Melhores e Piores Leituras de Outubro de 2018

Olá mergulhadores! Vocês se lembram daquele videogame e daquele quadrinho em que o Superman usa seus poderes para estabelecer uma ditadura tirânica sobre o planeta Terra e o Batman e aliados tentam derrubar o déspota? Pois é, se lembrem dessa história. Querem saber o motivo? Hum… É que tem o review do volume final de Injustiça: Deuses Entre Nós esse mês (e o começo de outra leva de Injustiça… cof… cof…). Este mês temos 32 mini reviews para todos os gostos. De tirinhas a livros teóricos, de super-heróis a autobiografias em quadrinhos. Trinta e dois ao todo, quatro mais ou menos e cinco ruins, o resto tudo bão. Aproveite enquanto ainda podem ler minhas resenhas. Tomorrow never knows.

Melhores

OUTetrigan1LENDAS DO UNIVERSO DC: ETRIGAN, DE JACK KIRBY E MIKE ROYER

Este volume encerra a passagem de Jack Kirby por uma de suas maiores criações, o sobrenatural demônio Etrigan! Eu sou fã do Etrigan e sou um pouco suspeito para dizer que gostei demais desses dois volumes dedicados às primeiras histórias e origens do personagem. Além disso, tem outro personagem querido por mim que estreia nessas histórias, que é o Klarion, o Menino-Bruxo. Nestas histórias é ele quem rima, fazendo seus feitiços. Etrigan só foi rimar e Klarion parar de rimar alguns anos depois. Além disso, os dois encadernados também contam com um arco de histórias com um vilão inspirado no Fantasma da Ópera, outro inspirado no Doutor Frankenstein e outro na lenda do Howler. Para arrematar temos ainda a presença da terrível Morgana Le Fay, pois como Etrigan tem sua origem ligada ao mago Merlina, ao Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, nada mais óbvio que a feiticeira fosse a vilã principal. Também temos a bizarra e perturbadora criatura do medo, que no começo é fofinha e macia, mas pode se tornar os maiores terrores guardados no âmago de alguém. Por essa e outras grandes criações, Jack Kirby se firmou como um dos grandes narradores de quadrinhos dos nossos tempos. Todos saúdem o REI!

OUTetrigan2

LENDAS DO UNIVERSO DC: ETRIGAN, DE JACK KIRBY E MIKE ROYER

Sempre gostei do personagem Etrigan, o Demônio, quando ele aparecia rimando seus diálogos em diversas publicações dos heróis da DC Comics. Essa é a primeira vez que os leitores brasileiros poderão ter acesso aos volumes originais do herói criado na década de 70 pelo “Rei” Jack Kirby. Ao ler essa edição, qual não foi minha surpresa, ao verificar que em seu início, o demônio Etrigan não rimava em seus diálogos. Porém pude perceber vários elementos que influenciaram a criação de Kirby, além das Lendas Arthurianas da Cavalaria. O Príncipe Valente de Hal Foster deu vazão às páginas duplas lindamente ilustradas e cheias de detalhes. A New Age encheu os enredos com personagens e enredos místicos e sobrenaturais. Até o Fantasma da Ópera acabou sendo mimeografado para um vilão. Etrigan é mais um personagem da leva de criaturas que surgiram na Marvel e na DC Comics com o afrouxamento do Código dos Quadrinhos, que na época começava a permitir seres sobrenaturais nas publicações. É interessante ver personagens que viríamos a presenciar em diversas revistas da DC posteriormente, como Morgana LeFay e uma dos meus personagens favoritos, Klarion, o Menino-Bruxo. Etrigan é um quadrinho divertido, cheio de conceitos interessantes e com a arte característica de Kirby. E esse foi apenas o primeiro volume!

OUTcable

CABLE: CONQUISTA, DE JAMES ROBINSON, CARLOS PACHECO E YLDIRAY ÇINAR

Eu não costumo gostar das histórias do Cable, eu as leio porque sou um fã tarja preta radical dos mutantes da Marvel, mas é difícil eu gostar delas. Estas aqui deste encadernado eu gostei bastante. Uma razão é porque envolve viagem através do tempo. Cable está em busca de artefatos que, durante a Guerra Inumanos x Eternos, foram perdidos no fluxo. Assim, ele vai parar no velho oeste, no Japão feudal, no Império Maia e na pré-história em busca desses artefatos antes que eles caiam em mãos erradas. Outro motivo para curtir essa história em quadrinhos é a equipe envolvida. Todos, James Robinson, Carlos Pacheco e Yldiray Çinar estiveram envolvidos em histórias através do tempo, do espaço e das dimensões das realidades e acabam fazendo um trabalho muito competente. Claro, também não é um trabalho sensacional, mas é um trabalho que entrega o que promete: escapismo e diversão. Pior coisa são aqueles trabalhos que fazem muito alarde do que querem entregar e acabam ficando muito aquém daquilo que se pretendem. Uma pena que essa equipe criativa não continue mais em Cable, dando lugar a outra, no segundo encadernado e ainda no outra, no terceiro e final.

OUTjeanJEAN GREY: O RETORNO DE JEAN – VOLUME 1, DE DENNIS HOPELESS, VICTOR IBAÑEZ, HARVEY TOLIBAO, ANTHONY PIPER E PAUL DAVIDSON

Se você curtiu a vinda dos X-Men Novinhos do passado para o nosso presente e, principalmente a fase de Dennis Hopeless nos Novíssimos X-Men, vai gostar desse título novo da Jean Grey novinha. na história, Jean sente que a Fênix está se aproximando dela para tomar seu corpo novamente. Então, ela empreende uma busca com vários mentores, desde ex-avatares da Fênix até guerreiros como Thor, Psylocke e Doutor Estranho para ajudá-la a se defender da possessão da entidade cósmica que vem aí. Assim como as histórias dos X-Novinhos, as histórias de Jean são leves, mas divertidas. Nesse encadernado, ela percorre o mundo com a ajuda do teleportador Picles, um pequeno Bamf remanescente da dimensão que salvou Noturno da morte. Mas o interessante fica a revelação da última histíoria, a com o Doutor Estranho. A de que não é exatamente a Fênix que está retornando para o nosso mundo, mas uma coisa muito diferente. Quem esteve acompanhando as movimentações das revistas X nos Estados Unidos, já deve saber muito bem quem está vindo aí. É com essa presença que a jovem Jean Greyzinha vai ter de lidar no próximo e último encadernado de sua série-solo.

