Os Melhores Quadrinhos da Vertigo Que Li em 2016

De novo, essa lista contém praticamente relançamentos ou coisas de anos atrás lançadas pela primeira vez aqui. Será que as coisas que estão ficando chatas ou sou eu que estou ficando um velho, chato, exigente e resmungão com os quadrinhos? Que dilema! Bem, vamos lá aos melhores quadrinhos da Vertigo que li em 2016!

VERastroASTRO CITY, DE KURT BUSIEK, BRENT ANDERSON E ALEX ROSS

Já pensou se você pudesse criar, numa HQ, uma homenagem à todos heróis que existiram. Pense naqueles heróis que você criou na infância, nos seus desenhos, com os amiguinhos, que pareciam e muito com outros que  já existem. Imagine tudo isso numa mesma cidade. Esse é, praticamente, o mote de Astro City de Kurt Busiek e Brent Anderson, com capas e conceitos de Alex Ross. Entretanto, Kurt Busiek domina tanto a arte da narrativa como domina a história e as histórias de super-heróis. O resultado é muito mais que uma bela homenagem, são aventuras empolgantes e emocionantes de heróis conhecidos que acabamos de encontrar pela primeira vez, quase sempre através da perspectiva da pessoa comum moradoras da cidade dos heróis, Astro City.

Leia mais sobre Astro City aqui.


VERnavioO INESCRITO: O NAVIO QUE AFUNDOU DUAS VEZES, DE MIKE CAREY E PETER GROSS

Que pena, essa foi a última publicação de Inescrito que precisava sair no Brasil. O Inescrito é uma das minhas séries preferidas da Vertigo, depois de Sandman e Y: O Último Homem. Ela possui uma intersecção com as histórias literárias  e uma metalinguagem intensas. E tudo começa com um menino, agora crescido, cujo pai se inspirou nele para criar um personagem literário no melhor estilo Harry Potter. A série é recheada de referências como Sandman, o que me levou a dizer que O Inescrito poderia suprir o espaço deixado por Sandman na Vertigo, ainda que eu tenha usado a palavra “substituto” e isso tenha causado uma certa polêmica com quem leu o artigo. Entretanto, esse encadernado é uma ótima porta de entrada para o universo de Inescrito.

Saiba a razão de eu ter comparado O Inescrito com Sandman.


MPJhanascidoHOMEM-ANIMAL: NASCIDO PARA SER SELVAGEM, DE PETER MILLIGAN E STEVE DILLON

Ok, pode ser que Grant Morrison tenha reinventado o Homem-Animal, mas sorry, bitches, o melhor encadernado com o herói é, definitivamente, o com os roteiros de Peter Milligan e os desenhos do artista Steve Dillon, que nos deixou prematuramente este ano. O texto de Milligan é gostoso de ler e ele ainda se aproveita da técnica de William S. Burroughs para compor suas histórias psicodélicas – embora eu, que tenha lido o Almoço Nu, de Burroughs, prefira de longe a utilização de Milligan. Sim, é tanta viagem quanto outra HQ de Milligan aqui, o Shade. Mas é aquela viagem que dá um barato bem legal e não aquelas bad trips da maconha misturada com palha e bosta que você comprou baratinho. Tenho certeza que você vai tirar um bom proveito dessas histórias. Vai rir, se divertir e viajar sem precisar fumar ou cheirar ou injetar nada.


Patrulha_do_Destino_Rastejando_dos_EscombrosPATRULHA DO DESTINO, DE GRANT MORRISON, RICHARD CASE E VÁRIOS ARTISTAS

Outro grande relançamento da Vertigo que veio nutrir uma carência de mais de duas décadas foi a Patrulha do Destino de Grant Morrison. Que fique definido aqui que eu não venero o Momó e nem pretendo criar uma religião dos Morrisettes, mas eu respeito muito o cara – por mais que eu ache que uma convenção só sobre você seja egolatria demais. Mas Patrulha do Destino é um quadrinho velho que ainda guarda um frescor inovativo e revolucionário que muitos dos quadrinhos de hoje não têm. Parece que o protagonista dessas histórias não é a Patrulha, mas os vilões, que estão todos preparados para espalhar o caos no mundo. E a Patrulha? Bem, a Patrulha não quer instaurar a ordem, ela só quer dizer ao mundo: aceite o caos, todos nós somos caóticos, mas esses vilões, bem, estão abusando por demais, então vamos lá acabar com eles. E é o que eles fazem, não sem antes espalhar personagens-conceitos interessantíssimos e formidáveis.

Veja como toda a inspiração de Morrison começou com a Patrulha do Destino.


