Que Cthulhu Provenha! Providence (Vol. Um), de Alan Moore e Jacen Burrows

De tempos em tempos, Alan Moore produz alguns quadrinhos para a Avatar Press. Geralmente esses quadrinhos não chegavam por aqui e nem eram muito relevantes dentro da obra de Moore. Alguns chegavam até nós por meio de scans. A coisa começou a mudar quando Moore começou a mexer com os mitos Cthulhianos de Howard Phillips Lovecraft, e a Panini Comics começou a trazer seus quadrinhos da Avatar para cá. Começou com Neonomicon e ano passado trouxe Providence, o primeiro volume de uma série explorando os mitos de Lovecraft. Eu demorei muito para ler esse quadrinho, mas pretendo desfazer esse erro trazendo a resenha a seguir para vocês.

PROamazonProvidence me conquistou aos poucos, como fazem todos os bons demônios e assemelhados. Fiquei meio relutante no começo, porque a história parecia não deslanchar. Focada em um repórter investigativo, culto e com gostos estranhos para literatura, chamado Robert Black, ele ia investigar um homem que vivia em um apartamento congelado. Humm, nesse calor, nada mais agradável. O fato é que o homem tinha conhecimento sobre os livros Sous Le Monde e O Rei Amarelo, que teriam causado morte e loucura por onde foram lidos.

PRObegin

Parecia algo enfadonho. Mas ao findar do primeiro capítulo, já fui “fisgado”, só pra ficar no jogo de palavras do capítulo três. Pra começar, eu não entendo nada dos Mitos de Cthulhu, nem de H. P. Lovecraft, embora reconheça sua importância e seu valor. Deu pra perceber que Alan Moore teceu uma nova tapeçaria, à moda da sua Liga Extraordinária, com os mitos Lovecraftianos com esse seu Providence.

PROlizard

Gostei muito que a história se passa nos anos 20 e o protagonista é um gay enrustido, o que deu um aspecto mais subterrâneo e fantasmagórico para um quadrinho de terror . Pois é o caso de o protagonista ser assombrado com a descoberta da sua verdadeira natureza enquanto trava uma jornada aos recônditos dos Estados Unidos à procura de uma verdade para um mistério que o ativa e incita.

PROdinner

Esse quadrinho – e só poderia ser em forma de quadrinho – é um dos melhores do gênero de horror que eu já li, pois casa as ambiguidades das imagens e das palavras. Portanto, cabe aqui eu dizer que ele trabalha em dois fronts: na história narrada por um ponto de vista subjetivo de leitor (prestar atenção aos ângulos subjetivos trabalhados por Moore e Burrows) e na parte objetiva que, ironicamente, é a escrita de um diário do nosso protagonista. O casamento dessas duas visões é que trazem a genialidade para a obra, além, é claro, de outras peças inseridas por Moore aqui e ali em extras.

PROsea

Entretanto a edição da Panini Books peca por alguns desvios: por exemplo, não avisar que esse é o primeiro de uma série de compilados de Moore, Burrows e os mitos cthulhianos. Outro problema: ficar evidente que a tradução não é a mesma nos balões e no texto corrido. Esse último tem falhas, como traduzir “excited” por “excitado”, e outras palavras que poderia ser melhor vertidas no capítulo três, onde existem vários jogos de palavras com aspectos marinhos. Uma pena não terem confiado ao Guilherme da Silva Braga, um vasto conhecedor dos mitos cthtulhianos a tradução deste volume, para que tivesse o mesmo cuidado que teve com Neonomicon, ou até mesmo algum escritor profissional que soubesse verter melhor as expressões de modo que se perdesse menos seu significado original.

PROdick

Dá vontade de buscar a versão original, porque algumas partes me faltaram, não só por não conhecer as obras a que Moore se refere, mas pela versão em português. Entretanto vejo que as falta de referências lovecraftianas não prejudicaram tanto meu entendimento da obra como nos quadrinhos da série Nemo que o mesmo Moore produziu. Aquelas sim, são inteligíveis. Mesmo no idioma original para quem carece de referências mais concretas.

PROdark

De qualquer forma, recomendo fortemente essa edição da Panini Books, porque Providence se trata do terror na sua essência pura: o maior totem do século XX, como diria o mago de Northampton

 

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