Quem é Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo, e o Motivo Pelo Qual O Filme Dele Promete

Da mesma forma que Ryan Reynolds fez com o filme do Deadpool, agora é a vez de James Franco emprestar seu lobby para a FOX para tentar emplacar um filme de um mutante estrelado por ele. Esse mutante, que Franco interpretaria, seria Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo. Ele já foi interpretado pelo galã meia-boca de Grey’s Anatomy, Eric Dane, no filme também meia-boca, X-Men 3: O Confronto Final. Neste post trago um pouco da trajetória do Homem-Múltiplo nos quadrinhos e as razões porque ele é um dos meus personagens favoritos e porque um filme com ele seria muito interessante para nós, fãs de quadrinhos e para o público leigo.

Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo, surgiu pela primeira vez em Giant-Size Fantastic Four #4 (fevereiro de 1975), criado por Chris Claremont, Len Wein e John Buscema. A história pra valer de Madrox começa quando seus pais pediram ajuda ao Quarteto Fantástico com seus poderes de multiplicação. Toda vez que Madrox recebia um impacto ele se multiplicava. Foi assim desde seu nascimento, quando o médico deu um tapinha na sua bunda para ele chorar, se transformou em dois bebês. Jamie também podia criar e reabsorver suas cópia ao seu bel prazer. Ao fim, da história, Reed Richards percebe que Jamie era um mutante e pede ajuda ao Professor Xavier, que o encaminha para o Centro de Pesquisas Mutantes da Ilha Muir, onde, por muito tempo durante as histórias dos X-Men, Jamie Madrox vai servir como assistente e braço-direito de Moira MacTaggert. Isso pode ser visto, por exemplo na clássica Saga de Proteus, ou ainda na Saga do Legião, com os Novos Mutantes.

Por um breve período o Homem-Múltiplo também fez parte da equipe dos Anjos Caídos, mas na forma de uma duplicata renegada. A equipe era lliderada por Mancha Solar e Warlock, e que contava entre seus membros duas lagostas sapientes (não pergunte!). Também faziam parte do grupo Syrin (por quem Jamie Madrox era apaixonado), o Dinossauro Demônio e o Garoto da Lua, a teleportadora extramundana Ariel, Dinamite, Vanisher e dois personagens novos, Chance e Gomi. (quem sabe uma hora eu não fale mais dos Anjos Caídos por aqui?)

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Foi depois da Saga da Ilha Muir que Jamie Madrox passou a ser um operativo ativo das equipes X, fazendo parte do X-Factor, a equipe de mutantes do governo americano. Essa foi a primeira fase do escritor Peter David no título e que é memorável até hoje muito por causa do aspecto psicológico que o autor dava à série, como na história eXaminations, onde o psiquiatra Leonard Samson analisa cada membro do X-Factor. Depois da saída de David do título, já sob a batuta de John Francis Moore, três aspectos de Madrox se mostraram: o normal, um medroso e outro raivoso, e que não conseguiam mais se mesclar. O Madrox medroso, contudo, acabou sendo contagiado com o Vírus Legado. Foi necessária a ajuda da guru Guarida para reunir os três, ao mesmo tempo que a constituição final de Jamie acaba por convalescer ao vírus. Algumas edições mais tarde, o Homem-Múltiplo morre. Dezenas de edições do X-Factor depois, vemos a volta do mortos do Homem-Múltiplo explicando que quem havia morrido era uma duplicata renegada (ah, as duplicatas renegadas!) e que o Jamie real sofria de amnésia. O X-Factor é incitado pelo governo americano a perseguir Jamie, acreditando que ele seja um terrorista, mas tudo não passava de um engodo. Isso faz com que a equipe termine suas ligações governamentais.

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Mais tarde, Jamie Madrox vai fazer parte da equipe Tropa X, de Banshee e, depois da dissolução da equipe, quando se descobre manipulado por Mística, Jamie passa a fazer parte da ONG Corporação X, de Charles Xavier que tem como função espalhar ajuda aos mutantes do mundo todo. Por um tempo, Madrox manda suas cópias pelo mundo para aprenderem diversas habilidades, entre elas, uma se torna um monge Shaolin e outra, um atleta olímpico. Com essa separação das suas cópia, muitas delas acabaram criando personalidades próprias, por isso, toda a vez que Madrox fazia uma cópia de si mesmo, tinha de esperar o inesperado, porque uma parte de sua multifacetada personalidade assumiria o controle da cópia.

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Essa nova cara do Homem-Múltiplo foi trazida novamente pelo roteirista Peter David, que escreveu uma minissérie em estilo Noir com o personagem bancando o detetive na cidade mutante, também conhecida como Distrito X, o reduto mutante de Nova York. Lupina e Fortão, do X-Factor estavam de volta na mini como personagens de apoio para o protagonista. O sucesso da minissérie levou à criação de um segundo volume do X-Factor, focado em investigações mutantes, com Madrox, Lupina, Fortão, Rictor, Syrin e Monet na equipe, adicionada posteriormente a garota Layla Miller, que “sabia das coisas”. Layla estava atrelada aos eventos de Dinastia M e Dizimação, cuja revista X-Factor veio na esteira.

