Melhores e Piores Leituras de Abril de 2018

Abril está acabando! Então é hora de trazermos para vocês o que trazemos todos os meses: nossa listinha de melhores e piores leituras do mês! E olha só, esse mês temos mais de quinze mini resenhas dos mais diversos tipos de quadrinhos. Tem quadrinhos europeus, indie, de super-heróis, tem fumetti, tem para todos os gostos. Então afivela teu cinto de segurança nesse submarino e vamos mergulhar!

academiagothamACADEMIA GOTHAM: SEGUNDO SEMESTRE – VOLUME DOIS, DE BRENDEN FLETCHER, KARL KERSCHL, BECKY CLOONAN, ADAM ARCHER E OUTROS ARTISTAS

É realmente uma pena me despedir de Academia Gotham, um dos títulos mais espertos e inventivos do Universo do Batman. Nesse volume as tramas se fecham e Olive Silverlock precisa lidar com uma herança que também é uma maldição. Seus amigos do clube de detetives, claro, vão auxiliar Olive até o fim dos tempos, mesmo que a amiga esteja trazendo esses fim dos tempos para a Academia Gotham. Esse volume também traz uma homenagem a um grupo de vilões esquisitos do batuniverso que é o Trio Terrível, dos anos 60, dessa vez deslocado para as histórias e mitologia da Academia. E falando na Morcega, o Batman e Robin também aparecem nesse volume com direito a cameos do Duas-Caras e do Pinguim também. Foi uma linda e divertida jornada ao lado de Oliver, Maps, Colton e os demais. Vão certamente deixar saudade. Espero vê-los por aí nas revistas qualquer dia desses…

Leia aqui um review completo do primeiro volume de Academia Gotham.

batsrobsBATMAN & ROBIN: A BUSCA POR ROBIN, DE PETER J. TOMASI, PATRICK GLEASON, ANDY KUBERT, MICK GRAY, DOUG MAHNKE E OUTROS ARTISTAS

Arrisco dizer que esse é o Batman que eu gosto, dentro das inúmeras versões que existem dele. Quem me conhece sabe que eu odeio o Batman. Nessa versão, ao menos, ele se digna a esboçar sorrisos e o que desperta isso é o seu cuidado paternal com o seu filho Damian, o novo Robin. Neste encadernado, Bruce Wayne move mundos e fundos para recuperar os corpos de seu filho, Damian e da mãe dele Tália Al Ghul, sequestrados pelo terrível avô do menino, Ra’s Al Ghul, o Cabeça do Demônio, que pretende reviver os dois através de seus Poços de Lázaro. Mas esse confronto é só a primeira parte deste encadernado de 500 páginas. Na segunda parte dele, Batman e seus aliados vão até o planeta Apocolyps, de Darkseid, para resgatar o menino. O resultado é que Damian Wayne não só é revivido, como adquire poderes do nível do Superman. Tomasi, Gleason e companhia encerram essa fase do título de maneira soberba, trazendo uma aventura incrível, divertida, empolgante e emocionante. Bruce e Damian Wayne, nessa fase dessa revista são, com certeza a dupla de pai e filho que eu adoro odiar e me emocionar com as suas desventuras um pelo amor do outro

umairmaUMA IRMÃ, DE BASTIEN VIVÈS

Comprei este livro e sentei na praça de alimentação. Dez páginas depois, os gritos dos garçons, os choros das crianças, o blablabla dos comensais e transeuntes foram levemente se apagando. Meu cenário não era mais uma praça de alimentação de shopping. Era uma praia francesa onde um menino de treze anos conhecia as primeiras experiências do amor. Existem leituras que tem esse poder. Nos deslocar do nosso lugar, nos submergir dentro de um outro universo, tal o seu poder. Há cinco anos atrás eu me deparava com O Gosto do Cloro, primeira narrativa de Vivés, um cara que tem a minha idade (suspiro). O poder era o mesmo, só que dessa vez, com mais páginas e uma narrativa mais madura, menos lacunar. Uma irmã daria um belíssimo filme indie. A, digamos, direção de Vivés na escolha dos enquadramentos, da montagem do ritmo, é perfeita. Também consigo ver que o desenho de Vivés evoluiu bastante, por vezes até lembrando o mangá. Vale destacar também que é uma narrativa bem atual, em que os personagens usam whatsapp, facebook e as crianças desenham Pokémons. É muito legal a maneira como o autor constrói a relação entre os três personagens principais: Antoine e seu irmão, Titi, e a hóspede Hélene. Não é uma história cativante, nem tocante, nem de disparar a adrenalina. É uma história de cotidiano, que poderia acontecer com qualquer um de nós. E é aí que se encontra a sua força: uma cotidianidade explosiva, potente e que faz o mundo ao redor de nos entrar em um fade out. Nisso, li três quartos de Uma Irmã enquanto estava na praça de alimentação do shopping.

