Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2017

O ano está chegando ao fim e este é o último Melhores e Piores Leituras do Ano! Logo mais você terá um compilados com as melhores e piores leituras do ano todo! SIM! E separados por categorias como fazemos todos os anos!!! Yupii! Mas enquanto seu lobo não vem, fiquem com a nossa seleção de leituras do mês de dezembro. Pode ler e confiar, que vocês vão gostar! Bom mergulho!

Melhores

black-hole-darkside-books-quadrinhos-post5BLACK HOLE, DE CHARLES BURNS
Black Hole já havia saído pela Editora Conrad por aqui em 2008 e em dois volumes, que eu resenhei ainda naquele ano longínquo e foi um dos posts mais acessados do blog por um bom tempo. Quando a Darkside anunciou que ia publicar, eu temi pela tradução, porque a primeira edição já havia sido traduzida com primor pelo Daniel Pelizzari. Mas não é que a Darkside surpreendeu e manteve o mesmo Daniel Pelizzari para verter do inglês para o português? Fora isso, a edição da Darkside confere à obra aquilo que ela merece: um volume único de capa dura. Eu não sou muito de capa dura, mas esse quadrinho merece. Ele me abriu os olhos para coisas além do mainstream e descobri mundos incríveis porque li esse Black Hole. Black Hole é uma HQ surrealista em que uma praga de mutação física atinge sexualmente adolescentes dos anos 70/80. Talvez uma alusão à AIDS? Talvez. Mas Charles Burns diz que tem um coisa que o assusta mais do que doenças sexualmente transmissíveis, e essa coisa é a adolescência. Black Hole, portanto, é uma análise surreal da adolescência e todos os terrores que ela pode trazer junto a si. Uma HQ mais que recomendada. Uma HQ obrigatória para quem leva quadrinhos a sério.

Confira a resenha que fiz de Black Hole, pela editora Conrad, lá em 2008!

dcgraphic50_flash_oretornodebarryallenFLASH: O RETORNO DE BARRY ALLEN, DE MARK WAID, GREG LAROCQUE E OUTROS ARTISTAS

Para começar, essa história foi considerada pela Wizard, a melhor história do Flash de todos os tempos. Uma porque envolve os dois principais Flashes, Barry Allen e Wally West (meu favorito), outra porque envolve o Professor Zoom, inimigo figadal dos Flashes, e por fim, porque faz parte do run de Mark Waid, que celebrizou a frase que iniciava as histórias de Wally: “Meu nome é Wally West. Eu sou o Flash, o homem mais rápidos de mundo”. Essa história em questão é muito boa por causa dos argumentos de Waid, já os desenhos de Laroque deixam a desejar. A dupla consegue fazer um equilíbrio legal de cenas mais introspectivas, em que os personagens são desenvolvidos, com cenas rápidas de ação, em que os personagens se revelam. O retorno de Barry Allen possui tantas reviravoltas e é uma história tão empolgante e cativante que fica fácil de saber porque foi escolhida como a melhor do Flash. Portanto, é uma leitura obrigatória pra todo e qualquer fão do(s) homem(s) mais rápido(s) do mundo(s).

onsenONSEN, DE CAIO YO

Pra começar tenho que dizer que acompanho os trabalhos do Caio há um bom tempo e preciso dizer que esse é disparado o melhor trabalho dele. Percebo um peso nas palavras e uma leveza na arte dele, que é provável que tenha sido a intenção do Caio desse quadrinho. Esse ano, se não me engano, o Caio foi para o Japão e passou um bom tempo lá. Essa HQ é sobre um cara que vai para o Japão pela primeira vez e vai utilizar uma casa de banho japonesa e precisa ficar nu na frente dos outros. Nesse quadrinho, Caio trabalha, então, o ato de se desnudar, tanto física quanto identitariamente, na frente dos outros. Para isso, nosso protagonista, Érico, é auxiliado por um macaco para entender essa cultura das termas japonesas. Eu acabei percebendo um tom um pouco homoerótico na HQ (já que o Caio teve a coragem de desenhar os personagens totalmente nus – menos o principal, claro) e também homoafetivo, principalmente nessa questão de se revelar aos outros e quebrar uma barreira auto e socialmente imposta. Onsen é, então, uma HQ muito bonita e reflexiva e que ainda tem nus frontais de homens. Como poderia ser melhor, heinhê?!

b43a3b3e-4740-4fab-ab19-4b01479b9ebf665: THE NEIGHBOR OF THE BEAST – A VIZINHA DA BESTA, DE TIAGO HOLSI

