Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2017

Por fim, nossa última lista de quadrinhos contempla a produção nacional. Tenho que avisar que muita coisa lançada na CCXP 2017 vai ficar de fora, infelizmente, já que o evento se dá nas últimas semanas do ano. Então se eu não citei o seu quadrinho, não se desespere, que eu tenho todo 2018 ainda pra ler. Ossos do ofício, infelizmente… Vamos lá para os quadrinhos brasileiros, então!

onsenONSEN, DE CAIO YO

Pra começar tenho que dizer que acompanho os trabalhos do Caio há um bom tempo e preciso dizer que esse é disparado o melhor trabalho dele. Percebo um peso nas palavras e uma leveza na arte dele, que é provável que tenha sido a intenção do Caio desse quadrinho. Esse ano, se não me engano, o Caio foi para o Japão e passou um bom tempo lá. Essa HQ é sobre um cara que vai para o Japão pela primeira vez e vai utilizar uma casa de banho japonesa e precisa ficar nu na frente dos outros. Nesse quadrinho, Caio trabalha, então, o ato de se desnudar, tanto física quanto identitariamente, na frente dos outros. Para isso, nosso protagonista, Érico, é auxiliado por um macaco para entender essa cultura das termas japonesas. Eu acabei percebendo um tom um pouco homoerótico na HQ (já que o Caio teve a coragem de desenhar os personagens totalmente nus – menos o principal, claro) e também homoafetivo, principalmente nessa questão de se revelar aos outros e quebrar uma barreira auto e socialmente imposta. Onsen é, então, uma HQ muito bonita e reflexiva e que ainda tem nus frontais de homens. Como poderia ser melhor, heinhê?!

b43a3b3e-4740-4fab-ab19-4b01479b9ebf665: THE NEIGHBOR OF THE BEAST – A VIZINHA DA BESTA, DE TIAGO HOLSI

Peguei esse livro/quadrinho disfarçado (?) de livro infantil na CCXP 2017 com o autor, o Tiago Holsi. Me diverti horrores lendo essa edição, vendo a maneira inocente com que uma velhinha enxerga seu diabólico vizinho que mora no apartamento 666. Quem será ele e por que é tão estranho? Achei bem legal que metade do livro é como se fosse um livro infantil e a outra metade é um quadrinho mudo, o que faz dessa publicação uma forma totalmente híbrida. Mas o mais importante, como sabemos, não é a forma e sim o conteúdo. E, sim, eu curti muito o conteúdo, desde os desenhos até o clima e ambientação, os personagens, e as piadinhas com o nosso cotidiano. O livro também tem um adendo que fala que as Croc’s e as poltronas de avião foram inventadas pelo inferno. E como não amar essas coisas bestiais e abissais que o Tiago nos revela pelos olhos de uma velhinha – não tão – inocente assim? Que diabo é isso, hein? =P

spacepunchSPACE PUNCH, DE BRUNO MORAES E FRED CASSAR

Mari e Lucas são duas crianças que adoram o videogame de luta Space Punch, um arcade cujo objetivo é golpear o adversário obrigando-o a cair fora do tablado. O tempo passa e eles se afastam, tanto fisicamente como emocionalmente. Mas um torneio de Space Punch chegando na cidade pode mudar tudo isso! Bruno faz a arte que se passa dentro do videogame, as lutas, todas feitas na trabalheira que é desenhar com pixel art, com um concept e character design para os personagens do game muito bem desenvolvidos. E o Fred faz a parte “humana” da história em traço, na mesma qualidade do seu outro quadrinho, também disponível na internet, Nocturne. Um quadrinho muito bonito sobre amizade e, aquele que cresceram disputando partidas de videogame com os amigo e fizeram amigos dessa forma, provavelmente vão se identificar bastante. Um quadrinho que poderia ter sido lançado por profissionais estrangeiros com muito mais cancha nos quadrinhos que Bruno e Fred. Ou seja, um trabalho com muita tarimba e carinho. Recomendo!

