Melhores e Piores Leituras de Junho de 2018

Olá mergulhadores! Chegamos ao fim de mais um mês, o mês de junho, o mês da visibilidade e representatividade LGBT. Por isso, esse mês tivemos vários posts dedicados a esse tema. Contudo, nossas leituras do mês não ficaram só nisso. Tem muitos super-heróis, Renascimento, capas duras, coleções históricas, Vertigo… mas o que mais impactou nesse mês foi a quantidade de leituras que foram classificadas como ruins. Fazia tempo que não tínhamos tantas aqui no nosso melhores/piores do mês! São mais de vinte resenhas para você ler e tirar suas próprias conclusões! Então, sigam-se os bons e aproveitem!

MPJchmhulk3CHM: O INCRÍVEL HULK: VOLUME 3, DE ROGER STERN, JOHN BYRNE, SAL BUSCEMA, STEVEN GRANT E CARMINE INFANTINO

Continuando essa grande aventura que é acompanhar as histórias do Incrível Hulk no auge da sua carreira, quando Bill Bixby e Lou Ferrigno estrelavam um seriado seu na televisão. Roger Stern conduz como só se fazia antigamente, um belo novelão de idas e vindas com o Hulk e seus diversos personagens coadjuvantes. Se, no segundo volume, o clima aventuresco tinha baixado um pouco, neste terceiro ele retorna com tudo! A prova disso é que, com a ajuda do Escaravelho Dourado, o verdão vai parar na mítica cidade inca de Eldorado, encravada no meio dos Andes. Mas chegando lá ele se depara com uma de suas primeiras nêmeses: o senhor do submundo, Tyrannus! Além disso, John Byrne ajuda na composição de uma edição anual do Hulk em que ele vai encarar o peso-pesado da Tropa Alfa, o ser peludo laranja conhecido como Sasquatch! Embora o roteiro seja meio bobinho, o resto do encadernado vale muito a pena. Leiam sem Temer!

MPJbenditaBENDITA CURA, VOLUME UM, DE MÁRIO CÉSAR OLIVEIRA

Mário César Oliveira lançou mão do personagem Acácio que, desde pequeno vive uma terrível guerra dos sexos e dos gêneros em sua cabeça e no seu corpo. Dentro de uma narrativa rica, tanto em desenhos como no texto, Mário traça um parâmetro dos lugares-comuns dos gays. Contudo, esse lugar não significa um chavão, mas algo como a expressão da língua inglesa “been there”, causando identificação imediata. Em Bendita Cura, que tem o pano de fundo dessa primeira parte se passando na ditadura militar brasileira, o menino Acácio é submetido a diversos procedimentos de cura por seus pais linha-dura, Galdino e Mara. Mário, que é gay assumido há alguns anos, tem a sensibilidade necessária para escrever uma história dessas, levando em conta todo o contexto brasileiro de repressão da época. Narrativas como Bendita Cura de Mário César, ou ainda autobiografias de quadrinistas LGBTs como Alison Bechdel, são extremamente importantes. Por um lado criam uma base de apoio e de alento para outras pessoas que passam pelas mesmas situações e, por outro desenvolvem a representatividade de uma parcela da população vista como aberração, como algo fora do normal e a humaniza, mostrando que sim, os gays e queers sentem o mesmo que todo mundo sente, que é o medo de não ser aceito e a vontade de ser bem-quisto e acolhido. Que venham as partes subsequentes de Bendita Cura e mais quadrinhos voltados para a temática queer, porque o mundo e, principalmente o Brasil, estão precisando de mais representatividade para desmistificar vários preconceitos e fobias.

Leia a resenha completa de Bendita Cura neste link.

