Novo Editor-Chefe da Marvel Usava Pseudônimo Para se Passar Por Mangaka Japonês

A atual polêmica em torno do novo editor chefe da Casa da Ideias, C.B. Cebulski, nomeado em novembro de 2017, dá conta de pseudônimos, falsidade ideológica, acúmulo de funções, mas o principal problema foi se passar por um péssimo roteirista japonês. pesquisamos sua obra sob o pseudônimo de Akira Yoshida e algumas das ramificações do caso e trazemos um pouco do resultado para você, sempre, é claro, discutindo a situação. Nos acompanhe nesse navio afundado nas profundezas do mar corporativo e descubra toda a história!

C.B. Cebulski, novo editor chefe da Marvel, mal chegou na editora e já veio com polêmica! Mês passado, o editor foi escolhido como substituto de Axel Alonso ( que também foi editor da Vertigo) como novo editor-chefe da Casa da Ideias. Então, no dia em que Cebulski chegava nos EUA vindo da China (28), David Brothers, gerente de marketing da Image, lançou um tweet de invejinha, falando para a mídia especializada perguntar para a Marvel, o que ela achava do novo EIC (editor-in-chief) dela ter escrito com o pseudônimo Akira Yoshida diversas histórias com temáticas japonesas nos anos 2000.

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Minha gente, assim o forninho da Giovanna cai! CB já chegou com a crítica chovendo forte em cima dele!! Esse rumor já existia há anos, e foi confirmado somente agora. O blogueiro Nelson Rubens das fofocas dos quadrinhos, Rich Johnston, do Bleeding Cool já havia cantado a pedra desde o começo dos anos 2000, quando entrevistava Cebulski, mas o editor sempre negava. Akira Yoshida a.k.a Cebulski escreveu diversos quadrinhos para a Marvel nos anos 2000. Ele foi o responsável, por exemplo, pela linha Mangaverso, uma aproximação da Marvel com o mangá. E todo mundo, os leitores inclusive, acreditavam que a pessoa por trás da linha era um japonês que saberia traduzir muito bem as culturas japonesas e americanas uma para a outra. Ledo engano.   

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Cebulski começou a sua carreira editando mangás, viveu entre indas e vindas do Japão aos Estados Unidos durante vinte anos. Ele também tem família no país do sol nascente e fala fluentemente o japonês. Isso não faz dele japonês, claro! Ele escreveu essas histórias por amor a tal cultura! A verdadeira questão é, porque a Marvel não contratou um escritor realmente japonês para essas histórias? Uma impressão que dá da Marvel e dos americanos em geral é o seu preciosismo com sua cultura e seu protecionismo nacional quanto ao conteúdo do discurso de seus produtos. Reparem: dificilmente na DC Comics e na Marvel, ou mesmos nas editoras menos temos um roteirista que não seja anglófono, ou seja, de um país cuja língua oficial é o inglês. Eles até podem alegar o desconhecimento da cultura, mas em tempos que o americanismo domina globalmente o mundo com seus filmes, séries e quadrinhos, às vezes um estrangeiro conhece melhor os EUA do que os EUA conhecem o país desse estrangeiro, como no caso do Japão nos quadrinhos do mangaverso. Isso está mudando nos tempos atuais, mas é um questionamento verdadeiro a se fazer!

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Existe outro agravante para essa questão. Durante os anos 2000, a Marvel tinha uma política de que seus funcionários da parte administrativa, como os editores, não poderiam se envolver em assuntos criativos. Essa política já foi diferente anteriormente, quando Peter David trabalhava no setor de marketing e começou a escrever histórias do Homem-Aranha nos anos 80. Mas nos anos 2000, isso era expressamente proibido. A Marvel havia contratado Cebulski exatamente por seu conhecimento de japonês e mangás, dando a ele a tarefa de criar a linha mangaverso. Isso ocorreu na época de um dos presidentes mais falcatruas da Marvel, Bill Jemas. Como não tinha muita gente que conhecia mangás na Marvel naquela época, com poucas exceções como o capista Skottie Young, Cebulski e Jemas resolveram criar o pseudônimo de Akira Yoshida para o então editor de mangás da Marvel. Com esse pseudônimo ele escreve diversas revistas da linha Marvel Mangaverse.

