Melhores e Piores Leituras de Setembro de 2018

Neste mês que passou, mais conhecido como setembro de 2018, foi o mês em que estive na Bienal de Quadrinhos de Curitiba, participando de alguns painéis e do artist alley. Também aproveitei para ler bastante por lá, muita coisa que comprei e troquei lá mesmo. Mas eu ando reparando que estou me tornando um velho chato e que ninguém escapa disso. Nos outros anos, havia no máximo três quadrinhos ruins na seção de ruins, agora são no mínimo quatro. Ou sou eu ou os quadrinhos tão ficando piores. Sei lá. Bem, neste post temos quase quarenta minirresenhas do mês de setembro, dentre as quais sete são ruins. Leia por sua conta e risco e tire suas próprias conclusões.

Melhores

SETradianteRADIANTE, DE JUJUQUI

Com certeza Jujuqui consegue estabelecer um começo estrondoso para sua Radiante. A personagem título deste quadrinho, Susan, realmente tem atitude. Ela conseguiu se livrar das amarras da carne e da visibilidade da luz para deixar um planeta em que não se encaixava em qualquer parte, por fazer parte de várias delas. Este quadrinho é uma ficção científica pós-apocalíptica, onde Susan possui poderes extraordinários, por ser metade humana e metade luz. Mas ela resolve abandonar seu planeta. Mas será que com esse ato, ela não acabou condenando todo o seu planeta natal? Porque quando chega à Terra após ter abdicado de qualquer identidade e restrição de definições, ela irá encontrar o planeta devastado, destruído e dizimado, praticamente um farrapo do que já foi. Ao mesmo tempo em que ela descobre esse novo status do planeta, a ela também é revelado que é a pessoa mais procurada do planeta Terra. teria sido ela a causadora daquela destruição? E se foi, que consequências irá enfrentar seja do mundo que a cerca ou do seu âmago. Isso é o que iremos descobrir acompanhando essa história no webcomic publicado em radiante-comic.tumblr.com


SETruimDEU RUIM NA COZINHA, DE DANI FRANCK

Conheci a Dani Franck na Bienal de Quadrinhos de Curitiba, onde debatemos na mesa de quadrinhos LGBTQI+ algumas outras letras. Além de ser uma menina muito legal, ela tem este quadrinho, que é muito bem feito. E o mais incrível do quadrinho é que é um quadrinho como qualquer um. Pera. Isso não ficou bom. Quero dizer que é um quadrinho como qualquer um APESAR ou melhor, ALÉM DO FATO de que suas protagonistas são lésbicas, mas poderia ser um casal heterozinho bem normativozinho topzerazinho também que a história ia ser a mesma. Ou seja, a Dani consegue realizar a história dela de maneira bem azeitada sem cair nos clichês e nos estereótipos – com o perdão do trocadilho – de gênero. É um quadrinho sobre receitas de culinárias e fantasmas mal-humorados, mas também um quadrinho sobre busca por redenção dos erros – sejam eles quias forem (um amor perdido ou uma receita que deu errado). A Dani queria fazer uma história feliz sobre um casal lésbico. A verdade é que os protagonistas gays acabam sempre se dando mal nas histórias e sofrem pra diabo. Então a Dani conseguiu redenção não só para a sua personagem, mas para todo um gênero (xi, de novo!) de histórias, não só as que são de quadrinhos, mas também elas!


SETmaulSTAR WARS: DARTH MAUL, DE CULLEN BUNN, LUKE ROSS E CHRIS ELIOPOULOS

Cullen Bunn é o escritor dos supervilões e dos anti-heróis nas duas grandes editoras de quadrinhos americanas. Na DC Comics, por exemplo, ele já escreveu os personagens espaciais Lobo e Sinestro. Então, se alguém deveria escrever um personagem sith de Star Wars teria que ser ele. Nesta minissérie de Darth Maul ele se sai melhor doque geralmente costuma, talvez porque seja uma minissérie, talvez porque os sith, apesar de maus, são personagens complexos e encantadores. O enredo da minissérie também acaba surpreendendo: Maul vai atrás de uma padawan jedi que está sendo leiloada secretamente. Mas, para agir nas sombras como todo sith, ele precisa de alguém que aja às claras e, para isso contrata um bando de mercenários. Mas a história não é tão simples assim e muitas reviravoltas aguardam os leitores dessa minissérie muito bem executada. Star Wars: Darth Maul é bem realizada tanto por seu roteirista como seu desenhista, o brasileiro Luke Ross que aqui assume um traço – sempre adaptável – mais próximo dos de outros brasileiros: uma mescla de Mike Deodato com Rafael Albuquerque, no uso das retículas e traços rápidos. No final da revista também temos uma historinha de brinde, feita por Chris Eliopoulos (de Franklin Richards: Filho de Um Gênio), intitulada Problemas de Droide Sonda, com o enredo silencioso e semelhante ao título. Uma leitura que vale e que rende.


SETdodoDODÔ, DE FELIPE NUNES

Eu gosto muito dos desenhos e da narrativa do Felipe Nunes e, agora neste últimos trabalhos, com os desenhos dele coloridos, ficaram ainda mais sensacionais. Uma coisa que se pode notar com os poucos trabalhos do Felipe que já saíram é que ele gosta muito de trabalhar metáforas com animais. Foi assim com o Klaus, filhote de tigres e com o Dodô, que é a confusão mental na cabeça de uma menina que tem os pais em processo de separação. (Será que foi daí que surgiu a ideia para Mônica: Força?). O Dodô deixa a casa da menina uma zona destruída, que é a mesma forma que a separação dos pais deixa a cabeça de uma criança devastada. Eu sei, porque senti isso na pele. A separação dos meus pais prejudicou muito minhas habilidades sociais que já eram precárias. Mas, voltando à Dodô, eu não acho que essa metáfora fique tão evidente na HQ como no trabalho realizado em Klaus. Fiquei esperando por uma revelação, uma pista do subtexto no final da HQ, mas que, pelo menos para mim não veio. Nesse sentido, a interpretação de Klaus é bem mais tranquila que de Dodô, que, para mim, falta algum elemento para unir as partes no final, mesmo que a protagonista não deixe o Dodõ entrar e não o alimente e acalente, como ela faz com sua dor pela separação dos pais. A verdade é que o Dodô é um pássaro sem asas, que não sabe voar e que foi extinto por não ter conseguido se adaptar aos predadores ausentes nas Ilhas Maurício, seu habitat. Então o Dodô, não é tanto quanto a confusão da menina, mas o amor que existia naquela família: não sabia voar nem escapar de predadores e, por isso, foi extinguido.