jujuJUSTICEIRO MAX: DESABRIGADO, DE JASON AARON E STEVE DILLON

Jason Aaron encerra sua passagem por sua versão “para leitores maduros” – seja lá o que isso quer dizer – no Justiceiro. Mesmo que inicialmente eu ache o Jason Aaron uma cria satanista entre Garth Ennis e Grant Morrison, ele conseguiu dar uma outra cara para Frank Castle. E, por incrível que pareça, de um cara saído dessa mistura estrambólica, ele deu uma cara mais humana ao assassino de bandidos. Aaron tocou em partes da vida de Castle que ninguém ousou tocar – talvez as partes menos interessantes para o leitor massavéio -, como as rotinas do seu casamento antes e depois da Guerra do Vietnã. Se por um lado ele conseguiu dar ao personagem esse viés maduro, ou seja, a parte chata de ser maduro, ele também conseguiu dar ao leitor a parte horripilante de ser maduro que vem com muito sexo e violência. A violência, claro, nada de assombroso que Ennis já não tenha feito, com muitos intestinos para fora. No sexo, por sua vez, Aaron foi por caminhos heterodoxos, mas ainda assim, americanos (entenda como quiser). Steve Dillon, eficiente como sempre, cumpriu toda a tarimba de começar e encerrar a série na mesma pegada. Entretanto, mesmo mostrando um lado mais humano de Frank Castle, o autor sulista me fez gostar e simpatizar ainda menos com o Justiceiro, mostrando que ele é e sempre foi um cuzão. Pena que a série não acabou cinco páginas antes, porque teria dado esse atestado ao personagem e aos leitores fervorosos dele. No sentido de mostrar que a luta do Justiceiro é a mais sem sentido, a mais imbecil e a mais inócua, Jason Aaron fez um ótimo trabalho.

hinterkindHINTERKIND: OS DESTERRADOS – ESCRITO EM SANGUE, DE IAN EDGINTON, FRANCESCO TRIFOGLI E CRIS PETER

Eu simplesmente adoro a proposta dessa série. Um mundo em que as criaturas sobrenaturais, que estavam por muito tempo escondidas, resolveram declarar guerra à humanidade e clamar o mundo para si. Os roteiros de Ian Edginton, desde Batman a Reino dos Malditos, sempre competentíssimo. Mas uma coisa não me conquistou nessa série, que foi a arte. Por muitas vezes ela é incompreensível. Tanto os desenhos de Trifogli, como as cores da brasileira Cris Peter – desculpa, Cris!. Tem uma momento desse volume em que um Ogro Mórmon joga um saco de ouro e parece que ele está jogando um coração de boi. O traço de Trifogli talvez seguisse a linha “desenhos feios” do início da Vertigo, mas não combina com as cores modernas de Peter. Que nessa série resolveu ousar e fez uma colorização estranha, parecendo uns rabiscos, para dar a dimensão de planos aos quadros. Algo que para mim não funcionou. Mas a série segue num ritmo bem legal, com tramas se entrelaçando. Entretanto, sinto que muita coisa foi deixada para trás para ter que concluir a série já no próximo e terceiro volume, porque daria muito mais estofo e fôlego para a série do que apenas três encadernados. Uma pena.

vingaVINGADORES DA COSTA OESTE: AVANTE, VINGADORES! & ULTRON LIBERTADO, DE ROGER STERN, BOB HALL, ROY E DANN THOMAS E DAVID ROSS

