A Série Supergirl Trará a Primeira Heroína Transsexual da TV

Embora o cinema ainda não tenha apresentado nem ao menos um super-herói gay, as séries para a televisão já fizeram isso há muito tempo. O próximo passo dado na representatividade de pessoas queer é uma nova personagem trans na série da Supergirl, exibida nos Estados Unidos no Canal CW e, no Brasil, pelo Warner Channel. A personagem Nia Nal, será inspirada na integrante da Legião dos Super-Heróis, a Sonhadora, que possui poderes de clarividência do futuro. A grande novidade é que a personagem sendo transexual, também será interpretada por uma atriz transexual. Nicole Moines. Vamos falar um pouco sobre representatividade trans no audiovisual, Legião dos Super-Heróis e seus personagens queer e o Arrowverse?

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Jared Leto no filme O Clube de Compras Dallas.

Um dos grandes problemas quando temos personagens transexuais na televisão ou no cinema é que esses personagens são interpretados por atores cisgênero. Claro, isso é justificado – mas não justificável – pela quase ausência de atrizes e atores transexuais nos meios de comunicação mainstream. Alguns exemplos notáveis são Felicity Huffman, que interpreta uma transexual em busca de seus filho perdido no filme Transamérica. Jared Leto, que fez outra transexual no filme sobre a epidemia da AIDS e homossexualidade em O Clube de Compras Dallas. Também há a peculiaridade da  escolha do ex-galã John Travolta, no musical Hairspray, para interpretar a mãe da protagonista.

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Gero Camilo e Rodrigo Santoro no filme Carandiru.

No Brasil, temos o exemplo de Claudia Raia na novela As Filhas da Mãe, em que interpretava  Ramon, o único filho homem de Fernanda Montenegro, que mudava de sexo no exterior e se tornava Ramona. No filme Carandiru, Rodrigo Santoro interpreta a travesti Lady Di, que acaba se casando na prisão com o personagem de Sem Chance, de Gero Camilo. E sempre tivemos, claro, a presença da atriz “transformista” Rogéria em produções audiovisuais voltadas para o escracho.

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Nicole Moines na série Royal Pains.

Então, assim como já vimos origens e poderes de personagens trans no mundo dos super-heróis, a saída, no audiovisual era, quase sempre, sair pela tangente. Por isso, a escolha de Nicole Moines se mostra tão importante. A atriz tem no seu currículo algumas pontas no seriado Royal Pains, também tem o documentário da HBO, The Trans List e, por fim, aparece no filme independente Bit. Ao interpretar uma super-heroína, Moines passa ao largo de papéis geralmente relegados às pessoas trans como viciadas em drogas, doentes mentais ou prostitutas. “Sinto que é certo dizer que grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, disse a atriz à revista Variety. “Eu estou nervosa porque quero fazer da maneira certa”.

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Nicole Moines com seu anel de legionária durante a última San Diego Comic Con.

Mas Nicole Moines também é uma importante representante no tocante aos direitos dos transexuais. A ativista esteve nas manchetes em todo o mundo em junho de 2013, quando a Suprema Corte do Maine determinou que seus direitos haviam sido violados pela Lei de Direitos Humanos do Estado e estabeleceu uma vitória histórica para os direitos trans em sua decisão de que transexuais podem usar o banheiro de sua escolha. Nicole Maines também é analisada e protagoniza o livro Becoming Nicole, escrito por Amy Ellis Nutt.

Em entrevista ao Hollywood Reporter, o showrunner e produtor executivo da série Supergirl, Greg Berlanti declarou que é uma missão pessoal contar histórias sobre personagens queer: “Mesmo com os seriados de ação, eu ainda tentei fazer a minha parte em fazer esses  programas relevantes onde eu posso, seja com atores homossexuais que interpretaram personagens heterossexuais ou atores heterossexuais interpretando personagens gays”.

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Primeira aparição da Sonhadora, em 1964.

A Sonhadora é uma personagem relativamente importante na Legião dos Super-Heróis, a equipe de super-heróis futurista, em que cada integrante vem de um planeta diferente da Federação dos Planetas Unidos. A Legião dos Super-Heróis também é conhecida historicamente como a maior – em número – equipe de super-heróis de todos os tempos. Seu nome original em inglês é Dream Girl, e sua identidade secreta é Nura Nal (desculpem o cacófato). Foi criada em 1964 por Edmond Hamilton e John Forte. Ela vem do planeta Naltor, onde praticamente todos os habitantes possuem dons precognitivos (imagina a confusão!). Como muitos membros da Legião, Sonhadora já foi a líder da equipe pelo menos uma vez, mas calhou de a vez cair logo na hora da maior aventura da equipe, A Saga das Trevas Eternas, em que enfrentam o diabólico Darkseid.