SETreillyBEN REILLY: O ARANHA ESCARLATE (#1) – DE VOLTA À MÁSCARA, DE PETER DAVID E MARK BAGLEY
Bem, para ler essa nova fase de Ben Reilly novamente como o Aranha Escarlate, você deveria ter lido ou pelo menos (como eu) saber do enredo da saga A Conspiração do Clone. Nela, uma empresa chamada Nova VC promete reviver pessoas queridas. Mas não se passa de uma técnica de clonagem, cujo principal envolvido é o Chacal. Mas ele não era Miles Warren como sempre. O novo Chacal era Ben Reilly e os clones que ele fez acabaram se deteriorando. Essa é a história até aqui. Neste encadernado, Ben resolve abandonara a identidade de Chacal e se assumir novamente como o Aranha Escarlate. Esse novo herói é louco como uma mistura de Cavaleiro da Lua com o Deadpool. Totalmente sem escrúpulos. Ele vai a Las Vegas e se arranja num cassino prometendo à dona do lugar uma cura para a doença de sua filha. Ao mesmo tempo, o clone defeituoso de Peter Parker, Kaine, que até então atuava como o Aranha Escarlate, e sempre foi o nêmese de Ben Reilly, vai atrás dele para matá-lo por suas operações com a Nova VC. Esse é mais o menos o enredo desse primeiro volume. Pode parecer chato e coisa e tal e essa história de clones do Homem-Aranha brigando entre si pelas zilhésima vez. Mas a Marvel tinha um trunfo na manga, que é Peter David e ele sabe como estruturar histórias intrigantes e desenvolver personagens de apoio, por mais que o protagonista seja um palerma. E sim, estamos de volta à Las Vegas, como em Hulk e X-Factor, o que acontece em Vegas fica em Vegas… Kinda. Então uma história que tinha de tudo para ser uma bomba bombástica bem explodida fica interessante. A prova disso é que, diferente de outras revistas da Marvel, Aranha Escarlate continua firme e forte nos Estado Unidos, chegando à edição de número 30. Acho que tudo isso se deve ao fator Peter David. Ah, e aos clones. Porque clones se multiplicam, como o leitor de quadrinhos está cansado (bem cansado) de saber.

Leia mais sobre a Saga do Clone do Homem-Aranha: Foi tão ruim assim? 


SETantilopeANTÍLOPE #2, DE VÁRIOS AUTORES

Antílope é uma revista sobre quadrinhos, com artigos e entrevistas e que também traz vários quadrinhos, produzidos no Brasil e fora daqui. A revista possui um cuidado gráfico vistoso e especial, parte duotone e parte colorida. Seus dois e únicos números foram financiados pelo PROAC/SP. Confesso que, quando eu comprei a revista em quadrinhos/livro de artigos, eu o fiz por causa dos textos. Uma entrevista com o sensacional Chester Brown (de Pagando por Sexo), um artigo sobre repetição nos quadrinhos e outro sobre quadrinhos silenciosos. Mas preciso confessar de novo que só gostei da entrevista com o Tio Chester, os artigos são dispensáveis. Gostei mesmo foi da miríades de pequenas histórias em quadrinhos apresentadas e selecionadas na publicação. Todos tão diferentes entre si, mas como diz aquele cigarro “com alguma coisa em comum”. Estar em contato com uma produção tão variada de expressões em arte sequencial é revigorante e faz brotar várias ideias no nosso (in)consciente. Gostaria de adquiri também o primeiro volume, mas na Itiban, durante a Bienal de Quadrinhos de Curitiba, só tinha a #2. Quem sabe um dia acho a #1 e completo minha coleção?


SETplaneta

O PLANETA DOS CONDENADOS #1 e 2 (SALVATION RUN), DE BILL WILLINGHAM, MATTHEW (LILAH) STURGES, SEAN CHEN E JOE BENNETT

A minissérie Salvation Run (A Corrida da Salvação) saiu no Brasil com o nome O Planeta dos Condenados, com as histórias principais em duas edições. O arco de histórias também teve ramificações nas revistas da Mulher-Gato e da Liga da Justiça, embora não façam parte desse volume, mas ajudariam a entender o evento como um todo. Ele faz parte de um tie-in da megassaga Crise Final. Tudo começa quando Amanda Waller e Rick Flag mandam o Esquadrão Suicida prender todos os supervilões do planeta Terra, para acabar de vez com esse problema. Eles são mandados, então, para o planeta Salvação que, o Xeque-Mate havia classificado como não hostil. Mas um força nas sombras escondia essa hostilidade dos demais. Quando os vilões chegam ao planeta, logo são divididos em duas facções, uma comandada por Lex Luthor e outra, pelo Coringa, com a ajuda do Gorila Grood. Em um lugar chamado A Zona Segura, Vandal Savage coopta um harém de mulheres para que o sirvam tanto como guarda quanto como reprodutoras. Claro que todas essas facções se enfrentam sem parar, até encontrarem no Caçador de Marte, escondido como o Arrasa-Quarteirão e espião da Liga da Justiça, um inimigo em comum. Mais além, o planeta é atacado pelos parademônios de Dasaad, que estava por trás de toda a maracutaia. Em meio a tudo isso, Luthor bola uma máquina para trazer os supervilões de volta, mas não sem o custo de muitas vidas. Um quadrinho bastante divertido, uma mistura de No Limite (Survivor) com OZ e Jogos Vorazes.


SETbppdB.P.D.P: INFERNO NA TERRA – VOLUME 1, DE MIKE MIGNOLA, GUY DAVIS, JOHN ARCUDI E DAVE STEWART

Eu tinha um certo ranço com as HQs do Universo do Hellboy de Mike Mignola, achava as histórias nonsense demais. Mas aquelas que eu havia lido eram protagonizadas pelo Hellboy e eram do começo da sua “carreira” nos quadrinhos. Resolvi me aventurar novamente no universo Mignoleano quando comprei o Frankenstein dele em uma promoção. E eu simplesmente ADOREI todo o pano de fundo do universo. Aí resolvi pegar uma outra HQ dele, mas não do Hellboy, mas do Bureau de Pesquisas e Defesas Paranormais, equipe da qual o Hellboy faz parte. Neste volume o garoto infernal não aparece, quem o protagoniza é Abe Sapiens, o melhor amigo do infernoso. Em meio a desastres naturais, animais híbridos, um homem de gás confinado em um estranho traje, lendas urbanas do pé-grande, Abe se vê envolvido em uma possessão demônica que está transformando os Estados Unidos (sempre lá!) em um Inferno na Terra. Um quadrinho muito bem elaborado e bem aventuresco. Gostei desta nova incursão ao Universo do Hellboy. Só não entendi um coisa: a publicação da Mythos. No quadrinho se refere a uma outra minissérie que se chama Hell on Earth, que veio antes dessa. E essa, se chama, originalmente, Hell on Earth: New World, que veio depois. Mas se essa é o Volume Um, como se chama a anterior e como se chamará o Volume 2, se é que existe? Hellboymaníacos podem me esclarecer isso? Obrigado!


SETkamandiO DESAFIO DE KAMANDI – VOLUME 2, DE VÁRIOS ARTISTAS

Eu já havia gostado muito da proposta do primeiro volume, baseado no DC Challenge, que era a de uma equipe criativa deixar Kamandi em uma situação-limite, para que a equipe seguinte o retirasse. Considero que esse segundo número foi ainda melhor realizado, trazendo situações ainda mais limite e ampliando o universo de Kamandi herdado da prodigiosa mente do “Rei” Jack Kirby. Nomes que eu não esperava ver nesse desafio, de veteranos da indústria como Walter Simonson, Kevin Eastman, José Luiz García-López e Paul Levitz conversam com novos talentos da indústria como Tom King, Marguerite Bennett e Rob Williams, nos trazendo o melhor de dois mundo e de um mundo pós-apocalíptico dominado por animais humanos que combatem robôs e, no meio disso, está o último garoto do planeta Terra. Isso sem falar na melhor história delas que é feita pelos nem tão veterano e nem tão novatos, a dupla de Steve Rude e Keith Giffen. Os dois mostram um combatem entre cabras e lobos, espelhando gregos e romanos, que adoram o mesmo deus, porém com um nome diferente. E, claro, as capas feitas por vários grandes artistas dos quadrinhos são uma atração à parte.