Nem todo mundo que curte os Vingadores hoje em dia sabe que houve uma divisão da equipe que atuava na costa do Pacífico dos Estados Unidos, liderada pelo Gavião Arqueiro e que se chamava Vingadores da Costa Oeste. Mas mesmo os leitores veteranos não deverão saber que, por muitas vezes, a equipe do Oeste batia a equipe do Leste em vendas. Esse encadernado da Salvat traz uma amostra das fases iniciais e finais da equipe, que acabou com a morte da Harpia, uma membro-fundadora e que pode ser vista no seriado Agentes da SHIELD. O primeiro arco mostra a minissérie de formação da equipe. Um divertido conto de origem de times que mostra como esse tipo de história deveria ser, levando em conta como as equipes são formadas hoje em dia, sem justificativa nenhuma. A segunda história, do veterano em Vingadores, Roy Thomas, traz mais um renascimento do robô assassino Ultron, só que dessa vez ele tem o objetivo de encontrar uma cara-metade para lhe ajudar a destruir o mundo. Ah, o amor! Não é lindo? Uma bela seleção de histórias, mas o texto dos extras carece de uma revisão pesada. Muito truncado e difícil de entender, parece que foi apenas passado no tradutor do Google. Fanáticos por Vingadores, vale dar uma conferida nessa segunda equipe dos Maiores Heróis da Terra e entender sua dinâmica! Não se arrependerão (a não ser pelos extras!).

lukepunhoLUKE CAGE E PUNHO DE FERRO: GUERRA CIVIL II, DE DAVID F. WALKER, FLAVIANO, SANFORD GREENE E SCOTT HEPBURN

Eu já havia gostado do primeiro volume da nova série da dupla de Heróis de Aluguel, mas esse primeiro apostava mais no humor e, por alguma razão, isso me deixou meio incomodado. Esse segundo volume, contudo, ainda tem doses de humor, mas a trama é bem mais inteligente e mais solapada. Danny Rand, o Punho de Ferro, acaba indo parar na cadeia através de uma conspiração para prender criminosos regenerados. Cabe, então, a Luke Cage e seus aliados a fazer justiça. Mas no meio disso, a justiça promontória de Carol Danvers, a Capitã Marvel, querem impedir que Luke incite uma rebelião na prisão. Resultado: pancadaria entre super-heróis. Mas a história que rouba a cena é a “Cacetada de Natal”, um anual de natal em que a dupla do título se une a Jessica Drew, a Mulher-Aranha e a Daimon Hellstrom, o Filho de Satã, para impedir que Lorde Krampus escravize o mundo a parti do Natal. Com participações especiais dos bebês Danielle Cage e Gerry Drew – eles não são uma gracinha? David Walker, então, dá um salto de qualidade entre o primeiro e o segundo arco da série que é diversão na certa, mas que talvez não agrade aqueles que não curtem desenhos rebuscados.

aniquilANIQUILADORES, DE ANDY LANNING, DAN ABNETT, TANG ENG HUAT E TIMOTHY GREEN III

Aniquiladores é a equipe que substituiu os Guardiões da Galáxia quando eles debandaram. É uma equipe de pesos-pesados cósmicos formada por gente como o Surfista Prateado e o Gladiador. É também uma das últimas minisséries que a dupla DnA escreveu no universo cósmico da Marvel. Dito isso, preciso dizer que ADOREI Aniquiladores. A razão é muito simples. Ele pega conceitos encravados e esquecidos há muito tempo no Universo Cósmico da Marvel. Na verdade são duas histórias que se desenvolvem. Uma delas é a ajuda da equipe de pesos-pesados para o planeta Galador, dos Cavaleiros Cósmicos, de onde vem ROM. Lá eles precisam mais uma vez enfrentar a ameaça dos Espectros, uma raça alienígena que desenvolveu uma grande saga na Marvel dos anos 80 chamada Guerra dos Espectros. Ao mesmo tempo, no verso da história, temos uma aventura de Rocky Racum e Groot explorando o passado do dois, mas principalmente de Rocky, desenvolvido também nos anos 80, na sua minissérie solo por Bill Mantlo e Mike Mignola. A dupla DnA, então faz algo que eu achava impossível: pegar dois conceitos datadérrimos, como o Meio-Mundo do Rocky e os Espectros do ROM e os atualiza de forma magistral, cheia de aventura, humor e espetáculo. Uma ótima leitura. Recomendo fortemente aos fãs do Universo Cósmico da Marvel, dos Guardiões da Galáxia e das loucuragens anos 80 da Casa das Ideias.

