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Direitos Humanos São Coisas De Super-Heróis?

Muito se discute na internet a representação dos super-heróis, sendo eles, hoje em dia, em sua maior parte dando destaque para mulheres, negros e gays. Parcelas da sociedade que, além de não serem representadas, eram silenciadas. Também se discute os super-heróis apoiarem movimentos dos direitos humanos em suas histórias. Com esse artigo pretendo dizer que esse apoio e essa representação está dentro do âmago do que é ser um super-herói.

Sabemos, desde que tomamos contatos com os super-heróis, ainda enquanto bebês ou criancinhas, que uma das principais funções dos super-heróis é a de defender os fracos e oprimidos. As minorias sociais não são nada menos que esses tais fracos e, principalmente, os oprimidos dessa história aí. Os super-heróis surgem para conceder liberdade ao povo e não para ajudar uma velhinha a atravessar a rua ou salvar um gatinho preso em uma árvore.

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Superman contra os atacantes de esposas.

Peguemos o Superman original como exemplo. Ele foi criado por judeus no epicentro da Segunda Guerra Mundial, um povo que certamente poderia ser chamado de oprimido pelas forças arianas nazistas. Preocupados com aquele tipo de situação, os criadores do Superman trouxeram um campeão da justiça, que naquela época lutava contra ladrões de banco, lobistas (os JBS’s e Odebrecht’s da época) e contra homens que batiam em suas esposas. Sim, ele estava do lado dos fracos e oprimidos. Essa era a sua função primordial e não proteger nosso planeta contra ameaças alienígenas.

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Kitty Pryde dando a base do que é ser um X-Man.

Outro nome quando se fala em direitos humanos nos super-heróis, que não pode ser deixado de falar, são os X-Men. Mas os X-Men não lutam diretamente contra o preconceito, eles servem para conscientizar as pessoas da existência e dos malefícios do mesmo. Os X-Men servem principalmente para essa conscientização não dentro das histórias, mas fora delas, despertando o leitor para esses temas sensíveis. Aí vem aquela grande máxima dos memes: “Como o cara pode ser fã de X-Men e ser homofóbico?”. Isso quer dizer que a pessoa não teve o trabalho interpretativo suficiente para captar a mensagem da revista em quadrinhos.

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Edição Especial do Batman contra as Minas Terrestres, cujo valor foi revertido em benefício das vítimas.

Por outro lado podemos chegar à mesma frase: “Como a pessoa pode não defender os direitos humanos e é fã de super-heróis?”. Já tivemos situações em que o Batman defendeu muito esses direitos. Até mesmo o Justiceiro e o Deadpool, personagens que são o epítome da casca-grossa dos quadrinhos também fazem esse movimento de proteger os que possuem menos condições de se preservarem por si próprios.

Mais recentemente, nos quadrinhos da Marvel, esse movimento têm agradado uma parcela conservadora dos quadrinhos. Temos o exemplo da nova revista do novo Capitão América, Sam Wilson, o antigo Falcão, que vai a público defender o direito dos imigrantes a ultrapassarem a fronteira dos Estado Unidos e buscarem uma vida melhor lá. Uma prática que vai de encontro às proposições que levaram o atual presidente dos EUA, Donald Trump, a se eleger: a construção de um muro na fronteira dos Estado Unidos com o México e ainda, que devia ser pago pelo México. e os imigrantes contra Trump. Na mesma história vemos um imigrante ilegal, Joaquin Torres, se tornar um novo super-herói: o novo Falcão.

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Capitão América contra os fundamentalistas arianos contra a imigração.

Na mesma linha temos a terceira edição do título de jovens heróis, Os Campeões, que resolvem ser mais proativos na sociedade e agir ao invés de servirem como uma reação para as ameaças que acontecem. Enquanto a Miss Marvel, Kamala Khan conta ao grupo o exemplo de sua conterrânea paquistanesa, Malala Yousafzai, que luta pelo direito de alfabetização das mulheres, os Campeões rumam ao país fictício de Shahrzad. Lá eles pretendem acabar com a opressão às mulheres muçulmanas e garantir que seus direitos sejam equiparados aos dos homens.

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Os Campeões contra o Fundamentalismo Islâmico.

Esse papel mais proativo vai ao encontro do arquétipo do super-herói, que é quase um papel paterno, de orientação e proteção e de iniciação no mundo social. Assim, é bom refletir sobre isso quando as pessoas dizem que “as minorias não têm lugar nos quadrinhos de supers” ou de que “onde já se viu agora os super-heróis só querem defender as minorias e os direitos humanos”? Isso sempre foi assim, darling! É só dar uma olhada na história dos super-heróis e perceber isso. Vai estudar, Aécio! 😉

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Malala Yousafzai.

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