SETcomiczzztCOMICZZZT!: ROCK E QUADRINHOS: POSSIBILIDADES DE INTERFACE, DE MÁRCIO MÁRIO DA PAIXÃO JÚNIOR

Um livro bastante informativo sobre as interações, as interfaces, as intersecções entre rock e quadrinhos. Começa esboçando um pouco do surgimento do rock em paralelo com os quadrinhos undergrounds de Robert Crumb, Gilbert Shelton e Spain Rodriguez e Victor Mocozo. também dá algumas pinceladas de como surgiu a contracultura e como ela influenciou os dois movimentos com a cidade estadunidense de San Francisco como epicentro de tudo que era “imoral, ilegal ou engorda”. Depois, o autor passa a analisar capas de álbuns de rock que foram influenciada não apenas pela linguagem mas pela estética dos quadrinhos em geral. Aqui são analisados álbuns estadunidenses e brasileiros apenas. Ao final do livro, o autor passa para seu estudo de caso, que é o álbum “Música Para Antropomorfos”, da banda Mechanics, que teve uma intervenção em quadrinhos feita pelo artista Fábio Zimbres. Uma análise interessante, mas fico me perguntando o quanto desse livro não é uma pesquisa de auto-promoção já que o autor, Márcio Mário da Paixão Júnior é o líder, vocalista e compositor da banda Mechanics, estudada neste livro. De qualquer forma, a primeira parte da análise pode trazer luz a muitas interfaces entre o rock e quadrinhos principalmente no contexto brasileiro, lugar onde essas interações não são muito estudadas ou destacas pela grande mídia, pois talvez, fazem parte de uma contracultura que esses veículos não gostam de dar atenção.


SETnovosupermanRENASCIMENTO DC: NOVO SUPER-MAN – VOLUME #3, DE GENE LUEN YANG, MARIKO TAMAKI, BRENT PEEPLES, BILLY TAN E RICHARD FRIEND

Eu simplesmente adoro essa série. Talvez a série nova do Renascimento DC que eu mais gostei, afinal, ela traz para os leitores um personagem inteiramente novo, ainda que apoiado em uma mitologia já muito conhecida. Mas a história do personagem, em como ele parece ser uma cópia do Superman, mas é algo totalmente inédito, é incrível. Foram lançados só três volumes no Brasil – e com o quarto se encerra a história – mas parece que eu acompanho o personagem desde sempre e não desde o ano passado. isso porque as histórias não são descomprimidas, naquele ritmos de leitura rápido, em que o personagem só diz um “oi” a cada quadrinhos. Não. A história, a mitologia, os personagens principais e coadjuvantes são bem desenvolvidos, suas relações entre eles bem destrinchadas. Assim são as histórias em quadrinhos que eu aprendi a gostar: com personagens carismáticos (ou antipáticos) bem desenvolvidos e com voz. Mas se tem uma coisa ruim que a série sofre é de desenhos muito mal acabados. Pobrezinha da série do Novo Super-Man. Só porque ele é uma série lado C, ela sofre com artistas horríveis. Mas o roteiro e o enredo, meus filhinhos, quanto diferença! Quanta diferença! Negócio, ó, da China! Mesmo!

Leia aqui uma resenha completa do primeiro volume de Renascimento DC: Novo Super-Man


SETdesignios

LIGA DA JUSTIÇA DA AMÉRICA: DESÍGNIOS DIVINOS, DE DOUG MAHNKE, DAVE ROSS E GEORGE FREEMAN

Este quadrinho da Liga da Justiça se passa nas realidades alternativas do Universo DC Comics, os Elsewords ou, como ficou conhecido no Brasil, o Túnel do Tempo. Nesta realidade em questão, acontece o efeito da Luz Negra, um blecaute que desliga e religa as tecnologias do mundo e,a o mesmo tempo, retira os poderes metahumanos. Assim, heróis como Superman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, para citar alguns, se tornam pessoas comuns. Acompanhamos, então, o destino desses heróis. Alguns, como o Superman e o Lanterna Verde Kyle Rainer caem em desgraça. Outros como o Caçador de Marte, Supergirl, Aquaman e Flash decidem ser treinados por Batman e outros heróis sem poderes para continuarem seguindo no vigilantismo. Por outro lado, vilões como o Homem dos Brinquedos e Lex Luthor têm outros planos. Luthor, por exemplo, quer dominar a possibilidade de criar poderes extranormais com tecnologia e, para isso ele e um laboratório científico sequestram ex-superpoderosos para “estudá-los” até a morte. Cabe, então, aos vigilantes sem poderes desbaratar essas criminosas experiências. Um quadrinho bastante imaginativo e divertido de se ler pensando nas possibilidades dos acontecimentos.


SETarchiARCHIE: BEM-VINDO A RIVERDALE (#1), DE MARK WAID, FIONA STAPLES, ANNIE WU E VERONICA FISH

Gostei bastante dessa nova versão do Archie, embora tenha saído um bocado diferente do que eu imaginava. O recurso do Archie Andrews falando com os leitores é bastante interessante, principalmente porque ele interage com a história. O enredo é praticamente uma história de origem, que mostra como começou o triângulo amoroso entre Archie, Betty e Verônica, também dando espaço para apresentar outros personagens de Riverdale como Jughead e Reggie Mantle. Uma coisa que me desanimou foi o quadrinho variar na arte de três artistas – todas mulheres, diga-se de passagem -, quando eu esperava que Fiona Staples, de Saga desse conta das seis revistas que compõem esse encadernado. Archie é um quadrinho para todas as idades, mas que foi adaptado para os nossos tempos de uma maneira muito boa, uma vez que o quadrinho original data de 1941 e sua popularidade atingiu o pico nos anos 60, quando o personagem ganhou um desenho com a famosa música tema “Sugar, Sugar”. No fim da leitura, depois de conhecer os alunos do colégio Riverdale e suas dinâmicas fica aquele gostinho de quero mais por um novo encadernado. Tomara que venha logo!

Leia mais sobre a série Riverdade e a turma do Archie nos quadrinhos.


SETmeninoO MENINO QUE NÃO SABIA VOAR, DE YURI AMARAL

O Menino Que Não Sabia voar é mais uma prova do amadurecimento da produção de quadrinhos nacional. Com uma construção de mundo e de personagens incrivelmente instigantes e interessantes, é um quadrinho com potencial para agradar a todas as idades. Além disso, ele está ligado à outras alternativas de interação e busca de interesse do público por seu universo ficcional. É possível encontrar possibilidades de acompanhar histórias paralelas à história no site do quadrinho no site apoia.se. Assim, o autor, Yuri Amaral, acaba exercendo a transmídia de forma mais eficiente do que muitas grandes editoras com enormes universos ficcionais super desenvolvidos e cheios de possibilidades narrativas. Além disso, “O Menino…” é uma história que ajuda adultos e crianças que sabem interpretar histórias a exercer a tolerância à diversidade, afinal, o protagonista, Kei, é acusado de trazer uma maldição para seu vale, por ter sido a primeira criança a nascer sem o dom de voar. Em busca de aceitação, em tentativas de voar, Kei acabou perdendo um olho. Mas isso não quer dizer que a HQ seja trágica, pelo contrário, possui uma carga de mistério e de aventura que empolgam o leitor. O ponto negativo é que ficamos com vontade de ler rapidamente o próximo número. Que venham mais!


