Os Melhores Quadrinhos Americanos (Fora das Duas Grandes) Que Li em 2017

Hey mergulhadores! Vamos dar continuidade ao nosso projeto de melhores leituras de 2017. E agora, essa categoria que eu chamo de Quadrinhos Americanos, mas como eu acho que fica difícil para entenderem, coloque entre parênteses (Fora das Duas Grandes). Ou seja, quadrinhos publicados nos Estados Unidos e que não são nem DC Comics e nem Marvel. Combinado? Então vem comigo que tem coisa boa!

black-hole-darkside-books-quadrinhos-post5BLACK HOLE, DE CHARLES BURNS
Black Hole já havia saído pela Editora Conrad por aqui em 2008 e em dois volumes, que eu resenhei ainda naquele ano longínquo e foi um dos posts mais acessados do blog por um bom tempo. Quando a Darkside anunciou que ia publicar, eu temi pela tradução, porque a primeira edição já havia sido traduzida com primor pelo Daniel Pelizzari. Mas não é que a Darkside surpreendeu e manteve o mesmo Daniel Pelizzari para verter do inglês para o português? Fora isso, a edição da Darkside confere à obra aquilo que ela merece: um volume único de capa dura. Eu não sou muito de capa dura, mas esse quadrinho merece. Ele me abriu os olhos para coisas além do mainstream e descobri mundos incríveis porque li esse Black Hole. Black Hole é uma HQ surrealista em que uma praga de mutação física atinge sexualmente adolescentes dos anos 70/80. Talvez uma alusão à AIDS? Talvez. Mas Charles Burns diz que tem um coisa que o assusta mais do que doenças sexualmente transmissíveis, e essa coisa é a adolescência. Black Hole, portanto, é uma análise surreal da adolescência e todos os terrores que ela pode trazer junto a si. Uma HQ mais que recomendada. Uma HQ obrigatória para quem leva quadrinhos a sério.

Confira a resenha que fiz de Black Hole, pela editora Conrad, lá em 2008!

creepCREEPSHOW, DE STEPHEN KING E BERNIE WRIGHTSON

Neste ano, em que Bernie Wrightson, um dos criadores do Monstro do Pântano nos deixou, a Darkside publicou a adaptação em quadrinhos do primeiro filme de Stephen King, Creepshow, que é desenhada por ele, Bernie. A HQ é muito divertida e, fora o primeiro conto, todos são muito bons e instigantes de se ler, com um terror genuíno, que só King poderia ter inventado. Entretanto, os leitores mais dispersos não vão entender que se trata de uma adaptação de um filme, ou do roteiro de um filme (embora dois contos de King foram adaptados em Creepshow para HQ e cinema), portanto, poderia ter uma introdução ou um posfácio no quadrinho explicitando esses detalhes. Talvez isso não prejudique o consumo e leitura da HQ, mas que daria uma dimensão maior a ela, daria, assim como as baratinhas de plástico que a editora me mandou pelo correio quando me concedeu essa cortesia. (e que foi muito tri!) Por exemplo, Stephen King atuou neste filme em um dos contos, assim como Leslie Nielsen e Ed Harris. A HQ também não traz o começo e o final do filme que fazem ligação com o quadrinho que o menino está lendo e o destino de seu pai que põe fora a revista. De qualquer forma Creepshow vale muito a leitura por ser feita por dois mestres do terror, além de ser uma rica homenagem às HQs estilo EC Comics dos anos 50, como Contos da Cripta. Diversão garantida!

imperio_markwaid_coverBGIMPÉRIO, DE MARK WAID E BARRY KITSON

Gosto dessa dupla desde que eles fizeram juntos Supergirl e a Legião dos Super-Heróis,onde os conceitos para o futuro do mundo são muito legal. Outra coisa que percebi é que Kitson trabalha designs de personagens muito legais, principalmente se eles forem adolescentes. Atualmente, pessoal tem reparado em como Mark Waid é bom roteirista. Essa HQ começou a ser feita mais de 15 anos atrás e é sensacional. Um déspota que domina quase todo o mundo, controla seus ministros nada confiáveis através da distribuição de uma droga, chamada “eucaristia”, cuja origem e fabricação só ele tem acesso.Pouco sabemos sobre esse déspota, o Golgoth, mas, inadvertidamente, acabamos torcendo por ele em meio à tanto iniquidade em que o mundo se encontra principalmente no círculo interno que o rege. Um quadrinho adulto que se aproxima bastante dos super-heróis por sua cara coloridíssima, mas que de alegre não tem nada. Estava bastante curioso por esse quadrinho e que bom que minha curiosidade foi saciada com um ótimo aproveitamento da história e dos desenhos. Recomendo!