thanosfinalTHANOS: FINAL INFINITO, DE JIM STARLIN, RON LIN E ANDY SMITH

Thanos: Final Infinito faz parte de uma trilogia de Graphic Novels Originais da Marvel, todas escritas por Jim Starlin e todas, é claro, estrelando o titã louco que vai ser o pivô do filme Vingadores: Guerra Infinita. Até então, os dois volumes anteriores dessa trilogia haviam sido uma encheção de linguiça que fariam a JBS corar. As minisséries spin-off, Entidade Infinita e Hulk vs. Thanos, se deram melhor comigo. Finalmente esse terceiro volume veio mostrar a que veio e resgatou a grandiosidade das sagas cósmicas de Starlin que, na minha opinião, havia se encerrado em Cruzada Infinita. Esse, finalmente, é o Thanos que aprendemos a… hã… odiar e, bem, ter uma certa simpatia. Além disso, nesse TPB podemos sentir a magnitude das ações tomadas por Adam Warlock e o titã louco, coisa que nos outros encadernados parecia só uma ida e vinda entre dimensões. Fico feliz, então, que ao menos a trilogia acabou finalizando bem, uma vez que os trabalhos de Starlin na Marvel a partir dos anos 2000, com Absimo Infinito foram deveras capengas. Agora vamos ver se eu mantenho essa positividade na hora de sentar no cinema e assistir a Vingadores: Guerra Infinita.

invadersOS INVASORES: A CHEGADA DOS INVASORES & A LEGIÃO DA LIBERDADE, DE ROY THOMAS, FRANK ROBBINS, DON HECK, RICH BUCKLER E DICK AYRES

Creio que as revistas dos Invasores nunca tenham sido publicadas no Brasil até então. Essa edição da Salvat Vermelha vem trazer o primeiro arco da equipe, criada retroativamente por Roy Thomas, bem como o surgimento de outra, liderada por Bucky, chamada Legião da Liberdade. Essa foi minha oportunidade de me deparar com heróis de Era de Ouro da Marvel que eu nunca havia ouvido falar como o Homem-Plano e o Diamante Azul, embora os demais como Miss América, Ciclone, Corvo Vermelho e Jack Frost eu já havia tido contato. Roy Thomas sempre foi o escavador das grandes duas editoras de super-heróis dos Estados Unidos. Não escreveu só Invasores e Legião da Liberdade pela Marvel, mas também foi o cara que trouxe a Sociedade da Justiça e a Corporação Infinito para a DC Comics nos anos 70, ambas com relativo sucesso. As histórias desse encadernado dos Invasores, preciso confessar, não são um primor nem de roteiro e muito menos de arte, serve mais como uma curiosidade de um passado que nunca pudemos ter acesso e hoje está sendo desencavada pelos arqueólogos dos quadrinhos.

extermina3RENASCIMENTO DC: EXTERMINADOR – VOLUME 3, DE CHRISTOPHER PRIEST, CARLO PAGULAYAN E JOE BENNETT

O trio de artistas do Exterminador continua mantendo a série do mercenário mais sangue-frio da DC Comics em níveis altíssimos de competência. Não é só o enredo de Priest ou a narrativa de Bennett e Pagulayan que são fora de série, mas também o ritmo e os diálogos da série. Nesse volume, temos a adição de mais uma personagem especial, Tanya Spears, a Poderosa, dos Jovens Titãs. Priest consegue conferir à Tanya todo o carisma que ela não teve durante toda sua estadia no título da jovem equipe. Nesse encadernado também notei uma coisa que nos outros encadernados eu não tinha reparado: todo um charme sexy incrustados na maioria dos personagens, como se flertassem não só entre eles, mas com o leitor. (Para de me seduzir, suaaa looouuucaaa!). De qualquer forma, estou ávido pelo próximo encadernado da série, que agora vai demorar um pouco mais para sair aqui, pois a série do Exterminador acabou sendo transferida da periodicidade quinzenal para mensal nos Estados Unidos. E se você AINDA não leu essa série do Exterminador do Renascimento DC, tá esperando o que, hein?!

panters3PANTERA NEGRA: UMA NAÇÃO SOB NOSSOS PÉS – LIVRO TRÊS, DE TA-NEHISI COATES, BRIAN STELFREEZE E CHRIS SPROUSE

“Este nome… Haramu-Fal… Foi criado para zombar dele. Mas talvez zombe de todos nós. Talvez fale de todas as nossas perdas”, são as palavras do sábio Wakandano Changamyre, que inciou uma guerra civil e também a encerrou. Esse é o arco Uma Nação Sob Nossos Pés, que se encerra nesse volume. Essas palavras dele mostram que o levante foi movido pelo preconceito, por T’Challa ser órfão. As palavras de Changamyre calam fundo no discurso do livro Excitable Speech, da musa-mor Judith Butler, que explica que o insulto serve para apontar as nossas falhas e que, se incorporado e ressignificado pode ter uma valor positivo. É isso que os negros fizeram com a palavra de ofensa “nigga” e a tornaram um direito próprio de se chamar entre si. Podemos traçar um paralelo com a Wakanda do começo do arco: uma nação vilipendiada, um insulto para seu povo orgulhoso, uma memória coletiva perdida, tradições abandonadas. Era preciso uma nova significação, uma reconstrução de seus símbolos e significados. Esse foi o papel de Shuri, mais essencial que o de T’Challa nessa retomada de Wakanda. Portanto, é preciso assumir o insulto, incorporá-lo, torná-lo parte de si, para que nossas memórias se reconstruam e saiamos de lá com uma nova importância e uma nova força. O velho: “o que não te mata, te torna mais forte”.

