Melhores Leituras do Mês, quadrinhos, Resenhas
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Melhores e Piores Leituras de Março de 2017

Março! A Carne é Fraca e o Carnaval! Todo mundo prensado e moído pelo carro alegórico das festas e das fraudes na carne. Delícia, delícia! Assim você me mata! Mas nesse mês tivemos confeccionada uma lista de leituras bem versátil e erudita, vão de super-heróis a quadrinhos brasileiros, passando por Star Wars e os mangás. Tá bem diverso, dá uma olhadinha ali, ó:

MARwickedTHE WICKED + THE DIVINE, DE KIERON GILLEN E JAMIE MCKELVIE

Eu já havia resenhado essa HQ quando li , o volume que comprei em uma promoção em Londres, mas ler ele em português com uma tradução bem feita é diferente. Acabei gostando ainda mais do quadrinho que trata de uma congregação de deuses que sempre esteve pelo mundo, mas que dessa vez eles vêm na forma de cantores pop, para depois, morrerem e renascerem com uma outra forma. Os desenhos de Jamie McKelvie dão um visual moderno e matador para os personagens, muito inseridos na moda e na nossa cultura pop. Uma baita recomendação para vocês.

Você pode ler uma resenha completa da edição americana desta HQ neste link.


MARdeadlettersDEAD LETTERS: OPERAÇÃO EXISTENCIAL, DE CHRISTOPHER FABELA E CHRIS VISIONS

Na contracapa dessa HQ diz que ela pode ser o próximo Preacher. Ok, não vamos exagerar, ela até tem alguma coisinha a ver com a série de Garth Ennis, mas esse ponto é a perversão da religião católica. De resto, nada tem a ver com Jesse Custer. A premissa é sobre um detetive que acorda em um lugar desconhecido e ele está sem memórias. Logo ele descobre que o lugar se chama Aqui, e é uma versão do Purgatório. Depois de se envolver com mafiosos do lugar, lhe é dada uma missão, encontrar uma informante desaparecida. Mas nada é tão simples como parece. Um enredo bastante intrigante e promissor, personagens divertidos e peculiares. Entretanto a arte e a narrativa de Chris Visions me deixaram bastante confuso em alguns momentos. De qualquer forma, é uma boa HQ, que vale a conferida.


MARcanaryCANÁRIO NEGRO: ROCK’N’ROLL, DE BRENDEN FLETCHER, ANNIE WU, MATTHEW ROSENBERG, SANDY JARRELL E MORITAT

Esse segundo encadernado da fase em que Dinah Lance comanda uma banda de rock consegue ser ainda melhor do que o primeiro. Além das rusgas na banda, dessa vez encontramos Dinah imersa em um mistério que envolve sua mãe e os segredos de suas técnicas de artes marciais. Temos dois destaques nesse encadernado. O primeiro é a participação da Batgirl, auxiliando a Canário a ir mais fundo no passado de sua família. O segundo é uma história solta do início da carreira da banda, que mostra a Canário Negro sendo contratada para a festa de uma menina rica, mas não desconfiam que estão indo direto para um antro de vilões de Gotham. Essa história é escrita por Matthew Rosenberg e desenhada por Moritat. Enfim, esse segundo encadernado da Canário Negro é uma ótima pedida.


MARgonGON: TUBARÕES E CARRAPATOS, DE MASASHI TANAKA

Esse é o último mangá da série GON que saiu aqui no Brasil. Gon é um dinossaurinho simpático, devastador e voraz que convive com bichos em dezenas de habitats. As histórias giram em torno da dinâmica predado/presa. A narrativa de Tanaka é incrível, ele traz uma história com desenvoltura, mesmo que ela não tenha nenhum texto. Mas o mais incrível é como o autor consegue manter o realismo na retratação dos animais e ao mesmo tempo conferir expressões para os seres que acabam sendo as condutoras da história. Este volume, diferente dos outros dois, apresenta quatro histórias e não três, se tornando o maior volume da série. Uma ótima leitura para quem curte mangá, narrativas mudas, o NatGeo e o Animal Planet.


