Seriam os X-Men Uma Cópia da Patrulha do Destino?

Pensem bem: os X-Men são uma equipe de desajustados, esquisitos, que todo mundo odeia, cujo líder é uma mente magnífica encerrada em uma cadeira de rodas. A Patrulha do Destino é uma equipe de desajustados, esquisitos, que todo mundo odeia, cujo líder é uma mente magnífica encerrada em uma cadeira de rodas. Em seu livro “Pancadaria: O Conflito Épico Marvel vs. DC”, o autor Reed Tucker conta que sempre houve uma desconfiança por parte da DC Comics de que a Marvel havia a copiado no caso X-Men/Patrulha do Destino. Arnold Drake, o criador da Patrulha do Destino, morreu com a certeza de que Stan Lee havia plagiado-o. Mutação de idéias? Destino malfadado? Vamos comentar um pouco sobre essa possível cópia de ideias.

Enquanto os X-Men são conhecidos mundialmente, tendo passado por desenhos animados, videogames, filmes e séries de televisão, a Patrulha do Destino é conhecida apenas dos connaisseurs dos quadrinhos e totalmente ignorada pelo público em geral. Nos últimos anos, a Patrulha do Destino fez parte da linha Young Animal, da DC Comics que queria revitalizar alguns personagens do Universo DC que já haviam passado pelo selo Vertigo e, portanto, com um background mais adulto. Mais recentemente, a editora das lendas anunciou que dentro de seu pacote de streaming DC Universe iria ser disponibilizada uma série live-action da Patrulha do Destino. Algumas imagens até já foram vazadas na internet sobre a produção.

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A Patrulha do Destino foi criada em junho de 1963 pelo roteirista Arnold Drake e o desenhista italiano Bruno Premiani como uma resposta da DC Comics aos heróis falhos da Marvel Comics em geral, após muita insistência dos seus criadores com a chefia da DC Comics, que não queria abrir os olhos e nem admitir o sucesso de vendas da Casa da Idéias. Drake era um dos roteiristas da DC Comics que resolveu adotar o estilo da Marvel, uma vez que era fã de como Stan Lee geria o universo super-heróico. Chegou até a mostrar o quanto as revistas da Casa das Ideias eram legais para o presidente da DC, Irwin Donenfeld, mas seus apelos caíram em ouvidos moucos. Até que teve a chance de criar A Patrulha do Destino na revista My Greatest Adventure #80.

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A equipe original da Patrulha do Destino consistia no piloto de testes Cliff Steele que, ao sofrer um acidente de carro, seu cérebro é transplantado para um corpo de robô, se tornando o Homem-Robô; Rita Farr era uma famosa atriz de Hollywood até que, em uma filmagem na África respira gases vulcânicos e se torna capaz de ampliar seu corpo como a Mulher Elástica. Por fim, temos Larry Trainor, um piloto aeronáutico que entra em contato com a energia negativa presente além da atmosfera, e seu corpo se torna energia. Para contê-lo, um traje especial é feito e agora conhecido como Homem-Negativo, precisa de bandanas para cobrirem todo seu rosto. Eram liderados por Niles Caulder, o Chefe, um grande cientista confinado à uma cadeira de rodas.

Leia uma resenha da Patrulha do Destino escrita por Grant Morrison.

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Os X-Men foram criados em setembro de 1963 por Stan Lee e Jack Kirby. Lee havia sugerido ao seu editor Martin Goodman o nome Os Mutantes, mas que não agradou ao homem, que pediu outro nome pois esse poderia estar associado às radiações da bomba atômica. Então Lee deu a eles o nome de X-Men, de onde o X sugeriria poderes e habilidades “extras”. O telepata confinado a uma cadeira de rodas, Charles Xavier quer recrutar mutantes por todo o país para formar uma equipe com “os heróis mais estranhos de todos” para defender sua raça de pessoas malignas dos dois lados da contenda entre humanos e mutantes. Fazem parte da equipe os adolescentes Garota Marvel, capaz de mover objetos com a mente; Ciclope, capaz de disparar raios pelos olhos; Homem de Gelo, que transforma seu corpo em gelo; Anjo, um mutante alado e Fera, cujos membros ampliados geneticamente lhe conferem destreza e agilidade.

Leia um post sobre os heróis da DC Comics recriados por Stan Lee.

