A Vida do Quadrinho Americano em Miniatura: Will Eisner por Neil Gaiman

Este é o ano em que o Mestre dos Quadrinhos Will Eisner completaria 100 anos de existência. Por isso, resolvemos fazer uma singelíssima homenagem a esse quadrinista fantástico, trazendo algumas palavras de Neil Gaiman sobre sua importância. Essas palavras foram escritas na introdução do encadernado The Best of The Spirit, da DC Comics, publicado em 2006. Acompanhem as palavras de Neil Gaiman e reverenciem a importância de Will Eisner e de sua maior criação, o Spirit.

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“[…] A vida de Will é, em miniatura, uma história do quadrinho americano. Ele foi uma das primeira pessoas a dirigir um estúdio com a intenção de fazer quadrinhos comerciais, [as famosas shops] mas enquanto seus contemporâneos sonhavam em sair do gueto dos quadrinhos para trabalharem em lugares mais lucrativos ou respeitáveis – propaganda, talvez, ou ilustração, ou mesmo artes plásticas – Will não queria sair dali. Ele estava tentando criar uma forma de arte.

Existem argumentos hoje se Will foi ou não a primeira pessoa a surgir com o termo ‘graphic novel’ para o seu livro de histórias curtas Um Contrato Com Deus, o quadrinho que alçou voo do terceiro ato da vida criativa de Eisner. Existem de longe poucas reclamações sobre o que Will acabou fazendo em 1940 com as histórias do Spirit, ou sobre a influência que Will teve no mundo dos quadrinhos através de sua vida criativa – e também sobre suas histórias.

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Irei me adiantar aqui: comprei minha primeira cópia de The Spirit em 1975, numa comic shop de porão no Sul de Londres. Eu a vi pendurada numa parede, e sabia que, qualquer coisa que fosse, eu a queria. Eu devia ter uns 14 anos. Era a segunda edição (e final) das reimpressões de The Spirit pela Harvey Comics, e a lendo no trem para casa, eu não tinha idéia de que as histórias que lia tinham mais de trinta anos naquela época. Elas eram viçosas e espertas tanto quanto qualquer coisa nos quadrinhos – histórias de sete páginas onde algo nos direcionava a deixar de lado tudo que não fosse a própria história, enquanto contava contos maravilhosos de belas mulheres e homens azarados, de falhas humanas e redenção ocasional, histórias através das quais o Spirit poderia vagar, fazer uma aparição e até mesmo ser derrotado, um McGuffin em máscara e chapéu.

Eu amei The Spirit naquela época. Eu amei as escolhas que Will fez, a confiança, a maneira com que a arte e a história se mesclavam, Li aquelas histórias e desejei escrever quadrinhos também.

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[…] Muito do deleite em The Spirit está em observar Eisner inventar e descobrir novas formas de contar histórias – o uso do espaço em branco e painéis para representar liberdade e cativeiro em uma mesma história, o ecoar, o refletir dualmente de um painel no outro, o uso do ponto de vista do assassino em um terceiro. As histórias desse livro eram, além de ser um entretenimento surpreendente, uma lição de como contar histórias na forma de quadrinhos. ‘AÇÃO MISTÉRIO AVENTURA’, o painel no topo à direita de cada splash page em The Spirit nos conta – e a essas três coisas pode-se adicionar o humor, astúcia, patologias, sabedoria, e as mais lindas (e perigosas) mulheres dos quadrinhos.

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Em um mundo em que a ideia de graphic novels – grandes e portentosas coleções de quadrinhos que possuem peso e valor – se tornando difundidas e aceitas, livrarias, bibliotecas e indivíduos desejam saber quais são os livros mais importantes, para saber quais deles são vitais para suas prateleiras. Existem poucos livros que uma coleção de graphic novels de respeito deveria possuir, no fim das contas – Maus, por exemplo, ou Watchmen, ou Jimmy Corrigan, ou Bone. Eu gostaria de sugerir The Spirit como um exemplo do que o jovem Will Eisner poderia fazer, como algo que deveria ser adicionado àquela coleção de essenciais e que deva ter um lugar garantido nas prateleiras. O Spirit do pós-guerra é uma obra-prima, no sentido estrito da palavra – uma peça de criação que demonstra que a jornada de um jovem até se tornar um mestre de sua arte”.

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Neil Gaiman, é um escritor renomado internacionalmente. Nos quadrinhos é mais conhecido pela série de quadrinhos Sandman. Nos livros, escreveu Lugar Nenhum, Deuses Americanos e Coraline, todos adaptados com sucesso para o audiovisual, além de ter escrito os roteiros de Princesa Mononoke, Mirrormask e Beowulf. Ganhador de muitos prêmios como o Hugo, o Nebula e o World Fantasy Award, esse inglês vive hoje nos Estados Unidos com sua esposa, a música Amanda Palmer, e seus muitos gatos.

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