A Super-Nobreza. A Realeza: Mestres da Guerra, de Rob Williams, Simon Coleby, Gary Erskine e J. D. Mettler

A Realeza é um quadrinho da Vertigo que reconta a história da Segunda Guerra Mundial, mas reimaginando-a sobre o que aconteceria se a nobreza mundial possuísse poderes super humanos e a acabasse se envolvendo na Guerra. Claro, esse envolvimento poderia mudar todo o rumo de um dos mais destruidores combates que a humanidade já presenciou É sobre a Realeza que vamos falar agora, sigam-me os aliados!

Vertigo_2017_07_A_RealezaA Realeza: Mestres da Guerra faz parte do esforço da Nova Vertigo, após a saída de Karen Berger, a grande editora criadora e mantenedora do selo por anos. Muitos críticos de quadrinhos dizem que o selo perdeu força com a saída da editora. Mas A Realeza é um bom exemplo do que deu certo nessa nova fase, juntamente com Corpos, de Si Spencer, que também já foi resenhado aqui no blog.

Leia uma resenha de Corpos, de Si Spencer e Vários Artistas, aqui.

A história é escrita por Rob Williams, um escritor inglês que vinha se destacando na Rebellion, a editora da revista 2000 a.D. No Brasil ele é conhecido por passagens nada notórias nas histórias de Daken, o filho de Wolverine, o Wolverine Sombrio e também como criador da Motoqueira Fantasma da Guatemala, a mulher conhecida apenas por Alejandra. Agora, na iniciativa Renascimento da DC Comics, Williams é responsável pela revista do Esquadrão Suicida, desenhada por Jim Lee.

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the-royals21Como eu não tinha parâmetros bons para as histórias de Williams, fui ler A Realeza com poucas esperanças de uma boa história, mas pela curiosidade de como a Segunda Guerra seria representada. Afinal, nos quadrinhos, a Segunda Guerra Mundial é um dos temas históricos mais retratados, de todas as perspectivas e pontos de vista. Minha espectativa não podia estar mais errada. Encontrei uma história envolvente, cheia de ritmo e reviravolta, com personagens interessantes e aquela pegada de “adultness” da Vertigo, tratando de temas polêmicos. e que lembra um pouco os quadrinhos de Mark Millar, mas com muito mais propriedade.

-008Ao ler A Realeza, fica difícil não compará-la com o Zenith, de Grant Morrison, para quem já teve a oportunidade de tê-lo nas mãos. Só que enquanto Zenith usa a Segunda Guerra como pano de fundo para a criação de heróis e permear toda a história do seu personagem, em A Realeza, ela está presente a todo momento. A Realeza: Mestres da Guerra traz a discussão do poder absoluto dos reis, da fase histórica que ficou conhecida como absolutismo, em que era alegado que os reis descendiam de Deus e por ele eram conferidos poderes de mandar em todo mundo.

Leia aqui uma resenha de The Wicked + The Divine, de Kieron Gillen e Jamie McKelvie.

1992512Essa é uma ideia que vem desde os tempos dos faraós, que seriam descendentes de Rá, o deus-Sol. Em A Realeza, esse poder conferido por Deus é realmente um poder sobrehumano, que pode se manifestar das mais diversas formas. Zenith, de certa forma, troca os reis pelos popstars, como uma espécie de legitimidade sobre o poder que eles exercem sobre os homens, um tema que também trata a série The Wicked + The Divine, de Jamie McKelvie e Kieron Gillen. Pelo jeito, com tantas obras sobre poder, abuso de poder, e manipulação de poder, esses ingleses (todos os autores citados o são) são obcecados pela realeza e por formas de exercer controle sobre a população. Que coisa não? A História explica.

A Realeza: Mestres da Guerra é um baita quadrinho de super-heróis sem que eles sejam muito muito supers e nem um pouquinho heróis, no melhor estilo Vertigo, com uma pitadinha boa de historicidade. Recomendo muito dar uma olhada nela se você gosta de histórias de guerra e de super-nem-tanto-heróis. Abraços submersos no Oceano Pacífico próximo a Pearl Harbor!

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3 Comments

  1. Olá! Bacana a resenha, não conhecia essa obra, mas fiquei interessado. A propósito, Rob Williams normalmente não impressiona mesmo nas Majors, mas curti muito seu Venon Agente do Cosmo, divertido e aventuresco, e está com uma boa repercussão aqui no BR com o lançamento da Panini/Vertigo Unfollow, pelo menos li muita resenha elogiosa sobre.

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    1. Oi Jorge! Seguinte, quem escreve as histórias do Venom no espaço é o Robbie Thompson e não o Rob Williams! E sobre o Unfollow ainda estou para ler, vamos ver! Abraços! =)

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