OUTexterminaRENASCIMENTO DC: EXTERMINADOR – VOLUME 4, DE CHRISTOPHER PRIEST, DIÓGENES NEVES, JASON PAZ E JEREMY COX

Preciso dizer que esse foi o pior dos quatro volumes do Exterminador de Priest até agora, mas nem por isso ele foi ruim. Entretanto, como dessa vez, como a formação da equipe dos Desafiantes em cena, as atenções do leitor ficam divididas entre vários protagonistas e a trama de espionagem se dissipa um pouco. Eu estava com grandes expectativas para esse arco por causa da equipe de jovens anti-heróis, mas acho que fui com muita sede ao pote e me dei mal. Por outro lado, os desenhos do brasileiro Diógenes Neves, que costumavam ser bons, agora estão sensacionais, incríveis, demais! A inclusão da história de número 25, contudo, foi bem desnecessária, em que Slade Wilson é “julgado” pela equipe de vilões “A Sociedade” para que comprovem que ele continua mau. Em seguida, após um curto arco contra a tríade chinesa, Slade vai enfrentar o Batman pela… paternidade de DAMIAN! Essa eu quero ler! Essa tem sido uma das melhores séries do Renascimento DC e parece continuar assim por um bom tempo!

OUTalien

SUPERMAN: ALIENÍGENA AMERICANO, DE MAX LANDIS, NICK DRAGOTTA, FRANCIS MANAPUL, JOCK, JAE LEE, JOËLLE JONES, JONATHAN CASE E TOMMY LEE EDWARDS

Como acontece frequentemente, a DC Comics volta e meia dá uma nova interpretação para as origens do Superman. Com Alienígena Americano não é diferente, embora essa origem não ocupe o lugar de cânone no Universo DC. Acredito que esse é o reconto de origem da DC Comic que mais se assemelha com a Marvel. Nessa HQ, o Superman/Clark Kent é uma pessoa insegura e cheia de dúvidas sobre o futuro e que se ressente por ser um alienígena na Terra e ser tratado dessa maneira. A grande maioria das histórias é bem articulada tanto em roteiro como em arte, trazendo vislumbres do Superman em seu começo como nenhuma outra revista do Homem de Aço ousou mostrar. Porém tem uma história, a de número 6, desenhada por Jonathan Case, em que os amigos de Smallville, Pete e Kenny se reencontram com Clark. Essa história eu achei muito verborrágica e bastante chata, tanto pelo texto como pelos desenhos que, comparados com os demais, deixa a desejar. Essa parte parece que foge bastante do tom de toda a narrativa, embora o encontro com os Lanternas Verdes do setor 2814 faça sentido. De qualquer forma, assim como O Homem de Aço, o Legado das Estrelas, Identidade Secreta, Origem Secreta, O Que Aconteceu com O Homem de Aço?, Para o Homem que Tinha Tudo, a Morte do Superman e as Quatro Estações, Superman: Alienígena Americano entra na estante como uma nova história obrigatória para todos os fãs de Superman!

OUTbatwoman

RENASCIMENTO DC: BATWOMAN – VOLUME 2, DE MARGUERITE BENNETT, FERNANDO BLANCO E JOHN RAUCH

Não imaginava que este segundo volume, em que os artífices do primeiro, James Tinyon IV e Steve Epting não estão presentes, seguiria o inicial tão corretamente. Isso se deve a Marguerite Bennett, que também esteve presente no primeiro volume. Novamente encontramos a Batwoman, Kate Kane, se debatendo contra o seu passado em alucinações e recordações de flashbacks, quando era amante da contrabandista Safiyha, a regente autoprocalmada da ilha de mercenários chamada Coryana. Nesta história, a Batwoman continua enfrentando a misteriosa organização Os Muitos Braços da Morte, que a leva em uma rota de conflito com o Espantalho em uma organização instalada vários metros abaixo de um oásis no meio do deserto do Saara. Além disso, ela vai precisar enfrentar o Doutor Porko e suas bonecatrônicas para salvar seu braço direito, Julia Pennyworth. Por fim, ela precisa acertar as contas com o passado e suas responsabilidades com Coryana. Ainda que menos intenso e rico em aventura e informações que o primeiro volume, esse segundo consegue manter o clima inicial. Destaque também para os desenhos de Fernando Blanco ampliados em deleite visual pelas cores de John Rauch, conferindo aquele tom de narrativa e de layuots especiais e atmosfera carregada que já são caracterpistica das histórias protagonizadas pela Batwoman.

OUTcidade

CIDADE DE VIDRO, DE PAUL AUSTER, PAUL KARASIK, DAVID MAZZUCCHELLI

Considero a adaptação do conto Cidade de Vidro, de Paul Auster, para os quadrinhos por Paul Karasik e David Mazzucchelli, o melhor trabalho de transcrição de uma outra mídia para os quadrinhos. Digo isso porque seus artífices conhecem profundamente o potencial da linguagem dos quadrinhos e isso pode ser verificado em outros quadrinhos seus, como o Asterios Polyp de David Mazzuchelli. De longe essa adaptação é que mais usa e abusa dos recursos gráficos e narrativos de uma história em quadrinhos para ampliar o sentido da leitura de uma escrita literária. De longe também, toda a Trilogia de Nova York, obra-prima de Paul Auster, não são narrativas de fácil transcrição para a linguagem gráfica, então essa é outra razão para reverenciar o trabalho de Karasik e Mazzucchelli com Cidade de Vidro, principalmente a iconicidade e a metalinguagem da história. Uma pena essa HQ estar fora de catálogo há muito tempo, desde que foi lançada pela primeira e única vez em maio de 1998 pela Via Lettera. Uma pena também que a edição que eu compre no sebo, para minha segunda leitura, continha várias duplas de páginas em branco, já que o valor investido nela não foi pouco. Fica um apelo às boas editoras para trazerem novamente esse incrível material para o Brasil.

