Gambit Poderia Ter Sido Bissexual. Que Tal?

Hoje fomos relembrados no site CBR sobre a última série-solo de Gambit nos quadrinhos. Uma revista desenhada por um dos principais artistas das beldades masculinas, que é Clay Mann. A revista era escrita por James Asmus na época e é inédita no Brasil. Um dos pitchings da série seria explorar a sexualidade de Gambit, mostrando que ele poderia ser bissexual. Entretanto a Marvel negou esse desenrolar. Vamos saber um pouco mais sobre Gambit, sobre bissexualidade e esse caso em particular. Basta ler o post!

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Gambit foi criado por Chris Claremont e Jim Lee em Uncanny X-Men #266 (Agosto de 1990). A criação de Gambit foi um empenho conjunto. Claremont desenvolveu seu nome e personalidade enquanto Lee desenhou o visual de Gambit. “Chris descreveu ele como um cara nervoso e desordeiro, além de acrobata” diz Lee “Ele era um ladrão com mais charme do que beleza, do tipo de John Malkovich. Em retrospecto, provavelmente eu também tenha desenhado ele com um bom visual.”

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A atitude de Gambit vem do tempo em que Claremont tirou férias em Nova Orleans. “Nós tínhamos um monte de pessoas honestas no grupo quando Gambit foi introduzido”, expõe Claremont, “Eu pensei em alguém que iria ‘agitar a mistura’ “. Lee deu a Gambit o uso de cartas de jogo e seu poder básico além de desenvolver sua malandragem e seu visual de impacto. “Nós estávamos tentando fazer os personagens mais realísticos” conta Lee.

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Na coluna da semana de Comic Book Urban Legends Revealed, escrita por Brian Cronin, no site Comic Book Resources, ele é perguntado por um leitor sobre uma possível bissexualidade de Gambit. E que teria sido proibida pela Marvel.  Isso teria ficado mais evidente na série de 2012 de Gambit, que era escrita por James Asmus e desenhada pelos irmãos Clay e Seth Mann – Clay é conhecido por ser um dos melhores desenhistas de homens sensuais, produzindo verdadeiros beefcakes. A série de Gambit por Asmus começou em 2012 e durou 17 edições, até 2013. Esse equivale à quita tentativa de um título-solo de Gambit, contando com suas duas minisséries originais dos anos 90. Este título, bem como o volume anterior, permanecem inéditos no Brasil.

Para esclarecer essa dívida, Cronin foi atrás de uma entrevista de Rich Johnston, o fofoqueiro dos quadrinhos, dono do site de boatos Bleeding Cool. Em 2015, depois da série ter acabado perguntou a James Asmus sobre a bissexualidade de Gambit e a negativa da Marvel em torná-lo um cara que se relaciona tanto com homens quanto com mulheres. A resposta foi a seguinte:


“É verdade, eu estava interessado em revelar que o Gambit seria bissexual em nossa série – primeiro veríamos ele seduzir um homem em uma de suas missões e, logo depois, conheceríamos um membro do Clã dos Ladrões, com quem Gambit anteriormente teria tido um relacionamento significativo antes de sua estréia nos X-Men. Eu nunca consegui passar pela primeira parte do enredo, no entanto, quando veio a aprovação do pitching, não poderíamos redefinir o personagem tanto assim”.


Asmus, no entanto, se certificou de lançar algumas coisas bem claras na entrevista:
“Entretanto, queria dizer algumas palavras … primeiro, eu não tenho idéia de quão alto ou baixo no organograma da Marvel, esta decisão foi tomada, ou por que razões – mas meu editor na revista foi o fabuloso Daniel Ketcham, que é um homem assumido e uma voz proeminente para a diversidade LGBT nos quadrinhos. Embora minha memória esteja um pouco nebulosa (eu lancei muitas idéias diferentes para esse quadrinho), não acho que ele estivesse interessado na idéia apenas de um ponto de vista prático / de história. E, como eu mencionei, eu tinha muitos conceitos diferentes que fiquei feliz de explorar – então, com justiça, o Não [para a bissexualidade de Gambit] não era algo contra o que eu lutava. Olhando em retrospecto, será que esse não seria um passo precipitado e mal cerzido? De qualquer forma, nunca fizemos nada contra a ideia de ele ser ebissexual. Então, quem sabe outra pessoa crie essa história?”

