Você Chegou a Conhecer a Gorilla Comics?

Que tal um selo de quadrinhos que reunisse gente como Mark Waid, Kurt Busiek, Stuart Immonen, George Pérez e Mike Wieringo? E que esse selo fosse autogerido por um site de contribuições, muito antes do Kickstarter e do Catarse surgirem? Agora você vai saber um pouco mais sobre a Gorilla Comics e as razões de ela ter durado tão pouco… e você nem se lembrar dela.

A Gorilla Comics era um selo dentro da Image Comics e, assim como a empresa que lhe servia de guarda-chuva, também era formada por uma geração de quadrinistas independentes. Por acaso, a geração de quadrinistas que veio logo após os fundadores da Image Comics que vieram diretamente das páginas de desenhos da Marvel. Ele começou em 1999 com a publicação de Tellos, de Todd DeZago e Mike Wieringo, e terminou em 2001 com o one-shot Superstar: as Seen On TV, de Kurt Busiek e Stuart Immonen.

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A Gorilla Comics, entretanto, durou apenas três anos e suas edições não passaram de 10 números por causa do seu modelo de financiamento. Esse modelo, entretanto, estaria muito à frente de seu tempo se formos analisar com os olhos de quase duas décadas depois. Fui atrás da Gorilla Comics, porque reparei que a Mythos Editora publicaria um encadernado da série Império, de Mark Waid e Barry Kitson. Durante as minhas pesquisas, descobri que a Pixel Media também já havia publicado aqui no país outro quadrinho do selo, Shockrockets, de Kurt Busiek e Stuart Immonen.

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Mas antes de falar sobre cada um dos títulos do selo e de seus conteúdos e destinos posteriores, gostaria de contar como funcionava o modelo financeiro da Gorilla Comics.

Esses escritores e artistas deveriam construir uma linha de quadrinhos com uma base financeira fornecida pela empresa startup da Internet eHero.com. Nos termos do acordo, o dinheiro para as operações da Gorilla deveria ser gerado pela eHero, uma empresa de comércio eletrônico que se beneficiaria da publicidade gerada pelo seu link para a linha dos quadrinhos. A EHero foi fundada pelo Diretor Presidente John T. Wells, ex-CEO da Entertainment Media Inc. e fundador da eMerchandise.com, uma empresa de varejo online. Grande parte do capital da eHero e Gorilla aparentemente era esperado que viesse da sua recente venda da empresa-mãe da eMerchandise.com, o Grupo eMarket, por US$ 12 milhões, bem como dos investidores atraídos para as credenciais dos provedores de conteúdo de grande nome do Gorilla. O intermediário entre Gorilla e eHero foi o fundador da Malibu Comics, Dave Olbrich, que ocupou o título de presidente em ambas as empresas.

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Mas a EHero e a Gorilla Comics caíram na grande falência das dotcoms no início do século XXI, originada pela crise de corrupção na empresa telefônica americana AT&T. Não se tratava de um crowdfunding e nem tanto de uma empresa dotcom, pois, segundo Busiek, eles foram enganados. A tal empresa financiadora, simplesmente não existia. Isso foi o canto do cisne para a Gorilla Comics. Conforme Busiek: “Nós pretendíamos ser um só quando começamos, mas como nosso apoiador (o site eHero.com) nunca produziu nenhum financiamento, acabamos nos afastando dele e financiando a operação nós mesmos. Então,acabamos não construindo uma estrutura de negócios tradicional – cada macaco ou time-criativo-macaco foi responsável por suas próprias finanças”.

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O criador de Ben10 e famoso escritor de Deadpool, Joe Kelly, chegou a pular fora do negócio antes dele começar. Entretanto, a maioria destes criadores não ficou a ver navios com o fim do seu selo de quadrinhos. Muitos deles conseguiram imprimir e concluir suas histórias por outras editoras e, grande parte deles, foi cooptada pela recém-surgida nova editora CrossGen Comics que, poucos anos depois, foi comprada pela Disney e acabou fechando suas portas.