OUTrickyROCKY & HUDSON: OS CAUBÓIS GAYS, DE ADÃO ITURRUSGARAI

Mais de quinze anos de diferença guardam distância entre a criação de Rocky e Hudson: Os Caubóis Gays, do gaúcho de Cachoeira do Sul, Adão Iturrusgarai e o famoso filme O Segredo de Brokenback Mountain com jake Gyllenhaal e Heath Ledger, dirigido por Ang Lee. Cowboys sempre foram uma fantasia do imaginário gay, desde John Wayne passando por Clint Eastwood e chegando a Village People. Por isso, não é algo inusitado associar homossexualidade com o velho Oeste. Mais inusitadas mesmo são as piadas, gags e situações cômicas onde Hudson, mas principalmente Rocky “se metem”, UY! Mesmo que você seja um tarja preta do politicamente correto é impossível não dar belas gargalhadas com essas tirinhas. São piadas que os próprios gays vivem fazendo uns com os outros. O que me faz desconfiar do Adão… (Humm, será que vou trazer mais uma pra irmandadjee?!). As tirinhas de Rocky e Hudson, nos tempos sombrios e antigays que vivemos são mais atuais do que nunca e nada melhor que o humor para derrubar barreiras, preconceitos, conservadorismo, se apropriar de mitos e pervertê, revirá-los e convertê-los para a linda, bem-arrumada, chiquerríma e lacradora irmandade do arco-íris. Rocky & Hudson: Caubóis Gays é MA-RA!

OUThistioriasSUPERMAN: AS HISTÓRIAS DO HOMEM DE AÇO, SEM CRÉDITOS

Quer dar um quadrinho de super-heróis como presente para uma criança pequena, mas não sabe qual? Acha que a narrativa é muito complicada para uma criança entender? A Ciranda Cultural resolveu esses problemas lançando a coleção Box DC Comics. Se trata de um box com seis mini livrinhos de 12 páginas em papel grosso, ideal para crianças a partir de 2 anos de idade. Um bom momento para os pequenos serem introduzidos ao mundo dos super-heróis. Meu afilhadinho iria curtir muito! Além do Superman, também existem na coleção Box DC Comics, as caixas com livrinhos do Batman e da Mulher-Maravilha. Na do Superman, vemos o herói enfrentando Lex Luthor, Apocalypse, Mongul, a Banshee Prateada, o General Zod e seus asseclas, e o ora aliado, ora inimigo, Bizarro. Ao juntar o verso dos minilivros, a criança pode formar uma imagem de um pôster do herói. No caso do Superman, é uma arte do Jim Lee. A única ressalva que tenho a fazer sobre a publicação é que ela se utiliza do logo do Superman, mas no seu interior chama o herói de Super-Homem, alcunha que foi abandonada pela editoras desde os anos 90. Mas isso não vai estragar a diversão dos pequenos, pelo contrário, talvez seja mais um elemento instigante para eles. As Box DC Comics são uma ótima maneira do seu pequeno entrar em contado com o maravilhoso mundo dos super-heróis, que nós, adultos, tanto gostamos e aprendemos a amar.

OUTcinemaCINEMA PURGATÓRIO – VOLUME 1, DE ALAN MOORE, KEVIN O’NEILL, GARTH ENNIS, RAULO CACERES, MAX BROOKS, MICHAEL DIPASCALE, KIERON GILLEN, IGNACIO CALERO, CHRISTOS GAGE E GABRIEL ANDRADE

Cinema Purgatório é o mais recente trabalho de Alan Moore e e Kevin O’Neill nos quadrinhos. Trata-se de uma antologia do terror “na forma de filmes antigos”, preto e branco, como diz Moore em sua apresentação. Foi concebida como uma campanha no Kickstarter, plataforma de crowdfunding dos Estados Unidos, e foi editado pela Avatar. Também estão na HQ, escritores como Garth Ennis, Kieron Gillen, Christos Gage e Max Brooks, apoiados por desenhistas novatos que trabalharam na série de horror gore de Ennis, Crossed. Moore e O’Neill trazem uma história de uma mulher presa num cinema por toda eternidade. Ennis mostra uma dupla de policiais se encontrando com criaturas clássicas do cinema. Gillen traz uma disputa estilo Pokémon num mundo pós-apocalíptico e com grandes pitadas de bizarrice e terror. Gage dá uma nova interpretação para os kaijus, transformando eles no resultado de uma praga alienígena que se mistura com nossa fauna. Todas essas leituras têm o seu insight e conceitos bacanas e uma história interessante que captura o leitor. O ponto baixo é a história de Max Brooks, que se passa na Guerra de Secessão, a Guerra Civil Estadunidente, que só tem graça mesmo para quem tem uma ligação estreita com os EUA. Não é o meu caso. De qualquer forma, se uma de cinco histórias é ruim, significa que é uma publicação 4 estrelas. Ser 4 estrelas is not bad. Not bad at all.

OUTaquaman

RENASCIMENTO DC: AQUAMAN – VOLUME 5, DE DAN ABNETT E STEJPAN SEIJIC

No início do Renascimento DC, Dan Abnett vinha fazendo um trabalho regular em Aquaman, mas lidando com os mesmos temas de sempre: invasão da superfície e guerra da Terra com os Oceanos. Foi no Volume 4 que a coisa virou. O roteirista começou a trabalhar conceitos novos no universo do rei dos mares, como o Água Morta, que gerou um belo thriller no último. Nesse volume 5, Abnett continua trabalhando novos conceitos, mas com uma mega ajuda: a do desenhista digital croata Stejpan Seijic. Eu já tinha me encantado com a arte dele em Rat Queens e em A Resistência de Gotham. Mas esse volume de Aquaman foi o melhor trabalho dele que “li” até agora. Isso porque ele trabalha os caracters designs e os conceitos de lugares de uma maneira muito própria, muito como aqueles bons livros de aventura em que não só o texto, mas as imagens nos ajudam a ampliar nosso senso de maravilhamento. E assim, ele e Abnett criam o Nono Quadrante da Atlântida. Uma espécie de favela, ao melhor estilo corais, que se incrustou nas falésias subarinas que se formaram quando Atlântida afundou. É lá que vive Delfim, reimaginada como uma híbida, pertencente às pessoas consideradas escórias que precisam se esconder para sobreviver. Delfim, nessa versão, também é muda, o que dá um encantamento especial para a personagem e ela também possui poderes de luminescência. Como o filme do Aquaman está se aproximando, esse encadernado capta bem o teor do filme, principalmente nos gráficos de grandiosidade. Então recomendo que leiam este e o próximo encadernado que também conta com a belíssima arte de Seijic! (mesmo que só nas capas)

