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Os Diálogos Transformadores de “Mulher-Maravilha”

O filme da Mulher-Maravilha está conquistando corações e mentes por todo o mundo (onde é permitido ser assistido) e cativado adultos e crianças com sua mensagem de luta e união. Muito dessa conquista vem da direção de Patty Jenkins e dos roteiros do filme, mas também da química entre Gal Gadot e Chris Pine. Vamos falar um pouco sobre esses diálogos?

Essa semana tivemos relatos de um professora crianças de uma pré-escola, que mudaram seu comportamento após verem em grupo o filme da Mulher-Maravilha. Uma delas chegou a afirmar: “é, você tem razão, esse filme é muito melhor que Frozen”. As crianças mostraram que aprenderam sobre igualdade dos sexos, sobre forças para mudar o mundo e se inspiraram muito na Princesa Amazona de Themyscira.

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O responsável pelo roteiro do filme da Mulher-Maravilha é Allan Heinberg, que já trabalhou em séries como Scandal, Looking, The O.C. e Grey’s Anatomy. Na maioria delas, ele era o roteirista supervisor de algumas temporadas. Nos quadrinhos, Allan escreveu a fase pós Crise Infinita da Mulher-Maravilha e um arco de Liga da Justiça ligado à saga Crise de Identidade. Na Marvel, foi o criador da equipe dos Jovens Vingadores, entre eles, o casal gay Hulkling e Wiccano. Heinberg é abertamente gay e defende os direitos dos homossexuais.

Um dos diálogos que se pode ver inclusive no trailer do filme da Mulher-Maravilha é o que diz respeito ao papel da mulher na sociedade dos tempos de guerra. Etta Candy e Diana conversam sobre ser secretária. Vale lembrar que nos anos 40, a Mulher-Maravilha era, ela mesma, a secretária da Sociedade da Justiça. O diálogo segue assim:

SWMetta

Etta Candy: Eu sou a secretária do Steve Trevor.

Diana Prince: O que é uma secretária?

Etta Candy: Eu vou aonde ele me diz pra ir, eu faço o que ele me diz pra fazer.

Diana Prince: De onde eu venho, isso é chamado de escravidão.

Etta Candy: Eu gosto dela!

A visão cândida e inocente de Diana sobre nosso mundo, acaba revelando camadas de perversidade que nós mesmos ignoramos no nosso dia a dia. Como a carta do Louco no tarô, Diana é aquela pessoa que não tem medo de falar a verdade, como as crianças na história da Roupa Nova do Imperador não tem vergonha de dizer que ele está nu. Os adultos e os “civilizados” criaram camadas de comportamento sobre o mundo e o embalaram em um verniz opaco, que revela sua falsidade nas regras de comportamentos impostas a nós. Por isso, nem sempre percebemos nas maquinações estatutárias em que estamos enredados. Talvez seja por isso que o filme tenha tido tanto efeito sobre as crianças da pré-escola: Diana é tão inocente nesse mundo quanto elas.

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Outra cena emblemática do filme, é a cena do barco, em que Diana Prince e Steve Trevor viajam de Themyscira até Londres. Lá dentro do barco, os sites começaram a noticiar que todo aquele diálogo foi um improviso entre os dois atores, o que denota sua química. Uma das melhores e mais engraçadas partes do filme, que além disso revela outras camadas da sociedade que não vemos. Como o sentido da vida, que para Trevor era casar e ter filhos, ainda que ele não soubesse o que era aquilo e como se sentia uma pessoa assim. Diana também critica o casamento, deixando atônito Trevor, sem saber dizer para que ele é feito na nossa sociedade.

Mas o diálogo improvisado dos dois também atinge o âmbito sexual. Diana diz que leu sobre sexo e os prazeres da carnes nos 12 volumes de Cleo. Ao que Trevor tira sarro dela:

Steve Trevor: Como você sabe tanto sobre… os prazeres da carne?

[Diana apenas levanta sua mão]

Enquanto os vitorianos, tão avançados tecnologicamente mantém tabus sobre o sexo, Diana apenas levanta sua mão. E a enfia onde bem quiser. Trevor a indaga sobre não existirem homens na Ilha Paraíso, como era possível aquilo acontecer (revelando como os homens daquela época “conheciam a fundo” as mulheres). E Diana responde:

Diana Prince: Quando se trata de procriação, os homens são essenciais, mas para o prazer, não são necessários.

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Lembrem-se que essa cena genial não foi escrita no roteiro. Foi uma improvisação entre os dois atores. O que levou Chris Pine a declarar: “Ela tem que ser a mulher correta, e essa é a parte mais difícil”, disse Pine a Entertainment Weekly. “Ela está dizendo falas como ‘Meu pai é Zeus’ – e isso é tão ridículo. Ela tem que dizer isso com um rosto impávido, com uma certa quantidade de inocência e seriedade. Eu reagi como qualquer ser humano teria reagido ao ouvir algo tão ridículo como aquilo. Eu tinha essa facilidade [enquanto Steve Trevor]”.

Toda essa química entre os atores, leva aos momentos finais do filme e a uma frase, agora sim, de Heinberg, que resume sobre o que é a película:

Diana Prince: É sobre o que você acredita. E eu acredito no amor. Apenas o amor vai realmente salvar o mundo.

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