Melhores e Piores Leituras de Agosto de 2018

Este mês de agosto foi bastante carregado. Eventos, trabalhos, estudos, de tudo um pouco. Até a umidade do ar aqui em Porto Alegre ficou carregada, chegando até a 100%. Desse jeito não tem ser humano que não se sinta cansado ao chegar o final do mês. Mas mesmo assim, atingimos o recorde de 40 resenhas neste mês. parece que quando a gente está mais atrolhado de coisas é que acaba fazendo muito mais. Ironias da vida, também atingimos número recorde de leituras ruins no mês, que são 10. E isso também são ossos do ofício. Bem, chega de trololó e vamos para a lista de melhores e piores leituras do mês.

Melhores

AGOstrangeDOUTOR ESTRANHO: IMPÉRIO SECRETO, DE DENNIS HOPELESS, JOHN BARBER, NICO HENRICHON E KEVIN NOLAN

Gostei bastante deste encadernado, que traz histórias tão boas ou melhores do que as da fase de Jason Aaron no personagem. Aaron havia iniciado uma nova era para as publicações do Mago Supremo, em vista do filme para o Marvel Studios. Dennis Hopeless é o roteirista desta edição que se dá melhor. Trabalha bem o universo místico de Estranho dentro do crossover Império Secreto, quando a cidade de Nova York está envolta em trevas. Ele também deu um jeito de inserir a Mulher-Aranha Jessica Drew e o jornalista Ben Urich, personagens que vinha trabalhando (muito bem) na série solo de Jessica que foi cancelada. Além disso, trabalha o Rei do Crime como uma espécie de salvador da Nova York sitiada pelas forças das trevas, abrindo espaço para o novo status do personagem como prefeito da cidade que nunca dorme nas histórias vindouras do Demolidor. O encadernado acaba com duas histórias soltas de John Barber, descompromissadas. Vale dizer que os desenhos de Nico Henrichon, famoso por sua parceria com Brian K. Vaughan em Os Leões de Bagdá, estão incríveis, assumindo uma aura pesada e sombria. Essa é uma atmosfera perfeita para as histórias de Stephen Strange, dando um belo tom nas suas aventuras místicas. Um ótimo encadernado!

AGOvitoESQUADRÃO VITÓRIA Nº100, DE GIORGIO GALLI, CLÓVIS BRASIL E MARCELLO RENOIR

Um belo quadrinhos que homenageia os Vingadores de Jack Kirby (nem de longe eles citam Stan Lee), e imaginam o que aconteceria se esses heróis tivessem sido criados pelo Rei no Brasil e durante a ditadura militar. Por terem mencionado a ditadura militar no Brasil, eu imaginei que iriam meter o dedo na ferida, mas nem isso é abordado. Talvez tenha faltado coragem, ou talvez, a intenção era deixar o quadrinho sonso e descompromissado como eram os desenhos dos super-heróis da Marvel naquela época, inspirados nas revistas de Lee e Kirby. O negócio é que a homenagem foi muito bem feita e realmente lembram aquelas histórias daquele tempo – que embora eu não os tenha vivido, pude acompanhar algumas histórias antigas. Os heróis dos Vingadores, espelhados no Brasil são bem desenvolvidos e, como é uma homenagem, não tem aquela carga de seriedade que pretensos heróis nacionais possuem. Também o ar retrô dá novos contornos à história, com cor chapada e reticulada, arte-final carregada e conceitos de design kirbyanos. Esquadrão Vitória é uma bela homenagem para uma geração que cresceu com a Marvel e, principalmente, com Kirby.

AGOsalaSALA IMACULADA: O EXÍLIO (2), DE GAIL SIMONE, JON DAVIS-HUNT E QUINTON WINTER

“O inferno é real. E o diabo está chegando”. Essa é a chamada para esta segunda edição de A Sala Imaculada, da renomada escritora feminista de super-heróis Gail Simone e do desenhista Jon Davis-Hunt. No primeiro número ficamos provocados e apavorados sobre a história de que pseudo-demônios vivem entre as pessoas. Somentea líder de uma seita salvatória moderna e chique, Astrid Muller, pode vê-los e nos salvar dele, a partir da posse do “cartão azul” da seita. Mas, neste volume, Astrid sofre um atentado e acaba salva por um desses pseudo-demônios que foi exorcizado. Mas ela resolve abandonar a sua seita e se exilar nas montanhas. Mas se Astrid não vai salvar a humanidade, então a quem vai recair esse papel? Ou a humanidade não será mais salva? E a sua seita e os seus fiéis? Aguém vai se aproveitar desse vácuo de poder? Todas essas perguntas são respondidas e resolvidas neste volume, em que o terror se desenvolve e se intensifica, mostrando o poder da escrita de Simone e também da narrativa e design de mundo de Davis-Hunt. E agora eu estou esperando ansiosamente o terceiro volume que, infelizmente, encerra a série.

AGOliga

LIGA DA JUSTIÇA INTERNACIONAL: VOLUME UM, DE KEITH GIFFEN, J.M. DEMATTEIS E KEVIN MAGUIRE

Fazia tempo que eu não relia a Liga da Justiça Internacional e, dessa vez eu tenho que ficar com os saudosistas quando dizem que os autores já não caracterizam os personagens mais tão bem como antigamente. Vejam as expressões que Kevin Maguire desenha nos seus personagens, cada uma tão peculiar e tão própria de cada um. A mesma coisa os integrantes da Liga, cada um deles tem a própria voz. Sabemos exatamente quem eles são, não usam dos diálogos pasteurizados e de qualquer reação que os personagens têm nas revistas atuais, como se quem eles fossem não importasse. Fora isso, o trio Giffen, DeMatteis e Maguire conseguem provocar várias gargalhadas. Além disso, é legal perceber como essa HQ é fruto da época e como ela gira em torno de Guerras Frias e crises em usinas e mísseis nucleares. Claro, muito mais que qualquer enredo, o melhor de tudo neste trabalho é a dinâmica entre os personagens e como trabalham a relação entre Batman, Guy Gardner e o Shazam!, que fazem a gente até conseguir torcer para o Batman. Mas não simpatizar. As pessoas torcem pelo Batman, mas simpatizar com a morcega é bem difícil. E isso foi tudo que li da LJI até hoje (fora os seus retornos nos anos 2000). A Eaglemoss prometeu o próximo encadernado da equipe logo em seguida e é claro que vou querer ler.

AGOzdm

ZDM: PUNIÇÃO COLETIVA (#7), DE BRIAN WOOD, RICCARDO BURCHIELLI E VÁRIOS ARTISTAS

Este é o último volume brasileiro de ZDM: Zona Desmilitarizada, o quadrinho que imagina Manhattan devastada e no meio de uma guerra civil entre dois lados dos Estados Unidos. É a obra mais longa de Brian Wood, que é mestre em histórias curtas e com sacadas interessantes. Os arcos de ZDM tiveram vários arcos de histórias curtas, dando um aspecto do todo. Essa é outra qualidade da escrita de Brian Wood, além, é claro, de ser um grande nome dos quadrinhos indies dos anos 2000 e trazer essa sensação de frescor e experimentação aos quadrinhos. Esta série demorou praticamente dez anos para ser concluída no Brasil devido à más escolhas quanto a sua produção gráfica, que trazia dois arcos num encadernado capa dura, deixando o preço nas alturas e de difícil acesso para o novo comprador. O mesmo aconteceu com Transmetropolitan. Somente os insistentes e economicamente viáveis (kinda) como eu seguiram para ver o encerramento da série. E é um encerramento muito bem orquestrado, dois arcos como de praxe. Algumas histórias dispensáveis, mas nada que estrague o todo. Contudo, ZDM tem a melhor última história de vário titulos novos da Vertigo de sua leva e ela segue aquele estilo de Brian Wood de mostrar o todo a partir do particular, tão caro para o estilo independente americano. Demorou, mas valeu, ZDM!