MPJcruzadaA CRUZADA MASCARADA: BATMAN E O NASCIMENTO DA CULTURA NERD, DE GLEN WELDON

Analisar a trajetória e a evolução do personagem e da ideia do Batman é, nada mais, do que analisar a própria trajetória da cultura nerd, da cultura de fãs, do fandom, seja como você quiser chamar. Afinal, o Homem-Morcego foi um dos super-heróis mais adaptados e readaptados para diversas mídias, produtos, histórias, realidades, se não O MAIS. O Batman, segundo a teoria de Umberto Eco, não é nada mais do que um “personagem flutuante”. Ele já deixou as páginas dos quadrinhos há muito, muito tempo. Hoje ele flutua no ar dos memes – do mundo das ideias de Platão – como algo que não pode ser definido, mas ainda assim está na cabeça das pessoas. Mesmo cada um tendo uma definição muito própria do que é o Batman ou, pelo menos, do que ele deveria ser. Este livro, portanto, não possui boas análises da trajetória do Batman. Ao mesmo tempo ele traça a forma como a culura nerd evoluiu, ou melhor, involuiu ao longo dos anos e ainda não aceitou a ideia de que o Batman, ou quaisquer personagem dos quadrinhos não é aquela do “meu” Batman. Ele é de todos. Ou ainda, como a máxima romântica: “se você o ama, deixe-o ir”. Deixa o Batman viver suas aventuras por aí, no fim do dia, ele vai voltar todinho pra você e do jeito que você mais gosta. O meu Batman termina onde começa o Batman do outro, pra usar de outra máxima.

Leia mais sobre o Batman do seriado de 66 analisado pela óptica de Glen Weldon.

MPJgilkaneLENDAS DO HOMEM DE AÇO: GIL KANE – VOLUME UM, DE MARTIN PASKO, BOB ROZAISKIS, MARV WOLFMAN E GIL KANE

Eu considero Gil Kane um dos melhores desenhistas do “estilo clássico” dos quadrinhos. Isso porque o seu estilo de desenho fica entre o vintage e o moderno, inspirado em ilustrações publicitárias dos anos 50 e 60. Mas além disso, Kane faz sua própria finalização, com traços simples, decididos e de espessura similares, conferindo à arte um teor muito peculiar que enche os olhos de quem vê. Fora isso, existe o legado que ele deixou na co-criação do Lanterna Verde Hal Jordan e da nova versão de Adam Warlock, além, é claro de muitos outros trabalhos realizados na Marvel, DC Comics e outras editoras. As histórias deste encadernado são divertidas, porém, bastante datadas. Isso é verificado no uso à exaustão do balão de pensamento, recurso que nas aventuras solitárias do Superman auxiliam, mas não resolvem. Isso podemos verificar tanto no Especial todo feito por Kane, quanto nas histórias roteirizadas por Marv Wolfman. O destaque do encadernado, contudo, é uma fábula de Krypton sobre a falta d’água escrita por Martin Pasko, que poderia resultar num belo conto de sci fi, ou ainda servir de exemplo de como as culturas se transformam e se modificam ao longo do anos. Ainda, como alguns preceitos se disseminam sem ao menos o povo que os valida saber de seus motivos e origens. O encadernado também traz a nova versão robótica de Brainiac vinda direto do desenho dos Superamigos dos anos 80. E agora é aguardar o segundo volume da coleção!

MPJjessicaJESSICA JONES: AFASTADA!, DE BRIAN MICHAEL BENDIS E MICHAEL GAYDOS

Jessica Jones, como diz o texto de abertura desta edição, é realmente um marco na Marvel. Foi quando a editora resolveu fazer quadrinhos “voltados para leitores maduros”, na linha Marvel MAX. Depois do sucesso do seriado da mocinha desbocada e beberrona na Netflix, a Marvel resolveu conceder aos seus criadores Brian Michael Bendis e Michael Gaydos uma nova oportunidade de dar esse tratamento adulto a Jessica. Ela havia passado para o Universo Marvel “para todas as idades”, se casado e tido uma filha com Luke Cage. Neste volume, Jessica começa saindo da prisão, mas o leitor não sabe a razão. Da mesma forma ela está afastada de Cage e sua filha, Danielle, não tem paradeiro certo. Se por um lado vemos um enredo menos “para leitores maduros”, apenas com intervenções na linguagem chula, por outro vemos muito mais interações com o resto do Universo Marvel principalmente com a Capitã Marvel, Carol Danvers e a recente segunda Guerra Civil. Claro, a história é muito bem trabalhada, lembrando, ou talvez sendo melhor que os enredos de Alias, sua primeira série pelo selo MAX. Nesse caso, Bendis está de volta a sua zona de conforto: personagens solitários, noir e que se envolvem com crimes e investigações barra-pesada. Muito diferente de seus trabalhos “light” em Vingadores e X-Men que, a meu ver, não renderam. Eu adoro a Jessica exatamente porque ela se permite extravasar, algo que os caretas e quadrados super-heróis quase nunca podem fazer. E, quando se permitem, o resultado é uma destruição devastadora. Um viva por histórias como as de Jessica Jones poderem existir! VIVA!