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A Patrulha do Destino foi descrita em sua primeira edição como “vítimas de um destino cruel e fantástico”. Drake disse que queria criar um grupo de super-heróis para os nerds do mundo. “My Greatest Adventure #80 chegou às prateleiras em abril de 1963. X-Men#1 chegou em julho, e os paralelos eram, – digamos – fabulosos. As chances de que duas editoras de quadrinhos, de forma completamente independente, lançassem um novo gibi sobre uma equipe de aberrações lideradas por um mentor com intelecto de gênio, numa cadeira de rodas, num intervalo de algumas semanas, pareciam tão prováveis quanto Aquaman investir nas ações do Seaworld. As semelhanças eram muito flagrantes para serem coincidência. Pelo menos na mente de Drake”. (TUCKER, 2018, p. 35 e 36)

Mas as semelhanças não param por aí. No mesmo mês, tanto a Patrulha do Destino quanto os X-Men enfrentaram Irmandades. A primeira, enfrentava a Irmandade Negra que, posteriormente foi responsável por matar a Patrulha. Os X-Men, em sua quarta edição bimestral, combatiam a equipe de Magneto, a Irmandade dos Mutantes Malignos. Seria uma grande coincidência, uma cópia deslavada ou uma ideia que rondava a mente de todos? Aparentemente a última, porque naquele ano os jornais estadunidenses divulgaram muito a “Irmandade do Mal”, um grupo de crime organizado batizado assim pela imprensa e que deve ter soado bem tanto para Lee quanto para Drake.

Conheça 10 X-Men que você não sabia que eram X-Men.

Em uma entrevista em 1984, Arnold Drake declarou que era impossível que Lee tenha deliberadamente copiado sua ideia, embora existam muitas histórias de espionagem industrial tanto na Marvel quanto na DC Comics. Mas, novamente, em 2003, Drake havia mudado de ideia, afirmando que sim, Stan Lee havia roubado sua ideia. Para ele, a questão de plágio ficaria em aberto até que alguém dissesse que havia entregado a ideia aos escritórios da Marvel. Stan Lee declarou também em 2003 de que a última coisa que ele queria era roubar algo da DC Comics.

Embora os X-Men sejam hoje incrivelmente populares, de início a equipe mais bem realizada era a Patrulha do Destino, com histórias inovadoras e ousadas para a época. Drake e Premiani inclusive resolveram matar toda a equipe quando foram avisado de que suas histórias seriam canceladas. Algo comparado hoje em dia somente com o que Peter Milligan e Mike Allred fizeram com a midiática equipe do reality show da X-Force/X-Táticos, no momento em que um grupo terrorista extermina e eviscera quase todos os membros do grupo em frente às câmeras de televisão.

Já no final da década de 90, quando o mercado de quadrinhos viu um boom de crescimento, os criadores e editores não puderam ignorar a semelhança entre Patrulha do Destino e X-Men. No crossover Marvel vs. DC/DC vs. Marvel, em que os heróis das editoras mediam força entre si, surgiu um universo mesclando vários deles, o Universo Amálgama. Para representar esse lugar, saíram vários one-shots reinterpretando e contando as histórias desses heróis combinados. Algumas dessas revistas foram X-Patrulha  e a Extraordinária X-Patrulha, mescla da Patrulha do Destino com os super-heróis militarizados e adolescentes da equipe mutante X-Force.

Conheça o super-herói que pertence ao mesmo tempo à Marvel e à DC Comics.

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O líder da X-Patrulha era Niles Cable, junção de Niles Caulder com o soldado futurista Cable. Shatterstelar, era uma mistura do guerreiro interdimensional Shatterstar com a alienígena Estelar. Bestial era uma união de Mutano com o Fera. Colosso de Ferro eram Colossus e Homem-Robô fundidos. Por fim, a Garota Elástica representava Dominó e a Mulher Elástica. A equipe enfrentava o Doutor Apocalypse, uma mistura do Doutor Destino com Apocalypse. Somente uma edição, a da primeira onda de Amálgamas, foi publicada no Brasil, na revista Amálgama #3, da Editora Abril, publicada aqui em maio de 1997.

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Claro que com tantas modificações na Patrulha do Destino, mas principalmente dos X-Men, hoje é praticamente impossível de se comparar as duas equipes pelo rumo que as coisas tomaram. Mas bem lá no comecinho das duas isso era bastante evidente. É uma história interessante, mais uma dentro das guerras criativas e mercadológicas entre as duas maiores editoras de quadrinhos dos Estados Unidos. Que achou dessa história, caros mergulhadores? É plágio ou não é? Não deixe de comentar!


Para saber mais:

TUCKER, Reed. Pancadaria: por dentro do épico conflito Marvel vs. DC. Rio de Janeiro: Fábrica 231, 2018.

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