AGOdiaboDIABOLIK: VOLUME UM, DE MARIO GOMBOLI, ANGELA E LUCIANA GIUSSANI

Eu curto muito essa inciativa das editoras pequenas de trazerem material inédito de personagens que não são mais publicados no Brasil. Foi assim com a Editora Lorentz e seu Dylan Dog e, agora, com a Editora 85, que já havia trazido de volta Dampyr e em seguida trouxe Diabolik. Eu só conhecia Diabolik porque ele tinha um desenho que passava nos anos 90 no canal à cabo Fox Kids e, depois, porque ele inspirou o Fantomex, dos X-Men, criado por Grant Morrison. Nunca tinha lido suas HQs porque ele estava há mais de 25 anos sem ser publicado no Brasil. O material que a 85 traz neste especial de 4 edições é de 2015 e todos escritos por Mario Gomboli. Cada edição fica a cargo de um desenhista diferente que não são creditados na edição, apenas as criadoras, Angela e Luciana Giussani, um raro caso de persoangem antigo (1962) dos quadrinhos e de sucesso tendo sido criado por mulheres. As histórias seguem o ritmo dos Fumetti, mas são história bem interessantes de grandes assaltos, primazia de Diabolik. A revista, desde sua criação, é publicada em formato pocket, o que dá um charme à mais para a publicação. Das 4 histórias, achei uma muito boa, duas ok e uma mais ou menos. Então saímos no lucro. Sempre é bom se deparar com um personagem consagrado que não se conhecia! Esse é o caso do Diabolik da Editora 85.

Leia mais sobre o personagem Diabolik neste link.

AGOfrank

FRANKENSTEIN: ENTRE O CÉU E O INFERNO, DE MIKE MIGNOLA, BEN STENBECK E DAVE STEWART

Bem, falei mal de uma das HQs do saldão das bancas da Mythos Editora, mas dessa vez vou falar bem. Frankenstein: Entre o Céu e o Inferno é sensacional. Mesmo eu não sendo muito fã do Hellboy – e essa HQ se insere no seu universo – eu consegui entender direitinho a HQ e curti demais. Mike Mignola é campeão em utilizar conceitos, sejam eles visuais ou mitológicos de várias searas e aplicar no seu universo sobrenatural. Esse trabalho é feito de maneira incrível nesta edição. Quando comprei eu achei que seria uma adaptação da célebre história de Mary Shelley. Estava enganado, é uma coisa completamente nova, mas que respeita o clássico. Além disso, a trama envolve sociedades secretas, viagens ao centro da terra, mitologia cristã e é realizada de uma forma bastante instigante e cheia de aventura. Além disso, a arte de Ben Stenbeck é deslumbrante, o caderno de conceitos dos dois no final da publicação é um atrativo à parte. Frankenstein: Entre o Céu e o Inferno é uma história independente, que pode ser lida do começo ao fim sem precisar ler mais nada do universo Hellboy. É autocontida também. Então, no final das contas tive um aproveitamento de 100% da leitura e compra dessa edição. Ufa! Ainda bem!

AGOsaltoSALTO, DE RAPHA PINHEIRO

Em Salto, Rapha Pinheiro cria um universo bastante peculiar. Pessoas feitas de fogo precisam viver debaixo da Terra, debaixo de toneladas de terra e fábricas, porque na superfície existe a ameaça das chuvas. Nü, um jovem aventureiro quer, com todo seu coração conhecer a superfície. Começa, então, uma história típica da Jornada do Herói. O diferencial do quadrinho de Rapha Pinheiro, além da criação desse universo diferentoso, sem dúvida, é a narrativa visual e o layout de páginas que ele estrutura, principalmente nas páginas mudas. O enredo, de certa forma, é previsível e o os diálogos cumprem o expediente. É um quadrinho para todas as idades, que pode ser apreciado por todos. Nos desenhos, me incomodou um pouco os traços originais do grafite presentes. Não dá para definir se foi proposital, se foi por pressa, se foi escolha estilística. Outra coisa que me incomodou foram as expressões em inglês. Esse quadrinho foi feito por um brasileiro para brasileiros ou foi feito “para inglês ver”? Como diz um amigo: “tem que ver isso aí”. Entretanto, o misterioso personagem Silas me chamou bastante a atenção. Quais suas motivações, quem é ele e o que vai acontecer na cidade daqui por diante. Rapha está com uma campanha no Catarse para apoiar a publicação de Silas e dar continuidade a esse universo. Com certeza vou querer ler quando o quadrinho for publicado. A curiosidade matou o gato.

AGOhinterkindHINTERKIND: OS DESTERRADOS (#3) – REGIÃO QUENTE, DE IAN EDGINTON, FRANCESCO TRIFOGLI E CRIS PETER

Já havia comentado aqui como grande parte dessa nova leva de quadrinhos da Vertigo sofre do mesmo mal: tramas encerradas abruptamente, mas que poderiam e, talvez, deveriam ter durado mais volumes. Hinterkind, assim como Coffin Hill, Art Ops e outras tinha uma premissa muito boa e que foi crescendo durante as edições, num ritmo mais, digamos “quietinho”. Esse último volume toma um ritmo mais acelerado e já sai explicando a praga que dizimou a maioria da população humana em um mundo dominado por seres mitológicos e lendários. Contudo, diferente de suas irmãs de selo, Hinterkind consegue fazer um fechamento satisfatório e, ainda deixar no ar uma possibilidade de histórias que poderão ser contadas, quem sabe, algum dia. Realmente, dessa nova leva da Vertigo, Hinterkind foi uma das revistas que mais me agradou, sendo o roteiro de Ian Edginton, um escritor premiado que já trabalhou até com o Batman, muito competentes. O que me deixou meio estranhado foram as artes de Francesco Trifogli, muito irregulares e estranhas e a experimentação colorística que a gaúcha Cris Peter fez nesta série. Mesmo assim, acho que essa série da Vertigo poderia ter rendido muito mais encadernados e diversão para seus leitores.