Leia um post que responde à pergunta: Afinal, quem é essa Jessica Jones?

MPJvisaoVISÃO: POUCO PIOR QUE UM HOMEM, DE TOM KING, GABRIEL HERNANDEZ WALTA E JORDIE BELLAIRE

Acho que até hoje eu não vi ninguém falar mal dessa série do Visão por Tom King e Gabriel Hernandez Walta. Quando as coisas são muito antecipadas aí é que eu demoro para ler. Uma razão é que o hype me faz ficar esperançoso demais e outra é que eu costumo me decepcionar muito com coisas hypadas. Então demorei bastante para ler Visão. Mas não me decepcionei, muito pelo contrário. Encontrei nesse trabalho de King, que já considerava um ótimo escritor de HQs, uma nova maneira de contar histórias em quadrinhos. King usa o artifício que Alan Moore considera o melhor a ser usado numa história em quadrinho: os desenhos contam uma história, o texto conta outra e os dois juntos, acabam criando um terceiro significado. A diferença do texto de King para os demais quadrinhos que empregam esse artifício é que suas “captions” são literárias. Enquanto fala sobre as peculiaridades de seus personagens, Tom King aplica recursos próprios da literatura e nos dá a intenção de estarmos lendo um livro em cima de uma história em quadrinhos. Os desenhos de Walta são perfeitos para a história, para o design frio e quadrado dos robôs sintozóides. Mas não é só isso, claro, porque o enredo que ele cria, as reviravoltas, os suspenses e, claro, o terror de se ter uma família de robôs tentando ser normal como vizinhos e colegas, também empolgam. Juntando a isso um assassinato encoberto, uma história de amor impossível, blackmailing, e temos – odeio essa expressão – um novo clássico. A verdade é que não dá pra negar que Visão traz e demonstra uma forma diferente de apresentar uma quadrinho de super-herói de todas as maneiras que vinhamos lendo até aqui. Um belo trabalho e recomendo para aqueles que querem abrir o seu leque de leituras e de formas de se expressar em quadrinhos.

MPJtrilliumTRILLIUM, DE JEFF LEMIRE

Jeff Lemire tem o dom de, em sua ficção especulativa autoral, de tornar o muito estranho em muito natural. E isso acontece novamente em Trillium, onde ele emparelha um soldado da Primeira Guerra Mundial com uma pesquisadora do século XXXI, quando a humanidade está à beira da extinção. Junte a isso flores alucinógenas e telepáticas, um portal entre planetas e um buraco negro. Seria uma história de amor entre um casal? Seria uma história de amor a si mesmo? Seria uma história de amor à humanidade? Talvez as três coisas. Neste encadernado a arte de Lemire parece mais fluida e mais solta, embora a colorização estilo aquarela possa prejudicar o tom sci fi da história. Outra coisa que prejudica bastante a leitura é o capítulo flip-flop upside down, em que precisamos virar a revista para poder ler a versão de cada personagem. Eu até entendo a intenção do autor, mas em termos práticos de leitura é bem complicado. E aqueles que estiverem lendo a HQ em um aparelho estilo desktop? De qualquer forma, Trillium é uma bela tentativa de ficção científica de viagem de tempo e de salvação da humanidade, entretanto, ainda me parece que alguma coisa ficou faltando nisso tudo…