MARalémmikaALÉM DOS TRILHOS, DE MIKA TAKAHASHI

Será que esse é o quadrinho mais fofo do ano? Sim ou com certeza? Olha, pelo menos até março ele é! O quadrinho conta a história de um coelhinho faxineiro de uma estação ferroviária que vai partir em uma busca. Todo nós somos incompletos. Nascemos, ou talvez nos tornamos assim. Enquanto estamos no mundo tentamos buscar preencher essa incompletude. Mas buscamos isso em coisas tão supérfluas e inalcançáveis, que fica difícil se tornar aquele todo desejado. Às vezes, para que isso aconteça, precisamos fugir da rotina, cometer algumas loucuras, acolher coisas dentro da gente que nunca imaginamos. Aí sim, entendemos que o que buscamos não é nada raso ou sem significado, mas uma busca incessante que pulsa dentro de nós até que nossa luz se apague. Além dos trilhos é mais ou menos sobre isso.

Você pode ler a resenha completa dessa HQ, por Phellip Willian, aqui neste link.


MARvaderSTAR WARS: DARTH VADER – VADER, DE KIERON GILLEN E SALVADOR LARROCA

Neste encadernado, que tem ligação com o primeiro da linha Marvel/Star Wars, ficamos sabendo como Darth Vader obteve a informação de que Luke Skywalker era seu filho. Um encadernado bem mais interessante que o da série principal, diga-se de passagem, tanto no roteiro como nos desenhos. Também nos deparamos com novos personagens: a intrépida e cativante Doutora Aphra e as versões homicidas e destruidoras de C-3PO e R2-D2, que acabam servindo de alívio cômico, mas num humor muito, muito hã… dark side. Entendo que esse encadernado pode ser uma boa porta de entrada para quem quer curtir os novos quadrinhos dessa nova continuidade de Star Wars. Em breve, também será lançado um encadernado compilando a minissérie da Princesa Leia, para os saudosos de Carrie Fisher.


MARmissonarioMISSIONÁRIO, DE GORDON RENNIE, FRANK QUITELY, GARRY MARSHALL E SEAN LONGCROFT

Missionário é um dos suplementos da revista Juiz Dredd Megazine e, assim como o Juiz, se passa no futuro e contém mutantes radioativos. Entretanto, diferente do bom Juiz, a história tem ambientação western e durou algumas poucas edições. O mérito da série, entretanto, é ter revelado uma das grandes estrelas dos quadrinhos de super-heróis americanos: Frank Quitely, que surpreende com sua bela arte mesmo em início de carreira. Porém, apesar do que diz a capa e a divulgação da HQ, essa HQ é 60% desenhada pelo escocês e 40% desenhada por outros artistas, como Sean Longcroft que possui um traço iniciante quase underground e uma afronta aos padrões da indústria. As histórias são interessantes, principalmente as desenhadas por Quitely. Quem gosta de Juiz Dredd, certamente irá curtir.


MARxmen92GUERRAS SECRETAS: X-MEN ’92, DE CHRIS SIMS, CHAD BOWERS E SCOTT KOBLISH

Não tinha como eu deixar de resenhar essa HQ aqui. E olha que ela quase não saiu no Brasil. Mas eu, assim como muitos brasileiros, começou a gostar de X-Men graças ao desenho que passava na Tv ColOsso nos anos 90. Então bateu aquela saudade. Ia comprar a HQ por nostalgia, estava com medo que fosse outra X-Men Forever. Mas me surpreendi. X-Men’ 92 é muito bom. Claro, não vá esperando total fidelidade ao desenho, afinal Westchester é um reino circunscrito ao Mundo Bélico sob o domínio do Doutor Destino. Também há elementos novos colocados aí, como a presença de Cassandra Nova como a grande vilã do arco. Mas os shoppings centers, a guerra vilões e mocinhos, o preconceito, a sala de perigo, Senador Kelly, batalhas mentais, tudo que fazia o desenho tão revigorante e tão fiel aos quadrinhos está presente nessa mini. E a Panini já anunciou que vai publicar a série que durou dez números nos EUA! A mim, meus X-Men!