AGOmissMISS MARVEL: DANOS POR SEGUNDO, DE G. WILLOW WILSON, MIRKA ANDOLFO, TAKESHI MIYASAWA E FRANCESCO GASTÓN

Quando eu achava que G. Willow Wilson tinha alcançado seu ápice com as histórias da Ms. Marvel, já nos tendo feito chorar, nos emocionar, nos empolgar, rir de dar gargalhadas, nos preocupado com o mundo, agora ela nos torna socialmente conscientes. Ok, você vai dizer que é mais uma mensagem esquerdopata, mas não é não. Quando eu falo socialmente conscientes é que Wilson quer dizer que temos de tomar consciência de formamos uma sociedade e precisamos dela para sobreviver. Por isso, precisamos entender certos funcionamentos dela. Pois a sociedade nada mais é do que uma tecnologia humana, só que é orgânica. Wilson começa falando sobre as eleições municipais, sobre aquela velha história de ter que votar no “menos pior”, como temos nos deparado nos últimos anos no Brasil e sobre a importância das “alianças escusas” para o funcionamento da política. Depois, a nossa querida escritora mete o dedo na ferida da internet, um lugar que pode ser o paraíso, mas também pode ser o inferno. Ela cria o vírus Doc.X que começa a agir conforme as emoções passadas na internet, então, claro, ele quer destruir/dominar o mundo ao mesmo tempo. Sá Kamala pode deter ele, numa lição de comportamento e filtros sociais que muito velhinho de 60 anos ainda precisa aprender. Por, fim, uma história de Bruno em sua nova escola em Wakanda. Mais uma vez a Ms. Marvel de G. Willow Wilson me surpreende em quanto relevante ela consegue ser e em quanto ela consegue comunicar com as novas gerações. Esses dois itens, aliados, fazem de Ms. Marvel o quadrinho ideal para um leitor desavisado e “fora do meio” comece a ler e amar quadrinhos de super-herói como um dia eu e você, que, por acaso ama esse tipo de mídia, já gostaram.

AGOkamandiO DESAFIO DE KAMANDI: VOLUME UM, DE VÁRIOS AUTORES

Que. Quadrinho. Divertido! Na verdade eu nunca havia lido as histórias originais de Kamandi, criadas pelo Rei Jack Kirby, mas sabia um pouquinho de seu universo por aparições suas aqui e ali em diversas revistas da DC Comics. A ideia desse quadrinho, além de homenagear os 100 anos do Rei dos Quadrinhos, é a de propor um desafio para os roteiristas e desenhistas da série. Eles deveriam, a cada número, tirar Kamandi de um enrascada e colocá-lo em outra, para que a equipe seguinte resolvesse. É muito legal a aventura que o chamado “último menino da Terra” acaba se metendo, em um mundo de animais antropomorfos, inspirados em O Planeta dos Macacos. Bill Willingham, por sua vez, acredita que Kamandi seja o Mowgli de Kirby, inspirado n’O Livro das Selvas de Rudyiard Kipling. A minissérie saiu em 12 edições nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, sairá em dois encadernados, sendo esse o primeiro. Claro, não dá pra esperar muita profundidade nessas histórias, mas com certeza é uma diversão fora de série e os amantes dos novos e dos antigos quadrinhos bem feitos com certeza ficarão felizes e satisfeitos.

AGOmulhermaraLENDAS DO UNIVERSO DC: MULHER-MARAVILHA – VOLUME 2, DE GEORGE PÉREZ E LEN WEIN

Por anos, esta fase da Mulher-Maravilha de George Pérez sempre era republicada trazendo apenas o primeiro arco. Agora, parece que editorial e comercial da Editora Panini finalmente conversaram e resolveram finalmente brindar os leitores com a continuação do primeiro arco, “Deuses & Mortais”, que reintroduzi Diana Prince para uma nova geração. Essa continuação está neste segundo volume, que conta com roteiros de Len Wein e argumento e arte de George Pérez. Acabei achando esse volume 2, muito superior ao 1, ele se aprofunda na mitologia greco-romana de uma forma hardcore, no arco “O Desafio dos Deuses”, ao mesmo tempo conta a origem da principal nêmese da Mulher-Maravilha que é a Mulher-Leopardo. Também é destaque o jogo de layouts e narrativas que Pérez usa nesta revista e que já vinha apresentando ao lado de Marv Wolfman na série dos Novos Titãs, no começo dos anos 80. Um belo apanhado de histórias, cheios de aventuras, emoções e, o melhor, que brinca com a espectativa do leitor e quebra com alguns clichês do gênero. Os novos fãs de Diana de Themiscyra, empolgados com seu filme nos cinemas, não se arrependerão ao ler este encadernado.

AGOtomstrongTOM STRONG E O PLANETA DO PERIGO, DE PETER HOGAN, CHRIS SPROUSE E KARL STORY

Este é o primeiro encadernado das histórias de Tom Strong que não é escrito por Alan Moore, mas sim, o seu discípulo e continuador de suas histórias, Peter Hogan, que já havia contribuído com o barbudão de Northampton em Tom Strong. Claro, logo de saída já notamos a diferença: a diagramação das páginas tem quadros enormes, praticamente apenas 3 por página, uma prática bem diferente da da de Moore. O mago costuma ser verborrágico e condensar mais quadros por página. A história conta o retorno de Tom Strong à Terra Obscura, em busca de um elixir para sua filha. Ao mesmo tempo ocorre um desfile dos heróis dessa dimensão, todos personagens em domínio público, de super-heróis dos anos 40 e 50. O enredo segue a fórmula dos “encontros sucessivos”, para se chegar ao objetivo. É divertida, mas longe das histórias feitas por Moore, mais que divertidas, espertas e desafiantes. Por fim, vale falar dos sempre belíssimos e competentes desenhos de Chris Sprouse, um dos melhores desenhistas da atualidade e que é primeiro que vêm à mente quando se fala em arte das histórias de Tom Strong. Portanto, esse encadernado é mais um daquele que vieram para cumprir tabela.

AGOsilvio

SÍLVIO SANTOS: VIDA, LUTA E GLÓRIA, DE R. F. LUCCHETTI E SÉRGIO M. LIMA

A republicação desta história em quadrinhos, publicada originalmente na década de 60, é uma parceria da Editora AVEC com as Universidades Rio Branco. Esta última tratou todas as páginas da velha edição e possibilitou que fosse novamente publicada. É o resgate da memória dos quadrinhos nacionais, bem como da história de uma dosmaiores comunicadores dos meios de comunicação nacional, Senor Abravanel, mais conhecido como Sílvio Santos. O engraçado é que a história em quadrinhos nuca cita o nome real de Sílvio Santos, talvez para não causar confusão no público. A história da carreira de Sílvio Santo é incrível e como seu sorriso e sua voz conhecida por todos os brasileiros acabaram conquistando espaços para ele e o fazendo subir degraus enquanto comunicador e empresário. Muitos sabem que Sílvio começou como camelô, e somente um bom tempo depois é que começou a trabalhar em rádios e com o famoso Carnê do Baú. Claro, a HQ acaba não cobrindo uma parte importante da vida de Sílvio que é a compra do seu próprio canal de televisão, a TVS, que depois se tornou o Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. Contudo é uma ótima leitura que, apesar do visual, em narrativa e texto não deve em nada para quadrinhos sendo publicados atualmente,sendo melhor até que a média atual.

Leia uma resenha completa da biografia do homem do Baú, Sílvio Santos, neste link.