Capa_003THE FEW AND CURSED: OS POUCOS  E AMALDIÇOADOS, DE FELIPE CAGNO E FABIANO NEVES

Confesso que eu fiquei com um pé atrás com esse material de Felipe, apesar de eu ter lido outros materiais dele antes e curtido muito. A razão por trás disso foi o logotipo. Pois é, designers, principalmente da área editorial, costumam implicar com as capas dos materiais que leem. Então deixei de ler o The Few and The Cursed até que o Felipe me pediu pra divulgar a campanha dele no Catarse. Li os três volumes que saíram até então e ADOREI, com um destaque especial para as cores, que conferem todo o clima apocalíptico e exótico para a trama do Felipe e do Fabiano. Então, não faça como eu, e não julgue um livro pela capa. Se jogue nos Poucos e Amaldiçoados!

Para ler uma resenha completa desse quadrinho clique aqui.

JULnoiteNOITE LUZ, DE MARCELO D’SALETE

Em maio o Marcelo esteve aqui em Porto Alegre para participar do FestiPOA Literária. Na ocasião, em que peguei seu autógrafo em seus outros trabalhos, eu percebi que não tinha o Noite Luz. Era o único trabalho dele que não tinha e também foi o primeiro, ainda publicado pela extinta editora Via Lettera. Um outro trabalho de Marcelo que dá voz aos marginalizados da sociedade, os negros, pobres e de comunidades suburbanas. Várias histórias mostrando como o brasileiro tem de produzir “gambiarras” para se sustentar na vida e lidar com as demais adversidades que aparecem nos seus caminhos. Segue uma linha parecida com o Encruzilhada, trazendo diversas histórias que apresentam várias situações desse tipo de personagem.

marketgardenMARKET GARDEN, DE BRUNO SEELIG

Guardem minhas palavras: esse quadrinho ainda vai virar filme. Uma trilogia (?) de décadas do Bruno Seelig, acompanhando o crescimento e formação de uma turma de meninos. Todas as histórias com nomes de operações militares da segunda guerra. A primeira, Blitzkriek, se passa nos anos 80, com a turma na infância tentando se livrar dos ataques de um bully chato. A segunda, Market Garden, se passa na adolescência da turma, enquanto as preocupações com o vestibular corroem suas mentes e uma festa bem no dia do simulado ameaça destruir suas carreiras futuras e toda a pressão, esperança e confiança que seus pais depositaram nos filhos. Eles se dividem e querem ir à festa. Para esse intento, precisam bolar uma operação militar: a Market Garden, ou seja, comprar bebidas e roubar um carro. Mas, seguindo a tradição do primeiro capítulo, republicado nesse volume da editora Mino, algo no meio do caminho pode surpreender a turma e também ao próprio leitor. Um quadrinho bastante divertido, bem feitinho, redondinho que daria um filme bem legal se bem explorado pelo roteirista e diretor da adaptação dando mais estofo para ele. Aguardo a terceira parte ansioso, se é que ela vem por aí.

MPMcornosCORNOS, DE DIEFERSON TRINDADE

O Dieferson tinha tentado essa campanha no Catarse uma vez e não deu certo. Tentou outra, e o quadrinho saiu. O que chama a atenção de primeira é o cuidado que o autor tem com os desenhos e os detalhes dos mesmos. Em seguida, reparamos que é uma história baseada em acontecimentos autobiográficos e é muito legal ver o Dieferson abrir seu coração e alma para dizer o que aquele quadrinho em especial significa para sua vida. Uma história transformadora, sem dúvida. Assim nos sentimos mais perto do autor. E é legal saber que essa campanha toda incentivou o Dieferson a fazer ainda mais quadrinhos. Muito legal. Continue assim, Dieferson!

