Os 22 Quadrinhos Que Sempre Funcionam, de Wally Wood

Fórmulas nos quadrinhos nem sempre funcionam.  Muitas delas esbarram nos avanços da narrativa ou nos gostos do público. Mas um dos mais célebres artistas da EC Comics, Wally Wood desenvolveu enquadramentos e requadrados de quadrinhos que, segundo o artista, sempre funcionam. Vamos dar uma olhada neles?

hqdefaultWally Wood foi um prolífico desenhista da editora EC Comics, muito popular nos anos 50 nos Estados Unidos por seus quadrinhos de terror, crime e ficção científica. Ele também colaborou muito para a revista humorística MAD, que na época era da EC Comics e foi criada lá. Mais tarde, a MAD passou para a DC Comics. Wally também trabalhou na Marvel Comics, mais precisamente com o Demolidor, onde transformou seu uniforme original de amarelo e vermelho para totalmente vermelho. Ele desenhou as edições 5 a 11 de Daredevil. Sua mulher, Tatjana Wood trabalhou na DC por muito tempo fazendo as cores das revistas iniciais da Vertigo e suas proto-publicações como Monstro do Pântano e Homem-Animal.

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A técnica de Wood é polêmica, pois muitos discutem se ela realmente usa a criatividade ou se apropria de algo pronto. Vale rebater essas críticas de que a apropriação cultural vem sendo praticada desde o início da humanidade, seja por maneiras de produzir quanto por estilo de trabalho. Wally Wood tinha um credo, uma espécie de mantra, que consistia nesses quatro passos:

  1. Nunca desenhe se você pode se apropriar;
  2. Nunca se aproprie se você pode deixar pistas;
  3. Nunca deixe pistas se você pode fotocopiar;
  4. Nunca fotocopie se você pode cortar e colar

wallywood22panels.aiSegundo Dave Sim, criador de Cerebus, um dos maiores fenômeno dos quadrinhos independentes: “Então, o swipe / trace / photocopy / cut out and paste down credo, certamente mostrou que Wally Wood era esse farsante completo e que não se arrependia, uma avaliação que foi associada por muitos à fórmula 22 Painéis Que Sempre Funcionam, eu acho tudo isso deve ser visto através de um prisma de contextual. Tinha um cara de 37 anos recebendo US$ 200 por página por seu trabalho na MAD, ele sai de MAD e até obtém a melhor taxa em Marvel. Agora, ele está recebendo apenas US$ 45 por página. Na idade avançada de 37 anos, ele agora tem que fazer 4 páginas para cada página que costumava fazer, apenas para ganhar o mesmo dinheiro.

Realmente corta o coração de quem trabalha como um ilustrador de quadrinhos. Quem quer que seja, se você estiver desenhando quadrinhos, você tem que desenhar muitas imagens e você deve fazê-lo em um espaço de tempo muito curto se quiser ganhar a vida com isso. Ponto. O que significa que, em modelos de referência de ilustradores convencionais, qualquer um que desenhe comics é, por definição, por tantos quantos desenho produz e em que espaço de tempo, um farsante”.

p82JcGMDurante a produção da revista em quadrinhos Powers, o desenhista Michael Avon Oeming e o roteirista Brian Michael Bendis produziram uma história com os famosos “22 Painéis Que Sempre Funcionam” de Wally Wood, provando que eles funcionam não só como escamoteamento, mas como narrativa. Provando que os 22 painéis sempre funcionam. Temos abaixo, uma outra situação de uso dos 22 Painéis para contar uma história de amor entre uma vampira e um lobisomem. bem, parece que funciona em qualquer situação.

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Vale lembrar que a editora Pipoca & Nanquim está lançando Cannon, um álbum com roteiro e arte de Wally Wood. Segundo o press release o álbum se trata do seguinte: Cannon é uma aventura de espionagem da época da Guerra Fria. O material foi produzido para o exército dos Estados Unidos, sem censura, publicada semanalmente em jornais distribuídos nas bases militares no estrangeiro. As tiras foram publicadas durante 30 meses.

CannonVol1John Cannon é um James Bond norte-americano. As histórias são violentas e incluem erotismo e sexo, para motivar os soldados. Ele sofre uma lavagem cerebral feita pela vilã, Madame Toy, e é usado inicialmente como um assassino das forças comunistas, até ser resgatado pela CIA.

Bem, esse post polêmico acho que já é um bom motivo para ir atrás do trabalho desse artista singular de uma das épocas mais singulares da história das histórias em quadrinhos. Abraços submersos!

Agradeço ao Vinícius, José Borba e Tiago da Rocha por chamarem minha atenção para esse esquema de quadrinhos do Wood.

 

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