Os Melhores Quadrinhos da Vertigo Que Li em 2017

É, não se faz mais Vertigo como antigamente. Ano passado e esse começamos a receber aqui no Brasil os quadrinhos produzidos na Vertigo após a saída de Karen Berger da edição dos selo. Embora alguns sejam bem inovadores e refrescantes, outros são bem ruinzinhos e dá pra sentir a falta de um dedinho editorial com E maiúsculo. Uma pena. Mas, pelo menos coisas legais como as que destaco aqui vieram para nossas mãos em 2017. Então se prepara, que aí vem a lista!

ART-OPS-AGENTES-DA-ARTEART OPS: AGENTES DA ARTE, DE SHAUN SIMON, MICHAEL ALLRED, MATT BRUNDAGE E LAURA ALLRED

E se existisse um mundo paralelo ao nosso, em que as obras de arte tivessem vida própria e, às vezes, fosse necessário que essas obras fossem controladas para não invadir a nossa realidade? Aí entra em cena a Art Ops, a polícia da arte. Ao mesmo tempo que somos apresentados a essa força reguladora, conhecemos Reggie Revolt, um lutador que usa o seu braço feito de pura arte para nocautear seus inimigos. Ele é filho da diretora do Art Ops, mas não dá muita bola para isso. Até o dia em que toda Art Ops desaparece e ele e o super-herói O Corpo ficam encarregados de salvaguardar a Mona Lisa original que agora é uma pessoa de carne e osso. Mas tudo pode sair pela culatra, como sempre saem nas histórias desse tipo, não? Art Ops é realmente um dos quadrinhos mainstream mais revigorantes que li nesse ano, com uma proposta inovadora, personagens divertidos e conceitos desafiadores. Minha única ressalva é para a mistura da arte de Allred e Brundage que passa uma sensação de irregularidade, seja ela proposital ou não, mas nada que impeça o total aproveitamento dessa incrível HQ. Que venha o segundo volume!

SETrealezaA REALEZA: MESTRES DA GUERRA, DE ROB WILLIAMS, SIMON COLEBY, GARY ERSKINE E J. D. METTLER

Rob Williams nunca me impressionou com sua escrita. Seus trabalhos em Daken, Wolverine Sombrio e Esquadrão Suicida são bem meh, pra não dizer ruins. Mas não é que seu trabalho na Vertigo me fisgou completamente? Primeiro com este A Realeza e, depois com a mini resenha seguinte, de UnFollow. Talvez a verve de Rob Williams (não confundir com o cantor ex-Take That, Robbie Williams) seja se dedicar aos quadrinhos com um público mais maduro e que permita alguns arroubos na narrativa. E realmente a sua narrativa tem muitos arroubos e é isso que a torna interessante pois, diferente de Mark Millar, as excentricidades que Williams coloca nos seus personagens possuem um contexto e um significado que vai mexer com toda a estrutura da história. Não estão ali apenas para causar estertores. Ela fazem sentido.

Se você só acredita lendo, dá uma olhada na resenha completa de A Realeza aqui neste link.

SETunfollowUNFOLLOW: 140 TIPOS, DE ROB WILLIAMS, MIKE DOWLING E R. M. GUÉRA

Por que ninguém tinha pensado em fazer isso antes? Um quadrinho de cunho adulto sobre redes sociais? Elas são o grande advento do nosso tempo e estão presentes na vida de grande parte da população. Mas qual a implicância na vida da gente? Sabemos que uma das grandes consequências desse tipo de comunicação é o narcisismo. Então, quando um grande magnata dessas redes oferece sua herança para 140 pessoas e diz que, ao diminuir o número de herdeiros, a herança individual aumentaria, tudo se torna uma grande caça ao tesouro. Porém, de modo bastante sangrento. unFollow se torna uma grande homenagem às distopia tecnológicas como A Ilha e 1984 que imaginaram o impacto das tecnologias da época em que foram escritas e levaram elas às últimas consequências. unFollow também é uma homenagem à histórias em que só deve restar um, como Jogos Vorazes, O Senhor das Moscas e Battle Royale. Com antecedentes como esses, unFollow teria tudo para dar certo. E realmente dá. E peço atenção para os lindos desenhos de Mike Dowling.

JULhinterkind

HINTERKIND: OS DESTERRADOS – O DESPERTAR DO MUNDO, DE IAN EDGINTON E FRANCESCO TRIFOGLI

Outro quadrinho da Nova Vertigo sem Karen Berger que me agradou bastante, principalmente na construção do mundo e dos personagens. Depois de uma hecatombe, são poucos os humanos que restam no planeta Terra pois ele está começando a ser invadido por criaturas dos contos de fada, como trolls e elfos, que tinham ficado escondidos na floresta esse tempo todo. Mas se os humanos precisam se esconder dessas criaturas, quem é o terceiro time que está ameaçando ambas? Essa é uma das descobertas que você vai fazer nesse primeiro volume. Pois existem mais descobertas ainda para serem feitas em Hinterkind. Essa série já acabou lá nos Estados Unidos, mas acho que é uma ótima pedida que segue na onda de Fábulas e Y: O Último Homem, como uma curiosa mescla entre os dois.