AGOwickedTHE WICKED + THE DIVINE – VOLUME 2: FANDEMÔNIO, DE KIERON GILLEN E JAMIE MCKELVIE

Eu simplesmente adoro os dsesenhos, layouts de personagens e a narrativa de Jamie McKelvie. Elas dão um frescor e uma atualidade para os personagens como nenhuma outra. Por isso, ele e Kieron Gillen são os caras acertados para contar uma história em que um panteão de deuses renasce como ídolos da música pop do século XXI. Se o primeiro volume já trazia acontecimentos embasbacantes, esse segundo volume é ainda mais cheio de reviravoltas e momentos surpreendentes. E, então, se encerra com um final mirabolante, que nos faz pedir por mais dessa história em quadrinhos o quanto mais breve possível. Neste número também vemos mais artimanhas narrativas de Gillen e McKelvie, como um recordatório baseado em páginas já publicadas, um mapa de uma convenção de adoradores de deuses da música pop. uma planta em esquema do quarto da protagonista, e por fim o efeito sensacional de uma droga divina ao melhor estilo ecstasy numa festa repleta de deuses da música pop. Mas, claro que um quadrinho repleto de seres divinos não poderia faltar suas artimanhas por poder, adoração e para durarem para sempre no coração dos seus fiéis. E isso é que torna essa história ainda mais interessante e nos faz perguntar qual dos deuses desse novo panteão será o próximo a ser assassinado? Vale muito a leitura!

AGOinfancia

A INFÂNCIA DO BRASIL, DE JOSÉ AGUIAR

Este emocionante quadrinho histórico, acompanha a infância do indivíduo brasileiro durante os seis séculos de “existência” do nosso país, contando as dores e desamores das crianças. Ao mesmo tempo, no final de cada história de cada retrato de século, o autor, José Aguiar, faz um paralelo daquela situação precária com situações precárias semelhantes vividas pela “Infância do Brasil” nos dias de hoje. O livro contou com consultoria e pesquisa histórica da historiadora Claudia Regina Baukat Silveira Moreira e prefácio da famosa historiadora de costumes brasileiros Mary del Priore. Claudia Moreira acrescenta notas históricas comentando cada século ao final do quadrinho. Esse respaldo torna o livro importante para o estudo e disseminação da História nacional, uma vez que poucas obras dão destaque para as condições de vida e tratamentos recebidos pelas crianças. A infância, não só do Brasil, mas do mundo até pouco tempo na história humana era tratada como mini-adultos, sem muita distinção ou cuidados especiais. Portanto, a obra de José Aguiar faz abrir os olhos daqueles que se recusavam a ver e aumentar o cuidado daqueles que já enxergavam com os brotos dos seres humanos que herdarão o chão que pisamos, seja enquanto se chamar Brasil, ou depois disso.

AGOdocumentaryDOCUMENTARY COMICS: GRAPHIC TRUTH-TELLING IN A SKEPTICAL AGE, DE NINA MICKWITZ

Neste livro, Nina Mickwitz acaba denominando de “documentary comics”, ou ainda, “quadrinhos documentais”, todos os quadrinhos que se aproximam da técnica audiovisual do documentário, ou seja, que lidam com aspectos do real. Nesse caso, encontram-se aí quadrinhos autobiográficos, biográficos, quadrinhos jornalísticos, quadrinhos históricos, quadrinhos de memória. Dentro dessa classificação e dessa forma de enxergar esse tipo de quadrinhos, a autora propõe também analisá-los sob esta óptica, usando ferramentas da análise e produção de documentários audiovisuais para analisar esse escopo da arte sequencial. Assim, Mickwitz pensa quadrinhos como Notas em Gaza, Persépolis, Epiléptico, O Fotógrafo, A Guerra de Alan, AD New Orleans: After The Deluge, American Splendor, entre outros quadrinhos para corroborar suas hipóteses e teorias. Assim, a autora acaba lançando uma nova luz sobre os quadrinhos que tem o real como primeira base, bem como uma nova metodologia para que se avancem mais teorias sobre a análise desse tipo de arte sequencial que tem se tornado cada vez mais popular conforme avançamos o século XXI.

AGOlechevalier

LE CHEVALIER: ARQUIVOS SECRETOS, DE A. Z. CORDENONSI E FRED RUBIM

Quadrinhos de aventuras se tornam ainda mais aventurescos quando o cenário também traz esse elemento. É o caso de Le Chevalier, que traz um clima steampunk, onde seus convivas andam com animais de estimação robóticos e com lanchas-submarinos pelos canais da cidade-luz. Também é interessante reparar a dinâmica que acontece entre Le Chevalier e o Persa, muito parecida com Sherlock Holmes e Watson e com Dom Quixote de la Mancha e Sancho Pança. Outra coisa que chama atenção neste quadrinho e a tentativa de se assemelhar com os quadrinhos europeus no layout de página. Entretanto, a arte peculiar de Fred Rubim e a escolha acertada na paleta de cores tornam essa semelhança mais um motivo para tornar esse quadrinho único. O roteiro de A. Z. Cordenonsi denota que a história é feita para todas as idades, não tendo nenhum elemento que faria um pai ruborizar ao emprestar sua HQ para o filho. Muitas vezes a dinâmica da história me lembrou A Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O’Neil por seus elementos que, a principio, desconexos, fazem todo o sentido dentro da história. Uma leitura agradável, leve e cheia de aventura!

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MOTOQUEIRO FANTASMA: PISANDO FUNDO, DE FELIPE SMITH E DANILO BEYRUTH

Sem dúvida, Robbie Reyes é o meu “Motoqueiro” Fantasma preferido. Ao menos, ele é mais identificável para nós, latinos. Talvez, por essa razão, ele não tenha feito muito sucesso nos Estados Unidos. Este encadernado é a segunda série do personagem, que só durou cinco edições. Ainda assim ela reuniu uma versão repaginada do “Novo” Quarteto Fantástico lá dos anos 90. Dessa vez, Reyes, X-23, Amadeus Cho e Teia de Seda fazem parte da formação. Uma coisa interessante que todos esses personagens têm em comum, somando-se a Kamala Khan, Sam Alexander e Miles Morales, é que todos eles dão muita importância para os personagens que cercam os heróis – como era feito tradicionalmente com os heróis, antes da Michaelbayzação dos quadrinhos. Assim, uma trama bobinh como a que temos aqui: de um elemento capaz de copiar poderes de quem absorve o DNA, pode se tornar bastante interessante, justamente pelas subtramas e a relação entre um personagem e outro e seus coadjuvantes. Também vale dizer que nesse encadernado quem assume a arte é brasileiro Danilo Beyruth, com um traço muito mais legal que o dos encadernados anteriores.

AGOmiss2MISS MARVEL: GUERRA CIVIL II, DE G. WILLOW WILSON, ADRIAN ALPHONA, TAKESHI MYIASAKI E MIRKA ANDOLFO

G. Willow Wilson e sua companhia de desenhistas continuam arrasando nas histórias da Miss Marvel! Dessa vez, enquanto Kamala têm de lidar as tensões de uma Guerra Civil entre a sua inspiração, a Capitã Marvel e o seu mentor, o Homem de Ferro, o leitor acaba conhecendo a origem secreta do bracelete que ela veste. Ao mesmo tempo, ao final do encadernado, Kamala Khan faz uma visita a Karashi, no Paquistão, para uma visita à sua avó. Assim, novamente Willow Wilson faz um belo trabalho de casa, nos presenteando com diversos elementos da cultura indiana (a família de Kamala imigrou da Índia para o Paquistão, durante a – quem diria – Guerra Civil Indiana, que provocou a famosa Marcha do Sal, de Mahatma Gandhi). O destaque da arte vai para a colorização de Herring e Kniivila, que conseguem setar a narrativa numa base comum entre tantos artistas diferentes que passam pelo encadernado: Adrian Alphona, Mirka Andolfo e Takeshi Myiasawa. Também destaque para a aparição do Homem-Aranha Miles Morales e do Nova Sam Alexander em um evento estilo feira de ciências de gênios buscando vagas em faculdades poderosas dos Estados Unidos.

