Uma Comparação Entre o Livro Ilustrado e as Histórias em Quadrinhos

Uma história em quadrinhos pode ser considerada um livro ilustrado? E se não quais são as semelhanças e as diferenças entre essas duas maneiras de contar histórias? Descubra a seguir!

Livros ilustrados e histórias em quadrinhos se utilizam de duas linguagens, o texto e a imagem. Uma das diferenças principais entre os dois é que enquanto os quadrinhos se utilizam de uma composição de texto/imagem bem próximas, chamadas de justaposição, os livros ilustrados, em geral utilizam esse binômio de maneira mais distante espacialmente. Bons exemplo de adaptações de livros ilustrados para quadrinhos são as feitas por P. Craig Russel para os livros Coraline e Sandman: Os Caçadores de Sonhos, ambos de Neil Gaiman e ilustrados (os livros) por Dave McKean e Yoshitaka Amano. Servem de boa comparação de como funciona a dinâmica nas duas mídias.

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DisplayStation

Sophie Van der Linden, em seu livro Para Ler o Livro Ilustrado, classifica as histórias em quadrinhos como um tipo de livro ilustrado, cujas demais categorias seriam: livro com ilustração, primeiras leituras, livros ilustrados, livros pop-up, livros-brinquedo, livros interativos, livros imaginativos e de tipologia impossível. Sophie define histórias em quadrinhos como “forma de expressão caracterizada não pela presença de balões e quadrinhos, e sim pela articulação de ‘imagens solidárias’. A organização da página corresponde, majoritariamente, a uma dimensão compartimentada, isto é, os quadrinhos que se encontram justapostos em vários níveis”. (2011, p. 24 e 25)

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Livrai-nos do mal!

Em um texto dentro do livro de Sophie, Nicolas Branco-Levrin declara que “A diferença principal, para mim, entre o livro ilustrado e as histórias em quadrinhos é a forma de expressar a percepção do tempo. No livro ilustrado, tanto o texto como a imagem é que darão a indicação de tempo. Na história em quadrinhos, o tempo entre duas imagens é determinado pela ação e, em geral, o desenho é que oferece os indicadores temporais” (2011, p.46)

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Mona, que panos lindos! Onde comprou tinha pra homem?

Assim, Sophie diz que alguns criadores de livros ilustrados costumam utilizar uma diagramação de páginas próximas às de uma história em quadrinhos, emoldurando imagens ao longo da página. “Embora, em alguns casos, os criadores possam produzir páginas que se assemelham a pranchas de histórias em quadrinhos, a diagramação do livro ilustrado contém algumas especificidades. Maiores em tamanho e quantidade, as imagens são mais subordinadas ao movimento da continuidade entre as páginas. A compartimentação do espaço é menos importante, e as imagens se organizam principalmente em um nível ou dois, como é o caso de livros de Claude Ponti, Yvan Pommaux e Raymond Briggs”. (2011, p. 69)

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Raposa velha?  Sim, temos em Brasília!

Enquanto nos quadrinhos temos a nomenclatura de páginas e quadros, nos livros ilustrados essa semântica se dá com telas e molduras. As revistas em quadrinhos são baseadas em uma narrativa página por página, por sua vez, os livros ilustrados são baseados em uma dinâmica de página dupla, em que, geralmente, o texto fica na página esquerda e a ilustração na página direita. “Se a história em quadrinhos narra de quadrinho em quadrinho, pode-se dizer que o livro ilustrado, por sua vez, narra de página por página, muito embora elas comportam várias vinhetas. Os princípios de diagramação devem ser entendidos em função dessa forte relação com a página dupla e da capacidade de se basear na sucessão de páginas”. (2011, p.78)

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Depois de Coraline, temos a Caralina! (erótico)

Percebemos dessa maneira que, apesar de as histórias em quadrinhos serem incluídas como uma categoria de livro ilustrado, elas possuem características bem peculiares que a diferenciam do livro ilustrado em geral e a tornam única. E emboras as duas formas de se comunicar exigem uma conjunção de texto e imagem para serem compreendidas em sua totalidade, a dinâmica que isso dá na criação e na recepção das duas mídias é bem diferente. Entretanto essas semelhanças e/ou diferenças não reduzem a importância de cada meio e nem diminuem sua eficácia como narrativa. Um viva às duas!

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