MPJcoffin

COFFIN HILL: CRIMES E BRUXARIAS – CASAS ASSOMBRADAS, DE CAITLIN KITTREDGE, INAKI MIRANDA E EVA DE LA CRUZ

Coffin Hill acho que foi uma série da Vertigo que só eu gostei de começo. Porque ela demorou um bocadaçooo para sair toda no Brasil. E eram só três volumes. Mas a verdade é que a série foi piorando de volume em volume. Neste volume ficamos sabendo que a autora, Caitlin Kittredge teve problemas com depressão durante a feitura da série. Uma pena, pois os diálogos dela eram muito bem escritos e as tramas, até a edição dois eram bem estabelecidas. Contudo, na edição dois já vemos que a arte de Miranda já deu um baque de qualidade e passou a ser meio qualquer coisa. A edição três, então, entendemos que a equipe criativa teve de fechar a trama às pressas para poder dar um desfecho à história. Esse desfecho eu não entendi muito bem. Uma pena, porque era uma série que tinha um grande potencial. Talvez se ficasse ficado na adolescência de Eve Coffin tivesse sido mais bem sucedida, mas existem outros fatores, externos à história que complicaram todo o processo. Era uma vez uma série com potencial.

MPJmissMS. MARVEL: SUPERFAMOSA, DE G. WILLOW WILSON, NICO LEON, TAKESHI MIYASAWA E ADRIAN ALPHONA

GEMT, gentinha! Acho que nunca ri tanto com uma revista em quadrinhos quanto ri com esse volume de Ms. Marvel. É insano, é inesperado, é hilário! Estava lendo ela de madrugada na cama, quem ouvia minhas risadas provavelmente não estava pensando muito bem de mim. Eu ria tanto, mas tanto que me cansava até de tanto rir. Tudo graças às experiências de Kamala Khan e seu amigo Bruno para multiplicarem a Kamala para que toda a sua rotina exaustiva de vingadora, heroína, estudante, familiar fosse cumprida. O encadernado também traz uma mensagem social contra as construtoras que promovem gentrificação nas cidades através dos condomínios que produzem. Muita gente fala da Ms. Marvel para cá Ms. Marvel para lá, como a heroína é legal, mas se esquecem que o grande mérito da heroína são as histórias de G. Willow Wilson, sensíveis e bem construídas. Pode comparar a Kamala dela com as versões da heroína de outros roteiristas e ver como a de Wilson é superior. Ela conseguiu até mandar uma mensagem muito boa sobre família, que estava precisando ler: “a família e suas confusões e brigas servem para manter a gente humilde”. G. Willow Wilson sabe das coisas e sabe muito bem como estruturar um personagem cativante e uma história envolvente. E que te faz rir sem parar que nem um doido de madrugada!

MPJmonstro1MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES DO MAL – VOLUME 4, DE MARK MILLAR, PHIL JIMENEZ, PHIL HESTER, KIM DEMULDER, JILL THOMPSON E TATJANA WOOD

Quando essa fase de Mark Millar no Monstro do Pântano começou, ao lado de Grant Morrison, nos dois primeiros volumes, eu simplesmente odiei. Quase abandonei a compra e a leitura da série. Mas no terceiro volume, Rio Acima, parece que o Escocês despirocado e explosivo finalmente acertou o prumo trabalhando em um arco de histórias curtas, mas com uma conexão entre elas. Neste volume, Millar encerra o arco, fazendo o Monstro fazer parte de um novo parlamento: o Parlamento das Ondas, que controla as águas. Embora a conexão não fique tão clara, são boas histórias. Ele encerra o encadernado com duas histórias, uma delas em homenagem ao cachorrinho que teve na infância, numa HQ ótima de terror e outra resgatando o personagem de espada e magia, Senhor da Noite (que faz parte do Pacto das Sombras), em uma história que terá seu encerramento no próximo volume. Um bom encadernado. Agora é acompanhar os dois restantes, que encerram esse volume, essa fase e a run de Millar no bon gumbo.

Leia aqui um Guia de Leitura do Monstro do Pântano, para você entender sua saga.

