A Linha Tsunami da Marvel

Você sabia que a Marvel já teve uma linha de quadrinhos que queria se aproximar do estilo do mangá? Bem, mas só queria, porque na verdade nada tinha a ver com os quadrinhos japoneses do que o estilo de desenho – e olhe lá. Então, caros mergulhadores, dessa vez vamos falar da Linha Tsunami da Marvel.

Muitos leitores se lembram dessa linha, lançada em 2003, como o selo todo sendo uma tentativa barata da Marvel Comics capitalizar a crescente popularidade dos mangás japoneses. (apesar de de o Mangaverso da Marvel era uma tentativa muito mais na cara de fazer isso). O público-alvo dos títulos eram as crianças, mas não só elas, como também os jovens, que eram atraídos por temas mais sombrios.

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Ao longo deste artigo, tente reparar nos logotipos das revistas e como todos “conversam” com todos. A linha também tinha um símbolo no canto das revistas, identificando o selo Tsunami. As edições número 7 das seis principais edições tinham a intenção de imitar uma tatuagem com os personagens em fundo preto. Sim, as histórias faziam parte das cronologias da Marvel, mas eram visadas para outro público. Tanto é que quando foram encadernadas em TPB, elas saíram no formato digest, que é um formato próximo ao nosso formatinho.A seguir, vamos falar um pouco sobre cada título:

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OS MELHORES SUCEDIDOS:

TSUrunawaysRunaways (Fugitivos)

A série criada por Brian K. Vaughan e Adrian Alphona foi um sucesso de público e crítica imediato na Marvel, conseguiu conversar com os jovens da época de uma maneira tão boa quanto o Homem-Aranha conversou com sua geração. Por isso, eles são alguns dos últimos personagens originais criados na Marvel que fizeram grande sucesso. A sua série na Tsunami teve 18 edições, mas gerou mais alguns volumes dentro da Marvel. Infelizmente, outros autores não souberam lidar bem com o grupo como seus autores originais. A série acompanha um grupo de jovens poderosos, que descobrem que seus pais eram um cartel de super-vilões que comandava a cidade de Los Angeles. No Brasil, quase todo o material dos Fugitivos foi publicado, com exceção de alguma dezena de edições do final do seu último volume. A publicação original no Tsunami foi publicado na Coleção Pocket Panini, nos números 3 e 4.

Saiba mais aqui sobre a coleção Pocket Panini.


TSUmystiqueMystique (Mística)

Mística foi a série mais longeva do selo Tsunami, durando 24 edições. Ela também era escrita por Brian K. Vaughan, em uma trama muito divertida, que envolvia O Silencioso e o colega de Mística, Miúdo, enquanto ela trabalhava como uma espiã a serviço de Charles Xavier. Mas quem tornou a série sensacional, foi Sean McKeever, que escreveu os números finais do título, que teve inúmeros desenhistas escrevendo a série. No Brasil, as histórias de Mística foram publicadas primeiramente na revista da Arma X e, posteriormente, na revista mensal do Wolverine. Esse seria um material que eu adoraria ver em encadernado. Eram histórias muito boas, num tempo em que as histórias não eram lá muito boas. Como uma pérola numa ostra ou um oásis no meio do deserto.


TSUsentinelSentinel (Sentinela)

Sean McKeever também foi responsável por esta série que tinha desenhos feitos pelo Estúdio UDON. A história é contada sob o ponto de vista de Juston Seyfert, um garoto do ensino médio que sofre bullyng dos colegas por ser pobre e inteligente. Um dia, Juston descobre um robô gigante enterrado no pátio da sua casa. Por acaso, esse robô gigante era um Sentinela, um dos robôs do governo feitos para caçar mutantes. Isso Juston acaba descobrindo, ao pesquisar na internet, sobre os X-Men. Ele decide, então, usar os robozão contra os bullynguentos da sua escola. Apesar de ter sido sucesso de crítica e público, a série só durou doze edições. Mas, em 2006, ela teve uma continuação em uma minissérie em cinco edições. De todas as revistas da linha Tsunami da marvel, Sentinel é a única que continua inédita no Brasil. Juston só foi reaparecer na série Academia dos Vingadores e sua sequência, Arena dos Vingadores.


TSUnewmutantsNew Mutants [Vol. 2] (Novos Mutantes)

Escrito por Cristina Weir e Nunzio dePhillips, a nova série dos Novos Mutantes tinha como mote usar três das integrantes originais da equipe, Danielle Moonstar, Rahne Sinclair e Xian Coy Mahn, respectivamente, Miragem, Lupina e Karma, na busca por novos mutantes surgidos no mundo e oferecer a eles treinamento e abrigo na Escola Xavier Para Jovens Superdotados. O primeiro arco mostra jovens mutantes aceitando ou não sua condição com poderes e também aceitando ou não os convites das tutoras para estudarem na escola. O volume 2 durou 13 edições, depois se tornou Novos X-Men: Academia X, passando para Novos X-Men, quando aconteceu a Dinastia M. Foi uma série de muito sucesso tanto nos EUA, quanto no Brasil, que os leitores tiveram de implorar para a Panini Comics publicar por aqui. Saíram tanto na revista X-Men quanto em edições soltas de Marvel Apresenta.


