O Sanctum Sanctorum do Doutor Estranho Enquanto Personagem

Você já reparou como a casa do Doutor Estranho, o Sanctum Santorum, possui um papel importante nas histórias dele, principalmente nessa nova fase por Jason Aaron? Pois é, e mesmo no filme de Stephen Strange, o local, novo para ele, também possui um grande destaque. Então agora vamos falar desse local sagrado e santo para a magia do Universo Marvel.

O Sanctum Sanctorum se localiza no bairro de Greenwich Village, o bairro alternativo e boêmio de Nova York. Caso você não saiba, é daí que vieram os Village People. Ele fica na Bleecker Street 177A e faz uma referência a um apartamento que foi dividido certa vez pelos quadrinistas Roy Thomas e Gary Friedrich. O lugar fez sua estreia em Strange Tales #110 (Julho de 1963) e o significado do nome em latim significa “o santo dos santos”. A grande janela que existe no local e dá sua característica peculiar é uma referência ao Olho de Agamotto, a grande joia que Stephen carrega no seu manto. Ela também é a “Janela dos Mundos” e, através do selo do Vishanti, protege o Sanctum Sanctorum de ameaças extra mundanas.

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O real Bleecker Street, 177 em Greenwich Village.

No filme do Doutor Estranho, lançado ano passado (2016) pelo Marvel Studios, Stephen (Benedict Cumberbatch) precisa defender o edifício das ameaças do Dormammu. Lá ele se depara com seu manto da levitação – que logo se torna um personagem como o tapete do Aladdin –  e com muitos artefatos místicos de suas aventuras nos quadrinhos, como o Bastão de Watoomb. Lá também existem três janelas que podem ser transportes para diversas partes do mundo. Ao final do filme, o reduto de Nova York, passa a se tornar sua residência fixa como o Mago Supremo da Terra.

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Aqui na fase de Jason Aaron, que está no início aqui no Brasil e se encerrando nos EUA, o Sanctum Sanctorum toma um papel especial: ele é um personagem ativo, mais ou menos da forma como Central City atua nas histórias do Spirit ou Nova York atua nas graphic novels de Will Eisner. Na primeira história encontramos Zelda, uma bibliotecária que tem um demônio crescendo em sua cabeça. Ela acaba sentindo-se segura no Sanctum Sanctorum e todas suas esquisitices. Assim, Zelda pede para Stephen Strange para cuidar da biblioteca da sua casa e assim, ela vai se deparando com mais bizarrices.

Como a proibição de abrir a geladeira de Stephen em determinadas horas, de onde seu servo Wong retira as comidas que mais parecem Cthulhus melequentos e, foi a comida com que Stephen se acostumou por passar anos tendo que combater bactérias extradimensionais em seu corpo. Perceba que aqui, Aaron faz a construção não só de um personagem, mas de dois: ele constrói Zelda a partir das reações que ela tem sobre a casa e constrói a casa a partir das reações de Zelda. Aaron apresenta o lugar para a nova funcionária, como o apresenta para nós, leitores, desacostumados com as artimanhas mágicas do Doutor Estranho.

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Esse trabalho da casa de Estranho é tão bom, que até outros escritores, como Tom Taylor, da Nova Wolverine estão usando. Em uma visita de Laura Kinney a Stephen Strange, uma das clones da garota encara o armário de Stephen e diz: “esse armário não tem olhos, mas está me olhando esquisito”. Ela se atraca numa luta com ele e ele se transforma em um monstro de outra dimensão. As próximas edições de Doutor Estranho, ligadas com Os Últimos Dias da Magia, vão mostrar o sótão e o porão do Sanctum Sanctorum e podem esperar muita confusão por aí.

O que eu quero dizer com toda essa explicação de o lugar como personagem? Que um bom escritor consegue fazer até uma casa ser interessante para os leitores, enquanto alguns roteiristas não conseguem nem emplacar o personagem principal. Não venham dizer que é DOM, porque DOM não existe. A não ser DOM João VI e DOM Pedro I e II. Nem o Doutor Estranho ganhou o DOM da magia ou da cirurgia. O que existe é treino e muita, mas muita leitura e, claro, saber criar uma conexão com o leitor. Abraços submersos da dimensão submersa de Cthulhu.
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7 Comments

  1. De fato, não existe DOM, mas sim esforço e treino (talvez exista facilidade…), eu to gostando bastante dessa fase do Dr, apesar de achar muito apressado colocar logo os “Últimos Dias da Magia” como primeiro arco @.@’… kkk Nem sabia que essa fase tá no final nos States, quantos volumes deu, vc sabe?? Umas vinte edições americanas??

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      1. Um pouquinho mais. Tiveram uns dois ou três especiais. Mas eu queria mesmo eram as HQs da Scarlet Bitch na revista! =) Abs!

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