Tornar Gambit bissexual poderia ajudar a elucidar melhor sobre a mística ao redor dessa sexualidade tão invisibilizada em nossa cultura. Muitas pessoas pensam que bissexuais são pessoas que se relacionam com homens e mulheres ao mesmo tempo. Não é verdade. Esse é um comportamento pansexual. Bissexuais ora se relacionam com homens, ora com mulheres. Ser bissexual não é ser binário e ser queer não é abarcar todos os elementos do LGBTQI+. Os bissexuais acabam sendo um nicho invisível e com mais preconceito que os gays, lésbicas e transgêneros, pois estes últimos acham que são baseados na indefinição. Quando na verdade são abertos a amar e se relacionar com todo o tipo de gente.

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Esse conceito serviria muito bem para Gambit, pois um dos poderes dele, que foi abandonado com o passar dos anos, seria passar um pouco de sex appeal, convencendo as pessoas a fazerem suas vontades. Seus criadores chegaram a compará-lo com o Pepe Le Gambá da Looney Tunes quando o criaram. Portanto o charme de Gambit também seria um dos seus poderes, revelado por seus olhos de fundo negros e de cor vermelha. Se o sex appeal de Gambit convenceria os outros, certamente ele teria que se sentir atraído por homens.

Essa construção da identidade de gênero de Remy LeBeau, o Gambit, vai ao encontro das teorias de Judith Butler sobre a sexualidade como uma performace. Mais uma vez venho dizer que essa performance não se restringe apenas a uma atuação, mas nos maneirismos da pessoa: comportamento, tom de voz, trejeitos, gestos, toda uma gama de ações que, ao longo do tempo são absorvidos por nós e nos transformando no que somos. Portanto, os maneirismos de Gambit poderia ser uma justificativa para a construção da performatividade da sua identidade de gênero. Entretanto, como os bissexuais são invisibilizados, fica difícil estabelecer elementos que caracterizassem uma identidade de gênero. Dessa forma o comportamento ambíguo de Gambit seria um prato cheio para justificar sua sexualidade.

Conforme este artigo baseado em uma pesquisa do The Movement Advancement Project ( MAP ), “Os Bissexuais são geralmente varridos da comunidade de gays, lésbicas e bissexuais, pois as suas disparidades específicas os transformam em dados inexistentes dentro da comunidade LGB. A sexualidade das pessoas bissexuais é ainda mais invisível na sociedade ‘aberta’; as pessoas bissexuais acabam sendo contadas como gays, lésbicas ou heterossexuais de acordo com o gênero de seu ou sua parceiro(a). Ainda assim, quando as pessoas bissexuais se abrem sobre sua sexualidade, ela sofrem níveis incríveis de violência vindos de seus parceiros; rejeição da comunidade, família e dos seus pares; e ceticismo por parte de pessoas e organizações que se voltam a ajudá-los com recursos e serviços”.

Se James Asmus tivesse conseguido tornar Gambit bissexual, teria dado um passo importante para o reconhecimento desse tipo de identidade de gênero, desmistificando muitos dos “achismos” que se tem pelas pessoas que se relacionam com os dois sexos. Ainda são poucos os personagens bissexuais nos quadrinhos de super-heróis e ainda mais poucos aqueles que são retratados performando esse tipo de identidade de gênero. Como disse Asmus, quem sabe um dia alguém tenha a coragem e a permissão para trabalhar Gambit dessa maneira. Até lá, oremos, irmãos e irmãs bissexuais!

Leia mais sobre personagens bissexuais (ou quase) dos quadrinhos de super-heróis:

Mulher-Maravilha

John Constantine

Mulher-Gato

Wolverine (???)

 

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2 Comments

  1. Eu não fazia ideia desse conceito e estou pasmo simplesmente (positivamente falando claro kkk) o.o Sempre achei que Gambit tinha uma sensualidade nata que o tornava único, mas nunca pensei que isto estaria fora do esteriótipo de “machão pegador”… Quem sabe essa ideia ainda é explorada no futuro?? xD

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