OUTinjustiça

INJUSTIÇA: DEUSES ENTRE NÓS (#11), DE BRIAN BUCCELATTO, MIKE S. MILLER, XERMÂNICO, TOM DERENICK, MARCO SANTUCCI

Com esse encadernado chegamos ao final dos cinco anos que antecedem a história do jogo de sucesso da DC Comics que imagina um mundo dominado por um Superman tirãnico. Esse Superman enlouquece porque o Coringa explode Metrópolis incluindo Lois Lane e o bebê que ela esperava. Em seguida, o Superman assassina o Coringa a sangue frio. Logo, os heróis se dividem entre os apoiadores do déspota esclarecido e a resistência liderada pelo Batman. Os cinco anos de Injustiça, que estão sendo compilados em capa dura pela Panini tiveram seus altos e baixos na qualidade dos roteiros, que viram o elogiado Tom Taylor (Novíssima Wolverine) abandonar a série no ano 3 e deixar as histórias a cargo de Brian Buccelatto (Flash). Os anos 3 e 4 foram o ponto baixo da série, envolvendo aspectos mágicos e mitológicos da DC Comics. No quinto e mais extenso ano, parece que Buccelatto finalmente acertor na mão, promovendo um final não espetacular, mas satisfatório para os leitores e ainda deixando o gancho para a narrativa do jogo. Essa é contada em 12 edições pelo ponto de vista da Arlequina em Ground Zero (Ponto Zero). Resta saber se a Panini trará essas edições, bem como a elogiada continuação do quadrinho e do jogo, Injustiça 2, em que Tom Taylor retoma os roteiros. Injustiça foi uma série que surpreendeu e conquistou muitos fãs durante a sua publicação

OUTrose

ROSALIE LIGHTNING: MEMÓRIAS GRÁFICAS, DE TOM HART

Em Rosalie Lightning: Memórias Gráficas eu vejo que o autor, Tom Hart trabalha com uma espécie de “pensamento mágico” para justificar a morte da sua filha bebê. Esse é o sentido último que falo que as pessoas procuram quando tentam escrever um relato de si, uma autobiografia. Ele está procurando um significado “mágico” para a existência da filha, mas não percebe muitas vezes como essa breve vida já transformou tudo ao redor dela, inclusive suscitando essa graphic novel. O pai me parece bastante cego pela dor e pelas coincidências, no afã de transformar em linguagem e em sentido algo que escapa das suas mãos para explicar. Da mesma forma que os homens antigos trabalhavam com os mitos: uma explicação imutável para coisas que ficam fora do controle do homem comum e racional.

Os traumas costumam romper o fino fio que tecemos para equilibrar nossas identidades em uma só. Quando esse fio se rompe, nossas identidades se espalham, sem um “projeto de unidade”. Assim, acabamos encontrando a gente mesmo, ou seja, o sentido, mais mais que isso, o significado em todos os lugares. É um pesamento poético, porque ressignifica o mundo, mas também é doente e paranoico, porque coisas que não costumavam não significar absolutamente nada e viviam em paz no seu caos, logo assumem sentido. Assim o caos do sem-sentido, logo se torna a terrível ordem do sentido supremo, do qual não é possível sobreviver sem enlouquecer. O trauma da perda, seja da própria identidade ou de uma pessoa querida que instigava a ordem no mundo caótico, gera essa profusão de sentidos e emoções, essa memória estufada e direcionada ao trauma. Até que esse sentimento de segurança e coesão do eu não se restaure, o sujeito vai boiar feito um náufrago do próprio ego.

Tom Hart teve seu ego restaurado quando recebeu o beijo de uma garotinha, que colocou seu mundo no lugar. Rosalie Lightening é um prato cheio para análise semiótica e psicanalítica, principalmente naqueles que buscam sentido na ordem das coisas e na ordem do mundo das palavras e imagens. Embora saibamos que a vida, conforme ensina William Shakespeare, “é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem sentido algum”.

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PANCADARIA: POR DENTRO DO ÉPICO CONFLITO MARVEL VS. DC, DE REED TUCKER

Eu já li essa história milhares de vezes desde que comecei a pesquisa quadrinhos (de super-heróis) mais a sério. Mas toda vez que pego um livro novo para ler sobre essa mesma história, surgem nuances e visões que não estavam lá. Seja no The Official History of DC Comics ou no Marvel Comics: A História Secreta, os fatos e as avaliações dos fatos variam. Não poderia ser diferente nesse livro que investiga e conta mais sobre a história da rivalidade histórica entre DC Comics e Marvel. Por mais que o escritor tente (ou não) ser imparcial, percebe-se que há um certo pendor para a Marvel, pelo menos através dos olhos de um criador de quadrinhos como eu. A DC é algo formal, duro, sombrio, rotineiro, controlado. Mas, claro, há quem goste dessas qualidades. A Marvel, é informal, maleável, colorida, louca, pirada. E também há quem goste disso. O mais legal nesse livro é ver que essas matizes não são tão divisíveis assim e que existe mais permeabilidade e osmoses nessas membranas rígidas e nem tão rígidas. E também existem as assombrantes histórias de bastidores, que toda corporação, seja um negócio grande ou pequeno, sempre acabam tendo. Por isso, se você defende a Marvel e/ou a DC Comics com unhas e dentes é bom que leia esse livro para relativizar suas opiniões.

