O Ultraverso da Malibu Comics no Brasil

Talvez você já tenha ouvido falar do Ultraverso, talvez não, mas foi uma das marcas dos Anos 90 nos Estados Unidos, com a editora Malibu Comics, uma das grandes potências da cor digital daquela época. E isso respingou aqui no Brasil quando a Mythos Editora trouxe seus crossovers com a Marvel para nossas bancas. Mas, caro leitor, existe muito mais entre a Malibu e a Marvel que julga vossa vã filosofia. E você saberá a seguir.

O QUE FOI A MALIBU COMICS?

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Arte promocional do desenho animado da Ultraforce.

No início dos anos 90, a Malibu Comics viu o boom dos quadrinhos em um lugar privilegiado: eram eles que distribuiam e comercializavam as primeiras revistas da Image Comics, que não podia fazer isso sozinha. A Malibu tinha, nessa época, se fundido com uma companhia de videogames. Então, ela resolveu ter seu próprio universo de super-heróis, e ele veio a se chamar Ultraverso. Então, criadores de peso foram contratados como Steve Gerber, Steve Englehart, Mike W. Barr, Gerard Jones e James Robinson, para citar alguns. Desenhistas como Terry Dodson e Aaron Lopresti tiveram a editora como suas estreia e veteranos como George Pérez também passaram por lá. A Malibu é, até hoje, conhecida como a editora que lançou MIB – Homens de Preto, mas não, eles não faziam parte do Ultraverso. A Malibu também foi pioneira no uso da colorização digital nos quadrinhos. Enquanto muitas editoras usavam cores chapadas, a Malibu já usava softwares para compor a colorização de suas revistas. Dizem que esse foi um dos motivos da Marvel Comics tê-la adquirido mais tarde.

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O elenco do Ultraverso.

Para ter uma noção do poder da editora Malibu e do Ultraverso, eles utilizavam suas ferramentas de marketing de uma forma que a Marvel e DC nunca tinha utilizado. E o que era maior para o marketing editorial nos anos 90? Produzir comerciais de televisão. Essas peças publicitárias captaram exatamente espírito jovem dos anos 90: esportes radicais – um homem lia Ultraforce pulando de bungee-jumping -, a febre do quadrinhos nas comic shops, jeans, skate, bikes, e a estética MTV. Você pode conferir três deles no vídeo abaixo.


A MALIBU COMICS E A MARVEL

A alegria de editora pequena dura pouco e, após alguns revezes, em 1994 a editora foi vendida para a Marvel. E assim, vários crossovers entre heróis das duas editoras começou a ocorrer. O primeiro deles foi A Ressurreição da Fênix, que mostrava que a Fênix iria renascer, mas desta vez em outro universo, o Ultraverso. Assim, os X-Men e os heróis da Malibu se reuniram para evitar que a força-fênix ameaçasse o universo e para garantir que sua nova hospedeira controlasse aquela força.

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Dessa forma, alguns heróis e vilões do Universo Marvel acabaram ficando no Ultraverso. Foi o caso do Cavaleiro Negro, Dane Whitman que passou a liderar a Ultraforce, principal equipe do Ultraverso. Já o Fanático, Siena Blaze e o Ceifador Mutante começaram a integrar a equipe dos Exilados do Ultraverso, muito antes de Blink, Morfo e seus amigos fundarem a equipe deslizadora de dimensões nos anos 2000. Loki passou a atazanar o Ultraverso e não mais o Universo Marvel. Entretanto, o Ultraverso colapsou e acabou em 1996, nunca mais retornando aos quadrinhos.

Aqui no Brasil, o selo só ficou conhecido porque nos anos 90, a Mythos Editora publicou alguns crossovers dessa editora com a Marvel, como A Ressurreição da Fênix, outros encontros foram Exilados vs. X-Men, Venom vs. Rúnico, Homem-Aranha vs. Ultraforce, Hulk vs. Primaz, Conan vs. Rúnico, Wolverine vs. Nightman. Eram quadrinhos divertidos e despretensiosos, mas também não eram nenhum ítem de colecionador. Uma pena que um dos melhores crossovers, Vingadores versus Ultraforce, escrito por Warren Ellis, nunca foi publicado por aqui.


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Wolverine se encontra com NightMan e o ator da série caracterizado com o herói.

NIGHTMAN: SEU MAIOR SUCESSO

Porém, o maior sucesso do Ultraverso da Malibu Comics no Brasil – e quiçá no mundo – foi o NightMan, afinal o herói tinha o seu próprio seriado. No Brasil, ele passava no SBT nos domingos de manhã junto com Xena e Hércules. Mas embora eu e meu irmão adorássemos Hércules e a Xena, em especial, as aventuras do NightMan não nos atraíam muito. NightMan foi criado por Steve Englehart e sua origem ocorre numa batida de carro e, ao levar um choque no cérebro através de um cabo solto, ele perde sua necessidade de sono. Johnny Domino também possuía visão noturna e poderes psíquicos, que lhe permitiam ler mentes e dizer seu uma pessoa iria fazer o bem ou o mal.

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As figuras de ação da Ultraforce.

A revista do NightMan foi uma das poucas que duraram depois que a Marvel comprou as revistas da Malibu. Já a série de TV, durou duas temporadas e teve vários episódios escritos pelo próprio Steve Englehart. Naquela época pouquíssimas séries de TV apresentavam super-heróis. Talvez uma das poucas fossem As Aventuras de Lois & Clark e The Flash. A seguir, você pode ver a abertura do seriado do Night Man. (por sua conta e risco!)

Então, apesar de o Ultraverso nunca ter tido suas revistas regulares publicadas no Brasil, muitas coisas licenciadas deles vieram parar no Brasil. Eu me lembro de no supermercado da cidade do interior que eu morava ter bonecos articulados da Ultraforce, como Primaz, Protótipo e Topaz. Também chegou no Brasil um jogo de videogame com os personagens e uma animação. Se formos pensar que os heróis duraram de 1993 a 1996, eles tiveram um alcance imenso, quando muitos heróis de editoras como a Marvel e a DC Comics não conseguem nem a metade disso. E você? Conhecia o Ultraverso, a Ultraforce e seus heróis? Conta pra nós!

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O videogame da SEGA CD do Primaz.
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7 Comments

  1. Eu tive o jogo do Sega CD e assisti poucos episódios de Nightman na Fox. Era um lixo a série de TV. O material da Mythos com eles eu não comprava pois na época era um custo benefício bastante elevado. O material bom da Mythos até hoje é estupidamente caro. Na época, de qualidade basicamente tinhamos os TPB do Surfista Prateado, X-Men, Wolverine e Marvel Team-up.

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