SETnerdDIÁRIO DE UM NERD: SUPERNERD (#3), DE PHIL OSBOURNE

Um livro bastante lúdico e divertido sobre crianças e o mundo dos super-heróis que é uma baita introdução para os pequenos que ainda não foram fisgados pelo espetacular universos de poderes cósmicos e fenomenais dos benfeitores. Quando eu era criança eu adorava livros assim, que nos convidavam a entrar na história com o protagonista. Talvez isso explique o fenômeno dos livros missivistas, em estilo diário, interativos e confessionais, que vemos acontecer nos últimos anos. Mas o trabalho de Phillip Osbourne é diferente porque fala de nerd para nerds (ou futuros nerdzinhos) envolvendo o leitor nas fantasias imprevistas e improvisadas do garoto Phil, o narrador, que também “ilustra” o livro/diário. Neste diário podemos encontrar informações úteis para os novos nerds crianças se inteirarem do universo dos Super-Heróis para que não façam feio com os amigos. Todo nerd precisa saber de algo mais que os demais, nem que seja a cor da cueca do herói na edição de número 87, que foi colorida errado. Esse jogo de acúmulo e troca de informações e impressões é que torna divertidas as conversas entre amigos nerds, como o que estou fazendo aqui. Crianças que já têm o domínio da leitura irão adorar esse livro, assim como eu curtia os meus livros que me desafiavam a participar com eles na minha infância. Mas naquela época não tinha nenhum livro exatamente assim, que conversasse tão natural e francamente sobre meus gostos parecidos com o de Phil. Que bom que hoje isso é possível para as novas gerações.


SETpedaçoUM PEDAÇO DE MADEIRA E AÇO, DE CHRISTOPHE CHABOUTÉ

Pode um banco falar? Neste quadrinho “mudo” as known as sem palavras e sem nem diálogos, ele pode. Na verdade esse pedaço de madeira e aço, como diz seu título, pode muito mais. Nas mãos de Christophe Chabouté, esse banco ganha vida. Ele tem uma existência própria. Ele provoca risos, ele provoca lágrimas. Ele tem amigos e tem inimigos. Mas é apenas um banco sob um árvore em algum parque em algum lugar do mundo. Como todo ser animado, esse objeto inanimado tem um ciclo: nasce, se desenvolve, é usado pelo sistema, é “aposentado” e substituído e depois parte para – quem sabe – uma nova realidade. Ao redor do banco, decorrem também outras vidas e que ele acompanha com o passar do tempo: passantes frequentes, visitantes aleatórios. Se Will Einser e Frank Miller fizeram da cidade o protagonista de alguns de seus trabalhos, por que Chabouté não poderia utilizar para si um objeto tão corriqueiro como um banco de praça? Mas, ao contrário dos artistas citados, ele faz isso explicitamente e quase podemos depreender daquele ‘pedaço de madeira e aço” alguma emoção, embora ele não possua os músculos para demonstrá-las. Até agora, esse foi o melhor quadrinho da Pipoca & Nanquim que li. Recomendo!


SETloucas

LOUCAS DE AMOR EM QUADRINHOS: MULHERES QUE AMAM SERIAL KILLERS E CRIMINOSOS SEXUAIS, DE GILMAR RODRIGUES E FIDO NESTI

Um belo exemplo de jornalismo em quadrinhos. Só que não é. Na verdade ele é uma adaptação do livro homônimo (e jornalístico) do mesmo autor, Gilmar Rodrigues, feita por Fido Nesti. Mas isso não tira o mérito dessa HQ ter sido muito bem realizada. Ela conta histórias sobre as investigações do jornalista Gilmar Rodrigues sobre mulheres que se envolveram com serial killers e praticantes de crimes sexuais. A lista inclui criminosos como Chico Picadinho, o Bandido da Luz Vermelha e o Maníaco do Parque. São histórias em estilo confessional e subjetivo, na escola de Joe Sacco (só que melhor). O desenho de Fido Nesti dá uma energia única para a história com seus traços grossos e pesados lembrando muito a arte de Charles Burns. A diferença é que Burns geralmente aborda o terror em sua verve de fantasia, enquanto que em Loucas de Amor, o horror é palpável é presente e real. Seja na realidade dos prisioneiros nas cadeias, seja na ilusão de fidelidade que as mulheres que amam criminosos sexuais têm por seus parceiros. Fazia tempo que eu procurava por esse quadrinho, mas nunca tinha achado ele por um preço ok. Acabei comprando na Itiban, nesta última viagem à Curitiba por um preço mais que razoável. Que bom.


SETderiva

À DERIVA, DE BRYAN LEE O’MALLEY

Quando fui pesquisar sobre esta obra, o site da Superinteressante rankeava ela como o pior trabalho de Bryan Lee O’Malley. Veja como são as coisas dessas listas: após eu ler, achei o MELHOR quadrinho dele. E isso que À Deriva foi sua primeira tentativa no universo dos comic books. Para o meu gostinho peculiar ela me agrada mais que Scott Pilgrim e que Repeteco, embora eu ADORE as duas. É que À Deriva tem uma pega bem indie mid-2000 que me encanta, uma atmosfera intimista internalizada da garota protagonista Raleigh. Todo mundo se sente meio à deriva em alguns momentos da vida, como se o corpo fosse um carro sem destino, a mente perdida sem saber pra onde deve ir em seguida. E nada como os amigos pra consertar esse carro e colocá-lo no rumo certo. Mais que uma história sobre deslocamento, essa é uma história sobre fazer, manter amizades. Aprender a confiar, a contar com os outros, porque ninguém consegue resolver tudo sozinho. Amizade é compartilhar o que é bom e o que é ruim. E, bem, outro motivo para eu ter adorado é que é uma road story e histórias de viagem sempre me comovem, porque o deslocamento ocorre tanto externa como internamente. Talvez por isso eu goste tanto de viajar, porque é uma chance de deslocarmos nosso corpo e manter a mente e a alma abertas para novas pessoas e novas experiências, que, com certeza, nos modificarão de alguma forma, muito mais do que sentado na frente de um computador escrevendo resenhas de quadrinhos. Uuuuupsy!


SETcaodecaca

O CÃO DE CAÇA E OUTRAS HISTÓRIAS, DE GOU TANABE

Esse mangá, que traz adaptações em quadrinhos de três contos de H. P. Lovecraft por Go Tanabe, tem uma arte linda, expressionista. Como eu ando num vibe bem “horror cósmico” e pegando pra ler tudo do Lovelove que vejo na frente para ler, foi interessante ver como alguém colocaria suas histórias numa mídia visual. Eu achei bastante bem realizado, uma vez que, pelo menos um destes contos, O Cão de Caça, eu já havia lido em prosa. E ele ficou muito bem adaptado com desenho em preto e branco de babar. O primeiro conto, O Templo, ficou lindamente ilustrado, mas demora um pouco para engrenar. O último conto do mangá, chamado A Cidade Sem Nome fica num meio termo. A verdade é que nenhum deles é ruim, mas bom mesmo só O Cão de Caça, contudo, a arte é de babar mesmo. Agora, se essa sua baba vai ser de gostosura, de admiração ou se serão cuspes e perdigotos de loucura cósmica, bem, aí é com você. Aqui do meu lado ficou num misto quente e saboroso das três coisas. Gostaria de ler mais adaptações de quadrinhos dos contos do Mister LoveLove. Se alguém puder e/ou souber e/ou quiser, me indica uma!


