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Ele Não Surfa Nada! Porque Eu Não Gosto do Surfista Prateado

O Surfista Prateado é conhecido como o herói cósmico, filosófico, que gosta de questionar as coisas do mundo e de fora do mundo. Isso pode torná-lo muito legal ao mesmo tempo que pode deixar ele um chato de galochas para granizo. Vou explorar um pouco da história deste herói para que você entenda porque eu não gosto do Surfista Prateado.

 

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Bla, bla, bla, Whiskas Sachê!

O Surfista Prateado surgiu durante a saga O Surgimento de Galactus, nas revistas 48 a 51 do Quarteto Fantástico. Galactus, o seu mestre, era um devorador de mundos que enviava o Surfista Prateado como arauto da sua destruição. Era o Surfista quem escolhia os mundos a serem colhidos por Galactus. Um belo dia ele chegou à Terra e tudo mudaria na sua existência, uma vez que o Quarteto Fantástico, com a ajuda do Vigia, derrotou Galactus. Eles também conseguiram, com a ajuda da escultora cega Alícia Masters, a convencer o Surfista a se voltar contra seu criador.

A IDEIA DE JACK KIRBY E A REVISTA DE STAN LEE

 

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Olha a mão boba!

Jack Kirby sempre reclamou por ter criado o Surfista Prateado sozinho e não junto com Stan Lee. Depois da criação do personagem, estava certo que ele ganharia revista própria. Mas seria por Lee e Kirby? A princípio sim. Mas essa história acabou ganhando as páginas de uma anual da família fantástica. Mas a discussão sobre a abordagem para o Surfista entre Lee e Kirby era grande. Enquanto Kirby queria que ele fosse um guerreiro espacial, Lee queria que ele fosse um filósofo das galáxias. Isso aconteceu desde sua primeira aparição, onde, através do método Marvel, Kirby encheu as partes do Surfista de ação e Lee, por sua vez, o tornou um personagem verborrágico e filosofante.

 

Kirby queria que ele fosse frio e Lee queria que ele se compadecesse da existência terrena. Isso o afastava do jeito Spock e o levava a um O Pensador, de Auguste Rodin, só que ainda mais pensador e ainda mais depressivo. O Surfista virou, então um andarilho hipersensível que se deparava com as fraquezas dos terráqueos e se compadecia deles com olhos de cachorrinho pidão. Lee chamou John Buscema para desenhar a revista. Dizem que essa foi a gota d’água para Kirby largar a Marvel e retornar à DC Comics, onde ele e Joe Simon (o outro criador do Capitão América) deram vida ao gênero de quadrinhos de romance.

É essa retratação que Stan Lee deu ao Surfista que me irrita profundamente. O Surfista Prateado parece seguir a linha “não dê o peixe, ensine a pescar”. Ele é aquele ser pedante e que se acha superior aos outros, passando conselhos e sermões para que “esses seres inferiores” saibam se virar como ele fez. É uma maneira de como o rico encara o pobre, de um jeito meritocrata e paternalista. Mas enquanto o Surfista Prateado possui o poder cósmico que lhe permite fazer quase de tudo, o ser humano possui apenas suas habilidades inatas.

A PARÁBOLA DE MOEBIUS

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As Parábolas de Djeezuz. Não, pera…

O Surfista Prateado, com suas confabulações e sermões sobre o mundo, acabou se tornando um personagem cult, tendo sido citado em filmes como A Força do Amor, uma refilmagem com Richard Gere do filme francês O Acossado, de Jean-Paul Godard. Sua influência foi tão grande que reverberou na capa do álbum Surfing With Alien (1987), do músico e guitarrista Joe Satriani. Tendo isso em mente, o personagem foi escolhido para estrelar uma graphic novel chamada Parábola, com texto de Stan Lee e desenhos do mestre dos quadrinhos franceses, Jean Giraud, o Moebius.

Por causa de várias inconsistências com as histórias correntes do personagem, a graphic novel, que foi publicada inicialmente como uma minissérie em duas edições foi tida como se passando em uma dimensão paralela. A série ganhou em 1989 o prêmio Eisner de melhor edição única/minissérie. Você pode ler uma declaração de Moebius sobre o conteúdo e o processo de criação de Parábola aqui neste link.

O SURFISTA DE JIM STARLIN

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Doutor, eu não me engano, meu coração está nas mãos do Thanos!