Conheça os títulos da Gorilla Comics:

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Shockrockets, como falei antes, chegou a ser publicada no Brasil, pela Pixel Media, quando os direitos de sua publicação haviam passado para a Dark Horse Comics. A história em quadrinhos narra as aventuras de uma equipe que protege a Terra após um ataque alienígena que devastou o planeta. Utilizando naves com tecnologia extraterrestre, os Shockrockets enfrentam diversas ameaças, como um gênio militar que ajudou a vencer os alienígenas e agora inicia uma batalha em busca de poder.

 

IMPÉRIO (Mark Waid e Barry Kitson)

Império é um lançamento em capa dura com mais de 200 páginas com toda a série de Waid e Kitson, que primeiro saiu pela Gorilla e depois foi acabada na DC Comics, quando a dupla começou a trabalhar na Legião dos Super-heróis. Trata-se de uma história onde um tirano fascista derrota todos os mocinhos do mundo.  O poderoso Golgoth está prestes a esmagar o último bolsão de resistência do planeta, mas, por onde olha, ele percebe possíveis traidores, mesmo entre seu núcleo de ministros. Em meio a conspirações, segredos, problemas familiares e violência sem limite, Golgoth busca manter seu domínio sobre a Terra. Mas ele irá conseguir?

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TELLOS (Todd DeZago e Mike Wieringo)

Tellos era uma série de fantasia medieval que começou na Gorilla e depois foi publicada na Image Comics, a partir de vários one-shots. Entretanto, um de seus criadores, Mike Wieringo, faleceu em 2007 deixando a série em hiato. A série segue um rapaz chamado Jarek e seu tigre Koj por um mundo fantástico enquanto fazem aliados e inimigos. Muitos dos habitantes de Tellos são seres antropomórficos. Ao final do primeiro arco publicado pela Image, ficamos sabendo que Tellos se trata de um conto metaficcional.

 

CRIMSON PLAGUE (George Pérez)

Crimson Plague teve um caminho diferente: começou na Event Comics (ex-editora de Joe Quesada e Jimmy Palmiotti), onde teve um caminho errático e foi parar na Gorilla Comics, onde também não vingou. A história de George Pérez é uma ficção científica, e se concentra na figura da jovem Dina Simmons, cujo sangue é letal. Além disso, Dina sofre alterações cíclicas, liberando as toxinas em seu soro que, levadas pelo ar, contaminam e matam planetas inteiros. Essa praga, que já se manifestou em Mannaworks 3, e Mannaworks 2, está se aproximando da Terra…

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SECTION ZERO (Karl Kesel e Tom Grummett)

Section Zero teve apenas quatro edições pela Gorilla. Seus criadores estavam, há dois anos atrás tentando revitalizar a revista através de uma campanha no Kickstarter, que havia sido publicada até o final virtualmente através do site Mad Genius. A série contava as desventuras de uma equipe secreta que trabalhava para a ONU. Sua missão era a investigação e contingência de fenômenos sobrenaturais ao redor do mundo. Uma espécie de Arquivo X encontra MIB: Homens de Preto.

 

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O último suspiro da Gorilla Comics acabou não sendo publicado pela Image Comics, mas pela IDW e somente em 2011. A série prometia um super-herói para uma nova geração, como já foram Superman, Homem-Aranha e… humm… Spawn. Superstar é um herói que quanto maior popularidade, mais poderoso ele fica. Seu pai é um magnata da indústria da comunicação e começa a tratar o filho como um mero produto, gerando, assim, muitos conflitos e confrontos. Vale destacar que essa foi a dupla que nos trouxe o lindo Superman: Identidade Secreta, portanto é possível que Superstar seja uma boa leitura.

 

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2 Comments

    1. Não gostei muito de Shockrockets, achei meio qualquer coisa. Mas estou bem curioso pelo Império, que a Mythos está lançando! Abraços! =)

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