Melhores e Piores Leituras de Novembro de 2017

Esse mês de novembro teve quadrinho para todo tipo de gosto nas minhas leituras. O que teve muito pouco, mas muito pouco mesmo foram super-heróis. na verdade tiveram alguns quadrinhos travestidos de super-heróis e quadrinhos queer. Foi uma miscelânea só. Então além de ser multifacetado também foi diverso e viva a diversidade! Agora se você quer saber que leituras foram essas, pode ler as mini resenha a seguir:

MELHORES:

imperio_markwaid_coverBGIMPÉRIO, DE MARK WAID E BARRY KITSON

Gosto dessa dupla desde que eles fizeram juntos Supergirl e a Legião dos Super-Heróis,onde os conceitos para o futuro do mundo são muito legal. Outra coisa que percebi é que Kitson trabalha designs de personagens muito legais, principalmente se eles forem adolescentes. Atualmente, pessoal tem reparado em como Mark Waid é bom roteirista. Essa HQ começou a ser feita mais de 15 anos atrás e é sensacional. Um déspota que domina quase todo o mundo, controla seus ministros nada confiáveis através da distribuição de uma droga, chamada “eucaristia”, cuja origem e fabricação só ele tem acesso.Pouco sabemos sobre esse déspota, o Golgoth, mas, inadvertidamente, acabamos torcendo por ele em meio à tanto iniquidade em que o mundo se encontra principalmente no círculo interno que o rege. Um quadrinho adulto que se aproxima bastante dos super-heróis por sua cara coloridíssima, mas que de alegre não tem nada. Estava bastante curioso por esse quadrinho e que bom que minha curiosidade foi saciada com um ótimo aproveitamento da história e dos desenhos. Recomendo!

NOVguia

O GUIA DO PAI SEM NOÇÃO, DE GUY DELISLE

Guy Delisle é um quadrinista conhecido por seus trabalhos descrevendo culturas diferentes em países diferentes que visita ao lado de sua mulher que trabalha para os Medicines Sans Frontiers. Ele já foi a Myanmar, Coreia do Norte, China e Israel, de onde teceu belos álbuns sobre os costumes locais frente a sua visão francófona. Neste novo álbum – TCHANS! – Delisle abandona os países por um outro terreno inóspito: o da paternidade. Isso me leva a crer que Delisle, mais que um viajante e cronista das culturas, também é um quadrinista da fronteira. Digo isso porque ele trabalha o entre-lugar, o estranhamento entre um território e outro. Aqui, neste Guia do Pai Sem Noção, ele percorre a linha fronteiriça entre a idade adulta e a idade infantil, entre os desafios da paternidade e a ingenuidade da dependência filial. O resultado é cômico, como toda comédia que apresenta visões diferentes de um mesmo caso e os encontros e desencontros que formas variadas de encarar o mundo suscitam. O quadrinho é rápido de ler, li em menos de uma hora, mas é simpático, querido e imediatamente identificador, seja para pais ou filhos. Eu adoro o Delisle, então tudo que sai dele eu leio. Até hoje nunca me arrependi.

NOVjamesbond

IAN FLEMING’S JAMES BOND 007: VARGR, DE WARREN ELLIS E JASON MASTERS

O pouco sei de James Bond: sei que ele é um herói de elite que passa seus dias em cassinos, bebendo e cercado de lindas mulheres. Isso ocorre porque ninguém – muito menos os homens – pode resistir ao seu charme de macho alfa, inglês, cis, branco, rico, vestindo um black-tie e portando uma semiautomática. Não sei se esse é tipo de herói que queremos para a realidade atual tão superlotada de tipos como esse exercendo seu poderio e encanto sobre todos os outros tipos de pessoas. O quadrinho de Warren Ellis é bastante dinâmico, mas quando se propõe a explicar a história fica chato pra cacete. Nesse sentido, a HQ da Viúva Negra é mais divertida e interessante e ela, sim, é a heroína espiã que precisamos nos dias de hoje (e isso que ela foi criada quase na mesma época que James Bond, apenas em parâmetros comparativos). Os desenhos de Jason Masters para 007 são muto bonitos e sua narrativa é ótima. Infelizmente, eu estava esperando mais de um quadrinho de 007, que me ganhou muito nas cenas de ação e me perdeu bastante nos diálogos. Mas é um quadrinho bom em geral, recomendo.