SETanesia

ANÉSIA, DE WILL LEITE

A Anésia é um sarro. Ela lembra aquelas pessoas que são tão sérias e mal-humoradas que quando alguém faz uma piada com elas fica mais gostoso ainda dar uma gargalhadona. Mas a verdade é que por “cortar” as pessoas em suas alegrias, ou seja, o contrário do que falei antes, é que Anésia fica incrivelmente hilária. Eu conheço e sei que vocês também devem conhecer vários Anésios e Anésias da vida e que nem são tão velhinhos, mas que carregam uma nuvenzinha preta sobre suas cabeças. De tão mal-humorados acabam caricatos. Este livro reúne várias tirinhas da vovó azeda desde 2007, mas o mais legal na minha opinião foi a “faixa bônus” do álbum, uma paródia geriátrica super bem elaborada de O Mágico de Oz. Imagine Anésia como a Dorothy querendo sair de Oz, que na verdade é um Asilo. Ok, mas não seja tão literal, tá?! Outra coisa legal do livro do Will Leite são pequenos desenhos no canto das páginas à la Sergio Aragonés em MAD, em que eles comentam as tirinhas das páginas referentes. Uma baita sacada e que confere mais valor para quem já conhece as tirinhas e compra o álbum da vovó azeda. Por fim, vale destacar que pedi para o Will autografar o quadrinho para a minha mãe. Que foi? Ela gosta da Anésia… Mas não tanto quanto a Dona Dolores.


SEtsantosangue

O SANTO SANGUE, DE LAUDO FERREIRA E MARCEL BARTHOLO

Um belo lançamento da Jupati Books na Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Pelas hábeis mãos e mentes de Laudo Ferreira e Marcel Bartholo vem O Santo Sangue, uma história sobre devoção, desvio e desterro. Uma história cheia de brasilidade, como as devoções por santas proclamadas pelo povo como curandeiras, folclore nativo e jagunços de aluguel, mas que também poderia ser universal, já que esses elementos se repetem também em outras culturas e literaturas. A Santa em questão usa seu santo sangue menstrual que jorra da tarde à noite para curar pessoas. Um mote bastante tenebroso e bizarro para essa HQ que, misturada à arte provocativa e sombria de Bartholo, conferem a ela um clima único. Em determinados momentos, os cenários e as ambientações da arte me lembraram as paisagens e as paragens coloniais que visitava com meu pai e meu irmão no interior do Rio Grande do Sul. Além disso, o artista confere a seus personagens uma característica própria que os tonam ao mesmo tempo sinistros e misteriosa, mas que também os torna de fácil identificação durante a história. Um belo quadrinho de embasbacamento e de costumes – sejam eles quebrados ou não.


SETmateriaisMATERIAIS E TÉCNICAS DE DESENHO: CONCEITOS BÁSICOS, DE ARTHUR GARCIA

Quando eu era criança sempre queria aprender a desenhar melhor. Mas na minha cidade interiorana inculta e bela, não havia nenhum curso de desenho. O máximo que se conseguia lá era um curso de pintura. O tempo passou e eu desisti do desenho em prol da escrita. Agora quero tentar investir mais no desenho. Mas nunca me dei bem com arte-final e outros materiais e técnicas de desenho. Por isso, a necessidade de ler esse livro, que me esclareceu algumas dúvidas que eu tinha sobre o processo de desenho e ninguém teve paciência nem vontade de me explicar. O livro é bem básico e perfeito para aspirantes ao desenho encontrarem as técnicas que mais podem se adequar ao seu traço e suas intenções. Aprendi sobre papéis, sobre lápis, sobre pincéis e canetas tinteiro bico de pena, compasso, transferidor, e toda uma gama de materiais que a gente compra para a escola e usa uma ou duas vezes com professores de Educação Artística que não sabem desenhar um ovo. Pelo menos sempre foi assim na minha cidade interiorana inculta e bela, o que fez desenvolver um desagrado por pincéis e suas aplicações, sempre estragando meu desenho. Ok, hora de recomeçar!


SETdarthfilho

DARTH VADER E FILHO, DE JEFFREY BROWN

Eu já conhecia o trabalho de Jeffrey Brown nos quadrinhos indie, cheios de humor auto-depreciativo. Mas confesso que demorei para investir minha leitura sobre sua série de livros e quadrinhos de Star Wars. Então, com o pretexto de presentear meu afilhadinho, acabei comprando esse livro. E o li antes para saber se era apropriado para uma criança (cof, cof, mentcheeera!). Acabou que reparei que a genialidade de Brown para o humor estava muito mais presente neste trabalho do que em seus trabalhos indies, produzindo gags que podem entreter o leitor mundano, mas que irá entreter bem mais quem está por dentro do Universo Star Wars. Ao mesmo tempo é aproveitável tanto para crianças (como meu aflihado) e para adultos (como eu e os pais dele, fãs de Star Wars, que com certeza também precisarão – cof, cof – dar sua aprovação para o livro em quadrinhos). Aí, quem sabe, se meu afilhado gostar, eu compre os demais livros da série, sempre dando aquela conferida – cof, cof – para me assegurar que é apropriado pra crianças e que eu não estou desenvolvendo um Lorde Sith que no futuro construirá uma Estrela da Morte…


SETmauricio

MAURICIO: O INÍCIO, DE MAURICIO DE SOUSA

Infelizmente eu não era nascido quando as historinhas da Turma da Mônica eram feitas pelo próprio Maurício e não como são hoje: só assinadas por ele e feitas por uma multidão de “ghost writers and ghost artists”. Mas com a republicação dessas histórias, pude reparar como as primeiras histórias da Turminha eram geniais. Também eram geniais esses livrinhos publicados na década de 60 com personagens praticamente recém-nascidos da mente de Maurício. Assombroso mesmo é o prazo que Mauricio de Sousa e seus colaboradores tiveram da Editora FTD para completar 3 livros com duas histórias cada: duas semanas! Quem trabalha com mercado editorial sabe que esses atrasos e prazos curtos são o “plat du jour everyday”, mas produzir seis histórias em duas semanas é um trabalho hercúleo. E geralmente quem faz um trabalho rápido e barato, não faz um trabalho bom. O que não é o caso desses livrinhos agora compilados pela Martins Fontes para comemorar os 80 Anos do pai da Mônica. São leituras singelas e bem boladas, como o conto A Caixa da Bondade, estrelando Niquinho, um menino de rua que nunca mais deu as caras numa publicação de Mauricio, porque o considerava “sofredor demais”. Enfim, polêmicas à parte, Mauricio: O Início é uma bela leitura para todas as idades de fãs da Turma da Mônica.


SETpesquisaPESQUISA ACADÊMICA EM HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, DE WALDOMIRO VERGUEIRO

Fazia tempo que os brasileiros estavam precisando de um livro como este, que traçasse algumas orientações sobre como começar uma pesquisa em Histórias em Quadrinhos e que caminhos seguir. Principalmente agora, que os “bons” olhos da academia começam a encarar os quadrinhos como algo interessante e não algo ridículo e supérfluo,voltado para crianças e indigno de estudos, como a universidade brasileira sempre “acolheu” esse sistema de linguagem e essa forma de comunicação. Waldomiro Vergueiro é, hoje, depois da morte de Moacy Cirne e Alvaro de Moya, o mais representativo e prolífico pesquisador de quadrinhos brasileiros. Por isso, ouvir a voz da experiência e as experiências da voz que o diz é bastante valioso. Neste livro, Waldomiro presta algumas declarações pessoais que enriquem o livro e deixa ele menos “quadrado” e “ultraacademicista”, o que o torna perfeito para quem está ingressando na pesquisa universitária em histórias em quadrinhos. A mim, ao menos, ajudou a conceituar e tentar justificar as metologias e enfoques do meu trabalho de mestrado. Recomendo a todos os novatos que querem estudar e alçar os quadrinhos a outros patamares.


