Melhores e Piores Leituras de Julho de 2017

Vocês devem ter reparado que o blog está às moscas, né? Bem, várias pequenas revoluções estão acontecendo na minha vida e tomando o meu tempo. Tanto é que não tivemos nem dez posts este mês. Então, tentei continuar lendo no meu ritmo possível e o que saiu foi isso que você vêem abaixo:

MELHORES

JULnoiteNOITE LUZ, DE MARCELO D’SALETE

Em maio o Marcelo esteve aqui em Porto Alegre para participar do FestiPOA Literária. Na ocasião, em que peguei seu autógrafo em seus outros trabalhos, eu percebi que não tinha o Noite Luz. Era o único trabalho dele que não tinha e também foi o primeiro, ainda publicado pela extinta editora Via Lettera. Um outro trabalho de Marcelo que dá voz aos marginalizados da sociedade, os negros, pobres e de comunidades suburbanas. Várias histórias mostrando como o brasileiro tem de produzir “gambiarras” para se sustentar na vida e lidar com as demais adversidades que aparecem nos seus caminhos. Segue uma linha parecida com o Encruzilhada, trazendo diversas histórias que apresentam várias situações desse tipo de personagem.


JUNsuperman

SUPERMAN VERSUS PREDADOR, DE DAVID MICHELINIE E ALEX MALEEV

David Michelinie é mais conhecido pelo seu trabalho com o Homem de Ferro, onde trouxe histórias como O Demônio na Garrafa e Guerra das Armaduras. Nesta HQ publicada no fim da fase dos Heróis Premium da Abril, ele faz parceria com uma estrela ascendente, o artista então mais conhecido pelas ilustrações nos livros de RPG, Alex Maleev. Mais tarde, Maleev seria conhecido por suas parcerias com Brian Michael Bendis em Demolidor, Cavaleiro da Lua e, agora, em Homem de Ferro – que coincidência! Uma história muito legal, com aquele sentido de aventura que poucas histórias tem e, para um crossover, foi uma história muito boa. Já que os crossovers são tidos com o lixo dos lixos nas histórias em quadrinhos.


JULblitz

BLITZKRIEG, DE BRUNO SEELIG

O gaúcho Bruno Seelig traz um quadrinho muito bonito, tanto em desenhos, estilo, forma, quanto em mensagem que quer passar. Conta a história de um bando de meninos que – aparentemente nos anos 80 para 90 – quer se vingar de um valentão da escola que faz bullying com eles. Mas, apesar de fazerem muitos planos, as coisas acabam não saindo como desejavam. O quadrinho é autocontido e muito simpático, tendo sido impresso em um pantone azul sobre papel pólen, o que o diferencia e destaca entre os demais quadrinhos independentes. Um ótimo trabalho.


JULcavaleiro

CAVALEIRO DA LUA: LUNÁTICO, DE JEFF LEMIRE, GREG SMALLWOOD E JORDIE BELLAIRE

Loucura é um tema que sempre atrai as pessoas, afinal ninguém é normal. E eu como sou um bocado louco também tenho a minha atração pelo tema. O Cavaleiro da Lua se tornou um personagem mais interessante depois que essa abordagem passou a ser o mote de suas histórias. Antes ele era só mais um vigilante grim’n’gritty das grandes cidades. Aqui, finalmente vejo Jeff Lemire acertar na Marvel Comics, porque o resto do material do escritor na Casa das Ideias estava sofrível. Mas o que tem de ser ainda mais destacado aqui é o lindo trabalho de Greg Smallwood com sua arte linda, parecendo um giz de cer, uma lápis a carvão num papel texturizado de aquarela. Lindo mesmo. Se Lemire não te convencer, com certeza Smallwood vai.


JULhinterkind

HINTERKIND: OS DESTERRADOS – O DESPERTAR DO MUNDO, DE IAN EDGINTON E FRANCESCO TRIFOGLI

Outro quadrinho da Nova Vertigo sem Karen Berger que me agradou bastante, principalmente na construção do mundo e dos personagens. Depois de uma hecatombe, são poucos os humanos que restam no planeta Terra pois ele está começando a ser invadido por criaturas dos contos de fada, como trolls e elfos, que tinham ficado escondidos na floresta esse tempo todo. Mas se os humanos precisam se esconder dessas criaturas, quem é o terceiro time que está ameaçando ambas? Essa é uma das descobertas que você vai fazer nesse primeiro volume. Pois existem mais descobertas ainda para serem feitas em Hinterkind. Essa série já acabou lá nos Estados Unidos, mas acho que é uma ótima pedida que segue na onda de Fábulas e Y: O Último Homem, como uma curiosa mescla entre os dois.