quinaBATMAN: ARLEQUINA, DE PAUL DINI, YVEL GUICHET, AARON SOWD, DON KRAMER, WAYNE FAUCHER, JOE QUINONES, NEIL GOOGE

Este encadernado compila várias histórias soltas da Arlequina, criação máxima de Paul Dini, que surgiu primeiramente na série animada do Batman dos anos 90. Vale destacar que todas as histórias se passam no universo dos quadrinhos, uma vez que ela já havia feito sua estreia nessa mídia em 1993, mas somente em 1999 foi incorporada ao universo oficial da DC Comics. A maioria das histórias dá conta de contar a origem da palhacinha apaixonada pelo Coringa, como sua esquecível origem dos Novos 52 e o especial Batman: Harley Quinn que a introduz no universo DC Comics. Mas são nas demais histórias que esse encadernado ganha força. Sou um fã da Arlequina, mas nos últimos anos ela acabou se tornando uma Deadpool genérica da DC Comics tanto em conteúdo como em proliferação em histórias e títulos. Por isso é legal ler um encadernado como esse que resgata a essência da personagem, vinda lá da série animada do Batman dos anos 90. Claro, foram suprimidas algumas coisas politicamente incorretas, como ela sempre se dar mal por causa do Coringa e continuar sendo capacho dele. Maria da Penha no Pudinzinho!!!

amuletoO AMULETO: VOLUME UM – O GUARDIÃO DA PEDRA, DE KAZU KIBUISHI

Sempre achei que esse fosse um livro de ficção young adult, até que um amigo meu me mostrou ele, falando muito bem dele e reparei que era um quadrinho. Pensava isso até porque era da Editora Fundamento, que não tem tradição em editar quadrinhos. Bem, então eu olhei a quarta capa desta publicação e tinha um blurb do Jeff Smith, criador de Bone, falando bem desse quadrinhos. Resolvi pegar porque sou um curioso dos quadrinhos. E dos quadrinhos que me enganam e me fazem pensar que são livros, ainda mais. E assim descobri mais uma série de fantasia young adult em forma de livro, só que, dessa vez em forma de graphic novel. Achei muito legal e pude espelhar a relação dos Emily e Navin com a minha e a do meu irmão (é, eu sou a Emily). Mas também o desenvolvimento do mundo fantástico em que a família vai parar é muito legal, ideias muito boas, como por exemplo uma casa que é uma espécie de mecha/transformer e serve de meio de transporte. Resta dizer que se trata de uma série de várias graphic novels e que no Brasil já foram publicados cinco volumes até então – não sei se são todos. O mais curioso é que nunca havia ouvido falar desse quadrinho em nenhum site especializado – seja nacional ou americano – e descobrir que se trata de um dos livros que figuraram nos mais vendidos do The New York Times. Resta a dúvida de por que isso ocorreu.

magicoventoMAGICO VENTO GRAPHIC NOVEL DELUXE – VOLUME UM: FORTE GHOST, DE GIANFRANCO MANFREDI, JOSÉ ORTIZ, BRUNO RAMELLA E GIUSEPPE BARBATI

Sempre tentei me interessar pelo universo dos Fumetti – os quadrinhos italianos -, mas toda tentativa que eu fazia acabava frustrada. Não consegui me interessar. Me parecia uma narrativa datada e com conteúdo datado. Ouvia aqui e ali vastos elogios para Magico Vento e Julia, mas suas HQs ou já haviam encerrado ou já estavam em uma centena de números. Isso mudou quando a Editora Lorentz, uma editora aqui do Rio Grande do Sul, resolveu trazer Dylan Dog de volta às prateleiras brasileira. Adorei a série. Isso me levou a comprar a série do Tex pela Salvat – que não consegui terminar um volume sequer, porque essa sim é datada e chata. Mas me levou a ler o Mágico Vento em sua versão Deluxe, agora saindo pela Mythos Editora. Fiquei bem satisfeito, então, com minha leitura. Embora a primeira história desse encadernado, Forte Ghost, cumpra a tabela de uma narrativa de origem, foi a segunda, Garras, que me fisgou, explorando os mitos (!) e lendas dos índios sioux. São histórias bem desenvolvidas, inclusive com subtramas, algo difícil de se ver nos quadrinhos atuais. Então sim, Magico Vento acabou me conquistando e, finalmente, pude ver o que muitos amigos e críticos de quadrinhos falavam tão bem deste fumetti. E vamos que vamos com os fumetti! Forza Italia!