MARnijigaharaNIJIGAHARA HOLOGRAPH, DE INIO ASANO

O criador de Solanin conseguiu produzir em mim uma inquietação que eu não sentia desde que li Watchmen, aos 14 anos. Esse mangá, com temática bastante adulta, apesar de apresentar a história de algumas crianças pode provocar um mindblowing em você. O próprio Asano declarou que não conseguiria fazer uma história parecida com essa. Tudo gira em torno da crueldade que o ser humano é capaz, seja enquanto criança ou enquanto adulto e por motivos banais. Junte a isso elementos fantásticos como borboletas que prenunciam o fim do mundo e lendas sobre monstros que vivem em túneis. Fora isso, a narrativa fragmentada de Asano, fornecendo pistas aqui e ali, tornam o mangá ainda mais inquietante. Se você quer ser tirado do seu lugar, leia esse mangá. Se não quiser, por favor, nem chegue perto. Obrigado!


MARfifoFIFO, DE GUILHERME DE SOUSA

Todo mundo está cansado de história de zumbi, né? Bom, eu pelo menos estou fatigado delas. É sempre a mesma coisa. Mas no universo da Última Bailarina, em que Fifo, o ursinho, é o guarda-costas da bailarina wannabe Laurita, mas não numa pegada Pierce Brosnan e Whitney Houston I-will-aaaalwaaays-looveee-youu, os zumbis são diferentes. Quer dizer, são iguais. Mas são encarados diferentes. Aqui, eles são elementos de comédia. Só que dentro da história muda e preto-e-branco da origem de Fifo, eles ganham uma dimensão trágica, que explica a mudança do ursinho de pelúcia companheirinho e feliz para um irascível fodão de tapa-olho exterminador de zumbis. A história é bonita, mas principalmente bem narrada, porque não é qualquer um que consegue extrair tantas emoções numa história dessa natureza. Mas o meu xará consegue e o faz muito bem.


MARunaDESCONSTRUINDO UNA, DE UNA

Muitas histórias em quadrinhos tratam sobre estupro. Se você for parar para pensar, todas as histórias do Alan Moore tem estupros. Mas nenhuma delas, mesmo, são reais e são mostradas do ponto de vista da vítima. Em Desconstruindo Una ficamos conhecendo essa mulher que não quer se identificar que foi estuprada na infância, e duas vezes na adolescência, uma delas por um grupo de homens e como isso foi devastador para a sua vida. Desde ser rejeitada no colégio até a sua família que não estava nem aí para suas emoções ou para a sua situação. Mesmo assim, ela se reergueu. Há uma passagem muito importante para nós, leitores de quadrinhos, que diz o seguinte: “A fascinação cultural por homens violentos faz com que eles sejam exaltados pelas artes em documentários e ficção; livros e filmes, séries de TV, teatro, quadrinhos e músicas. Tantos monumentos da cultura popular para o estuprador de Yorkshire foram construídos por homens. Talvez seja mais fácil ver isso como apenas uma história se você não pertence ao grupo de pessoas que o estripador queria matar. Às vezes não vemos a floresta como um todo porque nos focamos nas árvores”. Fica a reflexão.


MARfetichastFETICHAST: PROVÍNCIAS DO DESEJO, DE MARCIO NICOLOSI

Um quadrinho brasileiro da década de 90, publicado pela editora Nova Sampa em sua série de álbuns gráficos. A história é uma crítica à sociedade e cultura brasileiras, que é baseada basicamente em sexo, televisão e futebol. O país de Fetichast tem a forma do corpo de uma mulher e vive em uma guerra entre o Norte liberal e o Sul conservador. Na obra temos muitas referências à figuras da década de 80 e 90 no Brasil, como Xuxa. Também sobra para Maurício de Sousa e Mônica, que são, respectivamente, um cafetão e sua filha explorada num bordel chines. Os desenhos de Marcio Nicolosi são bastante sensuais e explícitos. Uma continuação a esse álbum foi publicada pela Devir como Província dos Cruzados.


