A Menina Que Tinha Dons, um livro de Mike Carey

É comum roteiristas de quadrinhos também atacarem como escritores de romances. Já aconteceu, por exemplo com Neil Gaiman, Warren Ellis e Alan Moore. Também vemos o movimento contrário, de gente como Greg Rucka, Marjorie Liu e Brad Meltzer, escritores consagrados em seus nichos, virem a se tornar roteiristas de quadrinhos. Dessa vez foi Mike Carey, que nos trouxe um romance em forma de thriller pós-apocalíptico tão bom que acabou virando um longa metragem. E é sobre ele que vamos falar agora.

MTDcareyMike Carey, como todo bom escritor inglês, começou com histórias curtas para as revistas da Rebellion, editora da 2000 a.D.. Logo no início de sua carreira ele foi cooptado pela DC Comics para escrever a revista de Lúcifer, na Vertigo. A revista era um spin-off de Sandman e trazia as aventuras do Estrela da Manhã em Londres, depois dele perder suas asas em A Estação das Brumas, onde ele gerenciava um bar. A série durou 75 edições e foi sucesso de público e vendas. Na metade desta década, Lúcifer se tornou série de televisão estrelada pelo charmoso Tom Ellis.

Depois, Carey foi trabalhar numa longa fase na revista John Constantine: Hellblazer, que foi publicada na íntegra aqui no Brasil, na revista Vertigo, da Panini Comics. Na Marvel, ele trabalhou também numa longa estrada da revista X-Men: Legacy, que enfocava o Professor Xavier, Vampira e o Legião, em fases distintas. Carey também teve uma fase na revista Ultimate do Quarteto Fantástico em que aproximou conceitos do Quarto Mundo de Jack Kirby na DC Comics com os da primeira família da Marvel.

MTDinesMas seu trabalho mais aclamado foi a série O Inescrito (The Unwritten), em parceria com Peter Gross, em que imagina como seria se um garoto Harry-Potter-like vivesse atualmente e uma série de livros infantis de sucesso tivessem sido escritas por seu pai, que o teria usado como inspiração. No campo dos romances, Mike Carey é responsável pela série de livros infanto-juvenis do personagem Felix Castor – talvez a inspiração para O Inescrito.

No caso de A Menina Que Tinha Dons, seu primeiro romance “adulto”, para começar, esse foi o primeiro livro que adicionei no Goodreads. Essa semana, quase três anos depois, é que eu acabei ele. O motivo é que entre a primeira e a segunda metade do livro, ele dá uma queda no ritmo tanto da história quanto das coisas que descobrimos sobre o universo. Imaginava que o livro seria bom, mas não imaginava que seria tanto. Carey cria uma atmosfera e um universo para o seu livro, que vai além da ficção especulativa tradicional, se aproximando – mas não tanto – de um Kazuo Ishiguro. A tal “Menina que tinha dons” é uma criança zumbi. Mas diferente dos zumbis tradicionais, seus “dons” são fala e inteligência, pois ela é ensinada em uma escola para crianças zumbis dentro de uma instalação militar. Sim, meio louco, né? Mas incrivelmente interessante em possibilidades narrativas.

MTDcapa

O mais interessante do livro, talvez, seja a forma com que Mike Carey explica a peste zumbi. Ela se originou de um fungo, que ataca o cérebro dos humanos e o parasita, substituindo as terminações nervosas pelos seus micélios. Dessa forma, o fungo controla o corpo do hospedeiro como se ele estivesse vivo, ao mesmo tempo que o decompõe e cria a necessidade do consumo de carne viva para que ele se espalhe e prolifere. O contágio é feito através da saliva e do sangue do hospedeiro. Mas Melanie e as crianças que estão presas com ela na escola são diferentes. Mas qual a razão para isso?

Como todo bom filme de zumbi, a história se torna um road movie em que os personagens precisam correr, se esconder e sobreviver. Principalmente quando a estação militar é atacada pelos denominados “lixeiros”, que exterminam as crianças e os soldados, não deixando escapatória para nossos personagens principais, do que fugir pela Inglaterra sitiada. Um baita thriller, que oferece aventura, emoções e questionamentos sobre a natureza humana. Não por acaso ele virou filme em 2016 (eu ainda não vi), estrelado por Glenn Close (a comandante Nova de Guardiões da Galáxia) e Gemma Arterton (Duelo de Titãs). Bem, agora é dar um jeito de assistir ao filme. Deixo vocês com o trailer, para terem uma ideia da história visualmente:

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