[RESENHA] X-Men: Chega de Humanos, de Mike Carey e Salvador Larroca

X-Men: Chega de Humanos é apenas a segunda graphic novel que a Marvel publica dedicada aos filhos do átomo. A primeira é a amplamente conhecida Deus Ama, o Homem Mata, de Chris Claremont e Brent Anderson, que aborda o tema do preconceito com os mutantes insuflados por um televangelista humano. Esta primeira graphic novel também serviu como base para o filme X2, o melhor de todos nas franquias X, na opinião de muita gente exatamente por abordar diretamente o preconceito. Com esta segunda graphic novel não poderia ser diferente, porém de um lado mais pró-ativo dos mutantes: a extinção de todos os humanos. A seguir, a resenha completa sobre essa publicação.

CHEmanhattan
Nenhum humano na ilha de Manhattan!

A Marvel começou em 2012 com as suas Original Graphic Novel (OGN), o intuito era que fossem lançadas simultaneamente nos EUA e no mundo. Mas aqui no Brasil, claro, a Panini conseguiu atrasar todas. Essa dos X-Men, então, foi a que mais demorou. Foi lançada em 2014 nos EUA e, no Brasil, somente em 2018. Existe um claro descaso da Panini com os X-Men desde sempre. Eu, como fã ferrenho, reparei nisso várias vezes. Não é um fator de qualidade, pois na minha humilde opinião, Chega de Humanos é a melhor das OGN que saíram aqui no Brasil. De longe, longíssimo.

CHEirmandade
A nova e multidimensional Irmandade de Mutantes.
X-men.-Chega-de-Humanos
Capa da graphic novel X-Men: Chega de Humanos, de Mike Carey e Salvador Larroca, 128 páginas, R$ 39,90. Tradução: Dandara Palnkof e Carol Pimentel. 

O título faz referência à frase citada pela Feiticeira Escarlate ao fim de Dinastia M, “chega de mutantes”, que incorreu na dizimação dos mutantes, restando apenas 198 deles. De lá para cá, os mutantes voltaram a crescer e seu número voltou a ameaçar os humanos. Nessa graphic novel, os humanos desaparecem da face da terra graças a uma tecnologia de teleporte entre dimensões. Essa tecnologia também é responsável pela criação de uma nova Irmandade de Mutantes interdimensional.

Todo esse conflito “racial” e os grandes embates com grandes inimigos me lembrou muito quando eu li os X-Men Gigantes da Editora Abril, uma época de descobertas imensas para mim e o melhor da vida para se colecionar X-Men, pois existia até um “Checklist Mutante” para saber o que colecionar dos X-men durante o ano de 1996 inteiro. Doze anos depois me deparo com essa HQ que reavivou aquele meu sentido de maravilhamento, como histórias grandes, imponentes e importantes. E, depois de 30 anos, essa é apenas a SEGUNDA graphic novel de X-Men, sendo a primeira Deus Ama, o Homem Mata, que saiu pela primeira vez aqui como O Conflito de Uma Raça. Dentro dessa tradição, Chega de humanos segue direitinho como uma graphic novel dos X-Men deve ser.

CHEamamata
Duas versões da primeira graphic novel dos X-Men. A primeira publicada pela Editora Abril nos anos 80 e a segunda pela Panini Comics nos anos 2000. 

Existem roteiristas que fazem bem o seu tema de casa e existem roteiristas que não dão bola nenhuma para isso. Mike Carey pertence ao caso que faz o tema de casa e pesquisa os quadrinhos que escreve. Várias vezes ele já citou o site Uncanny X-Men Dot Net como fonte de suas pesquisas para inserir personagens nas histórias que escrevia para X-Men e X-Men Legacy. Brian Michael Bendis, por outro lado, é um cara que defeca para a continuidade e faz o que bem achar melhor com os personagens, criando histórias interessantes, mas que às vezes faltam ligação com o que já foi feito antes. Para ver a diferença entre as abordagens dos dois roteirista, Carey incorpora as modificações que Bendis fez nos X-Men muito bem.

CHEraze
Raze, o filho de Wolverine e Mística que veio do futuro!

Para começar, o vilão principal é Raze, o filho futurista de Wolverine e Mística, que foi trazido por Bendis e Aaron na saga crossover A Batalha do Átomo, em que X-Men do passado, futuro e presente se digladiam. Raze se apropria de uma tecnologia de teleporte entre dimensões e faz desaparecer os humanos da face da Terra. Segue-se, então, um conflito entre os X-Men (Fabulosos, Novíssimos e os da Escola Jean Grey) contra a Irmandade de Mutantes interdimensional de Raze e Mística. Carey também utiliza bem os personagens criados por Bendis, Tempus (Eva Bell) e Triagem (Christopher Muse), dando a eles lugares de destaque na trama, mas também usa os personagens de Aaron em Wolverine e Os X-Men, como Oya, Nim e Kid Gladiador, sem precisar colocar um monte de desenvolvimentos na geladeira como Bendis acabou fazendo.

CHEtempus
A australiana Eva Bell, a Tempus, em ação!

Se os fãs dos X-Men já não aprovaram muito o que Bendis vinha fazendo com seus mutantes favoritos nas duas revistas que escrevia, agora, com a chegada da fase pós-Guerras Secretas, com Jeff Lemire como capitão, o terreno parece que se tornou ainda mais árido. Na minha opinião, a fase atual dos X-Men sendo publicada no Brasil é a pior e mais desinteressante de todos os tempos em que a franquia mutante existiu. Por se concentrar em apenas três revistas e com o antigo boicote da Marvel nas propriedades cinematográficas da FOX, essa escassez de interesse sobre as revistas do X-Men aconteceu. Portanto, X-Men: Chega de Mutantes, com Carey e Larroca se torna um oásis no meio de um deserto seco de histórias legais. Graças ao Beyonder que essa fase logo acaba!

CHEnaos90
Não lembra a série animada dos Anos 90???
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