MPJfrutoFRUTO ESTRANHO, DE MARK WAID E J. G. JONES

Preciso dizer que J. G. Jones é um virtuose dos quadrinhos. Alex Ross? Não! J. G. Jones é muito melhor em diversos âmbitos. Seu trabalho é incrivelmente versátil e competente. Sua narrativa é consistente, porque além de artista ele também é roteirista. Neste quadrinho em questão, Fruto Estranho, não é diferente. A arte pintada de Jones é de encher os olhos, nos enviando diretamente para os anos 20 às margens do Rio Mississípi, nos Estados Unidos, onde se passa a história. O que aconteceria se o Superman chegasse ao sul dos Estados Unidos e fosse um gigante negro durante a época em que o Ku Kux Klan estava em sua maior efervescência? Isso é um pouco da história que Mark Waid e J. G. Jones contam em Fruto Estranho. Embora muito bem orquestrada, belamente ilustrada, me pareceu que algumas partes da história poderiam render mais, aparecer mais, subtramas poderiam ser destacadas para dar mais impacto à história, que é uma minissérie original em 4 partes. Ela poderia muito bem caber em seis edições e dar mais destaque para personagens como o Senador, a dona da fazenda e o menino que se perdeu. De qualquer forma, como é dito no prefácio, Fruto Estranho é uma forma de corrigir as retratações racistas feitas dos negros ao longo de toda uma história dos quadrinhos. Mesmo que tenha sido feita por dois brancos bem branquelas. Mas, assim é a indústria do entretenimento, não é mesmo?

MPJladobolaO OUTRO LADO DA BOLA, DE ALE BRAGA, ALVARO CAMPOS E JEAN DIAZ

Antes de ler este quadrinho, eu considerava o melhor roteiro de quadrinho nacional, mas nacional com brasilidade, a HQ Sabor Brasilis, que tratava de outra paixão nacional, as telenovelas. Esse quadrinho tem bolas, mas não porque fala só sobre futebol, mas porque fala sobre um assunto do futebol que é sempre varrido para debaixo do tapete: a homossexualidade nesta “paixão nacional”. O futebol é realmente uma “caixinha de surpresas”, principalmente no que tange às atitudes que provoca nas pessoas, no caos que provoca, na imbecilidade que ele traduz. Mas também tem o seu lado bom, um lado que eu nunca encontrei, pois sempre sofri por não gostar do esporte, tendo sofrido uma espécie de rejeição até do meu próprio pai por causa disso. Isso sem falar da maneira como brasileiro te trata quando diz que não é ligado em futebol. O Outro Lado da Bola é um trabalho competentíssimo, de personagens multifacetados, com camadas, com a mesma esfericidade de uma bola, embora os torcedores de futebol custem para entender que a vida não é só amigos e rivais, time da casa e time visitante. Essa é a mesma forma que somos obrigados socioculturalmente a encarar a homossexualidade num eterno “nós versus eles”, como se fosse uma peladinha de moleque, como é o futebol para muitos. Como se fosse algo que desse significado a uma vida medíocre que nada mais faz além de torcer para seu time “do coração” e sair matando e ferindo gente por causa disso. E aí entra a homofobia. Respeito, atitude perante a vida, maturidade, não são coisas de moleque. Mas para aqueles que encaram a vida como um eterno “nós contra eles”, a própria existência nunca vai passar de criancice e da mais pura ignorância. Do Outro Lado da Bola é uma leitura que todas as torcidas organizadas deveriam ler. Mas se eles não leem nem os álbuns de figurinhas que compram, é um sonho que ponham a mão em um livro em quadrinhos com mais duzentas páginas.

Leia aqui a resenha completa de O Outro Lado da Bola.

MPJasanoturnaRENASCIMENTO DC: ASA NOTURNA – VOLUME 3, DE TIM SEELEY E JAVIER FERNANDEZ

A revista do Asa Noturna continua mantendo sua qualidade no Renascimento DC, com o roteiro espertinho de Tim Seeley. O que não consigo gostar mesmo é dos desenhos de Javier Fernandez que tem um quê de inacabados. Seeley entretanto resgata neste encadernado a fase de Grant Morisson e Frank Quitely quando Dick Grayson e Damian Wayne eram os Batman e Robin Oficiais. Assim, ele traz de volta inimigos como o Doutor Porko e o Doutor Hurt. O primeiro com seus “bonecatrônicos”, pessoas que sofreram lavagem cerebral e foram transformados em bonecos teleguiados pela vontade de Porko, inclusive versões dark do Asa Noturna e do Robin. Já o Doutor Hurt leva nossos heróis para outro lado do mundo a fim de cumprir uma profecia dos serem sobrenaturais que o guiam. Por fim, uma história de parceria entre Dick Grayson e Wally West que o “pessoal da internet” adora fazer um shipp. Um quadrinho bem divertido e bem talhado.