OUTcharlieA ARTE DE CHARLIE CHAN HOCK CHYE, DE SONNY LIEW

Que quadrinho incrivelmente interessante! Nossa, adorei ele, tanto porque é um quadrinho que, através da história de um quadrinista fictício conta a história entre Malásia e Singapura, tanto pela miríade de estilos que Sonny Liew incorpora para mostrar o seu Charlie Chan Hock Chye. realmente me espantou que esses países tivesse alguma cultura de leitura de quadrinhos, quem dirá com pessoas fazendo eles, como é o caso de Sonny Liew (não de Charlie Chan), que já ganhou inúmeros prêmios no mercado americano, embora quase nenhum deles tenha chegado aqui no Brasil. A edição da editora Pipoca & Nanquim, para variar, traz um espero no capricho do objeto-livro. A parte que mais gostei mesmo neste A Arte de Charlie Chan Hock Chye foram as alusões e metáfora que ele constrói sobre a política do sudeste asiático através de animais das florestas locais e os jogos de palavras muito bem desenvolvidos em português pela tradutora Maria Clara Carneiro. Existem inúmeras outras homenagens dentro deste quadrinho, como às HQs de horror da EC Comics, os quadrinhos de patos de Carl Barks e até ao Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Esse quadrinho é um deleite para os olhos e para as pessoas que querem conhecer e entender a história do sudeste asiático, dois quadrinhos e como usar as inúmeras diferenças de estilo pelas quais passaram em seu próprio favor.

OUTquadrinhos

QUADRINHOS QUE PODEM DESGRAÇAR SUA VIDA (OU NÃO), DE VÁRIOS AUTORES

Quando eu resenho antologias, sejam elas de quadrinhos ou de textos, sempre acaba saindo uma nota mediana, porque com a profusão de autores, alguns são bons e outros são ruins. Não é o caso desse Quadrinhos Que Podem Desgraçar Sua Vida (ou Não), que encontra em seu “MIX” muitos trabalhos bons e questionadores da novíssima geração de quadrinistas brasileiros. Se a intenção era fazer um portfólio destes autores, a Selo Quadrupede cumpriu sua missão. Se a intenção era mostrar novas e diferentes formas de seu utilizar os quadrinhos na realidade brasileira, cumpriram sua missão. Se a intenção era tirar as pessoas da sua zona de conforto e desestabilizar pensamentos, cumpriram sua missão. Mas o fato de desgraçar a vida de alguém – por mais que o editor Carlos Jenisch tenha explicado o título no seu prefácio – está longe disso, afinal a coletânea é muito bem pensada e elaborada. Quadrinhos, como nesta antologia são resistência e insistência. Pouquíssimos no Brasil vivem de quadrinhos, mas muito longe de desgraçar vidas, eles transformam vida, geralmente para muito melhor de onde elas saíram. Um belo exemplo é essa coletânea.

OUTlazarusLAZARUS: VOLUME UM, DE GREG RUCKA, MICHAEL LARK E SALVA ARCAS

Por muito tempo Greg Rucka esteve longe das produções mainstream dos quadrinhos (só voltou para produzir a Mulher-Maravilha do Renascimento DC). Neste tempo, ele começou a produzir com seu parceiro de Gotham Central, Michael Lark, um nova série publicada pela Image e com direitos autorais garantidos. Essa série é Lazarus que, confesso, até então não havia me chamado atenção. Rucka investe no que sabe fazer bem: mulheres fortes. E não, não são aquelas que usam Rexona Clinical. São mulheres protagonistas do próprio destino, que não se dobram para homem (nem mulher) nenhum(a). Ainda em Lazarus, os dois, ao lado do colorista Salva Arcas, criam um cenário sombrio (especialidade de Lark) de um mundo pós-apocalíptico onde famílias monopolizadoras do capital governam países. Não existe mais política, apenas capital, servos e refugos. Refugos, seríamos nós, burros de carga do capital, apenas braço na produção de riquezas das famílias que regem essas nações. O quadrinho é uma mescla de policial, ficção científica, horror, e muitos elementos que funcionam muito bem nesta obra. Eu que torci o nariz no começo, tive que torcer o braço, ou dá-lo a torcer, porque quero ler mais da história.

OUTprovidence

PROVIDENCE: VOLUME 2, DE ALAN MOORE E JACEN BURROWS

Foi por causa da leitura do primeiro volume de Providence (que eu achei espetacular) que me aproximei mais das escritas de H. P. Lovecraft. E é incrível como Alan Moore utiliza bem os conceitos e histórias criadas pelo mestre do horror cósmico. Este segundo volume não é tão sensacional quanto o primeiro, mas é muito bom também. É nesse volume que a gente percebe a importância das declarações escritas nos diários de Robert Black, que compõem um anexo ao melhor estilo Watchmen para a leitura de Providence. Eles dão uma nova dimensão à leitura. Enquanto os quadrinhos mostram o acontecido em terceira pessoa, os textos mostram em primeira pessoa e num narrador não-confiável a história em quadrinhos através da prosa. Assim, os pontos ilusórios do quadrinho e do diário acabam confrontando um contra o outro e disso, depreendemos um terceiro sentido. vale destacar, claro, a arte imersa em detalhes de Jacen Burrows, que faz um trabalho competentíssimo. Neste volume percebemos que Moore não está se baseando somente na mitologia Lovecraftiana, mas também bos contos de Edgar Allan Poe, Lorde Dunsany e Randall Carver, autor do livro O Rei de Amarelo. Muito bom, e que venha a terceira parte!

OUTtitas

OS NOVOS TITÃS: O FUTURO COMEÇA AGORA, DE GEOFF JOHNS, MIKE MCKONE, TOM GRUMMETT, IVAN REIS, JOE PRADO E OUTROS ARTISTAS

Essa história dos Novos Titãs me lembrou a primeira história deles que eu li, um crossover com a Liga da Justiça, em que todos integrantes da Liga enfrentam todos os integrantes dos Titãs. Na verdade, na verdade, a primeiríssima história dos Titãs que eu li foi a última história da então Turma Titã, que reunia todos seus membros para enfrentar o Capitão Calamidade, isso em uma revista da EBAL da Mulher-Maravilha e que era da minha tia. Nesta edição aqui, os Titãs reúnem todos os seus membros para enfrentar um Doutor Luz sem bloqueios após a saga Crise de Identidade. Mas antes disso, nos deparamos com a versão adulta dos Titãs, que substituiu, no futuro, uma Liga da Justiça destroçada pela Crise Infinita. Então ler esse encadernado bem do momento em que parei de comprar essa fase dos Titãs de Geoff Johns e Mike McKone foi muito bom. Me lembrou porque eu gostava tanto dessas histórias e, por contenção de gastos tive de deixar de lê-las. Mas ainda considero a fase de Johns a sehunda melhor, depois da de Wolfman e Pérez, sendo seguida bem de pertinho no terceiro lugar a fase de Devin K. Grayson e Mark Buckingham. Titãs é vida!