Peguei esse livro/quadrinho disfarçado (?) de livro infantil na CCXP 2017 com o autor, o Tiago Holsi. Me diverti horrores lendo essa edição, vendo a maneira inocente com que uma velhinha enxerga seu diabólico vizinho que mora no apartamento 666. Quem será ele e por que é tão estranho? Achei bem legal que metade do livro é como se fosse um livro infantil e a outra metade é um quadrinho mudo, o que faz dessa publicação uma forma totalmente híbrida. Mas o mais importante, como sabemos, não é a forma e sim o conteúdo. E, sim, eu curti muito o conteúdo, desde os desenhos até o clima e ambientação, os personagens, e as piadinhas com o nosso cotidiano. O livro também tem um adendo que fala que as Croc’s e as poltronas de avião foram inventadas pelo inferno. E como não amar essas coisas bestiais e abissais que o Tiago nos revela pelos olhos de uma velhinha – não tão – inocente assim? Que diabo é isso, hein? =P

capa-kiss-1 - CopiaKISS: GREATEST HITS, VOL. 1, DE RALPH MACCHIO, STEVE GERBER, ALAN WEISS, JOHN BUSCEMA, JOHN ROMITA JR. E RICH BUCKLER

Ganhei essa HQ de brinde na compra de duas outras HQs da NFLzine Editora, que comprei com o editor enquanto esperava um Uber na saída da CCXP 2017. Muito curioso com a participação do KISS na Marvel Comics, acabei lendo ela toda enquanto esperava meu voo sentado na escada do aeroporto de Congonhas. Achei um quadrinho bastante curioso, pois aparecem como inimigos Mesfisto e Doutor Destino, por exemplo. Já na segunda história, o inimigo é um mago supremo da dimensão de KHYSCZ, de onde provêm os poderes heróicos dos integrantes da banda. Ao mesmo tempo, eles enfrentam os títeres do mago, que lembram motoqueiros fantasmas. Essas edições eram inéditas no Brasil e o detalhe macabro é que nos EUA, os integrantes da banda KISS deram seu sangue que foi colhido em uma bolsa e misturado à tinta de impressão da edição especial americana. Um pouco bizarro uma vez que as historinhas são até infantis em seu conteúdo. Mas que é bastante curioso, ah isso é!

Confira a resenha completa dessa curiosa HQ da Marvel e da banda KISS!

platicmanHOMEM-BORRACHA: UMA CAÇADA MUITO LOUCA, DE KYLE BAKER

Comecei a ler essa HQ porque quando ela saiu lá em 2004, e lá se vão uns 13 anos, ela foi incrivelmente bem avaliada pela crítica, embora o título tenha sido cancelado 12 edições depois. Esse encadernado da Salvat traz as seis primeiras histórias de Eel O’Brian, o Homem-Borracha, pelas mãos do cartunista e animador multipremiado Kyle Barker. Já no começo da leitura percebi algumas semelhanças com os desenhos dos Looney Tunes, com muita física e reações de desenhos animados, mas mais um pouquinho mais sério e realista. mas bem pouquinho. O traço de Barker permite essa dupla natureza. O enredo da história envolve a descoberta pelo FBI de que o Homem-Borracha também é o criminoso Eel O’Brian e também o assassinato de Bolão, o parceiro do herói. O FBI pensa que Eel é o culpado e sai em sua caça que o leva de volta ao monastério de monges superpoderosos, aos quais Barker faz uma releitura da primeira aparição do Borrachento. Uma HQ divertida e bonita e o único defeito é que quando você percebe, acabou. CHUIF, CHUIF!!!

creepCREEPSHOW, DE STEPHEN KING E BERNIE WRIGHTSON

Neste ano, em que Bernie Wrightson, um dos criadores do Monstro do Pântano nos deixou, a Darkside publicou a adaptação em quadrinhos do primeiro filme de Stephen King, Creepshow, que é desenhada por ele, Bernie. A HQ é muito divertida e, fora o primeiro conto, todos são muito bons e instigantes de se ler, com um terror genuíno, que só King poderia ter inventado. Entretanto, os leitores mais dispersos não vão entender que se trata de uma adaptação de um filme, ou do roteiro de um filme (embora dois contos de King foram adaptados em Creepshow para HQ e cinema), portanto, poderia ter uma introdução ou um posfácio no quadrinho explicitando esses detalhes. Talvez isso não prejudique o consumo e leitura da HQ, mas que daria uma dimensão maior a ela, daria, assim como as baratinhas de plástico que a editora me mandou pelo correio quando me concedeu essa cortesia. (e que foi muito tri!) Por exemplo, Stephen King atuou neste filme em um dos contos, assim como Leslie Nielsen e Ed Harris. A HQ também não traz o começo e o final do filme que fazem ligação com o quadrinho que o menino está lendo e o destino de seu pai que põe fora a revista. De qualquer forma Creepshow vale muito a leitura por ser feita por dois mestres do terror, além de ser uma rica homenagem às HQs estilo EC Comics dos anos 50, como Contos da Cripta. Diversão garantida!