A revista X-Factor foi muito elogiada por um bom tempo pelos roteiros cativantes de Peter David e sua maneira única de trabalhar com os personagens. Um dos arcos mais interessantes é quando Madrox e Layla viajam para o futuro e se tornam um casal, após os eventos da saga Complexo de Messias. Também é legal a história em que Syrin engravida de Madrox, para no fim, quando Madrox vai abraçar o filho, ele o absorve, como se fosse uma mera cópia sua. Isso causa uma diáspora no grupo. Infelizmente como muitos sucessos de crítica, a revista do X-Factor não vendia bem e acabou sendo cancelada depois de mais de uma centena de edições desse novo título. AO fim do título, Jamie e Lyla acabam se casando.

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Jamie só vai reaparecer na minissérie retcon Morte do X, que será publicada em breve no Brasil. Nessa mini ele está de volta às pesquisas na Ilha Muir, onde acaba sendo acometido por outra doença fatal: a varíola-m, causada pelas névoas terrígenas dos Inumanos.É por causa de sua morte que os X-Men percebem o quanto perigosa as névoas terrígenas podem ser para os inumanos. Isso acaba colocando X-Men e Inumanos em rota de colisão vivendo numa guerra fria por mais de oito meses até desembocar no crossover Inumanos vs. X-Men.

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Um pouco antes da nova formação do X-Factor por Peter David, eu nunca achei o Homem-Múltiplo um personagem muito interessante, apesar de gostar muito do conceito do seu uniforme. Tinha uma certa simpatia por ele, por ser daqueles personagens obscuros que a gente podia achar aqui e ali em algumas histórias. Mas depois do tratamento que Peter David deu para ele na mini Madrox e no título X-Factor, eu me identifiquei totalmente com ele por causa de sua personalidade fragmentada, afinal, nunca fui uma pessoa que possa se colocar numa caixinha e rotular com uma etiqueta. Sempre fui um cara multifacetado, e achava que isso era um grande problema meu de identidade, por não suprir as demandas do que esperavam de mim através de suas expectativas. Passei a usar o nickname Madrox nas redes por um longo tempo.

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Acho que se o Homem-Múltiplo traz uma discussão importante para todos nós é a de que todos somos Homens-Múltiplos. Todos mandamos um pedacinho de nós mesmos nos dedicarmos a um aspecto da vida e cada pedacinho nosso reage de uma maneira a cada situação em tempos e espaços diferentes. Às vezes alguns pedaços falam mais alto, mas todos nós construímos nossas identidades através de pedacinhos da gente, que vão sendo construídas e aprimorados através do tempo e das nossas experiências.

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Daí para a proposta do filme de James Franco para a FOX e como o Homem-Múltiplo pode funcionar muito melhor no cinema do que nos quadrinhos. Imaginem os conflitos de personalidades das cópias. Imagine ter o conhecimento acumulado delas. Imagine poder fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Quem nunca desejou ter dois ou mais de si para dividir tarefas exaustivas ou chatas? “Para de exigir tanto de mim, eu não sou dois!”, quantas vezes você já disse ou pensou isso? E Jamie Madrox pode ser dois, três, mil, basta querer. Por isso, acho mais do que justo dedicar um filme para ele, pois tem um baita potencial.

Outra coisa que chama a atenção no filme é a sua classificação +18. Isso pode não ter dado muito certo com Deadpool, mas convenhamos, que o perfil do Homem-Múltiplo é bem diferente. para começar ele não é tão conhecido do público e, por mais que ele seja irônico e sarcástico, é um tipo diferente de humor que não pretende atrair crianças. Portanto se perguntar se a FOX não aprendeu com a experiência de Deadpool não cabe aqui. Quem sabe tenhamos o primeiro filme de um super-herói da Marvel com classificação +18 e que seja bem realizado? Só o tempo dirá. Eu fico aqui mais na torcida que na expectativa. Porque ter expectativa te faz se sentir mal no final das contas, torcer, no sentido de fazer pensamento positivo,entretanto, só faz bem. Abraços submersos!

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4 Comments

  1. Já li e gosto da 1ª fase do Peter David no X-Factor. Foram geniais aquelas hqs onde uma cópia renegada aliada a equipe do Sinistro tentou desacreditar o Madrox. Mas os psicologismos do roteirista aumentaram muito foi depois, porque no início, as histórias foram comparadas às da Liga cômica (lembra, mesmo!) de J.M. DeMatteis e Keith Giffen. Também acho interessante o design do uniforme.

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  2. Sério isso? Achei que essa história do filme do Homem-Múltiplo era balela. Mas agora tenho fontes seguras.
    As coisas devem estar bem mesmo para a Marvel, considerando que pretendem fazer um longa para um personagem de terceira (?) linha, né? Nada contra. Só penso que o universo Marvel tinha outros bem adiante na fila… mas quem sou eu perto de uma pesquisa de mercado. Outra coisa: só o selo da Marvel à frente do título já me faz comprar o ingresso do cinema. Foi assim com Guardiões da Galáxia e não me arrependi. Eu esperava mais, mas não me arrependi.

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    1. Oi Bier! Ainda não é confirmado o envolvimento direto do Franco, mas o filme sim. Mas tu tem que levar em conta que é um filme da FOX e ela n dispõe de todo catálogo da Marvel, por isso investir no Madrox, é acertado pelo potencial do personagem. Aliás, considero ele de segundo escalão, afinal já teve uma minissérie e liderou uma equipe que teve mais de cem edições publicadas. Ele só não é conhecido do grande público. Mas isso é o de menos, como tu mesmo atestou com os GOTG. Abraços! =)

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