A Trajetória da Série em Quadrinhos de Os Bravos e Os Audazes

Mês passado saiu a notícia de que a DC Comics voltaria com a série de quadrinhos The Brave and The Bold (O Bravo e o Audaz, em português do Brasil, ou ainda Os Bravos e Os Destemidos), que seria estrelada pela Mulher-Maravilha e o Batman. Nessa série, escrita e desenhada pelo artista da Mulher-Maravilha, Liam Sharp, os dois heróis iriam investigar o panteão dos deuses celtas. É inegável que a revista The Brave and The Bold foi de suma importância na DC Comics. Gostaria de pedir sua licença (e seu acesso) para contar um breve trajetória dos volumes dessa publicação tão importante para a editora das lendas e os decenautas. Quem for bravo e audaz pode me seguir nesse caminho até o post!

Acho que você deve estar sabendo que o Batman também teve um desenho no Cartoon Network que se chama Batman: Os Bravos e os Destemidos, em que o cruzado embuçado se encontrava com diversos heróis e personagens da DC Comics. Bem, esse nome saiu diretamente da revista The Brave and The Bold, em seu primeiro volume, que em seus últimos números era toda dedicada ao Batman. Lá surgiram talentos como Dennis O’Neil e Neal Adams fazendo um Batman mais sombrio e sério que se distanciava da série de TV dos anos 60.

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Batman: Os Brabos e os Emburrados! (estrelando seus heróis grim’n’gritty favoritos!!!)

Entretanto, a revista The Brave and The Bold, no início, servia como laboratório para muitas séries: a Liga da Justiça, os Jovens Titãs e a versão da Era de Prata do Gavião Negro surgiram todos neste primeiro volume entre os anos 50 e 60. Na verdade, a revista começo trazendo três atrações: eram eles o Cavaleiro Silencioso, Robin Hood e o Príncipe Viking. Mas eles logo foram substituídos pelo primeiro Esquadrão Suicida, a Liga da Justiça, Cave Carson e Gavião Negro, que intercalava suas participações. Por um tempo a revista também foi casa da antologia Strange Sports antes de dar lugar aos team-ups, ou seja, encontros de dois ou mais heróis.

Batman passou a ser uma estrela fixa da revista a partir do número #74, de novembro de 1967, bem durante a onda da Batmania. A maioria dessas histórias foram quase todas publicadas aqui no Brasil pela Panini Comics na Coleção Lendas do Cavaleiros da Trevas (e cá entre nós a maioria É A TREVA mesmo!). Isso perdurou até a última edição do título, a de número 200, de julho de 1983, em que o Batman do universo regular, se encontrava com sua versão da Terra-2 e ainda se encontrava com o Bat-Mirim.

Foi esse volume que deu o pontapé inicial para a fase “pé na estrada”, do Arqueiro Verde e do Lanterna Verde, celebrizada por Denny O’Neil e Neal Adams, abordando temas de relevância social como as drogas, a superpopulação, o escravagismo e as questões indígenas e raciais. A revista também foi publicada no Brasil em Batman-BI, Superduplas, Batman, Os Justiceiros, Batman (em Côres), entre outras, da EBAL (Editora Brasil-América LTDA), entre 1968 e 1983.

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O último número da minissérie de 1991 com Oliver Queen, Victor Sage e John Butcher (quem???)

Surgiu um segundo volume de The Brave and The Bold em 1991, quando o Arqueiro Verde havia sido reinventado por Mike Grell, e o Questão, por Denny O’Neil. A eles se unia O Açougueiro, um personagem indígena criado por Mike Baron. Os três estrelaram uma minissérie intitulada The Brave and The Bold, escrita por Grell e Baron e desenhada por Pablo Marcos e Shea Anton Pensa. Não se deve confundir esse Açougueiro com a entidade da Raiva do universo do Lanterna Verde. Seu nome real é John Butcher e ele foi reapresentado nos Novos 52 como líder do clã do Machado na saga A Guerra dos Renegados do Arqueiro Verde de Jeff Lemire. A minissérie dos anos 90 de The Brave and The Bold permanece inédita no Brasil.