AGOrondaRONDA VERMELHA, DE GARTH ENNIS E CRAIG CERMAK

Garth Ennis possui duas grandes características na sua obra: o ser humano sob pressão e a camaradagem que essa pressão compartilhada acaba construindo. Essa pressão pode ser a da sociedade, a da guerra (seu tema favorito), e as transformações que elas causam no ser humano. No caso de Ronda Vermelha, vemos personagens destroçados por fazerem parte da força da lei – a polícia. E todos os elementos que estão à disposição da polícia: a vigilância, o controle, a manutenção da ordem e, claro, o poder. Ennis, então, explora nesta história em quadrinhos os dois lados dessa vontade de deter o poder sobre a vida e a morte de indivíduos nas mãos e, ao mesmo, o controle da ordem social, através do que acaba sendo nomeado vigilantismo – quando indivíduos escolhem matar outros indivíduos sem passar pelo crivo judicial ou de outra força da lei. A Ronda Vermelha decide matar pessoas que ela considera a escória da sociedade e, assim, prevenir crimes e grandes movimentos do tráfico. Mas o tiro sai pela culatra quando percebem que tem outra força policial com métodos muito menos discretos e “limpos” que eles. Pode ser o fim da Ronda Vermelha, então?

AGOdefinitiva

A COLEÇÃO DEFINITIVA DO HOMEM-ARANHA: O OUTRO – EVOLUÇÃO OU MORTE: VOLUME 2, DE J. MICHAEL STRACZYNSKI, PETER DAVID, REGINALD HUDLIN, MIKE DEODATO JR., MIKE WIERINGO E PAT LEE

O Homem-Aranha está morto. Longa vida ao Homem-Aranha. Se no primeiro volume desta saga acompanhamos Peter Parker ser massacrado por Morlun, o devorador de totens e abandonado para morrer – e morre. Neste segundo volume, que achei mais bem entrelaçado que o primeiro, Peter Parker renasce, porque ele aceita O Outro. A explicação é que toda aranha troca de pele uma vez na vida e o Homem-Aranha, ao aceitar a aranha que faz parte do seu ser, acaba renascendo num corpo novinho em folha e com poderes aumentados. A saga é muito diferente do que eu imaginava que ela seria quando a Marvel lançou a ideia. Ela acontece durante a fase em que a Tia May conhece a identidade secreta de seu sobrinho e ela, Peter e Mary Jane estão trabalhando e vivendo na Torre dos Vingadores de Tony Stark. Algo curioso é a interação que os autores trabalham entre os Novos Vingadores, uma interação anos-luz melhor daquela trabalhada por Brian Michael Bendis na série principal. No fim, O Outro, é uma saga bem melhor do que eu imaginava. Pena que, ao fim e ao cabo, todas essas modificações acabaram sendo jogadas fora, quando resolveram apagar a continuidade do aracnídeo através do famigerado pacto com o Mefisto.

AGOinjustiça

INJUSTIÇA: DEUSES ENTRE NÓS (#10), DE BRIAN BUCCELATTO, TOM DERENICK, MIKE S. MILLER E BRUNO REDONDO

Este encadernado diz repeito ao segundo encadernado do último e quinto ano do game Injustiça: Deuses Entre Nós. Essa quadrinização ficou muito popular por contar com um roteiro ótimo, que ficava por conta de Tom Taylor (que hoje escreve X-Men). Contudo, Taylor foi substituído por Brian Buccelatto (das histórias do Flash), e a qualidade deu uma bela reduzida, num arco estranho com os deuses mitológicos da Mulher-Maravilha. Este volume, entretanto, deum um fôlego maior pra série e ficou mais divertido de acompanhar. Neste arco, como a capa já diz, acompanhamos uma briga/conversa entre Arlequina e Shazam. Mas também vemos atos bárbaros do Superman tirânico de Injustiça. Atos, esses, como matar a sua versão Bizarro e planejar o assassinato do mordomo Alfred , apenas no intuito de desestabilizar a facção de Batman, que é contra o seu regime absolotista. Por fim, temos um conto que coloca em xeque a lealdade do Flash ao reino do Superman, com um desfecho surpreendente. Então, agora posso dizer com segurança, que Injustiça: Deuses Entre Nós voltou à velha forma.

AGOasadick

DC RENASCIMENTO: ASA NOTURNA – VOLUME 4, DE TIM SEELEY, JAVER HERNANDEZ, MIGUEL MENDONÇA E VICENTE CIFUENTES

Tem sido bem recompensador acompanhar essa run do Asa Noturna na inciativa do Renascimento DC. Digo isso porque o roteirista Tim Seeley tem construído um universo para o personagem, com vários coadjuvantes, o que torna a história imensamente mais interessante e a evolução do personagem mais evidente. Neste número vemos a ameça de um novo vilão Arrasa-Quarteirão, mais inteligente, frio e calculista aliado à sua força arrasadora. Também vemos um desenvolvimento trágico com o romance de Dick Grayson com a Desfiguradora e seus amigos fugitivos. Por fim, temos o retorno dos personagens criados por Seeley e Tom King na série de espionagem Grayson, anterior a esta fase, em que Dick trabalhava para a organização Espiral. Então, de todas as séries do renascimento que a Panini está publicando em encadernados, Asa Noturna têm sido a mais consistente e a mais recompensadora de ler, mesmo que os desenhos de Javier Hernandez deixem MUITO a desejar. Fazer o quê? Não se pode ter tudo nesse mundo…

AGOjogo

O JOGO MAIS DIFÍCIL DO MUNDO, DE EDUARDO RIBAS

Conheci o Eduardo na última ComicCon RS e, de longe, o trabalho dele se destacava. Capas vistosas, traço com expressão, cores vibrantes. E um nome de um quadrinho bastante instigante. Este quadrinho e o outro dele, Pût, foram uma das poucas coisas que comprei na CCRS, devido à grana supercurta. Contudo, não me arrependi. Foi uma leitura muito boa, que não faria feio como um filme da Sessão da Tarde ou um livro da Coleção Vagalume. Dá pra ver que Eduardo foi uma criança que pegou um pouco dos anos 80, como eu, em que os produtos eram bastante focados nos petizes. A HQ é uma busca de três crianças por três pedras mágicas que, unidas, podem realizar qualquer pedido. Elas querem uní-las para vencer o bully riquinho no videogame, mas talvez a aventura possa ser mais divertida do que O Jogo Mais Difícil do Mundo. Um quadrinho bem redondinho, bem elaborado tanto em desenhos como em roteiro, que tem o potencial de agradar crianças de todas as idades. Também lembra bastante a propostas das HQs da Graphic MSP da Turma da Mônica feita pelos irmãos Cafaggi. Recomendo experimentarem essa HQ nostálgica da infância, O Jogo Mais Difícil do Mundo, por Eduardo Ribas!