SETkongKONG, THE KING, DE OSVALDO MEDINA

Quem lê o título deste quadrinho do português Osvaldo Medina, que dizem ser o autor mais prolífico da Europa, acredita que vai ler uma história do macaco gigante King Kong. Quem folheia as primeiras páginas deste quadrinho sem diálogos irá encontrar uma semelhança com o último filme do rei Kong, o macaco, realizado por Peter Jackson: a mocinha em perigo, o canastrão, o cineasta interesseiro e, claro, a famosa Ilha da Caveira. Mas as semelhanças ficam por aí. Kong, na verdade, é o grande rei da tal ilha em formato de caveira, um homem negro e gigante, de bom coração, que adora seu Tucano de estimação. Mas com a chegada dos estrangeiros na ilha, ele é convencido a ser levado para a metrópole para se tornar uma atração peculiar. A narrativa de Osvaldo Medina é sensacional, principalmente por fazê-la sem usar o artifício do diálogo por quase 150 páginas de história. Os tons de sépia e os traços lembram a linha clara europeia e alguns trabalhos de Will Eisner. Kong The King pode inspirar e ensinar muitos aspirantes à quadrinista sobre como controlar e expor a narrativa através de imagens. Mas também é uma boa “leitura” para o admirador casual e para o fã hardcore.


SETpilePILE UP, DE BRUNO SOARES

É praticamente impossível olhar para a capa do quadrinho Pile Up, de Bruno Soares e não querer pegar para olhar melhor, saber do seu conteúdo e do que se trata a história. Folheando a revista o leitor vai perceber que se trata de um trabalho em preto e branco e sem diálogo nenhum. A história se passa no espaço, em que dois exploradores – que acredito serem um espécie de botânicos ou biólogos – procuram formas de vida vegetais em diversos planetas. Pile Up, conforme descrito no posfácio, foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Bruno, que também fez intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras na Universidade de Savannah, uma das mais conceituadas em termos de estudos em quadrinhos. Os desenhos e a construção que Bruno trava em Pile Up são memoráveis, encantadores. Também são misteriosos e essa aura paira ainda mais pelo fato de ser um quadrinho “mudo”, silencioso. Afinal, no espaço, ninguém pode ouvir você gritar, certo? E nessa aura de mistério e ambiguidade genial, Bruno também encerra a história, deixando ao leitor decidir se Pile Up é uma historia bonita e fofinha, ou se é macabra e aterradora. Um belo trabalho!


SETsolemniaDE VOLTA A SOLEMNIA, DE ARTUR FUJITA

De Volta à Solemnia, de Artur Fujita, não deve nada para quadrinhos juvenis estrangeiros como Bom de Briga, Nimona e O Amuleto. Os desenhos são muito bem elaborados, assim como a narrativa gráfica, as cores e as piadas que os personagens fazem o tempo todo. O enredo traz uma narrativa comum de uma forma incomum: o príncipe que precisa salvar seu reino metido em uma busca que parece infrutífera. Mas ele lida com muito mais do que poderia esperar e encontra diversos amigos peculiares e inimigos nem tão peculiares assim para lhe ajudar ou lhe atrapalhar. O formato em dimensões de livro de De Volta à Solemnia também ajudam na leitura, fazendo do quadrinho algo leve e tranquilo de se ler, sem textos longos e pesados atrolhando as páginas. Mas o que faz deste trabalho algo peculiar são as relações que ele trata a metalinguagem. No melhor estilo Roger Rabbitt, ele apresenta mescla entre “pessoas reais” e “personagens animados”, causando uma reviravolta interessante no quarto final do quadrinho. De Volta à Solemnia, de Artur Fujita é uma quadrinho para todas as idades, uma leitura lúdica que deverá surpreender a todos por sua audácia.


SETliga

LIGA DA JUSTIÇA INTERNACIONAL: VOLUME 2, DE KEITH GIFFEN, J. M. DEMATTEIS, KEVIN MAGUIRE E AL GORDON

Neste segundo volume, a Liga da Justiça finalmente se torna “Internacional”. Isso porque foram incluídos em suas fileiras o Capitão Átomo, chancelado pelos Estados Unidos e o Soviete Supremo, trazido por parte da URSS. Mais uma vez a Guerra Fria é o epicentro da revista. E, mais ainda, as inteligências artificiais tomam seu espaço nesta edição. São os Caçadores Cósmicos, ligados à megassaga Milênio, um robô gigante chamado Construto e uma inteligência artificial inserida em Maxwell Lord, o pretenso líder da Liga da Justiça Internacional, que não é nomeada. Todas essas ameaças refletem o espírito da época do final da década de 80. Assim como as grandes corporações, o inverno nuclear e as novas tecnologias apavoravam e encantavam quem vivia aquela época. Não poderia ser diferente nos quadrinhos. Este volume, contudo, é menos engenhoso e cômico que o primeiro, embora traga o Gnort e a dupla Fogo e Gelo. Aliás, devemos acrescentar, que Al Gordon dá conta dos interlúdios sobre o fim dos Guardiões Globais com a ascensão da LJI. Claro, mais uma vez sinto um gostinho de quero mais com essas histórias, mas, para lê-las, somente procurando pelas revistas antigonas e em formatinho da Editora Abril, infelizmente.


SETbienvenidoBIENVENIDO: UM PASSEIO PELOS QUADRINHOS ARGENTINOS, DE PAULO RAMOS

Por mais que eu já tenha visto e lido alguns livros sobre quadrinhos argentinos, uma visão dos mesmos através de um brasileiro, para um brasileiro, é sempre melhor. Quando o livro é escrito por um cara que eu valorizo muito e curto muito os textos técnicos como o Paulo Ramos, melhor ainda. Aprendi muita coisa com esse livro, das semelhanças e diferenças na produção de “historietas” e “quadrinhos” aqui e lá. Das diferenças que poderíamos aplicar me nosso país é o sistema de distribuição eficiente que consegue até mesmo emplacar quadrinhos independentes em bancas, os kioskos deles. Também as belas coleções de quadrinhos elaboradas e encampadas pelos jornais portenhos poderiam vir a somar no Brasil. A valorização que os argentinos dão à sua produção de quadrinhos não encontra nenhuma porcentagem no Brasil. É algo realmente de tirar o chapéu. Por outro lado, me entristece em saber mais detalhes do “desaparecimento” do sensacional roteirista Hector German Oesterheld durante a ditadura argentina. Como Paulo Ramos fala no início do livro, o quadrinho argentino não é só Mafalda, é muito, mas muito rico que um brasileiro pode imaginar e muito mais maduro e avançado que nossas produções, tão antigas quanto, mas ainda na infância das possibilidades criativas e de mercado. Achei lindo o Paulo encerrar o livro falando sobre o Paseo de La Historieta, em Buenos Aires e retomando seus achados historietísticos. Também vale uma salva de palmas para o projeto gráfico do editor Carlos Martini, da Zarabatana, muito bem elaborado. Por favor, brasileiros, vocês precisam conhecer mais e valorizar a produção de quadrinhos de nossos hermanos argentinos!