trevasO LIVRO DAS TREVAS, DE JOE R. LANSDALE E MARK A. NELSON

Esse é um quadrinho da Vertigo que, certamente, não está nos primeiros da lista de quadrinhos que você lembra quando pensa em Vertigo. Mas por alguma razão desconhecida saiu no Brasil pela Fractal/ Tudo em Quadrinhos e é relativamente difícil de se encontrar. Pelo que li, Joe R. Lansdale é um renomado escritor de horror americano que se aventurou nos quadrinhos com a ajuda da arte magnífica de Mark Nelson, que lembra um pouco o virtuose Brian Bolland. Já no começo do quadrinho vemos que sua escrita tem uma base literária bem destacada, diferente da maioria dos quadrinhos. A narrativa em off tem uma literariedade de personalidade de narrador não-confiável, que dá uma dimensão maior à trama. Trama essa, que percorre presente, passado e futuro, sendo a parte do passado, no Velho Oeste a mais interessante e a do futuro, num Texas canibal, a menos interessante. E nesse sentido, a história vai decaindo, num decrescente de fantasia e esmero imaginativo e literário. Como li numa crítica antes de ler a HQ, parece que na última edição resolveram que era hora de encerrar uma trama que se estenderia mais e, puft, ela acaba de um jeito estranho. Mas mesmo tendo um final bizarro e num clima e tom bem diferente dos três primeiros capítulos é um quadrinho que vale a pena ser lido, só pela maneira com os autores trabalham um terror bem “gore” de maneiras inusitadas, como a do vilão caçar cabeças decapitadas nos pés. É, eu sei, medonho. Mas criativo.

justinJUSTIN, DE GAUTHIER

Então, essa é uma graphic novel pequena que tinha tudo para ser legal, mas acabou ficando meia-boca. Acabou sendo a história padrão de toda pessoa que se sente desajustada com o sexo com que nasceu e quis mudar essa realidade. Não tem nenhuma particularidade na história, ela acaba soando educativa no sentido ruim da palavra. Claro, o esforço da autora para conferir aos personagens feições de coalas e não de humanos é bem interessante, mas não é suficiente. O outro quadrinho da Gauthier que eu li, O Entrerro das Minhas Exs, é muitas vezes superior a esse, tanto em profundidade como em reflexividade. E então eu fico me perguntando que público a autora e a editora miravam com este Justin. Provavelmente era o caso do público jovem adulto, de adolescentes que estejam descobrindo sua sexualidade e identidade de gênero pelo teor e superficialidade das discussões. Por outro lado, o livro mostra “coalas nus”, o que me leva a entender que as escolas não aceitariam como livro paradidático. Então esse “não saber para o que veio no fim das contas” me deixa apreensivo. Acho superimportante haver um quadrinho que discuta identidade de gênero, mas não da forma como Gauthier trabalhou. Para finalizar, depois da metade do livro todas as páginas estavam juntas, sem ter passado a guilhotina. Não, eu não me empolguei com coalas transsexuais da maneira como você está pensando. Então, no fim, acho que é um assunto bem complexo e complicado para ter essa pegada “você está sendo leviana, Luciana”, mesmo sendo quadrinhos. Afinal quadrinhos nunca foi sinônimo de simplicidade e superficialidade. A não ser em cabeças simples e superficiais, claro!

E então, caros mergulhadores? Foi boa a viagem pelas profundezas dos quadrinhos? E você? O que leu de interessante neste mês? Que achou das nossas mini resenhas? Não deixe de comentar!

 

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4 Comments

    1. Valeu, Paulo! Sempre é bom ter esses feedbacks do que funciona ou não para os leitores do blog. Na página do facebook do blog eu coloco cada leitura conforme vou fazendo e, no fim do mês, elas vêm para cá. Se quiser acompanhar elas antes, a dica é ir ver na fanpage! Bem no final das páginas do blog tem como curtir a página e acompanhar. Valeu! Abraços! =)

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