Robocop Versus Exterminador do Futuro: As Continuações Jamais Filmadas, de Frank Miller e Walter Simonson

Na década de 80, Frank Miller era o máximo em quadrinhos de ação que se podia esperar. Na década de 80, Robocop e o Exterminador do Futuro eram o máximo em filmes de ação que se poderia esperar. Alguém pensou: “hey, vamos chamar o Miller para fazer o roteiro de um filme crossover entre essas duas franquias!”.

Ele foi chamado. Mas demorou muito para escrever esse roteiro e os estúdios desistiram de usá-lo, produzindo uma sequência de Robocop em 1990. Então o roteiro dessa HQ se tornou a continuação jamais filmada de Exterminador do Futuro – O Dia do Julgamento, que também poderia ter sido considerada Robocop 2, mas essa, na época em que saiu a HQ já havia sido exibida nos cinemas. A continuação de Exterminador do Futuro, só viria a sair em 2003, e se chamaria A Rebelião das Máquinas. Outras sequências foram produzidas depois dela. Robocop teve um remake pelo diretor brasileiro José Padilha em 2014.

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Enfim, o roteiro de Frank Miller se transformou em quadrinhos em 1992 pela editora Dark Horse Comics, a mesma que publicava outros trabalhos de Miller, como Sin City e Martha Washington. O desenhista escolhido foi Walter Simonson, que teve uma célebre passagem pelo Thor, pela Marvel Comics.

A história une as linhas do tempo de Robocop com Exterminador do Futuro, protagonizada por uma mulher que vem do futuro para exterminar Robocop, já que o policial que já fora Alex J. Murphy seria a origem da tecnologia dos Exterminadores. Nesse processo vemos várias tentativas de salvação, tanto da humana quanto de Robocop e a inevitável aliança entre os dois. A batalha culmina com um enfrentamento de uma tropa de Exterminadores contra uma tropa totalmente maquinal de Robocops. Um plot twist muito conhecido dos leitores de quadrinhos.

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A HQ é aquilo que se poderia esperar de uma minissérie oriunda dos anos 90: muita imagem, pouco texto. Grandes splash pages com os heróis e vilões portando enormes trabucões e rangendo os dentes. Mas o que mais me irritou nessa minissérie lançada pela Abril Jovem em 1999, foram as onomatopéias. Claro, elas foram uma marca indelével de Simonson em sua passagem por Thor, principalmente durante a Saga de Surtur. Mas nesse caso, elas foram usadas e abusadas. Quase não existe página sem elas.

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RVTmillerOutra coisa irritante é o ritmo do texto de Miller. Frases curtas. Pontuadas. Monocórdias. Sem variação. Da mesma forma do que as onomatopéias para Simonson, o texto em off é uma marca de estilo em Frank Miller. Mas parece que ele simplesmente leiautou a revista, passou para Simonson desenhar e jogou umas pitadinhas de texto sobre elas.

Sendo assim eu entendi porque esse filme não saiu do papel. Claro, além da dificuldade de produção, que envolveria uma cena final com dinossauros, o roteiro não se sustenta como um blockbuster, pois praticamente não tem diálogos. Ou seja, chamar Frank Miller para desenvolver esse roteiro não é sinônimo de um bom filme. E isso pudemos conferir no filme do Spirit. Que bom que Hollywood se livrou dessa bomba! E nós também!

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7 Comments

  1. Verdade, eu conheci esse cross-over pelos jogos dessa inacreditável ideia “Robocop vs Terminator”. O jogo faz o que tem que fazer, é até um pouco engraçado. Mas, de fato, analisando a obra original (HQs), dá pra ver que o filme seria uma belíssima atribuição ao Framboesa de Ouro.
    O que me foi novidade é que os quadrinhos sejam tão malfeitos. Olhando para o Robocop, não havia uma discussão filosófica sobre o que é ser (um) humano? Olhando para o Terminator, a filosofia não seria sobre até onde você consegue ir para sua sobrevivência?
    Então, resume-se o enredo a dois seres cybernéticos trocando porrada. E ponto.
    Desculpe o comprimento do comentário, não tomei meus remédios hoje. Vou ali pro quarto chorar. \o
    Ah, sim… obrigado por me mostrar isso. Vou lembrar dos motivos pra não ler.

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    1. Sim, Roberto! E nessa pegada dos dois, eu te recomendo muito a ler o Alex + Ada, que resenhei um pouco depois. Esse sim, é bem resolvido e daria uma baita série ou filme! Abraços! =)

      Curtido por 1 pessoa

  2. Cara, eu adoro essa história. Ela não é uma bomba — é divertidíssima e pontua alto nesse quesito, é isso que importa. 😀

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