MARbatmananualBATMAN ANUAL: A IDADE DO BRONZE, DE PETER J. TOMASI E FERNANDO PASARIN

Quando saiu a notícia que o novo Batman iria usar uma armadura que lembrava um coelhão e quem vestiria ela seria o Comissário Gordon, eu torci o nariz. Bem capaz que isso seria legal, eu pensei ironicamente. Mas a Panini resolveu lançar as últimas histórias do Batimão Coelho em um encadernado à parte. resolvi experimentar, mas sem muita esperança. E o resultado é que gostei. O Gordon realmente convence como Batman, principalmente fora da armadura Coelhão, mais do que isso, a revista possui um time de coadjuvantes legais como Harvey Bullock e os ajudantes negros da Powers Inc. O arco Idade do Bronze traz Gordon enfrentando um assassino que após cometer seu crime veste as pessoas como personagens históricos. Já o arco A Guerra de Gordon traz um pouco do passado do ex-comissário no Afeganistão enfrentando um culto religioso. Palmas para os argumentos bem feitos de Peter J. Tomasi.


PIORES

MARmutarelliTRANSUBSTANCIAÇÃO, DE LOURENÇO MUTARELLI

Nunca pensei que não fosse gostar de um quadrinho do Lourenço Mutarelli, ainda mais depois de ter lido tantas coisas boas dele. Mas esse Transubstanciação foi uma decepção, Podemos reparar que ele faz parte do início da carreira do artista e é bem experimental, mas no sentido ruim. Ele contém todos aqueles preconceitos que temos quando alguém fala: olha, isso é um quadrinhos underground independente brasileiro. Desenhos ruins, histórias que não dizem nada, muito sexo e gente pelada sem nenhum sentido. Ainda não entendi o que ele quis passar com a história. Sempre fui muito fã do Mutarelli, mas esse álbum foi realmente uma perda de tempo e dinheiro.


É isso aí, pessoal! Cuidado com os bifes e os reaças que querem tolhir nossa aposentadoria e acabar com nossa economia! E aprendam a responder pra eles na internet, não façam como eu, que fico aqui à mercê deles. Abraços!

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Este post foi publicado em: Melhores Leituras do Mês, quadrinhos, Resenhas

por

Guilherme “Smee” Sfredo Miorando nasceu em Erechim em 1984. É mestrando em Memória Social e Bens Culturais, onde pesquisa quadrinhos. Já deu aula de quadrinhos, trabalhou com design e venda de livros e publicidade. Faz parte do conselho editorial da Não Editora. Co-roteirizou o premiado curta-metragem Todos os Balões vão Para o Céu. Seu livro de contos Vemos as Coisas como Somos foi selecionado pelo IEL-RS em 2012. Publicou em 2014 a HQ Fratura Exposta e sua primeira narrativa longa, Loja de Conveniências. Em 2015 lançou a antologia FUGA, de HQs com seu roteiro. Em 2016 lançou a HQ coletiva Lady Horror Show e a HQ "muda" Esperando o Mundo Mudar. Mantém o blog sobre quadrinhos splashpages.wordpress.com

8 comentários

  1. Glaydson Melo diz

    Tinha me prometido não comprar mais nada de livros nos próximos meses, mas aí vejo esse post e caiu por terra minha força de vontade. Resultado: acabei de comprar o tal do Nijigahara Holograph. Só espero não ficar muito perturbado com a leitura, kkk.

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    • Guilherme Smee diz

      Quando eu digo que leio é porque leio. Acho que minhas opiniões tem alguma base por isso… Abs!

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