Shade-o-Homem-Mutável-O-Grito-Americano-PaniniSHADE: O HOMEM MUTÁVEL, DE PETER MILLIGAN E CHRIS BACHALO

Tá bom, queridjeenhos, se tem uma HQ que é a HQ do ano da Vertigo, na minha amadíssima opinião, é Shade: O Homem-Mutável. Peter Milligan é brilhante, principalmente nessa primeira fase da Vertigo. Ele pega um personagem viajante interdimensional criado por Steve Ditko nos anos 60 e o mescla com um assassino serial prestes a ser eletrocutado. Seria loucura o bastante se esse personagem, Shade, não se juntasse com uma menina cuja família foi toda assassinada por esse criminoso. Juntos, os dois partem numa jornada para defrontar a loucura que se apossou dos Estados Unidos. Loucura, loucura, loucura, bicho! O que pode ser mais legal, divertido, nonsense e psicodélico do que um quadrinho que tem como tema principal a desordem mental? Ah, pois é!


MAIhistoryA HISTORY OF VIOLENCE, DE JOHN WAGNER E VINCE LOCKE

Esse é um quadrinho que faz parte da série Vertigo Crime, que saiu por aqui pela NewPop. A diferença é que talvez esse seja o quadrinho mais famoso dessa leva porque foi adaptado para os cinemas pelo diretor David Cronenberg e virou o filme Marcas da Violência, estrelado por Viggo Mortensen, o eterno Aragorn. Quando um pai de família precisa defender sua loja e sua cidade de um ataque de criminosos, todo o seu passado secreto como um agente da máfia vem à tona. Agora, ele precisa lidar com as consequências de seus atos anteriores antes que comecem a interferir com o destino da família e da cidade que ele tanto ama. O quadrinho, como sempre, é bem parecido com o filme, entretanto, cada um tem os seus pontos positivos e pontos negativos.


verconstaJOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER – DEMONÍACO – VOLUME 01, DE EDDIE  CAMPBELL, PAUL JENKINS E SEAN PHILLIPS

Essa HQ entrou na lista pela persistência da Panini e do Fabiano de trazer TODA a série do Constantine pela Vertigo no Brasil. Acho que desde que saiu da Abril, ninguém nunca imaginou que Constantine teria tantas histórias assim publicadas por aqui. Quanto às histórias, temos um arco sensacional escrito por Eddie Campbell (Do Inferno) e um arco que cumpre a burocracia por Paul Jenkins (Inumanos, Sentinela). Também chama a atenção o trabalho de arte de Sean Phillips que foi o artista que mais trabalhou com Hellblazer, levando à contratação de outros artistas com estilo semelhante, como Leonardo Manco e Marcelo Frusin. Espero que seja o começo de belas (no máximo que o personagem permitir) histórias para o título Hellblazer no Brasil.


E você, caro leitor vertiguento (inventei essa agora), quais foram suas melhores leituras Vertigais do ano? Conheceu alguma série cânone que nunca tinha lido? Encontrou uma boa série nova? Diga lá! Lembrando que nossa próxima e derradeira lista será a dos Melhores Quadrinhos Brasileiros de 2016. Stay tuned!

Anúncios

4 Comments

  1. Esse uma história de violência, do Matt Wagner que você disse que saiu aqui pela Newpop eu não encontrei no guia dos quadrinhos e nem no mercado livre. Tem certeza que essa publicação saiu no brasil?

    Curtir

    1. Oi Murilo! Talvez eu não tenha me expressado direito. Alguns títulos da coleção Vertigo Crime saíram pela NewPop. Não foi o caso de History of Violence. O quadrinho que eu li, eu comprei em uma feira, de um amigo editor, importadex mesmo. Aliás, tem vários títulos dessa coleção que não saíram no Brasil. Eu cheguei a fazer uma avaliação da coleção Vertigo Crime que saiu no Brasil nestes links aqui:
      https://splashpages.wordpress.com/2013/06/14/avaliacao-geral-vertigo-crime-1/
      https://splashpages.wordpress.com/2013/06/15/avaliacao-geral-vertigo-crime-2/
      Abraços!

      Curtir

  2. Cara, adorei essa lista. A Polícia das HQs confiscou minha carteira do Clube do Carequinha essa semana quando troquei “Sete Soldados da Vitória” do Grant Morrison por “Superman: o que aconteceu ao homem de aço?” do Alan Moore no sebo aqui do centro da cidade. Todavia, é inegável: “Patrulha do Destino” é mesmo divertida. E se me faltava motivo pra começar leitura do encadernado do “Homem-Animal” do Peter Milligan, essa analogia com drogas já me convenceu. Por fim, da sua lista estou cada vez mais fascinado pelas leituras de “Shade” e “Astro City”. Longa vida às Vertiguetes do Brasil.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s