OUTpanyts

POWER PANTS, VOLUME 01, DE RICARDO J. SOUZA

Um quadrinho bastante legal sobre luchadores de luta livre mexicana, em que um deles possui um aparato, ou melhor, calças, especiais – ao melhor estilo cinto de utilidades do homem-morcego. É a história de um professor universitário mexicano que vai tentar a carreira na educação dos Estados Unidos, mas, devido ao preconceito do reitor da faculdade acaba como o faxineiro do lugar. Para complementar sua renda e auxiliar ao professor que veio trabalhar junto, ele se torna um luchador, testando, assim a s famigeradas Power Pants. A arte de Ricardo J. Souza é muito legal e lembra bastante o estilo animated das séries animadas da DC Comics. O enredo da história é bastante similar ao modelo americano de composição de super-heróis americanos e lembra bastante a história de origem do Homem-Aranha, que também envolve campeonato de lutas-livres. O ponto ruim da HQ é que ela é curtinha demais e, quando o leitor começa a pegar o gosto pela história – puft! – ela acaba. Espero que o segundo volume saia em breve para que eu possa continuar curtindo as histórias do super-herói Power Pants!

OUTfistPUNHO DE FERRO (#1): O DESAFIO DOS SETE MESTRES, DE ED BRISSON, MIKE PERKINS E ANDY TROY

Me senti lendo/jogando Mortal Kombat ao ler esse quadrinho. Sem falar que o símbolo do Mortal Kombat e do Punho de Ferro são dragões chineses semelhantes. A história é sobre como o Punho de Ferro vai subindo no ranking de lutinhas do Mortal Kombat para absorver o chi dos adversários para reavivar seus poderes. Mas a diferença é que existe uma conspiração para roubar o chi de Danny Rand e, então, estabelecer a ilha dos Sete Mestres como a nova sétima cidade celestial. Este posto era ocupado pela cidade mística de Kun Lun, mas ela acabou perdida por causa de Danny Rand, que não consegue mais acessar nem a cidade e nem seus poderes provenientes de lá. O enredo é bastante divertido, intrigante e presta uma bela homenagem ao enredos de kung-fu dos anos 70. Os desenhos de Perkins, tem se tornado cada vez mais estilizados, mas são prejudicados pelas cores de Andy Troy, que faz um trabalho muito esquisito sobre a arte contrastada de Perkins. O roteirista Ed Brisson, é um dos novos queridinhos da Marvel, tendo amealhado diversos títulos sob suas asas nos recentes anos, principalmente no Universo X. Esse é um dos seus primeiros trabalhos que chega ao Brasil. Não é nada extraordinário, mas ao menos cumpre o que promete. Portanto, é um trabalho honesto que não superestima e nem subestima o público.

OUTvasques

EDGAR VASQUES: DESENHISTA CRÔNICO, DE SUSANA GASTAL (ORG.)

Uma bela homenagem a essa instituição do desenho, dos cartuns e das caricaturas do Rio Grande do Sul, que é o Edgar Vasques. Um Artista com A maiúsculo que sempre priorizou o social em seus trabalhos de quadrinhos. Assim criou o memorável personagem Rango, um mendigo que vive com fome no meio de um imenso lixão, como o retrato dos brasileiros miseráveis. Rango existe desde os anos 70, sempre refletindo nossa realidade que, de lá pra cá não mudou muito. As tiras continuam atuais porque os problemas continuam os mesmos. Mas o trabalho de Vasques não se resume a Rango. A partir do final dos anos 80, ele publicava com Luís Fernando Veríssimo o Analista de Bagé na revista Playboy, onde começou a investir mais nas cores de seus trabalhos. Cores, essas, que são também inconfundíveis. Em tempos sombrios que estamos vivendo, Edgar Vasques é um belo símbolo da resistência em forma de arte, da crítica da realidade em forma de histórias em quadrinhos. Neste livro, além de textos reverenciando sua arte, encontramos uma bela entrevista resumindo sua caminhada e seus trabalhos enquanto um cronista social através da arte dos desenhos e dos quadrinhos.

Mais ou menos

OUTdarth

STAR WARS LEGENDS: DARTH VADER: O ESQUADRÃO PERDIDO, DE W. HADEN BLACKMAN E RICK LEONARDI

Este encadernado faz parte da coleção Star Wars Legends, do Universo Expandido de Star Wars e, portanto, não é cânone como as novas histórias escritas pela Marvel. Essas histórias foram publicadas pela Dark Horse. Escrita por W. Haden Blackman (Batwoman) e desenhada por Rick Leonardi (X-Men, Homem-Aranha 2099), O Esquadrão Perdido serve como uma espécie de Ano Um para Darth Vader. O grande Lorde Sith precisa resgatar um almirante do império em um planeta hostil cheio de rebeldes enquanto precisa lidar com o seu passado de ter abandonado a Rainha Amidala grávida de seu(s) filho(s). Ao mesmo tempo em que sofre de autocomiseração por causa de seu passado como Anakin Skywalker, Darth Vader é impiedoso com seus adversários. Tudo para descobrir que suas alucinações com sua amada são causadas pelos poderes da regente daquele planeta, que quer se ver livre do Império e ter condições de se autogerir dando ao impressão aos Siths de que governam o lugar. Mas mais uma vez a raiva e a determinação de Vader vai sobressair enquanto aqueles que se opõem a ele vão sucumbir. Um quadrinho ok de Star Wars que junta a trilogia clássica com a “nova” trilogia.