CORcapaCORPOS, DE SI SPENCER E VÁRIOS AUTORES

Um dos melhores quadrinhos produzidos recentemente pela Vertigo que li. A história acompanha vários assassinatos e vários detetives. Até aí tudo bem, porém cada história de assassinato se passa numa época diferente da história da humanidade. E elas se interligam. É aí que está o pulo do gato dessa minissérie desenhada, cada época, por um artista diferente, dando o tom da investigação. Entretanto é preciso entender alguns simbolismos utilizados pelo roteirista Si Spencer na série. E foi por isso que eu escrevi o post a seguir para elucidar uma pré ou pós leitura de Corpos.

Leia aqui uma resenha completa de Corpos.

sebastianSEBASTIAN O., DE GRANT MORRISON E STEVE YEOWELL

Estava lendo um livro sobre construção da identidade gay e fiquei sabendo que foi apenas com a prisão de Oscar Wilde, no século XIX que o afeminado passou a ser associado com os gays. Até então, os gays eram associados com foras-da-lei. Wilde foi a epítome do movimento dos dândis, homens recatados que se vestiam bem e que buscavam elegância, mas ao mesmo tempo tinham hábitos contestáveis pela sociedade, como a companhia de jovens efebos. É baseado na prisão de Wilde que Morrison cria esse conto em quadrinhos e conta, através do personagem Sebastian O., o que aconteceria se, num mundo vitoriano e futurista, Wilde viesse para se vingar de seus carcereiros e intrigueiros. Um quadrinhos bastante divertido e questionador, publicado no último número da revista Vertigo pela Editora Abril.

sandman-teatro-do-misterio-a-vamp-capaSANDMAN – TEATRO DO MISTÉRIO: A VAMP, DE MATT WAGNER, STEVEN T. SEAGLE E GUY DAVIS

Em primeiro lugar, é bom esclarecer: Sandman: Teatro do Mistério não é derivado da série criada por Neil Gaiman. Pelo, contrário, ela traz aventuras adultas do Sandman da Era de Ouro, Wesley Dodds, que inspirou a releitura feita por Neil Gaiman. E sim, as duas são séries do selo Vertigo. Então, apesar deste quadrinho ter sido feito nos anos 90, ele trata de um tema bem atual: o abuso contra as mulheres. Mostra uma série de assassinatos masculinos, que tanto Wesley quanto sua futura namorada, Joan, tentam resolver. Mas não desconfiam que o predador está bem ao seu lado. Uma trama deliciosa, tanto em suspense quanto em construção da época e dos personagens. A única coisa que poderia ser melhor são os desenhos de Guy Davis.

2020gifVISÕES DE 2020: TESÃO DE VIVER, DE JAMIE DELANO E FRANK QUITELY

Donald Trump foi eleito, certo? Bem, agora um monte de gente está revoltado com os eleitores americanos e com o fato de ele ter sido eleito. São mulheres, negros, imigrantes, gays e muitas outras camadas da sociedade agindo em protestos contra o presidente. Mas o que vai acontecer daqui pra frente? Um quadrinho de 1997 dá a dica. Ele se chama Visões de 2020 e conta a história de um Estados Unidos em que uma “ditadura feminazi” tomou conta do país após a eleição e deposição de um notório conservador após escândalos sexuais. Como se isso não bastasse, Manhattan está isolada, protegendo seu nobres e escolhidos cidadãos da praga sexual que mata seus infectado de orgasmo. Isso mesmo! Só esse mote já seria motivo suficiente pra você ler a minissérie.

Se esses motivos não bastaram, você pode ler uma resenha completa de Visões de 2020: Tesão de Viver aqui.

kidcoverKID ETERNIDADE, DE GRANT MORRISON E DUNCAN FEGREDO

Nesta minissérie lançada pela Vertigo, Grant Morrison teve a missão de revitalizar, ao lado de Duncan Fegredo, um personagem bastante obscuro dos anos 40: o Kid Eternidade. O escocês deu a ele uma roupagem bastante adulta, se tornando um fantasma que visita as pessoas entre a vida e o além-vida e tem a missão de elevar a humanidade ao próximo degrau da evolução. Mas nada é nem como o leitor pensa, nem como o protagonista pensa e nem menos como o próprio Kid Eternidade pensa. Essa é outra daquelas leituras Morrisoneanas que pretende-se uma segunda, uma terceira, uma quarta, infinitas e eternas leituras até depreender um sentido. E esse sentido, cada um guarda o seu.

Você pode ler a resenha completa de Kid Eternidade aqui neste link.

E vocês, caros mergulhadores? O que acharam da Vertigo esse ano? O que leram de bom e o que leram de ruim? Não deixem de comentar! Abraços submersos!

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4 Comments

  1. Eu não costumo curtir Grant Morrison no geral, mas Kid Eternidade é um dos piores textos deles (apesar da belíssima arte do Duncan Fegredo).

    Art Ops me deu sono de tão chato e mal desenvolvido. Uma boa ideia desperdiçada em uma historinha boboca.

    Ainda não li Hinterkinds e Corpos, mas figuraram em várias listas de piores do ano.

    A premissa de Unfollow é bem boba, mas o texto e a arte são fantásticos. Essa me surpreendeu positivamente.

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    1. Bem, digamos que 2017 não foi um dos melhores anos para a Verttigo no Brasil. A gente faz mágica com o que tem… Abraços! =)

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