SETstrangeDOUTOR ESTRANHO: IMPÉRIO SECRETO, DE DENNIS HOPELESS, JOHN BARBER, NICO HENRICHON E KEVIN NOLAN

Gostei bastante deste encadernado, que traz histórias tão boas ou melhores do que as da fase de Jason Aaron no personagem. Aaron havia iniciado uma nova era para as publicações do Mago Supremo, em vista do filme para o Marvel Studios. Dennis Hopeless é o roteirista desta edição que se dá melhor. Trabalha bem o universo místico de Estranho dentro do crossover Império Secreto, quando a cidade de Nova York está envolta em trevas. Ele também deu um jeito de inserir a Mulher-Aranha Jessica Drew e o jornalista Ben Urich, personagens que vinha trabalhando (muito bem) na série solo de Jessica que foi cancelada. Além disso, trabalha o Rei do Crime como uma espécie de salvador da Nova York sitiada pelas forças das trevas, abrindo espaço para o novo status do personagem como prefeito da cidade que nunca dorme nas histórias vindouras do Demolidor. O encadernado acaba com duas histórias soltas de John Barber, descompromissadas. Vale dizer que os desenhos de Nico Henrichon, famoso por sua parceria com Brian K. Vaughan em Os Leões de Bagdá, estão incríveis, assumindo uma aura pesada e sombria. Essa é uma atmosfera perfeita para as histórias de Stephen Strange, dando um belo tom nas suas aventuras místicas. Um ótimo encadernado!


Piores

SETbaneBANE: A CONQUISTA, DE CHUCK DIXON, GRAHAN NOLAN E GREGORY WRIGHT

Todos os filmes do Batman até aqui venderam o fato de Bane ser um cara que é um brutamontes burro e que nem tem condições de falar direito. Mas nos quadrinhos, onde ele surgiu isso é diferente. Quando apareceu pela primeira vez, ele foi um dos poucos inimigos do Morcego a descobrir a identidade secreta do herói. Com isso, penetrou na Mansão Wayne e acabou quebrando a coluna do Batman. Bane é tão inteligente quanto o Batman, como esse volume comprova, mas sua sede de violência o torna suscetível à Bruce Wayne. Ele nasceu e foi criado em Santa Prisca, uma ilha comunista na América Central, da qual vocês já imaginam à qual país a DC Comics fez alusão. Seus poderes são ampliados pela droga Veneno que, não, não foi criada nem pela Hera Venenosa e nem pela família Al Ghul. Mesmo com um background tão legal e pouco explorado depois de sua aparição no filme de Christopher Nolan, essa HQ de Chuck Dixon e Grahan Nolan decepciona o leitor atual. Mas irá encontrar eco nas histórias que o leitor antigo gostava quando Dixon escrevia o Robin Tom Drake metido em grandes conspirações internacionais. Como não sou um fã do Batman, mas um pouco do seu universo, achei esse quadrinho bastante cansativo, que não consegue sustentar e segurar o leitor que desiste fácil de uma leitura. Por sorte (ou azar) não sou desses.


SETstarwarsSTAR WARS: O ÚLTIMO VÔO DA HARBINGER, DE JASON AARON, JORGE MOLINA, CHRIS ELIOPOULOS E MIKE MAYHEW

Até aqui eu estava gostando MUITO das histórias de Star Wars da nova pegada da Marvel, mas esse volume reduziu as histórias àquilo que eu sempre pensava dos gibis da saga de George Lucas: lutinhas de navinhas. Que chatice! Não estou interessado em ver a nava BRITBRIT48595 disparar na 384-TRE com a manobra Urso Polar do Norte de Tatooine. Na verdade eu nem sei o que é a tal nave Harbinger do título (e não entendi também). Na verdade eu não consigo nem decorar os nomes de carros. Os modelos mudam mais rápido do que eu consiga identificar. Eu vou lá saber de navinhas de Star Wars? Foi um volume bem decepcionante também porque os desenhos de Jorge Molina não combinam com o clima de Star Wars. Lembra um pouco aquele mangá ruim da série que saiu algumas décadas atrás. Para não dizer que falei só de espinhos, tem a história dos Droides sempre divertida de Chris Eliopoulos e a história enfocando Obi-Wan Kenobi protegendo a criança Luke Skiwalker de um Wookie a serviço do Jabba, o Hut. Uma pena que esse volume foi ruim e reduzido ao estereótipo, se continuar assim, Star Wars em gibi, no more… A força usar precisa você, jovem Aaaron.


SETdeadpoolDEADPOOL CLÁSSICO (#9): BELDADE FATAL, DE CHRISTOPHER PRIEST, GLENN HERDLING, PACO DÍAZ, JIM CALAFIORE E SAL VELUTTO

Esse é o segundo e último encadernado do Deadpool orquestrado por Christopher Priest. Ele começa bem, com o Deadpool sofrendo uma maldição imposta por Loki, de que ele vai ter de passar a vida com a cara do Tom Cruise (Thom Cruz), até que o seu progenitor o perdoe. Nisso, ele acaba indo morando num ex-covil do Doutor Octopus e dividindo a casa com o Constritor e a Titânia, que passam a ser seus coadjuvantes. Essa parte da história é bastante divertida. Mas depois vem uma sequência de histórias no espaço, em que Deadpool faz uma parceria com uma tal de Lobbo, obviamente referência ao Lobo da DC Comics em uma história chata de dormir em cima. E por falar em história chata, vem em seguida um crossover com o Pantera Negra, que na época era encarnado por Erik Killmonger. Mas quem não leu essas histórias vai ficar boiando. Priest também escrevia as histórias do Rei de Wakanda na época do crossover, que também inclui os Vingadores. Por fim, a última história volta a ser boa, mas mesmo assim não valva o encadernado. Fora isso, os desenhos dessa edição são terríveis de ruins, ainda mais que contas com Jim Calafiore, que tenho arrepios só de ver aquele desenho quadrado que quer ser redondo. Bleargh! Na próxima revista, a dupla Jimmy Plmiotti e Paul Chadwick assumem o título. Espero que pra melhor…


SEtcontoCONTO DE AREIA, DE JIM HENSON, JERRY JUHL E RAMÓN K. PÉREZ

Se você não conhece Jim Henson, ao menos deve conhecer Os Muppets e a Vila Sésamo, os fantoches de dois dos programas mais queridos por uma geração inteira de crianças que cresceram com eles. Não é o meu caso, mas eu assistia muito o desenho dos Muppet Babies quando era criança. E todo mundo já deve ter usado o GIF do Caco, o Sapo, algumas vezes na internet, mesmo sem saber quem eles realmente era. Enfim, vindo dessa mente com tino para a comédia e o entretenimento, um quadrinho não tinha como dar errado, certo? Errado. O enredo de Conto de Areia é baseado em um roteiro perdido de Henson e seu colaborador Jerry Juhl com a fantástica arte de Ramón K. Pérez. A arte, indubitavelmente fantástica, surreal e onírica é o que segura esse quadrinho. Porque o enredo não faz sentido nenhum. Parece mais um desenho do Pernalonga seguindo o Gogo Dodó na Malucolândia. Então, o mérito aqui, não é nem de Henson, nem de Juhl, como alardeavam os press releases, as críticas americanas e o próprio quadrinho em seus extras, mas do sensacional Ramón K. Pérez, isso sim. E a ele, dentro do quadrinho, não é dado sequer algum destaque, quem dirá o direito de comentar seu trabalho através de palavras. Por essas e outras é que esse quadrinho, mega alardeado, mega elogiado, se tornou intensamente raso e sem propósito para mim. Agora a gente sabe porque esse roteiro ficou “perdido” por tanto tempo.