OUTfierro2REVISTA FIERRO BRASIL VOLUME 2, DE VÁRIOS ARTISTAS

Continuando a leitura das publicações da Fierro no Brasil pela Zarabatana Books, cheguei ao segundo e último volume das coletâneas que saíram por aqui. Lembrando que no Brasil elas saíram em formato de livro e com muitas mais páginas do que as revistas que são vendidas nos quioscos na Argentina. E, mais uma vez, como de praxe em todas as coletâneas, existem histórias que são muitas boas, com o El Baño de Gustavo Sala que sempre me arrancam belas gargalhadas, e existem histórias que são ruins ou nonsense demais para estarem ali, como uma de um personagem antropozoomórfico de anúncios publicitários emulando algo vintage que pretende fazer um musical em quadrinhos. Não tem sentido nenhum e graça nenhuma. Talvez o ideal dessas compilações da Fierro fosse agrupá-las por tema, porque da maneira como foram apresentadas, é difícil agradar ao leitor. AO menos o brasileiro que é mais pudico com suas publicações em quadrinhos de antologia e não está acostumado a ver personagens balançando a caceta, cagando no meio da rua ou na boca de um homem, fudendo com animais em quadrinhos que não se propõem undergrounds ou ao menos se pareçam com undergrounds. Seria de pensar uma estratégia de colocação e venda mais interessante para essas obras argentinas. De qualquer foram, colocados lado a lado, quadrinistas brasileiros e argentinos só denota que nós, tupiniquins, temos muito de aprender com os hermanos.

OUTfierro1REVISTA FIERRO BRASIL – VOLUME UM, DE VÁRIOS ARTISTAS

Esta coletânea de histórias em quadrinhos curtas traz para o Brasil um compilado de várias histórias publicadas originalmente na revista argentina Fierro. A diferença é que além de maior em páginas, essa publicação também traz autores brasileiros. Entretanto, como toda antologia, temos coisas boas e coisas ruins, e coisas bem boas e coisas bem ruins. Essa edição consegue dar um belo panorama da produção atual de quadrinhos argentinos, contudo, a maior parte dos trabalhos aqui escolhidos flerta com um humor bastante nonsense. Ao mesmo tempo é incrível a variedade de estilos gráficos apresentados nesta seleção, que vão desde desenhos ao estilo de O laboratório de Dexter até emulações de The Little Nemo in Slumberland, de Winsor McCay. Aliás, essa história de homenagem feita por Oscar Chichoni é, para mim, a mais bonita e a melhor da compilação. Em outras histórias como a nonsenssíssima El Baño, de Gustavo Sala, dei enormes gargalhadas sobre a busca – às vezes interplanetária – de um homem por um banheiro onde possa depositar seus dejetos. Por outro lado, haviam quadrinhos que não fizeram nem TCHUM no meu cérebro, deixando essa publicação bem mediana.

OUTthanosTHANOS (#2): O FOSSO DOS DEUSES, DE JEFF LEMIRE, GÉRMAN PERALTA E RACHELLE ROSENBERG

Este é o segundo volume de Jeff Lemire no título regular de Thanos. German Peralta assume os desenhos no lugar do brasileiro Mike Deodato Jr. que continua nas capas. Thanos continua sua jornada para derrotar seu filho Thane, que se apoderou da força-Fênix e conquistou o coração da Senhora Morte, ex-amante de Thanos. Com a ajuda de Starfox, Nebulosa e o Campeão do Universo, Thanos vai em busca das Bruxas do Infinito no Fosso dos Deuses. Não sei até onde Lemire faz uma homenagem e até onde ele copia elementos do Universo DC. Claramente, as bruxas do Infinito são calcadas nas três-em-uma, de Sandman, que por sua vezes, são baseadas nas moiras, nas nornes e na deusa Hécate. O Fosso dos Deuses, por sua vez, é calcado na Muralha da Fonte, das histórias dos Novos Deuses, onde deidades antigas foram petrificadas para servir de guardiãs de um enorme poder. Esse encadernado também possui uma narrativa de luta confusa e repetitiva, causando desconforto no leitor por se utilizar do mesmo layout em páginas duplas que aprecem contínuas mas não o são. O segundo volume da série de Thanos é uma boa história, mas que fica um pouco atrás do primeiro volume, seja no quesito arte, seja no roteiro mais apressado e alongado.

Piores

OUTbloodBLOODSHOT RENASCIDO: COLORADO, DE JEFF LEMIRE, MICO SUAYAN, RAÚL ALLÉN E DAVID BARON

Bloodshot é o Justiceiro do Universo Valiant. A editora Valiant foi fundada no final da década de 80, pelo ex-editor chefe da Marvel, Jim Shooter. Na década de 2010 passou por um reformulação em que reapresentou seus personagens aos leitores. Em 2016 foi comprada por uma multinacional chinesa que alçou a Valiant para os cinemas, prometendo um filme de Bloodshot estrelado por Vin Diesel. Mas quando eu falo que o Bloodshot é o Justiceiro da Valiant, não falo somente nas suas características de personagem, falo também nos inúmeros volumes de sua revista e inúmeras versões que o personagem já teve (mesmo nesse curto tempo de 10 anos). Este, Renascido, é seu último volume até então e lida com Bloodshot em busca dos nanitas (aqui grafados como nanites) que o tornavam mais que um homem, uma máquina de matar. Então, Bloodshot vira mesmo um Justiceiro. Uma máquina de matar sem poderes de regeneração e agilidades avançados. Só que ao invés da caveira na blusa é um círculo vermelho sangrante. Ele começa a delirar no melhor estilo HAPPY!, de Grant Morrison, quando imagina seu parceirinho, o Bloodmirim e sua amada morta, Kay, a mesma mulher que retirou seu instinto assassino e seus poderes. O roteiro de Jeff Lemire não convence muito, é mais uma história sem graça do Justiceiro genérico, com várias ‘homenagens” a outras coisas já feitas com ou sem o Justiceiro. A arte de Mico Suayan é cheia de detalhes e isso pode ser bom para uma história ou duas, ou em uma capa, mas fica cansativo num encaderndo quase inteiro. Boa mesmo é a arte digital de Raúl Allén, na última história, quando a coisa começa realmente a ficar interessante e, então… acaba! PUF! Gosto muito da Valiant Comics, mas Bloodshot sempre foi a parte que eu menos gostei desse universo exatamente por sua semelhança com o Justiceiro e também ao Wolverine: duas máquinas burras de matar. Mas tem quem curta matança, não é mesmo. Pelo menos metade da população brasileira que vota em Bolsonaro. Só não gosta de matança quando é na sua casa, assim como todo amante do grim’n’gritty dos quadrinhos.