NOVduascaras

BATMAN & ROBIN: DUAS-CARAS, DE PETER J. TOMASI, GUILLELM MARCH, PATRICK GLEASON E DOUG MAHNKE

Neste encadernado, damos continuidade à saga de Batman e Robin, por Tomasi e Gleason, dessa vez sem Robin, morto por sua mãe, Thalia Al Ghul. Aqui ficamos sabendo da nova origem do Duas-Caras para o Universo DC Novos 52. Aqui, diferente do cânone estabelecido anteriormente, o inimigo figadal de Harvey Dent não é a Família Falcone, os mafiosos italianos, mas as gêmeas McKilley, criminosas irlandesas, que foram as responsáveis por transformar Harvey no bipolar obcecado que é. Neste arco passado e presente se intercalam, numa busca de vingança e justiça, como um triller policial bem-executado que daria um bom episódio de Law and Order, se não fosse pelo Batman e sua motoquinha ronronante. Uma boa pedida, mas que deu uma baita saudade do Damian, ah isso deu!

NOVmphMPH, DE MARK MILLAR E DUNCAN FEGREDO

Pessoal costuma reclamar que os filmes do Marvel Studios segue uma formulazinha, mas o mesmo pode ser dito dos quadrinhos do Mark Millar. E esse é o problema com as formulazinhas: você pode até reclamar do uso delas, mas que elas funcionam, isso é indiscutível. Nesse quadrinho, retornamos novamente ao “únicos super-heróis da terra com dilema moral/imoral” de Millar. Para quem já leu, percebe que muitas das ideias foram “chupadas” do quadrinho inglês “O Que Aconteceu Com o Homem Mais Rápido do Mundo?”, deglutidas para um público mais preguiçoso e mais massaveio. O quadrinho de Millar não é ruim e nem cansativos e, tem momentos de brilhantismo revolucionário quando discute a acumulação de capital e a divisão de bens (Millar Petralha! Comunista! Mortandela!). Mas eu acho que o Tio Mark sacou que o povo do massaveio não quer discutir a sociedade, mas sim, ver o circo pegando fogo, com muitos bancos sendo robados com superpoderes seja qual for o motivo. E drogas. Sim, elas funcionam, embora Tio Millar pudesse ter explorado mais esse aspecto. Mas não é nem do interesse dele e nem do público dele. Então, para o que se propõe, MPH é um bom quadrinho e ainda conta com a arte deslumbrante de Duncan Fegredo (Enigma, Kid Eternidade).

NOVdylanDYLAN DOG: MANCHAS SOLARES, DE PASQUALE RUJU E BRUNO BRINDISI

Precisamos parabenizar a Editora Lorentz tanto por trazer Dylan Dog, o detetive do sobrenatural, de volta para as bancas brasileiras, quanto pela seleção de histórias que eles têm feito. Judas dançarino! Que quadrinho bom de ler! Neste Manchas Solares, Dylan se vê às voltas com um calor insuportável em Londres que faz com que as pessoas cometam atos insanos e a matarem a si mesmos e um monte de outros. Segundo um velho professor, são demônios vindos do sol que se apossam das pessoas pelas manchas solares que estão causando isso. Logo, o professor, sua filha e o Dog estão fugindo de zumbis em um hospital que não cura as pessoas, mas as mata e transformam em zumbis. Eu sei, eu sei, lendo assim parece BEM ridículo. Mas o fato é que funciona e que o detetive do sobrenatural tem um sex appeal que poucos personagens tem. Isso – para alguns – também vale a leitura. Esperando pelo terceiro volume aqui.