MPJbatgirlavesderapinaRENASCIMENTO DC: BATGIRL E AS AVES DE RAPINA – VOLUME 2, DE JULIE E SHAWNA BENSON, ROGÊ ANTÔNIO E CLAIRE ROE

Não adianta, não adianta. Aves de Rapina é para mim e sempre será o meu guilty pleasure. Eu realmente não consigo achar as histórias delas assim tão ruins como alardeiam. Eu realmente gosto do conceito de uma equipe praticamente só de mulheres justiceiras que desbaratam crimes com inteligência e jeitinho feminino. Esse segundo volume, tenho que dar o braço a torcer, não é tão bem amarradinho como o primeiro, mas ruim não é. As Aves dos Novos 52 que o digam. Ele dá continuidade à trama anterior do novo Oraculo e anda dá um jeito de envolver a Hera Venenosa e a Mulher-Gato na histíria, duas ex-integrantes da equipe das Aves de Rapina. Dizem que o terceiro e último – se a Panini fizer desse jeito – encadernado das Birds of Prey é o mais fraquinho de todos. Mas eu realmente gosto da dinâmica entre Bárbara, Dinah e Helena. Sorry, bitches que não gostam

MPJsaga2SAGA VOLUME QUATRO, DE BRIAN K. VAUGHAN E FIONA STAPLES

Saga continua sensacional e eu sempre fico abismado com o poder de uma história tão, mas tão irreal e surreal, ser tão mas tão lúcida e pé no chão. Talvez esteja ligado ao significado da carta do Louco do tarô, onde esse personagem, dentro de seus delírios, é o único capaz de ver a real natureza das coisas, justamente por produzir esse distanciamento das mesmas. Nesta edição vemos como Marko e Alana se separam, quando começam os problemas no seu casamento. Discutir problemas de relacionamentos e de casamentos nunca foi um forte dos quadrinhos americanos, mesmo naqueles ditos “adultos” e de “mainstream”, mas Saga o faz de um jeito fenomenal. Mais ainda, ela consegue discutir vícios em narcóticos sem parecer piegas ou educativa demais e, mais que isso, o enredo consegue traçar uma posição também sem cair nos lugares comuns dessa discussão que também nunca é levada para muito além nos quadrinhos – sejam eles quais forem. Fiona Staples continua criando seres e alienígenas incríveis, encantadores e BKV dando o estofo necessário para que a estranheza que os desenhos de Fiona nos trazem se torne tão familiares. Como não amar?

MPJsaga

SAGA VOLUME CINCO, DE BRIAN K. VAUGHAN E FIONA STAPLES

Saga continua sendo um must-read da nova geração de quadrinhos. Sua narrativa é envolvente e Brian K. Vaughan sempre foi um mestre nos cliffhangers, o que nos faz buscar por mais e mais e mais histórias de Saga. Este volume traz o encontro dos três grupos que estavam desencaixados uns dos outros, mas com resoluções nada felizes. O que faz com que o mecanismo de Saga continue girando. Contudo, esse volume começou a me cansar a maneira como Brian K. Vaughan trabalha os recordatórios. Não sei dizer exatamente se é o teor dos recordatórios ou se é o ritmo com que eles são utilizados, sem quase nenhuma variação. As reflexões são interessantes, mas o recurso vai parecendo usado, cansativo. Não prejudica tanto a leitura, afinal, o enredo desenvolvido e os personagens são muti bem trabalhados, causando sempre uma grande identificação com os personagens. O mais irônico é que essa identificação é causada com qualquer personagem e, por isso, a linha entre quem é vilão e quem é herói fica bastante tênue. E essa é uma das maravilhas da construção de mundo e de personagens de Saga.

Leia mais sobre o primeiro volume da espetacular série Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples aqui.