CAPUZ_VERMELHO_FORAGIDOS_VOL1_capaCAPUZ VERMELHO E OS FORAGIDOS: VOLUME UM (RENASCIMENTO DC), DE SCOTT LOBDELL E DEXTER SOY

Quando o Claiton do Blogbuster me disse que tinha curtido muito o número do renascimento dessa série, eu fiquei meio desconfiado. Afinal, nos Novos 52, Lobdell tinha afundado tanto o Superman e os Novos Titãs e se mantinha no título do Capuz Vermelho, que era outra bomba. Já Dexter Soy tinha feito os primeiros números da nova Capitã Marvel, e eu achava a arte dele bem feia. Mas o Claiton tinha razão. Capuz Vermelho e os Foragidos Renascimento DC era legal, recontando de forma consistente a origem e desenvolvimento do personagem Jason Todd nos UDC. Então peguei esse encadernado da Panini para saber como são as relações dele com a amazona Ártemis e o bizarro, hã… Bizarro. E sabe o quê? Fiquei com vontade de ler mais sobre os personagens quando acabei de ler. O texto de Lobdell está mais instigante e arte de Soy está muitissimo melhor que em Capitã Marvel. Isso é uma prova de que devemos dar mais chances aos trabalhos novos de quadrinistas, mesmo aqueles que você não tem mais esperança que saia algum coelho dessa toca. Agora preciso saber mais sobre as origens de Ártemis e as capacidades do Bizarro, coisas que serão reveladas no segundo e terceiro arco, respectivamente. Se essa HQ tem algo de muito bom é que ela realmente te fisga!

ART-OPS-AGENTES-DA-ARTEART OPS: AGENTES DA ARTE, DE SHAUN SIMON, MICHAEL ALLRED, MATT BRUNDAGE E LAURA ALLRED

E se existisse um mundo paralelo ao nosso, em que as obras de arte tivessem vida própria e, às vezes, fosse necessário que essas obras fossem controladas para não invadir a nossa realidade? Aí entra em cena a Art Ops, a polícia da arte. Ao mesmo tempo que somos apresentados a essa força reguladora, conhecemos Reggie Revolt, um lutador que usa o seu braço feito de pura arte para nocautear seus inimigos. Ele é filho da diretora do Art Ops, mas não dá muita bola para isso. Até o dia em que toda Art Ops desaparece e ele e o super-herói O Corpo ficam encarregados de salvaguardar a Mona Lisa original que agora é uma pessoa de carne e osso. Mas tudo pode sair pela culatra, como sempre saem nas histórias desse tipo, não? Art Ops é realmente um dos quadrinhos mainstream mais revigorantes que li nesse ano, com uma proposta inovadora, personagens divertidos e conceitos desafiadores. Minha única ressalva é para a mistura da arte de Allred e Brundage que passa uma sensação de irregularidade, seja ela proposital ou não, mas nada que impeça o total aproveitamento dessa incrível HQ. Que venha o segundo volume!

spacepunchSPACE PUNCH, DE BRUNO MORAES E FRED CASSAR

Mari e Lucas são duas crianças que adoram o videogame de luta Space Punch, um arcade cujo objetivo é golpear o adversário obrigando-o a cair fora do tablado. O tempo passa e eles se afastam, tanto fisicamente como emocionalmente. Mas um torneio de Space Punch chegando na cidade pode mudar tudo isso! Bruno faz a arte que se passa dentro do videogame, as lutas, todas feitas na trabalheira que é desenhar com pixel art, com um concept e character design para os personagens do game muito bem desenvolvidos. E o Fred faz a parte “humana” da história em traço, na mesma qualidade do seu outro quadrinho, também disponível na internet, Nocturne. Um quadrinho muito bonito sobre amizade e, aquele que cresceram disputando partidas de videogame com os amigo e fizeram amigos dessa forma, provavelmente vão se identificar bastante. Um quadrinho que poderia ter sido lançado por profissionais estrangeiros com muito mais cancha nos quadrinhos que Bruno e Fred. Ou seja, um trabalho com muita tarimba e carinho. Recomendo!

Piores

Lua_do_LoboLUA DO LOBO, DE CULLEN BUNN E JEREMY HAUN

Peguei esse quadrinho crente de que seria uma baita história de lobisomem. Afinal, eu curto bastante o trabalho do Cullen Bunn, um roteirista que se especializou em escrever gibis de vilões. A premissa era trazer um horror cru, com muitos pedaços de carne e sangue para todo o lado, o que a HQ cumpre nesse quesito. A história é sobre um caçador de lobisomens, que inclusive tem uma cicatriz no rosto denotando isso. Só que os lobisomens aqui não são uma pessoa ou outra, mas um espírito que se apossa delas e vai pulando de pessoa para pessoa deixando um rastro de destruição física e psíquica por quem e onde passa. Poderia ser um baita quadrinho. Mas não é. Alguma coisa estragou no caminho, não me empolgou e me fez dormir. Talvez tenha sido um lobisomem que se apossou do meu corpo e me fez ter vontade de rasgar toda a revista em pedacinhos. Vai saber?

E vocês, mergulhadores? Concordam ou discordam dessas resenhinhas? Não deixem de comentar ali embaixo! Abraços!

 

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6 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2017

  1. Fiquei muito curioso pra ler Space Punch. Como jogador de videogame, me identifiquei com essa história de amizade e jogatina. Obrigado por me fazer adicioná-lo à minha lista, Smee!

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    1. Valeu, Bier! É lgeal ver um comentário positivo comparado à chuva de… cof… cof… “cagação de regra” no outro post. Acho que tu vai gostar dos trabalhos do Fred e do Bruno. Também recomendo o Nocturne. ABraços! =)

      Curtido por 1 pessoa

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