rawhidekid1RAWHIDE KID: SLAP LEATHER, DE RON ZIMMERMAN E JOHN SEVERIN

Essa minissérie de cowboys de faroeste foi muito criticada na sua época por trazer um cowboy gay na pele de Rawhide Kid. Era a época em que o filme Brokeback Mountain, de Ang Lee, havia ganho o Oscar de melhor filme e nada estava mais nas caras das pessoas do que cowboys gays. E foi o que a Marvel deu para seu público. Mas se você poderia achar que a crítica foi sobre a maneira como a identidade gay foi retratada, nada disso, a reclamação foi a pioneira daquelas que “mudaram o sexo/sexualidade/raça/cabelo/polaina do meu pseudo-super-herói favorito” e o velho, empoeirado e apodrecido “no meu tempo não era assim, no meu tempo era melhor”. O quadrinho de Rawhide Kid não é bom e nem ruim e sim, retrata a identidade gay como fancy, flamboyant, exagerada, por um lado ampliando o estereótipo, por outro não, porque Rawhide era o cowboy mais valente e viril (?) de toda aquela região, e deixava tanto bandidos como xerifes beijando o chão e acovardados.

Você pode ler uma resenha completa desse quadrinho nesse link.

inquest-ap-pniniFUTURE QUEST: VOLUME UM, DE JEFF PARKER, EVAN SHANER, STEVE RUDE E OUTROS ARTISTAS

Future Quest é a reunião de vários personagens dos desenhos de aventuras da Hanna-Barbera, em sua época de ouro, em quadrinhos e com uma roupagem contemporânea. O roteiro que fica a cargo de Jeff Parker (Thunderbolts, X-Men: Primeira Classe) traz algumas inovações contemporâneas para os heróis no âmbito da diversidade. Temos uma assistente indiana para o Homem-Pássaro, uma garota que integra Os Impossíveis e um menino negro que se transforma em Migh-Tor. As aventuras são despretensiosas e divertidas, mas o que brilha aqui mesmo é a arte cartunizada (de cartoons – desenhos animados) dos artistas Doc Shaner e Steve Rude, e dos demais convidados, remetendo ao aclamado artista Darwyn Cooke. O artista de desenhos animados, a princípio faria parte do projeto, mas o estágio avançado de seu câncer o impediu de tomar parte e o autor veio a falecer deixando apenas uma arte conceitual da série. Eu não cresci vendo esses desenhos, mas para quem cresceu vendo esse tipo de animação deve encher os olhos de empolgação, emoção e saudades.

PIORES:

NOVrawhideRAWHIDE KID: THE SENSATIONAL SEVEN, DE RON ZIMMERMAN E HOWARD CHAYKIN

Como vocês viram, eu li o primeiro volume de Rawhide Kid, o Palmada no Couro. Mas só fui lê-lo por causa deste segundo, que comprei durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em um sebo, por ser a única coisa do Howard Cahykin que tinha no evento todo. Levei para Dom Chaykin assinar e eis que ele me larga a frase “This guy is a moron!”, ou seja, “Esse cara é um panaca” se referindo ao escritor da minissérie, Ron Zimmerman, que colaborou com ele. Chaykin é uma figuraça mesmo, daquela bem caricaturais, mas a sua arte para os tempos atuais não tem mais aquele glamour dos anos 80. Isso se deve muito à colorização digital muito cheia de efeitos e estilos. Se ela se mantivesse básica emulando a dos anos 80, valorizaria mais a arte do judeu velhinho. De qualquer forma, a história dessa segunda minissérie de Rawhide é bem boçal mesmo como afirmou o desenhista. Trata-se de Rawhide Kid colhendo amigos justiceiros para dar cabo de um bando fora-da-lei, que são espelhos distorcidos dos heróis. Para o Rawhide Kid mesmo, não existe muito destaque, a não ser que o líder dos malvados é da família de seus inimigos figadais. No final, o cowboy gay enfrenta um homem com a mesma roupa que ele e os dois começam a discutir moda zzzzzz antes que Rawhide mate o adversário. Se da outra minissérie podia se tirar um significado, dessa, nem isso. E aqui estou eu com o autógrafo do Chaykin numa edição merda. Ah, pra completar a revista, que tinha 4 edições minissérie, a Marvel incluiu o primeiro encontro entre Rawhide Kid, Kid Colt e Two-Gun KId. E era Wilson… (não o Wade!)

E então navegadores mergulhadores profundos, que acharam das minhas leituras? E as de vocês foram quais? leram alguma das que foram listadas acima? Abraços submersos!

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