Norrin Radd, o alter-ego do Surfista Prateado teve várias revistas durante os anos até hoje. Mais de cinco volumes entre ongoings e minisséries. Entretanto o volume que durou mais edições foi o iniciado em 1987 por Steve Englehart. Ele durou mais de 150 edições. Entretanto Stan Lee não curtia muito o approach que Englehart dava para o Surfista. O “o cara” tinha ficado magoadinho. Stan Lee tinha em mente que ele seria o ÚNICO que poderia mexer com o personagem. Aham, Claudia, senta lá!

Após Englehart deixar o título no número #31, quem assumiu foi o deus das sagas cósmicas, Jim Starlin. No título de Starlin, diferente da abordagem de Lee e Englehart, os autores não levavam a história do arauto de Galactus a sério, inserindo diversos elementos cômicos na história, embora o Surfista nem sempre captasse a ironia das coisas.

A série teve muito sucesso de vendas pois estava intimamente interligada às sagas cósmicas de Jim Starlin, como Desafío Infinito, Guerra Infinita e Cruzada Infinita. Nela havia muitas participações de Thanos, Adam Warlock, Mefisto, Drax e até do Homem-Impossível. Este também foi o título do Surfista com mais edições publicadas no Brasil: foram 52. Inclusive edições inéditas do título estão saindo na coleção vermelha da Salvat. Essa abordagem light do Sufista Prateado me agradou muito mais que qualquer outra versão já feita dele.

O SINGRADOR DO ESPAÇO DE DAN SLOTT E MIKE ALLRED

Depois de Jim Starlin, quem seguiu no título foram J. M. DeMatteis e Ron Marz, que voltaram à abordagem de frieza filosófica no personagem que eu sempre odiei. Ele também era retratado dessa maneira frequentemente nas demais revistas Marvel. Uma grande exceção foi a minissérie Defensores de J.M. DeMatteis, Keith Giffen e Kevin Maguire, inspirados na sua versão cômica da Liga da Justiça. A essa mini seguiram-se pelo menos quatro minisséries e um título de vida breve por Greg Pak após a saga Planeta Hulk estrelando também o filho do Hulk, Skaar.

supallred

Socorro! Beatnicks!

Talvez inspirados nessa versão, Dan Slott e Mike Allred trouxeram em 2014 um Surfista mais descolado com a ajuda da personagem Dawn Granger, que começou a acompanhá-lo ao redor do universo e questionando o seu modo de viver e encarar a vida. Isso tornou a revista muito mais interessante. Não era mais o ser todo-poderoso passando sermão nos humanos fracotes e era uma mulher, humana fracote quem passava um belo pito no todo-poderoso ser cósmico. Pra essa versão do Surfista Prateado, então, eu bato palmas. Mas que Norrin Radd continua sendo um chato de galochas para granizo, ah, isso ele continua!

surcapa


Fiquem com a música Sugfista Calhogda, de Os Replicantes, que inclusive virou um álbum de quadrinhos com o mesmo nome:


Mais HATE, especialmente pra VOCÊ!

Justiceiro

Batman

Professor X

 

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7 comentários

  1. Mas que a concepção de um ser que utiliza uma prancha para singrar o espaço…isso sim é muito interessante. Analisando a sua personalidade, pode se traçar um paralelo com o Doutor Manhattan.

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    • Guilherme Smee diz

      Sim! Ele pode ser um personagem legal e e interessante. Isso depende é do enfoque que o roteiristas der para ele. O do Stan Lee é BOOOOORING! Abs!

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  2. Eu fico um pouco em cima do muro com ele. Gosto, mas não gosto.
    Eu acho interessante um ser com tanto conhecimento fazer certos questionamentos sobre a humanidade, muitos deles nos fazem refletir sobre nosso comportamento e talz.
    Mas ele não precisava ser o Surfista Prateado…
    Fora que ele é quem faz o meio-de-campo entre o planeta a ser devorado e seu devorador. E graças a ele que o Sr. Fantástico já barganhou, fez Galactus trocar nosso planetinha sujo e surrado pelo aquecimento global por um outro planeta… que Richard não tinha nem certeza se era habitado ou não…

    Deixa eu ir embora, que tô ficando chato igual ao Surfista. Fui!

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  3. Pingback: Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2017 | Splash Pages

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