INJUSTIÇA: DEUSES ENTRE NÓS – VOLUMES 8 e 9, DE BRIAN BUCCELATTO, MIKE S. MILLER E BRUNO REDONDO

Tem umas séries que eu simplesmente acabo esquecendo de ler. Com muitas séries da Vertigo tem acontecido isso comigo. Eu compro, deixo ali para ler outra hora, vira e mexe, todo mundo apronta, de repente as coisas mudam de lugar e quem perdeu pode ganhar, e eu esqueço de ler. Aconteceu isso com Injustiça. Claro que a mudança do roteirista de Tom Taylor para Brian Buccelatto influenciou e a qualidade caiu um pouco. Mas a edição anual focada no Homem-Borracha resgatando o seu filho da prisão é incrivelmente sensacional e vale por todo o Volume 8. É muito boa e você precisa ler. Uma das histórias que melhor trabalham Eel O’Brian também, mostrando o quanto o personagem pode ser perigoso para os inimigos corretos. Fora isso, Injustiça segue competente, trabalhando um Universo DC, que você não consegue entender bem como é estruturado, mas que funciona muitíssimo melhor que o Universo DC dos Novos 52. Mas, falando sério, o que não funciona melhor que Os Novos 52? Leiam Injustiça porque faltam só mais dois volumes para acabar a primeira fase!

Leia mais sobre as primeira edições de Injustiça aqui.

Piores

MPJtarzanbats

BATMAN/TARZAN; AS GARRAS DA MULHER-GATO, DE RON MARZ E IGOR KORDEY

Um encontro entre Batman e Tarzan era inevitável. Uma vez que os dois foram crianças de origem aristocrática e que tiveram seus pais assassinados quando pequenos. Enquanto um foi criado pela selva, o outro foi criado pela selva urbana. Claro que um encontro entre os dois teria que acontecer numa realidade alternativa, num Elseworld, porque o Batman é uma criatura do século XX e o Tarzan, pertence ao século XIX. E é neste último que esse encontro acontece, trazendo versões distorcidas de Duas-Caras (como um supremacista branco) e da Mulher-Gato (uma sacerdetisa de uma cidade egípcia esquecida e vilipendiada pelos colonizadores). Os desenhos de Igor Kordey são muito superiores às artes que ele fez para o universo dos X-Men, mas o roteiro de Ron Marz são, como a maioria de seus trabalhos, flats, rasos, sem nenhuma surpresa ou admiração. Uma pena, pois esse encontro poderia ter rendido muitas histórias mais bem desenvolvidas e aventurescas. Li essa história numa minissérie em duas edições, coproduzidas pela Dark Horse e a DC Comics e publicada no Brasil pela Mythos Editora, a editora que adorava publicar crossovers de baixa qualidade.

MPJchmhulk2CHM: O INCRÍVEL HULK, DE ELLIOT S! MAGGIN, ROGER STERN, SAL BUSCEMA, JIM MOONEY E OUTROS

É muito legal que a Panini tenha dedicado uma Coleção Histórica Marvel só para o Verdão, afinal, ele sempre vai ter um lugar no meu coração justamente por causa da fase de Peter David com o Hulk no Panteão. Eu havia feito uma resenha positiva do primeiro volume da CHM do Hulk, com o início da fase de Roger Stern nele. Mas esse segundo volume não me pareceu tão empolgante assim. Parece que usaram o Hulk para tampar alguns buracos de histórias de outras revistas, como os Superagentes da SHIELD e o Capitão América, assim como das histórias de Aaron Stack, o Homem-Máquina – um personagem que adoro, diga-se de passagem. Esse segundo volume da CHM: Hulk não me empolgou tanto quanto quanto o primeiro, mas mantenho minha fé que os volumes três e quatro vão dar um up nessa situação. Vamos cruzar os dedos!