NEM BEM E NEM MAL SUCEDIDOS:

TSUinhumansInhumans (Inumanos)

Diferente do que hoje são as histórias dos Inumanos, essa série também escrita por Sean McKeever, enfoca jovens inumanos  recém eclodidos das névoas terrígenas em missão diplomática no mundo humano. Apesar de ser uma série que trazia questões interessantes e que era bem escrita, a cronologia de Inumanos, acabou sendo deixada de lado pela Marvel. Nessa revista, Luna, a filha de Mercúrio e Cristalys, assumia uma forma de borboleta, edições posteriores mostraram a garota ainda criança e com forma humana. Inhumans durou doze edições. No Brasil, a série também foi alocada na coleção Pocket Panini, no segundo volume, que sofria do problema da capa cair, pois não fora colada direito pela gráfica.


TSUemmaEmma Frost

Foi com essa série que o capita Greg Horn acabou se tornando conhecido por fazer imagens de beldades dos quadrinhos de uma forma quase realista. Essa série durou 18 edições trazendo três arcos da história do passado de Emma Frost, quando ela ainda não usava cabelos loiros. A partir das histórias do passado da Rainha Branca, mostrados em Novos X-Men de Grant Morrison, ficamos sabendo mais sobre como Emma deixou sua família riquíssima e cheia dos fricotes para se tornar uma atendente no Clube do Inferno e, depois, ascender como a Rainha Branca daquele lugar. Claro, que muito em função de usar os seus poderes mentais sem escrúpulos ajudou bastante nessa ascensão. Infelizmente, no Brasil, apenas o primeiro arco foi publicado, na revista Arma X.


OS PIORES SUCEDIDOS:

TSUtorchHuman Torch (Tocha Humana)

O criador e escritor do Superboy se junta com o desenhista dos herois Marvel baby, Skottie Young, para trazer essas histórias do membro mais esquentadinho do Quarteto Fantástico. O primeiro arco dessa série só foi sair no Brasil este ano, através da coleção vermelha da Salvat. É uma história bastante interessante, trazendo um mistério de pessoas que vêm sendo consumidas pelo fogo e, para descobrir esse mistério Johnny Storm precisa trabalhar ao lado do corpo de bombeiros e do único cara que ele acabou queimando intencionalmente: Mike Snow. Uma história intrigante e bastante divertida. Imagino que os dois arcos seguintes, não publicados no Brasil, devam ter seguido a mesma pegada.


TSUvenomwayVenom

Talvez a pior série desse selo na minha opinião. A razão? Ela é escrita por um dos piores autores que conheço que é o Daniel Way. Eu não cheguei a ler todas as histórias do Venom que saíram por aqui, e sim, elas saíram todas na revista Homem-Aranha, mas aquelas que tive a oportunidade de ler, era muito terríveis. Violentas ao extremo, dando mais destaque para o lado alienígena do bicho simbionte do que qualquer outra faceta. Isso me parece se distanciar da proposta inicial da linha Tsunami, mas tudo bem. Logo depois dessa fase, o simbionte acabou passando para Mac Gargan, o Escorpião, o cara que acabou integrando os Thunderbolts de Norman Osborn.


TSUnamorNamor

Até essa série, escrita pelo então presidente da Marvel, Bill Jemas, e desenhada por Salvador Larroca chegou a sair no Brasil e Sentinela, que tinha um apelo e uma qualidade muito maior não saiu. Essa série acompanha a adolescência de Namor e seus primeiros passos para conhecer a sociedade humana, ainda no final do século XIX. Uma série fraquíssima, mas que, ainda assim, teve dois dos seus três arcos publicados aqui no Brasil no início da revista Os Poderosos Vingadores.


Então, mergulhadores, essa foi a linha Tsunami da Marvel. Uma iniciativa que talvez pudesse ter dado certo, se não se apoiasse tão erroneamente no mangá. O que vocês acharam desse apanhado? Chegaram a acompanhar alguma das séries? Deixe seu comentário abaixo e vamos debater! Abraços submersos!

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6 Comments

  1. Guilherme, chegou a sair sim um segundo arco de Emma Frost na revista mensal do Wolverine. Isso foi logo nos primeiros números. Sobre Fugitivos fiquei sem saber o que não foi publicado, pois além da linha Pocket Panini, eles tiveram suas aventuras publicadas em Avante, Vingadores! (1º volume) e teve umas duas edições de Marvel Especial (ou Marvel Apresenta) dedicadas a eles. Inclusive participaram de Invasão Secreta.

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    1. Obrigado pelo toque, Henrique! Assim: dos Fugitivos, aqui no Brasil, só não foi publicado o segundo arco do Terry Moore e a fase da Kathryn Immonen, que dá mais ou menos umas 14 edições. Nessas histórias, a Gert retornava à equipe. Abraços!

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