low-de-talco-de-vidro2

TALCO DE VIDRO, DE MARCELLO QUINTANILHA

Bem, amigos, essa, se não é a melhor HQ que li este ano, com certeza é a melhor HQ brasileira que li esse ano. Como andei comentando nas redes, ela possui uma aproximação com a literatura de uma forma que nenhum outro quadrinho tem. Ela não se aproxima da literatura clássica, como fazem algumas adaptações, não. Ela está muito mais próxima é de como se têm feito a literatura contemporânea, tanto em ritmo como em conteúdo e reflexões, deixando espaços para que o leitor complete com suas sensações e achismos. Além disso, Quintanilha trabalha seu traço para lembrar quadrinhos feitos na década de 50 e 60, usando a retícula de forma maravilhosa e retrô, posicionando seu quadrinho em algum lugar do presente, mas também em algum lugar do passado.

MARalémmikaALÉM DOS TRILHOS, DE MIKA TAKAHASHI

Será que esse é o quadrinho mais fofo do ano? Sim ou com certeza? Olha, pelo menos até março ele é! O quadrinho conta a história de um coelhinho faxineiro de uma estação ferroviária que vai partir em uma busca. Todo nós somos incompletos. Nascemos, ou talvez nos tornamos assim. Enquanto estamos no mundo tentamos buscar preencher essa incompletude. Mas buscamos isso em coisas tão supérfluas e inalcançáveis, que fica difícil se tornar aquele todo desejado. Às vezes, para que isso aconteça, precisamos fugir da rotina, cometer algumas loucuras, acolher coisas dentro da gente que nunca imaginamos. Aí sim, entendemos que o que buscamos não é nada raso ou sem significado, mas uma busca incessante que pulsa dentro de nós até que nossa luz se apague. Além dos trilhos é mais ou menos sobre isso.

Você pode ler a resenha completa dessa HQ, por Phellip Willian, aqui neste link.

capa_classified_ptCLASSIFIED #01, DE FELIPE CAGNO, MARCELO COSTA E MARCELO MAIOLO

Cagno, Costa e Maiolo formam uma equipe matadora. (xiii, será que isso é spoiler?) Dessa vez eles atacam mostrando a formação do serviço secreto inglês, este mesmo, serviço secreto inglês Melo que formou gente como o Agente 007 James Bond. Eles mostram uma turma de crianças, entre eles, focam em uma menina que vai ter como mentores o mágico escapista Houdini e a superespiã sensual Mata Hari. Embora o início seja meio truncado, logo você pega o jeito e o ritmo flui numa boa. A arte da dupla de Marcelos é de babar, dando uma ótima ambientação para a história, digna de um quadrinho da Image Comics atual. Sério, gente, se você não apoiou eles no Catarse, vá atrás, que vale muito a pena!

Bem, faltaram os lançamentos da CCXP, né? Bom, se você gosta de quadrinhos nacionais, eu também lancei três deles na CCXP. O primeiro foi A Liga dos Pampas, com o Jader Corrêa, uma espécie de Liga Extraordinária formada por lendas gauchescas. O segundo é Desastres Ambulantes, pela Jupati Books, desenhado lindamente pelo Romi Carlos. Conta a história de Lucio, um homem que vai atrás do passado de seu pai, piloto da segunda guerra mundia que teve contato com OVNIS chamados de Foo Fighters.

prop

Por fim, tem o meu fanzine sobre a queda da Alice de Lewis Carrol, escrito e desenhado por mim. Para adquirir os dois primeiros, vou deixar os links abaixo. Para adquirir o Alice, só entrando em contato comigo pelos contatos das redes sociais no topo e na base do blog. Se você comprar alguma edição certamente estará ajudando para da continuidade ao blog e ao meu trabalho. Também tem a seção de trabalhos autorais com mais trabalhos meus no início do site, na página incial.

Desastres Ambulantes na Amazon

Desastres Ambulantes na Comix

A Liga dos Pampas no site da Edibook

 

Anúncios

2 Comments

  1. Oi, acabei de ler The Filth do Grant Morriso e confio em você pra fazer uma boa resenha explicando aquela loucura toda.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s