Mas a atuação de “Akira Yoshida” não ficou por aí. reparem que ele tirou o nome de dois quadrinhos populares dos anos 80: o próprio mangá Akira, de Katsuhiro Otomo e o sobrenome Yoshida, dos Yoshida, Shingen e Mariko, da minissérie Wolverine: Dívida de Honra, de Frank Miller e Chris Claremont [nosso leitor Gerson Correa também adiciona que ele pode ter tirado esse nome de Akira Kurosawa ou Akira Toriyama também]. Estava na cara, só não via quem não queria. Mas Yoshida escreveu muitos mais quadrinhos da Marvel, alguns se passando no Japão como o crossover entre Quarteto Fantástico e X-Men, chamado X4, a minissérie Wolverine: Soultaker e a minissérie Kitty Pryde: Fogo e Sombras, com desenhos do lendário Paul Smith. Ele também foi responsável pela minissérie sobre o passado da organização criminosa japonesa O Tentáculo, responsáveis pela ressurreição de Elektra.

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Fugindo do tema japonês, ele também escreveu coisas diversas como a série Thor: Filho de Asgard, com desenho do brasileiro Greg Tocchini, que contava a adolescência do Deus do Trovão e a minissérie comemorativa de 10 Anos da criação da Era do Apocalipse, que foi um desastre total e desfigurou aquela linha temporal ainda mais. Por fim, ele também escreveu três histórias para a revista voltada para o público infantil, Marvel Adventures: Fantastic Four. Todo esse trabalho Cebulski fez ao longo de dois anos, os de 2004 e de 2005. Era de se esperar que não houvesse muito esmero nessas publicações.

Na verdade quase todos os trabalhos do tal Akira, com exceção de Thor, eram uma bela duma porcaria, não faziam sentido com os personagens, com as cronologias, com nada. E ficar atento a esses passos é que faz de um editor – no sentido americano da coisa – um editor. Para nossa infelicidade, todos os trabalhos do tal Akira Yoshida foram publicados no Brasil pela Panini Comics, que dava um destaque bem legal para essas buchas.

Pressionado novamente por Rich Johnson, Cebulski revelou a verdade: “Eu parei de escrever sobre o pseudônimo de Akira Yoshida depois de um ano. Não foi algo transparente, mas me ensinou muito sobre escrita, sobre comunicação e sobre pressão. Eu era um cara jovem e inexperiente e tive que aprender muito de uns tempos pra cá. Mas isso é um assunto velho que eu já lidei. Agora, como Editor-Chefe da Marvel, eu estou virando essa página e estou bem animado em começar a dividir todas as minhas experiências na Marvel até agora para poder trazer talentos de todo o mundo”. O cargo de C.B. Cebulski ao longo dos anos na Marvel, foi de olheiro no exterior, sendo que a maioria dos artistas e escritores internacionais da editora nos últimos 15 anos são crias do novo, e infelizmente, já polêmico EIC

'Guardians of the Galaxy Vol.2' Red Carpet In Tokyo

A questão é a seguinte: em uma editora que prega a diversidade, dentro e fora dos quadrinhos, porque não contratar um escritor japonês para escrever tais histórias? Seria um caso de apropriação cultural? Ou seria, mais uma vez os Estados Unidos tentando aculturar um povo? Todos os questionamentos são bastante pertinente. Mas tais questionamentos meio que perdem o peso nesse caso. Como encerrar esse assunto e declarar Cebulski inocente dessas acusações. É difícil. E talvez esse consentimento seja algo que não nos caiba, visto que não somos escritores japoneses que perderam seu possível emprego para um cara branco escrever histórias em um universo ficcional que homenageia sua cultura.

Agradeço ao meu querido amigo galã JP Pessoa, da fanpage Os Impossíveis, por me ajudar a contextualizar esse post. Thanks, Jompi! =)

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