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A linda, querida e maravilhosa minissérie dos anos 2000, de Mark Waid e Barry Kitson.

Nos anos 2000, Mark Waid e Barry Kitson trouxeram o título em uma nova minissérie, dessa vez estrelada pelos Flash e Lanterna Verde clássicos, Barry Allen e Hal Jordan, mas envolvendo toda a sua mitologia e os aliados que os substituiriam depois. Aqui no Brasil a Mythos publicou como Flash & Lanterna Verde: De Volta à Era de Prata. Esse quadrinho de revival é um must-have que qualquer fã do Flash e do Lanterna deve e precisa ler. Waid e Kitson realçam as personalidades destes dois heróis perdidos (na época) como nenhum autor moderno já tinha feito mostrando que a ligação entre os dois era mais estreita do que se pensava.

Por último, mas não menos importante, o mesmo Waid e o desenhista George Pérez lançaram em abril de 2007 a última série publicada com o nome de The Brave and The Bold por enquanto. Os dois fizeram juntos os arcos Os Senhores da Sorte e Os Livros do Destino. O terceiro arco, Waid cuidou ao lado de Skott Kollins com histórias que a princípio poderiam parecer desconectadas, mas que faziam todo o sentido juntas. Em seguida, Marv Wolfman uniu Ravena e Supergirl e David Hine uniu Arqueiro Verde, Lanterna Verde e Vingador Fantasma em uma história tocante e antológica chamada Sem Pecado.

Seguiu-se um breve período para os heróis da DC Comics se encontrarem com os da Milestone, numa tentativa de revitalizar estes últimos, para que o título ficasse nas mãos de Joe Michael Straczynski, a besta-fera. Entretanto, eu estou seguro em dizer, que este é um dos melhores trabalhos do JMS, no qual ele resgatou personagens perdidos da DC Comics, como o Disque H para Herói, os Falcões Negros, o Irmão Poder, o Geek, e os Cinco Inferiores, esse resgate me agradou muito, além da arte soberba de Jesús Saiz.

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As capas da fase Straczynski e do encadernado contendo elas (à esquerda no topo).

As histórias do último volume de The Brave and The Bold foram publicadas no Brasil pela Panini Comics em Superman & Batman e em Dimensão DC: Lanterna Verde. O primeiro arco também foi republicado pela Eaglemoss na Coleção de Graphic Novels da DC Comics no volume Os Bravos e Os Audazes: Os Donos da Sorte. Seria muito legal se todos esses arcos fossem republicados pela Panini, pois todos são materiais de primeira. Vale dizer que a fase Milestone desse último título não foi publicada por aqui (são três edições com Xombi e o Espectro, Super Choque e Raio Negro e, Hardware e Besouro Azul, por acaso todos heróis latinos e negros, como é do feitio da Milestone).

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A edição da coleção da Eaglemoss para o início do último volume publicado de The Brave and The Bold. 

Nesta década surgiram os quadrinhos ligados ao desenho do Batman: Os Bravos e Os Destemidos, cujas algumas histórias foram publicadas pela Editora Abril, tanto do título Batman: The Brave and The Bold como do título All-New Batman: The Brave and The Bold. Alguns deles adaptando histórias do desenho animado e outras com histórias inéditas baseadas na animação.

Então agora que passamos a régua na trajetória da revista The Brave and The Bold no Brasil e nos EUA vamos aguardar para que a nova publicação da DC Comics com o Batman e a Mulher-Maravilha fique no mesmo nível épico e lendário que suas antecessoras! YEY! Abraços bravos e boldos pra todos vocês!

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A capa do primeiríssimo número do novíssimo volume de The Brave and The Bold!!!
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