MPJsupermanSUPERMAN: DECLARAÇÃO (SUPERMAN #15), DE PATRICK GLEASON, PETER J. TOMASI E SCOTT GODLEWSKI

Bem, a gente elogia quando tem que elogia e a gente achincalha quando tem que achincalhar. Dessa vez, é o último caso. As duas edições que compõem a revista Superman #15, publicadas lá nos EUA em Superman #27 e 28, são uma homenagem ao 4 de julho, o dia da Independência dos Estados Undos. Lois, Clark e Jonathan resolvem tirar férias e andar de trailer pelos EUA em função do feriado. Nisso ocorre um desfile de discursos ufanistas e informações históricas aleatórias. O gibi parece ter sido uma encomenda do governo americano para que o país fosse mega autoelogiado pelos americanos, coisa que eles fazem de monte, mas não quer dizer que façam bem. Chegou a bater aquele sentimento hediondo de vergonha alheia. Veja bem, nada contra gibis educativos, desde que a intenção deles seja a da educação e não da propaganda deslavada de um país disfarçada de um gibi inofensivo de super-heróis. Se é para ser um gibi educativo do Superman sobre a história dos EUA, que se venda como isso. Contudo, hipocrisia nas formas como os Estados Unidos vende os seus valores existe desde o começo do Superman, com seu lema “verdade, justiça e MODO DE VIDA AMERICANO”. Só que hoje fica difícil de disfarçar. Shame on you, Gleason e Tomasi. Eu curtia vocês…

MPJlegadoO LEGADO DE JÚPITER: VOLUME DOIS, DE MARK MILLAR E FRANK QUITELY

Quando eu fiz a resenhinha do primeiro volume desta série, eu considerei ela como o melhor quadrinho que Mark Millar já tinha feito. O óbvio a se esperar, nesse segundo volume, era que ele repetisse o feito. O primeiro volume incluía discussões familiares, daddies issues, conceitos não usados em histórias de super-heróis, redenção de vilões, e um plano megalomaníaco para dominar o mundo. Neste segundo volume, tudo se resume ao último item: ações megalomaníaca de duas facções de ex-heróis e ex-vilões pelo futuro da Terra e pelo destino dos seus. Embora tenha conceitos interessantes, como os poderes de Repro e da heroína alugada pelos árabes, eles não são suficientes para mostrarem a mesma maturidade e reflexão que o primeiro volume trazia. Embora os desenhos e narrativa sempre competentes de Frank Quitely dão o estilo legal para a história – fora os personagens sempre de pés descalços, de chinelos e sandálias, ugh! – a narrativa de Millar despenca para as cenas chocantes e polêmicas que ele adora fazer. Então, se tivemos um progresso com o volume um de O Legado de Júpiter, tivemos um belo regresso com o segundo volume. Uma pena mesmo.

MPJsupergirlRENASCIMENTO DC: SUPERGIRL – VOLUME DOIS, DE STEVE ORLANDO, BRIAN CHING E MATIAS BERGARA

A iniciativa do renascimento da DC Comics serviu para aproximar a Supergirl de uma roupagem mais leal ao seriado de sucesso na TV. Entretanto, após a dupla criativa oficial do título, Orlando e Ching, terem trabalhado bem os coadjuvantes, este encadernado cai na mesmice da pancadaria entre super-heróis. Tá certo que a Batgirl se apresenta para ajudar Kara Zor-El nesta aventura pela Zona Fantasma, e ela se encontre com seu primi, Kal-El, o Superman, mas realmente esse segundo encadernado não empolga. Junte a isso os desenhos de Matias Bergara, que não se decidem entre um estilo mangazesco e sujo underground para piorar o cenário. Os desenhos de Ching continuam estonteantes como sempre, com um estilo fixo e bonito, bem próprio para desenhar heroínas lindamente. Eu, entretanto, gostaria que Orlando e companhia tivessem desenvolvido mais a relação de Kara/Linda com os demais personagens ao redor do que uma excursão à Zona Fantasma. Uma pena.

É isso aí, mergulhadores! Que acharam da seleção de leituras desse mês? Concordam ou discordam com os vereditos? Não deixem de comentar! Abraços submersos!

 

2 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Junho de 2018

  1. Coffin Hill tem uma premissa bem bacana, mas o autor não conseguiu desenvolver. É uma pena, pois boas histórias envolvendo bruxas são raras de encontrar. Gostei de “Fruto Estranho”, mas o título merecia mais edições para aprofundar a trama. Curti mais o primeiro volume de Legado de Júpiter. “Visão” do King é uma das poucas coisas boas publicadas pela Marvel nos últimos anos. Saga continua como uma das melhores séries da Image Comics.

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