AGOdias

DIAS ESTRANHOS: BRUXAS ENTRE NÓS, DE MARCUS LEOPOLDINO, DIEGO PORTO E GABRIEL CALFA

Fazia um tempo que os meninos tinham me mandado essa HQ, mas eu ainda não tinha tomado vergonha na cara e lido. Hoje eu li e, do volume um para dois, teve uma bela evolução. A história está mais empolgante, engrenada, os personagens interagem mais, tem alguns diálogos espertos, méritos do Marcus Leopoldino. Os desenhos do Diego Porto com sua verve art-nouveau estão numa narrativa incrível que deixaria muito desenhista de editoras mainstream como Marvel e DC Comics no chinelo, bem como nas experimentações narrativas dos layouts de página, sempre com os arabescos e rococós da escola de Toulouse-Lautrec e Alfonse Mucha. As cores de Gabriel Calfa, sempre competentes, também evoluíram, com um destaque para uma página hiperdetalhada de uma mansão pegando fogo. Mas acho que a capa da HQ já dá pra dizer bastante sobre a arte dela. Assim, no final de Dias Estranhos: Bruxas Entre Nós, estamos prestes a embarcar com Jean, Luana e demais personagens da HQ em uma jornada espiritual e mágica para entender até aonde a história está os levando e também, levando a nós, leitores. E, pelo jeito, os meus amigos artífices desta HQ também estão empreendendo uma jornada espiritual de evolução profissional nesse seu primeiro e longo projeto de estreia, que prevê ainda mais três capítulos.

AGOflint

OS FLINTSTONES: VOLUME DOIS, DE MARK RUSSEL E STEVE PUGH

No volume anterior, vimos como os humanos de Bedrock da Era Moderna da idade da Pedra, reagem com a presença de alienígenas na Terra. Ao mesmo tempo somos apresentados a um desfile de críticas sociais que refletem inconfundivelmente o nosso tempo. Desde religião e economia, ao sistema de classes, até os hipsters, a arte contemporânea a guerra. Também é interessante a subtrama desenvolvida pelos “eletrodomésticos” dos Flintstones, que nada mais são do que animais pré-históricos. Nesse ínterim, o alienígena responsável por avaliar a Terra, está fazendo relatórios para o “Conselho da Vizinhança”, que possui o poder – não se sabe por quem investido – de destruir ou de deixar os seus vizinhos em paz. Eles vão julgar as capacidades e as ameaças da Terra através da análise da mente de um de seus habitantes. Mas o alienígena responsável da Terra, apesar de suas confusões e conflitos, se afeiçoou aos terráqueos. Como ele vai selecionar, diante de tantas mentes belicosas e estrambólicas, um representante capaz de passar pelo crivo do “Conselho da Vizinhança” sem que ameace a existência do nosso planeta? Bem, lendo essa HQ você vai descobrir.

AGOsaucerSAUCER COUNTRY: VOLUME 1 – RUN, DE PAUL CORNELL, RYAN KELLY, JIMMY BRAXTON E GORAN SUDZUKA

Quando você está escrevendo um livro, um conto, um roteiro, um quadrinho sobre um determinado assunto, você pesquisa sobre ele. Essa pesquisa também pode envolver coisas parecidas que já foram escritas sobre o tema. Fazia um tempo que eu queria ler Saucer Country e estava a espera de sua publicação no Brasil para lê-lo. Mas isso, desde 2012, quando a série foi criada, ainda não aconteceu no Brasil. resolvi recorrer para a versão importada. Apenas para ter uma revelação chocante – rumfesm os tambores, toquem as trombetas – eu estou a serviço de alienígenas! Falando sério, tudo o que Saucer Country revela é que, como toda mitologia, a dos alienígenas vem se transformando durante os anos, através das representações do desconhecido que os homens vêm fazendo. Como escrevo um história sobre eles, também estou colaborando nessa visão. O escritor Paul Cornell e os desenhistas dessa série, ao mesmo tempo, também estão fazendo isso, ao contar a história de uma candidata latina, filha de imigrantes ilegais – daí a ótima analogia – que teve um encontro imediato e foi abduzida por alienígenas. Estariam eles manipulando a corrida presidencial dos Estados Unidos para, enfim, dominarem o mundo? Só lendo o segundo e último volume dessa série para saber. Algo que pretendo fazer em breve.

AGOansiaÂNSIA ETERNA: BASEADO NOS CONTOS DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA, DE VERÔNICA BERTA

Adaptar contos para quadrinhos não é uma tarefa fácil, embora, algumas vezes possa parecer. O elemento do subtexto deve ser bem trabalhado de forma que as imagens deem intensidade a ele e não o apaguem. Essa intensidade está presente na adaptação de Verônica Berta, que soube quando usar as palavras de Júlia Lopes de Almeida e quando suprimi-las. Isso sem falar em sua bela arte pintada. Vale a pena falar da escolha dos contos de Julia Lopes de Almeida que foram adaptados aqui. São todos contos que possuem mulheres como personagens principais – uma diferença de protagonistas, afinal, na época de Julia de Almeida, o protagonismo feminismo era algo impensável. Ela havia sido uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, no século XIX, mas foi impedida de empossar por ser mulher. Isso só mudou em 1977, quando Raquel de Queirós entrou para a Academia. Ainda assim, hoje, apenas 5 mulheres ocupam as 40 cadeiras da ABL. Todas elas brancas. A cor da pele das personagens principais também foi uma escolha de Verônica Berta e mais contundentes ficam seus contos quadrinizados por essa escolha, demonstrando como persiste a marginalidade das mulheres negras, por mais que sejam o substrato puro da luta social. Elas ainda são apagadas e invisibilizadas e o seu protagonismo lhes é negado, ainda que sejam personagens principais para que a História siga sua marcha.

Piores

AGOmonstros[MONSTROS À SOLTA – VOLUME UM, DE CULLEN BUNN, JIM ZUB, STEVE MCNIVEN, GREG LAND, JAY LEISTEN, SEAN IZAAKSE E OUTROS

Ai, ai, mais uma vez enfiei o pé na jaca. Mais uma vez fui com muita sede ao pote e no pote só tinha suco de pimenta (com um hortelãzinho bem no fim). Estava tão ansioso com essa série que resgata os monstros dos anos 50 da Marvel, quando ela ainda se chamava Atlas, que estava esperando algo melhor. Além disso, a série envolvia vários títulos da Marvel que tiveram sua numeração .MU especial para essa série. Mas, pelo menos nessa primeira edição, os spin-off dos heróis Marvel são as partes mais decepcionantes. Os publicados neste primeiro número (pra variar a Panini Comics não revelou quantas edições serão) são os de Vingadores de de Homem-Aranha/Deadpool. Pra não dizer que não falei de flores, a segunda edição da minissérie (esse volume publica as edições 1 e 2, de 5) é mais empolgante porque traz a desbocada caçadora de monstros Elsa Bloodstone para os holofotes. A estratégia de ter que mostrar um aspecto macro, de todos os heróis da Marvel é bem complicada e não foi realizada direito. Mas quando cai para o aspecto micro e lida com Elsa e Kei Kawade, a coisa melhora bastante. Mas, né, de uma revistona inteira se aproveitar só um quinto é bem complicado. Espero que nas próximas edições a coisa melhore, por favor, meus monstrinhos da Marvel!

