X-Force: Mão Aberta ou Punho Fechado?

Hoje em dia a frase “Magneto Estava Certo” pulula por camisetas e sites na internet. Ela surgiu na fase de Grant Morrison nos X-Men. Muitos acreditam que os métodos dele, de encarar o conflito entre mutantes e humanos é o correto. Usar de meios violentos, assim como os humanos que atacam os mutantes. Essa é uma questão premente para os defensores da diversidade, como Martin Luther King e Malcolm X, que pregavam diferentes maneiras de encarar o problema da não-aceitação de minorias. Afinal, o movimento pela defesa das minorias deve oferecer a seus detratores a mão aberta ou o punho fechado? Em uma incrível história dos anos 90 da X-Force (sim, você leu corretamente), Sam Guthrie, o Míssil, tem a resposta.

XFOboom“Morda-se de inveja, Cindy Crawford!”, começa a história com Tabitha Smith, a Dinamite, na frente do espelho, admirando seu corpo em seu uniforme novo da X-Force. É uma nova fase para a equipe, que depois de ter passado pelas mão de Xavier, Magneto e, por fim Cable, está livre para agir por conta própria sendo liderada por Míssil. Todos estão com novos visuais. Essa história se passa depois da saga A Canção do Carrasco, em que o Professor Xavier é atacado por um homem que se passa por Cable (na verdade, ele era Conflyto, o clone de Cable) e passa por uma situação de risco de morte. Enquanto isso, X-Factor e X-Men travam uma guerra contra a X-Force, e precisam se aliar a Apocalipse para vencer a ofensiva de Conflyto. O resultado disso é a liberação do perigoso Vírus Legado na atmosfera e a X-Force é colocada em cativeiro na Sala de Perigo dos X-Men. Cable vai parar no futuro e Conflyto é dado como morto.

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Depois que a poeira baixa, a X-Force se encontra na Mansão Xavier e precisa decidir o destino da equipe. Esse destino será discutido entre o Professor Xavier, Sam Guthrie e Ororo Munroe, a Tempestade. A grande questão é: eles ficarão com o Professor Xavier e aceitarão seus métodos, bem como se entregarão às leis dos humanos por seus “atos terroristas” ao lado de Cable e contra a humanidade? Escrita por Fabian Nicieza e desenhada por Greg Capullo, a revista oferece uma visão e uma alternativa interessante para os conflitos entre maiorias e minorias sociais. Ela é intitulada “Mão Aberta ou Punho Fechado” e é sobre essa dupla abordagem que Samuel Guthrie e Charles Xavier discutem acaloradamente a respeito do destino da equipe de soldados mutantes.

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Mas antes da discussão começar, Hank McCoy, o fera fica impressionado com os atos de luta e com a ética dos mutantes Rictor, Shatterstar e Feral. E Xavier percebe que Apache e Syrin estão roubando arquivos e programas da Mansão Xavier para usarem em benefício próprio. Xavier justifica que estava mantendo Míssil e a X-Force prisioneiros para evitar que Valerie Cooper os prendesse. Míssil então diz que é tudo culpa do “sonho” de Xavier, que quer oferecer a mão aberta ao invés do punho fechado. Agora, Sam quer saber, afinal, o que Xavier deseja deles, já que os abandonou para Magneto e depois foram parar nas mãos de Cable. Sam explica que, na ausência de mentores, eles aprenderam “a dirigir o carro sozinhos”. Enquanto Xavier decide o que fazer com os ex-Novos Mutantes, Samuel diz a Apace, que não importa o que seu ex-mentor decida, Sam está pronto para lutar pelo que ele e a X-Force acreditam.

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Na hora do “vamos ver”, Sam diz que a X-force está deixando a Mansão Xavier. O Professor diz a Sam que ele está sendo simplistas, ao que o caipira responde que essa visão não é mais simplista do que o embate entre Xavier e Magneto. Ou ainda a visão de Cable: “pegue eles antes que eles nos peguem”. Xavier diz que, no fim, tudo aquilo pode ser resumido a duas opções: violência ou salvação? Separação ou unidade? Mão aberta ou punho fechado? Então Sam tenta dar um soco em Xavier depois que mostra que dentro da sua mão está um filhotinho de rato, tremendo. Sam diz então que o punho fechado pode servir para proteger, e enquanto isso, a mão aberta, além de oferecer ajuda… e aqui ele tenta dar uma palmada na cara de Xavier e é impedido por ele… também serve para oferecer violência.

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Assim Sam prova seu ponto e Xavier deixa a X-Force seguir seu caminho sozinha. Quando todos foram embora, Feral crava suas garras no ratinho e o devora. Essa analogia pode mostrar a verdadeira opinião do autor do texto, Fabian Nicieza, a de que se os necessitados forem deixados por si só, acabarão devorados por um poder maior que o deles. E num mundo em que o homem é o lobo do homem, nada mais justo que o autor tenha colocado essa opinião. Isso só confirma como Nicieza escrevia histórias muito boas nos anos 90, não eram só impressão minha, um pré-adolescente impressionado com a dimensão da discussão contida numa história em quadrinhos. Mas também é um atestado de como hoje Nicieza só produz porcarias.

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Uma bela história do Universo dos X-Men dos anos 90 e que não apenas discute princípios morais e éticos de comportamento, mas toda uma dimensão sobre como as minorias podem ou devem atuar em situações de risco ou de tutela. Além disso, a história produz um subtexto, que apenas o leitor treinado ou que saiba interpretar essas mensagens subliminares pode entender, como o ato de Feral come o ratinho que Sam “protegeu”, fazendo espelho à morte de diversos ex-Novos Mutantes que caíram no front, como Cifra e Warlock ou que foram abandonados como Lupina, Rusty e Skids. Todos eles foram manipulados por Xavier, Magneto e Cable, líderes que não estavam preocupados tanto com seus pupilos, mas com a obtenção de seus objetivos pessoais dentro de uma agenda própria.

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Dessa forma também deve ser pensada a manutenção e defesa das minorias. Quem se beneficia com essas defesa? Como fazem isso e por que? Aí sim, poderemos saber, através da ética, da moral, do comportamento e das intenções desses atores políticos o que eles pretendem e se no momento de pedir apoio às minorias vão manter suas promessas. Um assunto bem delicado, mas que, no jogo político dos INTERÉSSES, sejam eles comerciais ou governamentais, é necessário ser discutido.

Agradeço ao amigo mutuna Rodrigo Menezes por me lembrar dessa história da X-Force.

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4 Comments

  1. Uma pena que todo o desenvolvimento que o Míssil teve como personagem na X-Force foi jogado ladeira abaixo. De um líder forçado com opiniões fortes para um novato carente de atenção ao entrar nos X-Men e um Vingador sem muito destaque atualmente.

    A analogia do carro na estrada é uma das melhores nesta história.

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    1. Oi Isra! É verdade! O Míssil é um baita personagem! Mas creio que desde que saiu da X-Force ele nunca mais foi bem trabalhado. O ideal era o Sam dos Novos Mutantes, mas ninguém chegou aos pés da Louise e do Claremont nesse quesito com ele. Uma pena! Abraços! =)

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