JULsina

BATMAN: SINA MACABRA, DE MIKE MIGNOLA E TROY NIXEY

Se você gosta de Hellboy, esse quadrinho é pra você. É escrito por Mike Mignola e desenhado pelo incrível Troy Nixey. Claro, é muito melhor do Hellboy, afinal nunca gostei muito das histórias do demonhão vermeio. pra vocês terem uma ideia ele começa na Antártida em 1930, onde uma expedição náutica de Bruce Wayne descobre uma criatura tentaculosa congelada numa caverna. A visão dessa criatura vai levar Bruce a ter pesadelos recorrentes que vão revelar o pacto macabro que seu pai e outros figurões fizeram pelo bem e ascensão de Gotham City. Uma orientação sem igual no tempo e espaço fazem de Sina Macabra um dos melhores quadrinhos da linha Túnel do Tempo da DC Comics, onde os heróis são colocados em cenários e mundos à parte. Leiam, por favor!


bulevar

O BULEVAR DOS SONHOS PARTIDOS, DE KIM E SIMON DEITCH

Os anos de ouro da animação estão cheios de personagens bonitos e assustadores, cruéis e malvados e ao mesmo tempo encantadores e brincalhões. Muitos desses desenhos me assustaram quando eu era pequeno, com animaizinhos esquisitos (geralmente bodes) tocando violino e cantando com outros animais. Waldo, a principal criação/criatura deste Bulevar é um desses personagens, com a diferença de que ele está vivo – vivo dentro da cabeça de Ted Mishkin e vai arrastar seu criador a uma jornada de depressão e melancolia, abuso de álcool e drogas, que não terá volta. E, como um parasita, Waldo irá infectar outras pessoas, buscando um novo hospedeiro. Na história, podemos ver citações a outros grandes nomes da Era de Ouro da animação como Winsor McKay, os irmãos Fleischer e Walt Disney. Um bom quadrinho para ler junto com Três Dedos.

Você pode ler uma resenha completa de O Bulevar dos Sonhos Partidos neste link.


JULquedaBATMAN: A QUEDA DO MORCEGO, DE CHUCK DIXON, DOUG MOENCH E VÁRIOS ARTISTAS

Depois de MUITO ouvir falar, depois de MUITOS amigos elogiaram essa fase e afirmarem que começaram a gostar do Batman através dessa saga, finalmente botei as mãos e olhos no encadernado da Queda do Morcego. Um encadernado raríssimo que a Panini poderia relançar e dessa vez direito, indo até o final da saga. Aí ao ler eu entendo porque eles curtiram essa saga e esse Batman: aqui é mostrado um herói fragilizado e imparável, bem diferente do Batman que estou acostumado a ver, todo-poderoso e foderoso. Além disso, o encanto das séries do Batman, sua galeria de vilões, desfila de maneira elogiosa, cansando a morcega até ela ficar toda arrebentada e escangalhada. E então no fim, Bane dá o golpe de misericórdia quebrando a coluna de Bruce Wayne. O que poderia ser mais legal do que ver o Batman rastejando aos pés dos seus inimigos? Hihihi!


JULisaac

ISAAC O PIRATA, DE CHRISTOPHE BLAIN

Um quadrinhos muito premiado lá fora, Isaac o Pirata conta a história de um pintor de retratos que, inadvertidamente se torna um pirata. No navio ele tem de enfrentar saques, motins, tempestades marítimas, além de travar diversas aventuras monetárias e sexuais em terras tropicais. Ao mesmo tempo, acompanhamos em paralelo, as desventuras de sua então noiva, que acaba se tornando cozinheira e depois secretária de um nobre por quem se apaixona e passa a viver junto. Um quadrinho bastante aventuroso e bem-humorado, com desenhos bastante undergrounds e alternativos, em uma história européia bastante produtiva.


JUNblo

DOWNTOWN, DE NOËL LANG E RODRIGO GARCIA

Até então eu só havia ouvido falar de A Vida com Logan, de Flávio Soares, como uma tirinha sobre crianças com síndrome de Down. Encontrei esse quadrinho em um sebo online e ele não tinha nem registro no Guia dos Quadrinhos. Por curiosidade resolvi adquiri-lo. Foi uma boa surpresa acompanhar as tirinhas de uma página do menino Blo e sua turma. Os diálogos são bem-humorados e bem construídos dando uma impressão real de uma criança com síndrome de Down. Entretanto, alguns dão a impressão que o autor está debochando da inteligência das crianças, mesmo que não tenha sido essa sua intenção inicial. Os desenhos são simples, quase vetoriais, mas que funcionam. Um bom quadrinho para educadores ensinarem às crianças (e os adultos, por que não?) a respeitarem as diferenças.


PIORES

JULsegredosSEGREDOS, DE ROBERT RODI E JOHN HIGGINS
Ué, Panini de onde você tirou esse quadrinho? Ah, Robin, é claro que foi do… cof, cof! Limbo! A Dona Panini sabe que vilões vendem, então ela resolveu trazer à baila essa minissérie de uns quinze anos atrás para vender para nós, incautos leitores. Vou dizer que ao saber da publicação desse material eu fiquei feliz, afinal sempre tive curiosidade sobre essa série Identity Disc, na época ainda tinha visto uma resenha na finada Wizard magazine americana. Mas né, as pessoas que vão com muita sede ao pote se decepcionam afu, como dizemos aqui no Sul. Foi o meu caso. Que minissériezinha mais meia-boca e totalmente caça-níquel. Pelamor. me deu vontade de vender todos esses encadernados que a Panini lançou dos vilões Marvel. Xóin-xóin total!


Eae crianças? Que acharam das minirresenhas? O que querem ler e o que não daí? E leram alguma coisa muito boa ou muito ruim esse mês? Contem pra nós! Abraços submersos!

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