SEtsuperfilhosSUPERFILHOS DO AMANHÂ, DE PETER J. TOMASI, PATRICK GLEASON, ED BENES, JORGE JIMENEZ

Olha, eu realmente gosto da dinâmica dos Super Filhos entre o Superboy (Jonathan Kent) e o Robin (Damian Wayne), e curto as histórias deles. Mas esse crossover com as revistas do Superman e dos Jovens Titãs deixou muito a desejar. Ou eu é que estava esperando demais dessa história. Nele, um Tim Drake do futuro, que é o Batman, volta no tempo pra matar o Superboy pois ele é uma ameaça à existência. Sim, sim, esse velho enredozzz e essa velha ladainhazzz. No meio disso aparecem os Titãs do Amanhã com Cassie Sansdmark, Conner Kent e Bart Allen como os novos Mulher-Maravilha, Superman e Flash. Eles haviam aparecido em um arco de histórias muito parecido com esse na revista dos Novos Titãs, onde também era preciso matar alguém para salvar o futuro. Só que essa história fazia parte da cronologia pré-novos 52. Então, como tudo isso se encaixa no Universo DC Renascimento? Em várias revistas dessa iniciativa os heróis estão enfrentando incongruências narrativas e temporais, mas, até agora, mesmo nos Estados Unidos, não foi revelada a razão e a mente por trás de tanta alteração (além dos editores, claro). Então, no fim, Superfilhos do Amanhã foi beeem decepcionante. Um peninha!


SETresitenciaBATMAN: METAL ESPECIAL (#1): A RESISTÊNCIA DE GOTHAM, DE BENJAMIN PERCY, TIM SEELEY, ROB WILLIAMS, JOSHUA WILLIAMSON, MIRKA ANDOLFO, STEJPAN SEJIC, PAUL PELLETIER, JUAN FERREYRA E ANDREW HANNESSY

Um dos grandes destaques dessa edição é a arte, principalmente a arte pintada digitalmente de Stjepan Seijic. Mas não ficam atrás o traço fofinho de Mirka Andolfo, a competência de Paul Pelletier e a pintura analógica/digital de Juan Ferreyra. O roteiro, entretanto, parece que foi cortado, ou mal desenvolvido, pois o leitor já é pego no meio da ação e não resta muita explicação para quem não acompanhou a minissérie principal de Noites de Trevas: Metal. Também não é explicado como o tal ‘Batman que Ri’ fornece cartas que dão poderes manipuladores da realidade para quatro inimigo figadais do Batman: Senhor Frio, Charada, Hera Assassina e Bane. Isso faz com que Gotham City seja dividida em regiões ao estilo dos círculos infernais dantescos, com a montanha dos Desafiadores no centro, lar do sombrio deus das realidades negativas, Barbatos. Unidos, Asa Noturna, Esquadrão Suicida, Arqueiro Verde e os Novos Titãs pretende acabar com essa bizarra transformação da cidade morcego, enquanto ele definha no mundo negativo. Um quadrinho bem nhé, que falta ser solapado com mais base e independência do evento principal. Mas especiais de grandes eventos são sempre assim, não é mesmo, minha gente?!


SETtitansRENASCIMENTO DC: TITÃS – UM JUDAS ENTRE NÓS (#3), DE DAN ABNETT, KENNETH ROCAFORT, BRETT BOOTH E NORM RAPMUND

Olha, ultimamente está bem difícil ser fã dos Titãs, principalmente depois dos sarampiones que eles levaram com Scott Lobdell e Brett Booth. Agora, o salsichador de personagens Booth, continua insistentemente na equipe, mas o roteirista mudou para Dan Abnett. Mas desde o começo dessa série no Renascimento DC eu não havia sentido firmeza nessa dupla. Este terceiro encadernado (quarto, se contarmos o crossover O Contrato de Lázaro) é, de longe, o mais bem engendrado. E, ainda assim, longe dos Titãs de Wolfman e Pérez, dos de Johns e McKone e dos que aprendi a amar, de Grayson e Buckingham. Sinto Abnett se aproximar do estilo novelão que tanto fez os fãs amarem a equipe e sua contraparte da época na Marvel, os X-Men, apostando mais em carcterizações e conflitos entre os personagens. Sinto também homenagens à tempos idos, o que todo fã da equipe gostaria, mas também sinto muito clichê vindo com um traidor que, no futuro, vai esfacelar toda a equipe. Um enredo mais manjado que esse, bicho? Complicado! Por sorte, temos mais um encadernado apenas dessa fase e, depois um novo direcionamento, embora ainda com Abnett na rédeas, mas longe do salsichador maniaco Brett Booth. (Pra quem não entendeu, salsichador é um desenhista que alonga os corpos dos personagens fazendo eles parecerem que foram ensalsichados um pacote de… salsichas!).


E então mergulhadores, leram alguma coisa dessa lista? Concordam ou discordam com alguma avaliação! Não deixem de dar os seus pitacos e comentários! Também se quiserem indicar ou desindicar algo que leram no mês passado, fiquem à vontade! Abraços submersos!

 

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4 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Setembro de 2018

  1. Quando li Conto de Areia e achei praticamente a mesma coisa q vc achou, qse me senti culpado. Por essas e outras q eu tenho PAVOR da palavra “Hype”, pq a galera entra no “hype” e aí tudo é mil maravilhas. #sqn

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      1. Eu leio porque me interesso, não pela empolgação/euforia da massa. Não estou afirmando com isso q sou melhor que outra pessoa, mas apenas q aprendi a entender melhor o que eu espero de uma obra, o que funciona p mim, e não o q a euforia de um momento tenta imprimir em mim.

        Prova do dito “hype” é Terra X. Lembra do barulho pra republicação? Então, foi republicado, as pessoas qse explodiram de tanta empolgação, mas mta gente não tinha sequer pesquisado sobre o quadrinho, e já começaram se frustrando pela arte. Vi inúmeros comentários de pessoas frustradas pq a arte não era do Alex Ross. E a história não é “massa véi”. Simplesmente as pessoas saíram de fininho, ninguém comenta.

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      2. Eu gosto de Terra X, bastante! A primeira vez em que foi publicada, pela Editora Mythos, a edição foi extremamente picotada (existem várias lendas editoriais sobre). A segunda vez, então, ela foi muito bem recebida pelos poucos que sabiam de sua existência e conseguiram comprar no encadernado da Panini. Mas a terceira vez foi realmente colocado fogo de palha na coisa. Pelo menos isso propiciou a publicação de Universo X e Paraíso X. Confesso que só comecei a ler, mas dormi em cima várias vez. Não sou muito fã desses encadernadões. Enfim, hoje o mesmo cara que fez campanha pelo encadernado de capa dura do Terra X faz campanha contra as capas duras. Nerds são complicados! Abraços! =)

        Curtido por 1 pessoa

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