As 3 Continuidades dos Quadrinhos

Peraí! Como assim os quadrinhos têm três continuidades? Eu achava que só existia uma! Bem, é disso que vamos falar agora porque para que um quadrinho seja bom, é essencial que ele siga as três continuidades dos quadrinhos. E, migo, não fui eu quem disse, foi o Denny O’ Neil no Guia Oficial de Roteiros da DC Comics. Belê?! Então vem comigo!

Se você quer começar a escrever quadrinhos no estilo americano, bem, o Guia Oficial DC Comics: Roteiro é o livro que eu indicaria. Este livro é escrito por Denny O’Neil, um roteirista com mais de 50 anos de carreira nos quadrinhos que, entre muitas histórias, foi responsável ao lado de Neal Adams pela célebre fase social do Arqueiro Verde e do Lanterna Verde. Ele também redefiniu a Mulher-Maravilha e o Superman para os anos 70. Para os fãs mais jovens, talvez ele seja mais conhecido por ter sido escritor e editor das megassagas do Batman, A Queda do Morcego e Terra de Ninguém.

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Entretanto, se você já começou a escrever roteiros, bem, talvez esse livro ensine boas dicas de como organizar as ideias e a deixar claro alguns termos e formatos que a indústria dos comics utiliza. Ele foi uma dos meus guias quando li em scan pela primeira vez – além de raro era caríssimo – e agora, que obtive o livro físico com um amigo, a releitura foi uma redescoberta e ajudou a acessar soluções para alguns momentos em minhas histórias. Ou seja: é bom ter esse livro sempre à mão. Ou a um “clique” no caso da “versão digital”.

É nesse livro que O’Neil apresenta as três continuidades dos quadrinhos. Lá ele nomeia como Continuidade A, Continuidade B e Continuidade C, mas eu vou dar nomes aos bois para que ninguém aqui – nem eu, nem você – se perca no raciocínio. Vamos lá!


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CONTINUIDADE A – INTRÍNSECA

“É. melhor chamá-la de ‘consistência’. Quando é feita apropriadamente, assegura que tudo dentro da história (ou do arco da história ou série) fica o mesmo página por página, edição por edição. O nome de um personagem não muda. Seu cabelo é da mesma cor, e é penteado da mesma maneira, durante todas as histórias. Seu carro, suas roupas, partamento, trabalho, cidade onde mora, parentes e amigos – tudo sobre ele é consistente, a não ser que o enredo exija explicações”.

Essa continuidade é aquela que é observada nos filmes de cinema. Lá, temos dois profissionais para essas funções. O Continuista, que verifica as posições de pessoas, objetos, figurinos e cenários numa cena e o Supervisor de Roteiro que vai cuidar as falhas na escrita, como nomes errados, por exemplo, ou discrepâncias de ordem cronológica. Já nos quadrinhos, essa é a função do editor, que vai supervisionar tanto a continuidade do roteiro quanto da arte. Por isso, uma boa comunicação entre desenhista e roteirista é essencial para evitar percalços como estes.


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CONTINUIDADE B – HISTÓRICA

“É similar à continuidade A, mas tem um escopo bem maior. Refere-se à consciência dentro de toda uma série, não apenas uma história única. Além das consistências mencionadas acima, a continuidade B tem relação com a História (com H maiúsculo) de personagens importantes, de forma que uma edição esteja inserida dentro de anos (às vezes décadas) de histórias desses personagens sem entrar em contradição”.

Aqui percebemos a importância da pesquisa em uma história em quadrinhos. Não apenas para os fatos históricos do mundo real – por exemplo, se você vai escrever uma história nos anos 50, é importante saber os costumes da década, afinal, ninguém usava smartphone naquela época -, mas também o vestuário, os cenários, a arquitetura, a cultura em geral, para dar verossimilhança à sua história. Mas também é importante saber, na indústria dos comics, os fatos que se sucederam anteriormente com o personagem em questão, principalmente nas histórias retconadas, ou seja, que pegam elementos passados e os trazem com outra carga para o presente.


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CONTINUIDADE C – EXTRÍNSECA

“É a continuidade B num sentido mais amplo, e se aplica apenas a personagens que são parte de um “universo” ficcional bem desenvolvido, o que significa, pelo menos por ora, quadrinhos publicados pela Marvel e DC. tem a ver com relacionamentos de centenas de personagens e acontecimentos e uma vasta cronologia, que engloba passado, presente e futuro”.

Agora sim, estamos falando da continuidade muito discutida dos quadrinhos. Nas séries de TV isso seria facilmente resolvido com uma consulta à Bíblia da Série, ou seja, um documento que contém todas as informações essenciais para o “universo” da série em questão. Nos quadrinhos, não temos isso. As editoras costumam consultar os “Policiais da Continuidade”, que são desde fãs, a historiadores, a freelancers.

São essas pessoas que costumam escrever os famigerados guias de personagens da Marvel e da DC Comics. Mas esta prática tem caído em desuso, principalmente porque os roteiristas e principalmente os editores, resolveram deixar esse trabalho para lá e se importar só com o que está acontecendo no momento. Ainda que haja grandes discrepâncias e que elas sejam flagrantes.

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Por fim, depois de toda essa explanação, finalizo com mais palavras de Denny O’Neil: “A continuidade é um instrumento da narrativa. Mas não é uma estrutura sagrada. É bastante útil lembrar a diferença entre um rabo e um cachorro, e lembrar quem balança quem”. E nas palavras de Stan Lee: “‘Nuff Said!”.

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