Conheça mais sobre a editora/selo Gorilla Comics, de onde saiu Império!

NOVmphMPH, DE MARK MILLAR E DUNCAN FEGREDO

Pessoal costuma reclamar que os filmes do Marvel Studios segue uma formulazinha, mas o mesmo pode ser dito dos quadrinhos do Mark Millar. E esse é o problema com as formulazinhas: você pode até reclamar do uso delas, mas que elas funcionam, isso é indiscutível. Nesse quadrinho, retornamos novamente ao “únicos super-heróis da terra com dilema moral/imoral” de Millar. Para quem já leu, percebe que muitas das ideias foram “chupadas” do quadrinho inglês “O Que Aconteceu Com o Homem Mais Rápido do Mundo?”, deglutidas para um público mais preguiçoso e mais massaveio. O quadrinho de Millar não é ruim e nem cansativos e, tem momentos de brilhantismo revolucionário quando discute a acumulação de capital e a divisão de bens (Millar Petralha! Comunista! Mortandela!). Mas eu acho que o Tio Mark sacou que o povo do massaveio não quer discutir a sociedade, mas sim, ver o circo pegando fogo, com muitos bancos sendo robados com superpoderes seja qual for o motivo. E drogas. Sim, elas funcionam, embora Tio Millar pudesse ter explorado mais esse aspecto. Mas não é nem do interesse dele e nem do público dele. Então, para o que se propõe, MPH é um bom quadrinho e ainda conta com a arte deslumbrante de Duncan Fegredo (Enigma, Kid Eternidade).

JUNsuperman

SUPERMAN VERSUS PREDADOR, DE DAVID MICHELINIE E ALEX MALEEV

David Michelinie é mais conhecido pelo seu trabalho com o Homem de Ferro, onde trouxe histórias como O Demônio na Garrafa e Guerra das Armaduras. Nesta HQ publicada no fim da fase dos Heróis Premium da Abril, ele faz parceria com uma estrela ascendente, o artista então mais conhecido pelas ilustrações nos livros de RPG, Alex Maleev. Mais tarde, Maleev seria conhecido por suas parcerias com Brian Michael Bendis em Demolidor, Cavaleiro da Lua e, agora, em Homem de Ferro – que coincidência! Uma história muito legal, com aquele sentido de aventura que poucas histórias tem e, para um crossover, foi uma história muito boa. Já que os crossovers são tidos com o lixo dos lixos nas histórias em quadrinhos.

bulevar

O BULEVAR DOS SONHOS PARTIDOS, DE KIM E SIMON DEITCH

Os anos de ouro da animação estão cheios de personagens bonitos e assustadores, cruéis e malvados e ao mesmo tempo encantadores e brincalhões. Muitos desses desenhos me assustaram quando eu era pequeno, com animaizinhos esquisitos (geralmente bodes) tocando violino e cantando com outros animais. Waldo, a principal criação/criatura deste Bulevar é um desses personagens, com a diferença de que ele está vivo – vivo dentro da cabeça de Ted Mishkin e vai arrastar seu criador a uma jornada de depressão e melancolia, abuso de álcool e drogas, que não terá volta. E, como um parasita, Waldo irá infectar outras pessoas, buscando um novo hospedeiro. Na história, podemos ver citações a outros grandes nomes da Era de Ouro da animação como Winsor McKay, os irmãos Fleischer e Walt Disney. Um bom quadrinho para ler junto com Três Dedos.

Você pode ler uma resenha completa de O Bulevar dos Sonhos Partidos neste link.


