança lida com mais naturalidade com o fato de seu tio ser gay do que o seu pai. Assim, Tagame mostra que toda essa barreira que as pessoas constroem ao redor dos gays, não é feita de outro material do que de ideias preconcebidas, nosso famoso amigo, o preconceito.


amnlovingdeadITÁLIA

Loving Dead: Amor Zumbi, de Steffano Rafaelle

Bem, quando esse mangá/fumetti saiu pela primeira vez pela Astral Comics, eu até fiquei interessado, mas achei caro demais. Então vi nas bancas uma promoção de dois pelo preço de um e resolvi tentar. Achei bem interessante uma história de zumbi – dessas que pululam aos montes desde The Walking Dead – que fale sobre uma história de amor pós-apocalíptica. Mas o que me chamou mais a atenção é que na HQ existe uma personagem transsexual e, por acaso, ela é a chave para a cura da praga zumbi. Ela acaba quase tomando o protagonismo do casal principal de tão interessante que é. Claro que tinha de ser uma publicação européia a enfocar um personagem como esse. Nesse quesito estão anos-luz à frente das americanas, puritanas e rançosas.


aaabarbaINGLATERRA

A Gigantesca Barba do Mal, de Stephen Collins

Um lindo conto de como tentar ser normalzinho e padrãozinho pode levar as pessoas à loucura. O símbolo aqui nessa fábula é a barba. Na cidade de AQUI, todos os homens são extremamente bem barbeados, mas o surgimento de uma barba gigantesca, incontrolável, “do mal”, pode pôr em risco toda a organização e perfeição da ilha de AQUI e trazer, então, a influência de algo maligno e nefasto: as idéias de LÁ, que fica muito além do oceano. Essa história pode ser lida por todas as idades e pode ser entendida por quem estiver disposto a entender. Afinal, vocês sabem, nem todo mundo está disposto a entender e aceitar as diferenças e imiscuir as ideias de LÁ que são tão diferentes do modo de viver de AQUI. Um quadrinho que realmente faz pensar e um dos melhores do ano.


Bem, povo, é isso aí que temos pra hoje no caso de quadrinhos estrangeiros. Na próxima postagem traremos os 10 melhores quadrinhos americanos que li em 2016 e que não são nem Marvel, nem DC, nem Vertigo! Fiquem com a gente!

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