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A Sonhadora durante A Saga das Trevas Eternas.

Sonhadora teve um envolvimento romântico com o legionário Ástron que, depois do evento Um Ano Depois, passou a fazer parte da Sociedade da Justiça do nosso tempo sob a alcunha de Starman. Naquela época devido à viagem no tempo e pela procura por sua amada, Starman possuía delírios mentais e ataques de paranoia. Sua irmã, a Feiticeira Branca, também participou da Legião dos Super-Heróis. Brainiac-5, um descendente do vilão Brainiac no futuro, mas que também é herói, sempre foi apaixonado pela Sonhadora, tendo se casado com ela depois de inúmera tentativas de reverter seu estado de coma.

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Os sonhos precognitivos da Sonhadora.

Após a Crise nas Infinitas Terras, foi definido que a Sonhadora sofreria de Narcolepsia (um distúrbio do sono) toda vez que teria uma precognição. Depois da Crise Infinita, ela foi parte importante da Saga do Relâmpago, que uniu Liga da Justiça, Sociedade da Justiça e a Legião dos Super-Heróis na qual, aparentemente seus poderes estavam ligados ao Sonhar, reino do Perpétuo Sonho, da série Sandman, publicada no selo Vertigo. Nessa época ela foi encontrada no Asilo Arkham, enquanto o Doutor Destino a usava para obter seus poderes tendo a Sonhadora como sua nova “pedra dos sonhos”.

 

 

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O triângulo amoroso entre Ástron (Starman), Sonhadora e Brainiac-5.

A Legião de Super-Heróis dos quadrinhos já havia trazido um personagem transexual em 1992, quando revelou que o interesse romântico de longa data do Transmutador, Shvaughn Erin, membro da equipe de Polícia Científica, havia nascido homem. Contudo – milagres da ciência futurística e da saída pela tangente do universo dos super-heróis -,  tomou uma droga futurista chamada Profem para mudar de sexo. Além do Transmutador, por um tempo a encolhedora Violeta e a Garota-Relâmpago, outras membros da Legião dos Super-Heróis também tiveram um relacionamento homossexual. Porém, ele foi apagado da continuidade anos depois.

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O casal gay da Academia de Legionários, Kid Gravidade e Garoto do Poder.

Também, na Academia de Legionários temos o casal do Kid Gravidade e Garoto do Poder. Embora sejam um casal, sua dedicação aos estudos da Academia – uma escola de formação de Legionários – poderia separá-lo. Um deles sendo um promissor candidato à Legião e o outro, sendo rejeitado. Deixando a Academia, Garoto do Poder decidiu se juntar à Polícia Científica em outro lugar. Em vez de continuar seus próprios estudos, Kid Gravidade decidiu deixar a Academia também, seguindo  Garoto do Poder como cônjuge final. O compromisso entre eles como casal ganhou muitos fãs.

 

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O casamento de Sonhadora e Brainiac-5.

Voltando ao nosso assunto principal, o Arrowverse – universo de personagens das séries de super-heróis do Canal CW -, possui uma longa tradição com personagens queer.  Russell Tovey, que ficou famoso na série Looking, foi escalado para interpretar o herói gay, Ray, no crossover Crise na Terra-X. O personagem ainda ganhou sua própria série animada e, quando passou a integrar a equipe dos quadrinhos Liga da Justiça da América, também foi resetado como homossexual. Inclusive, o personagem Ray, nas séries é noivo de Cidadão Frio (Wentworth Miller), vivendo um romance interdimensional. Tovey e Miller já declararam sua homossexualidade abertamente e também são ativistas da causa LGBT. Outros nomes que investem na representatividade do Arrowverse são Sara Lance, a Canário Branco (Caity Lotz), Alex Danvers, a irmã de Supergil (Chyler Leigh), Curtis Holt, o Senhor Incrível (Echo Kellum), o Flautista (Andy Mientus), David Singh (Patrick  Sabongui) e Anissa Pierce, a Tormenta, (Nafessa Williams).

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Greg Berlanti, o showrunner da séries do Arrowverse ao lado de Flash (Grant Gustin) e Supergirl (Melissa Benoist).

A chegada de uma personagem transexual na série da Supergirl coincide com os planos de trazer uma série da Batwoman – conhecida heroína lésbica da DC Comics – para o canal CW. Além disso, Greg Berlanti, que será o showrunner desta série também, e sua equipe de produção, estão à procura de uma atriz lésbica para interpretar a heroína. Batwoman está programada para estrear no próximo crossover do Arrowverse. Um viva à representatividade nos quadrinhos, nos programas baseados em quadrinhos e em todo entretenimento super-heróico. Afinal, super-heróis existem para mudar o mundo, não é mesmo?


Agradeço a Regulus Cor Leone por ter me chamado a atenção para essa notícia.

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