AGOzumbis

ZUMBIS VS. ROBÔS, DE CHRIS RYALL E ASHLEY WOOD

Se eu pudesse resumir esse quadrinho em uma palavra, ela seria: esquisitaaaaaaçooo! Mas, como sou legal com vocês, vou falar um pouco mais. Sabe aquela obra que tem uma premissa foda, mas que quando vão realizar ela, ao invés de torná-la ainda mais foda, fodem tudo. Pois é, é o caso deste quadrinho. Disseram ser um quadrinho descompromissado, mas quando um autor produz e um leitor compra, se estabelece aí um compromisso. Ou seja, para poder compra mais, o leitor precisa gostar do que lê. Em Zumbis vs. Robôs (que parece que algum idiota resolveu tornar um filme), a arte não combina com o roteiro. A arte é super séria, emulando um Dave McKean e o roteiro é todo… humm… toscão. As situações são clichês totais. Bem que meu sentido de furada me alertou quando viu nas bancas uma HQ capa dura (que devia ser restolho de saldão) por 19,90. Eu su um cara que aprecia indiadas, mas, olha, esse é de chorar no cantinho. Não serve nem pra limpar a bunda porque tem um verniz texturizado na capa e pode dar hemorróidas em quem usar ele. Eu não entendo como, com tanto material bom saindo no mercado nacional e fora do Brasil, a Mythos Editora me consegue colocar umas porcarias dessas como isso e os quadrinhos da Dynamite pra vender. Desculpa, mas chega a ser revoltante colocar uma coisa dessas e ainda de capa dura pra vender. Meus sinceros pêsames para quem gastou o preço original de 69,90 nessa porcaria. Que. Morte. Horrível.

AGOluaCAVALEIRO DA LUA (#6): NASCIMENTO E MORTE, DE JEFF LEMIRE E GREG SMALLWOOD

Um dos problemas das últimas e milhares de revistas que começaram e acabaram tratando do Cavaleiro da Lua é que todas elas querem explicar o “funcionamento” do Cavaleiro da Lua e suas múltiplas personalidades. A única fase que não tentou fazer isso foi a de Warren Ellis e seus amigos Brian Wood e Cullen Bunn e, por isso, talvez, foi o volume que no século XXI se deu melhor em retratar Marc Spector e seus amigos imaginários. Essa fase não se focou em explicar, mas em mostrar. Mas também não foi tão foi tão esquizofrênica – e cuidado para não confundir esquizofrenia com distúrbio de múltiplas personalidades – quanto a horrível fase de Charlie Houston com o herói. Dadas as minhas justificativas, esse volume de encerramento de Jeff Lemire no personagem dá as justificativas do roteirista para Marc Spector, o Cavaleiro da Lua, Konshu e seus coadjuvantes. E a que conclusão chegamos? A mesma de sempre: nenhuma. Neste encadernado Lemire percorre a vida de Marc Spector adicionando as camadas de sua vida, mas, em momento nenhum entendemos o que ocorreu até então e o que ocorre agora. Complicado. O sensacional mesmo, que vem acompanhando Marc Spector e o Cavaleiro da Lua desde a época em que Bill Sienkiewicz trabalhava com o personagem, são a arte e a narrativa espetaculares. Neste encadernado, todos os méritos ficam com o sensacional desenhista Greg Smallwood! Por mais trabalhos com o Greg! E que o Lemire se concentre em “poucas e boas” histórias e não tente abraçar todo Universo Marvel de uma vez e fazer um monte de lambanças. Pronto, falei!

AGOarmaxARMA X (#1) ARMAS DE DESTRUIÇÃO MUTANTE: PRELÙDIO, DE GREG PAK, GREG LAND, IBRAIM ROBERSON E ROBERT GILL

Greg Pak é um escritor de altos e baixos, mais baixos do que altos, claro. Greg Land, por sua vez, causou frenesi nos fãs quando surgiu pela primeira vez, junto com Pak na minissérie A Canção Final da Fênix, dos X-Men. Contudo, com o passar dos tempos, os leitores foram percebendo seus problemas de traço que eram disfarçados por coloristas muito bons. Neste Arma X, que faz parte da linha de novas revistas mutantes, a RessurXtion, parece que a dupla perdeu a mão de vez. Os traços de Land estão mais esquisitos do que nunca e o roteiro de Pak está mais fraco do que nunca. Junte-se a isso que os personagens matadores mutantes se unem ao Totalmente Incrível Huk, Amadeus Cho – esse título ele mesmo se deu, não fui eu. A revista de Cho, também escrita por Pak é uma das piores dessa nova leva de novos heróis de legado da Marvel, e deveria se chamar Totalmente Sem-Graça Hulk. Para piorar, o encontro dessas duas revistas, vai derivar um personagem chamado Arma H, que será um híbrido do Hulk com o Wolverine, e sim, vai ganhar título próprio. Existe também um erro de poderes aqui dizendo que James Proudstar, o Apache pode voar. Eu só vou manter a revista na coleção porque sou um verme dos títulos X, caso contrário manteria distância. Para quem não tem esse “problema” de ser ultramegafã dos X-Men, recomendo uma bela distância desse título podre!

AGOcoringaLENDAS DO UNIVERSO DC: CORINGA, DE DENNIS O’NEIL, ELLIOT S! MAGGIN, VINCE COLETTA, DICK GIORDANO, IRV NOVICK, ERNIE CHEN, MARTIN PASKO

Este encadernado traz histórias da revista de curta duração do Coringa que, durante os anos 70, teve apenas nove edições. A maioria delas com roteiro de Denny O’Neil e de Elliot S! Maggin e a maioria com arte de Irv Novick. Mas isso, contudo não poderia dar a esse encadernado o nome deste artista, como atesta a capa, pois outros desenhistas importante como José Luiz García Lopez, Ernie Chen e Vince Coletta também emprestam suas artes como artistas principais de suas histórias. As histórias, no caso, são bem típicas dos anos 70, historinhas bobinhas e água com açúcar onde vilões se encontram, seja com heróis ou outros vilões e resolvem o problema. O enredo que se destaca é o do encontro do Coringa com Sherlock Holmes, que na verdade não é o grande detetive, mas um ator que pensa ser ele. A história, então, corre em volta da mitologia e dos títulos dos livros mais famosos do “maior detetive do mundo”, uma marca de O’Neil que também fez com que o personagem de Conan Doyle se encontrasse com o Batman em outra ocasião. Então, me parece que a existência desse encadernado serve mais para saciar os coringamaníacos, que possuem um amor insano por uma dos maiores vilões das HQs e fazer vendas para a Panini, do que pela qualidade das histórias em si.

AGOdeusesDEUSES AMERICANOS: VOLUME UM – SOMBRAS, DE NEIL GAIMAN, P. CRAIG RUSSELL, SCOTT HAMPTON E OUTROS
Definitivamente editoras que não tem tradição com quadrinhos não sabem compor letras em balões. Ao comparar a diagramação nacional com a americana podemos ver que a a Intrínseca usou uma fonte demasiado grande para os balões e captions. Mas ok, até aí é perdoável. O que me admirou nessa edição foi a adaptação do roteiro e do layout de P. Craig Russell, que geralmente faz belas adaptações. Ele praticamente transcreveu o texto do livro para os quadrinhos, não poupou descrições e coisas que poderiam ser suprimidas com imagens. Ao mesmo tempo, os layouts são pesaados, poluídos. Não estou avaliando esse quadrinho pela história, porque AMO o o livro, mas pela sua função com adaptação. Ao mesmo tempo, os desenhos de Scott Hamptom estão longe do seu melhor. Tudo isso me leva a crer que essa adaptação do romance best-seller de Neil Gaiman foi feita às pressas para casar com a estreia da série no Canal Starz. Uma pena, pois a obra merecia coisa melhor, mesmo com nomes de quadrinistas tão bons envolvidos. De qualquer forma, uma adaptação sempre faz você ver uma obra por outro ângulo e entender um pouco mais dela. Esse, então, é o meu ponto positivo: poder relembrar e reinterpretar um dos meus livros favoritos.