ALAcapaALEX+ADA, DE JONATHAN LUNA E SARAH VAUGHN

Imagine que você não esteja se sentindo bem com seu último namora, que se acabou. Então, sua avó cheia da grana resolve te mandar uma inteligência artificial para fazer o papel de sua namorada. Você ia aceitar? Esse é o dilema que Alex tem. E muito mais: Alex se preocupa com os direitos da inteligências artificiais a terem vontade própria e não serem escravas de seus proprietários. Mas a sociedade em que ele vive tem problemas com isso, já que a senciência das inteligências artificiais acabaram provocando um massacre há dois anos atrás. Um quadrinho sensacional e muito bem desenvolvido em personagem e universo que conversam extremamente bem entre si.

Leia uma resenha completa de Alex + Ada aqui.

fevsupercrooksassaltoSUPERCROOKS, DE MARK MILLAR E LEINIL FRANCIS YU

Cansados de roubar bancos e irem sistematicamente para a cadeia, esse grupo de vilões decide aplicar um golpe diferente e num país diferente. Eu já havia me decepcionado e muito com Nêmesis, talvez o pior trabalho de Mark Millar nesse seu Millarworld e estava com um pé atrás dele voltar a ter vilões como protagonistas. Mas entrei com o pé na jaca. Millar e Yu fazem uma HQ bem competente, cada número dos quatro cumprindo seu papel e indo num crescendo que vai maximizando a trama até seu desfecho. Mas uma coisa que eu ainda não consigo gostar é de palavrões nos quadrinhos. Talvez seja puritanismo da minha parte, mas, diferente do audiovisual, os palavrões não são algo que um personagem deixa escapar, mas algo que está ali, na nossa cara, incomodando o tempo todo. Mas, como disse, isso sou eu. Recomendo a HQ.

rco001_1484006846LOVE IS LOVE, DE VÁRIOS ARTISTAS

O que dizer de uma coletânea pioneira nos Estados Unidos, com mais de 140 páginas e todas elas dedicadas a histórias sobre a comunidade LGBT? E se ainda todo o lucro adquirido pela venda das revistas fosse revertido para as famílias do massacre na boate Pulse, de Orlando? O resultado não poderia ser outro: o quadrinho acabou figurando como um dos mais vendidos do The New York Times. Entre histórias sobre o massacre, de superação e de mensagens positivas para sobreviver em um mundo intolerante, Love is Love acaba conquistando o leitor. Além de trazer personagens icônicos da DC Comics, Harry Potter e da turma do Archie, como Kevin Keller.

Você pode ler uma resenha completa de Love is Love aqui.

MARwickedTHE WICKED + THE DIVINE, DE KIERON GILLEN E JAMIE MCKELVIE

Eu já havia resenhado essa HQ quando li , o volume que comprei em uma promoção em Londres, mas ler ele em português com uma tradução bem feita é diferente. Acabei gostando ainda mais do quadrinho que trata de uma congregação de deuses que sempre esteve pelo mundo, mas que dessa vez eles vêm na forma de cantores pop, para depois, morrerem e renascerem com uma outra forma. Os desenhos de Jamie McKelvie dão um visual moderno e matador para os personagens, muito inseridos na moda e na nossa cultura pop. Uma baita recomendação para vocês.

Você pode ler uma resenha completa da edição americana desta HQ neste link.

MARdeadlettersDEAD LETTERS: OPERAÇÃO EXISTENCIAL, DE CHRISTOPHER FABELA E CHRIS VISIONS

Na contracapa dessa HQ diz que ela pode ser o próximo Preacher. Ok, não vamos exagerar, ela até tem alguma coisinha a ver com a série de Garth Ennis, mas esse ponto é a perversão da religião católica. De resto, nada tem a ver com Jesse Custer. A premissa é sobre um detetive que acorda em um lugar desconhecido e ele está sem memórias. Logo ele descobre que o lugar se chama Aqui, e é uma versão do Purgatório. Depois de se envolver com mafiosos do lugar, lhe é dada uma missão, encontrar uma informante desaparecida. Mas nada é tão simples como parece. Um enredo bastante intrigante e promissor, personagens divertidos e peculiares. Entretanto a arte e a narrativa de Chris Visions me deixaram bastante confuso em alguns momentos. De qualquer forma, é uma boa HQ, que vale a conferida.

Bem, amigos mergulhadores, aí estão nossas escolhas “americanas” para esse ano. Fiquem com a verdade, a justiça e o jeitinho americano de viver! Abraços submersos!

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