OUTmetalBATMAN METAL ESPECIAL VOLUME 2: MORCEGOS INFERNAIS, DE JOSHUA WILLIAMSON, ROBERT VENDITTI, TYLER KIRKHAM, HOWARD PORTER, LIAM SHARP, MIKÉL JANÍN E ETHAN VAN SCIVER

Credo! Acho que esse foi o pior quadrinho que li nesse ano! Salve-me meu São Crispim dos Morcegos das Catedrais! Até então eu estava achando as críticas negativas ao arco Noites das Trevas: Metal um tanto exageradas. Mas elas ecoaaaaam longe nesse quadrinho terrível, infernal, morcegoso. Nele, a Liga da Justiça enfrentam as versões batmanescas negativas do mal de cada um deles o que por si só já é bizarro, mas se bem escrito, até poderia render boas reflexões. Mas claro, ficamos apenas na porrada. O roteiro é a cargo, em sua maior parte ao beeem mediano Joshua Williamson que me fez abandonar as histórias do Flash de tão chatas que estão. Os desenhos estão bons, mas contam com o rançoso e trumpístico reacinha do inferno Ethan Van Sciver, que foi afastado da DC Comics exatamente por suas declarações misóginas e racistas. Então, mais um motivo para eu ter detestado essa edição. Claro que nem vou vou ficar com ela, e vou aproveitar e vender também o primeiro volume dessa “série” Batman Metal Especial da Panini Comics Brasil, que também não é de nada memorável e não faz diferença alguma na minha vida e coleção.

OUTmosntrosMONSTROS Á SOLTA (#2), DE CULLEN BUNN, LEINIL FRANCIS YU, JEREMY WHITLEY, CARLO BERBERI, CHIP ZDARSKY E OUTROS ARTISTAS

A minissérie da Panini Comics continua em encadernados e nós, leitores, ainda não sabemos quantos volumes ela vai ter. Informação é algo precioso para os leitores da Panini, é como água no deserto. De novo, o encadernado mistura a minissérie principal com os especiais .MU lançados ao redor dela, estrelados por diversos personagens. Isso faz com que a publicação fique irregular, tanto em, roteiros como em arte. Alguns muito bons, outros regulares e outros bem ruins. De melhores, destaco aqui a minissérie principal e o especial que focaliza no Doutor Estranho. O resto vai de mau a pior. Os desenhos do especial do Totalmente Incrível Hulk são de chorar no cantinho, lembrando uma caracterização de asiáticos digna da Segunda Guerra Mundial, quando japoneses pareciam ratos. Vale dizer que esses especiais .MU são mais encorpados de páginas, por isso, essa segunda edição ficou com 164 páginas frente as 140 do primeiro volume. Resta, então, saber se essa publicação se encerrará no próximo volume, trazendo, além da minissérie principal, os especiais de Guardiões da Galáxia e dos Campeões, ou se se estenderá por mais dois números incluindo o título regular derivado que durou 12 edições lá fora.

OUTbaneBANE: A CONQUISTA, DE CHUCK DIXON, GRAHAN NOLAN E GREGORY WRIGHT

Todos os filmes do Batman até aqui venderam o fato de Bane ser um cara que é um brutamontes burro e que nem tem condições de falar direito. Mas nos quadrinhos, onde ele surgiu isso é diferente. Quando apareceu pela primeira vez, ele foi um dos poucos inimigos do Morcego a descobrir a identidade secreta do herói. Com isso, penetrou na Mansão Wayne e acabou quebrando a coluna do Batman. Bane é tão inteligente quanto o Batman, como esse volume comprova, mas sua sede de violência o torna suscetível à Bruce Wayne. Ele nasceu e foi criado em Santa Prisca, uma ilha comunista na América Central, da qual vocês já imaginam à qual país a DC Comics fez alusão. Seus poderes são ampliados pela droga Veneno que, não, não foi criada nem pela Hera Venenosa e nem pela família Al Ghul. Mesmo com um background tão legal e pouco explorado depois de sua aparição no filme de Christopher Nolan, essa HQ de Chuck Dixon e Grahan Nolan decepciona o leitor atual. Mas irá encontrar eco nas histórias que o leitor antigo gostava quando Dixon escrevia o Robin Tom Drake metido em grandes conspirações internacionais. Como não sou um fã do Batman, mas um pouco do seu universo, achei esse quadrinho bastante cansativo, que não consegue sustentar e segurar o leitor que desiste fácil de uma leitura. Por sorte (ou azar) não sou desses.

OUTstar

STAR WARS: O ÚLTIMO VÔO DA HARBINGER, DE JASON AARON, JORGE MOLINA, CHRIS ELIOPOULOS E MIKE MAYHEW

Até aqui eu estava gostando MUITO das histórias de Star Wars da nova pegada da Marvel, mas esse volume reduziu as histórias àquilo que eu sempre pensava dos gibis da saga de George Lucas: lutinhas de navinhas. Que chatice! Não estou interessado em ver a nava BRITBRIT48595 disparar na 384-TRE com a manobra Urso Polar do Norte de Tatooine. Na verdade eu nem sei o que é a tal nave Harbinger do título (e não entendi também). Na verdade eu não consigo nem decorar os nomes de carros. Os modelos mudam mais rápido do que eu consiga identificar. Eu vou lá saber de navinhas de Star Wars? Foi um volume bem decepcionante também porque os desenhos de Jorge Molina não combinam com o clima de Star Wars. Lembra um pouco aquele mangá ruim da série que saiu algumas décadas atrás. Para não dizer que falei só de espinhos, tem a história dos Droides sempre divertida de Chris Eliopoulos e a história enfocando Obi-Wan Kenobi protegendo a criança Luke Skywalker de um Wookie a serviço do Jabba, o Hut. Uma pena que esse volume foi ruim e reduzido ao estereótipo, se continuar assim, Star Wars em gibi, no more… A força usar precisa você, jovem Aaaron.


E então, mergulhadores, preparados para lerem cartilhas religiosas e militares no lugar dos seus queridos quadrinhos? Eu não. Eu nunca. Ele não. Ele nunca. Tristeza não tem fim, felicidade, sim.

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