AGOartopsART OPS: AGENTES DA ARTE – POPISMO, DE SHAUN SIMON, MIKE ALLRED, EDUARDO RISSO E MATT BRUNDAGE

Eu não saberia dizer se é peculiar, engraçado ou irônico de que a maioria das séries na linha Vertigo depois da saída de Karen Berger do selo não duraram mais do que dois ou três encadernados cada. E parece que a maioria das séries sofre do mesmo problema: foram planejadas para ir mais longe. O que acaba fazendo com o o primeiro e, talvez, o segundo encadernado sejam bons ou regulares e o último encadernado pareça uma corrida apressada para fechar todas as pontas. O mesmo acabou acontecendo com Art Ops: Agentes da Arte. O primeiro encadernado era bem divertido e bem entrosado, mostrando a fuga da Mona Lisa e a necessidade de Reggie Revolt e os demais Agentes da Arte em recapturá-la. Com um problema: Reggie simpatiza com Lisa. Nesse segundo encadernado vemos Reggie lidando com seus “daddie issues”, ao se deparar com o seu pai, um ladrão de artes – mas não no strictu sensu do termo. Ele realmente tira as artes das molduras e as faz viver em um refúgio. Poderia dar uma história muito legal, certo? Um refúgio para artes fugitivas e exiladas. Mas a maneira como a história acaba se desenvolvendo parece um atropelamento de insights. Um problema, definitivamente de uma edição original mal feita. Para vocês verem como Karen Berger faz uma falta absoluta.

AGOespinhoESPINHO RUBRO: O BEIJO DE GLASGOW, DE DAVID BAILLIE E MEGHAN HETRICK

Nossa, gente, que quadrinho ruim, mais sem eira nem beira. Uma das piores leituras (e gastos) que fiz esse ano em quadrinhos. Estava achando que ia ser legal porque tem gente pelada, mas né, desde quando gente pelada foi sinônimo de histórias boas? (o pornô que o diga). Somos levados pela história de Isla, uma menina ruiva que se muda para Glasgow e que pode tornar seus desenhos em realidade, se encontrar com Espinho, uma semi-divindade celta que quer dominar o mundo. Se fosse isso, daria um bom enredo para uma história infanto-juvenil, baseada nas lendas celtas. Mas parece que partes da história deixaram de ser contadas. Fazer isso numa revista seriada é abusar da paciência do leitor. Ao mesmo tempo que, ao chegar na última revista desse encadernado (que terá mais um encadernado para completar a história), tudo que o leitor conhecia sobre a personagem e a história se revela uma mentira. Então, é abusar duplamente da paciência do leitor. Assim, eu me pergunto: com tanta série melhor da Vertigo para trazer ao Brasil, porque a Panini Comics Brasil tinha de trazer essas história tão horrível? Mistééério!

AGOhoudini

BATMAN/HOUDINI: A OFICINA DO DIABO, DE HOWARD CHAYKIN, J. M. DEMATTEIS E MARK CHIARELLO
Até o final da década de 80, início dos anos 90, quando um quadrinho tinha uma arte de babar, os roteiros eram de fracos para medianos. Isso só mudou com o esforço de Marvels. Então esse encontro de Batman e Houdini – vejam que não é um confronto, mas um encontro -, não foge à regra anterior à Marvels. Era uma edição de luxo do selo Elseworlds, que aqui no Brasil ficou conhecido como Túnel do Tempo, exatamente porque essa primeira edição levava o leitor para o ano de 1907, onde se encontrava com uma versão de Batman, inculcada com um sonho de um morcego produzido por um xamã que o curou na guerra. Além de Houdini, segue um desfile de celebridades da época, inclusive os dos participam de uma sessão de mesas giratórias do incipiente espiritismo de Allan Kardec. Temos uma versão de empresário corrupto, um cowboy do mau e uma versão do Coringa que sequestra e mata criancinhas. Poderia ser uma história imbricada, divertida ao menos, mas precisou de dois roteiristas do calão de Howard Chaykin e de J. M. DeMatteis para produzir algo inócuo. Só salvo mesmo pelos belos desenhos e arte pintada de Mark Chiarello. Uma pena.

AGOputPÛT, DE EDUARDO RIBAS

Depois de ter lido “O Jogo Mais Difícil do Mundo”, de Eduardo Ribas, cujo trabalho conheci na Comic Con RS, parti para seu segundo trabalho, PûT, que deu a entender que era a adaptação de uma campanha de RPG de Dungeons & Dragons. Contudo, o problema de se adaptar campanhas de role playing game é que elas acabam fazendo mais sentido de existir para aqueles que participaram dela. Embora a narrativa em quadrinhos seja bem interessante e que os desenhos de Ribas funcionem bem melhor num ambiente medieval do que com o cenário de “O Jogo…”, a história não é tão cativante, como os elementos rpgísticos poderiam providenciar. Ao mesmo tempo, pode funcionar como uma porta de entrada para o trabalho mais longo de Eduardo, que é “O Jogo”. Talvez meu erro foi ter ido direto ao “O Jogo” e deixado “PûT” para depois, que acabou provocando essa sensação de grandiosidade menor. Mas ainda preciso destacar o belo trabalho gráfico feito na HQ, tanto na sua fisicalidade quanto nos desenhos e produção gráfica. Quem sabe uma HQ mais elaborada nesse universo, não possa render mais?

AGOhellblazerRENASCIMENTO DC: HELLBLAZER: VOLUME 2, DE SIMON OLIVER, PHILLIP TAN E DAVIDE FABBRI

É, amigos, eu vivi para ver o dia em que John Constantine foi desenhado em estilo mangá, todo fofinho, enquanto fuma um cigarrón. Nada contra mangás fofinhos que fumam, tenho até amigos que são. O fato é que esse estilo de desenho não combina em nada com o personagem de John Constantine. A verdade é que desde que a DC Comics resolveu transportar o personagem para seu universo tradicional, fora do selo Vertigo, todo o encantamento – leia essa palavra no sentido que quiser – se perdeu. Foi um erro atrás do outro, começando com a fase dele nos Novos 52, depois a fase que sublinhava sua bissexualidade de uma forma horrenda no DCYOU e, por fim, essa fase do Renascimento DC. Não é por acaso, que a DC Comics cancelou a revista, agora, no número 24. O arco até começou bem, envolvendo djinns e tal e coisa, mas nesse segundo volume a coisa descamba pra uma sucessão de nadas para lugares nenhum, fora a arte mangazística nada a ver de Phillip Tan em dois números. A DC Comics vem errando feio, errando rude com o John Constantine já há quase oito anos. Vamos ver se, com a revitalização da vertigo e do Universo de Sandman, a coisa não tome outros rumos. Fãs de Hellblazer: John Constantine, agora eu permito que vocês fujam pra chorar debaixo das suas caminhas!

Ufa! Pelo jeito esse mês teve leitura para todos os gostos, hein, mergulhadores? E se não teve, fale aí do seu gosto e das seus melhores e piores leituras do mês. Comentários são sempre bem-vindos! Abraços submersos! =)

 

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