Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2018

Dezembro e 2018 estão quase acabando e a Madame Xanadu está prevendo que você vai tomar no… bar muitas cervejas para poder aguentar a coisa e o coiso que vêm por aí no ano que vem. Se 2018 sem as surpresinhas que nos aguardam em 2019 já foi terrível de aturar, imaginem 2019 com esse governo que vocês escolheram, hein? Uhlalá! Mas vamos falar de coisa boa? MERCHAN! Só que não! Vamos falar das melhores leituras de quadrinhos do mês de dezembro (e três leituras ruins). Fiquem ligados que “no ano que vem” vou publicar as listas, sim AS LISTAS, de melhores do ano de 2018, por categoria de revistas, afinal, foram quase 300 quadrinho e quetais lidos no ano todo. Então espere o confie. Por enquanto fiquem com os melhores e piores de dezembro!

Melhores

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O MARTÍRIO DE JOANA DARK SIDE, DE WAGNER WILLIAN

O martírio de Joana Dark Side é, sem dúvida, o trabalho mais lindo e impecável do ponto de vista artístico que Wagner Willian já concebeu. As emoções borbulham pelas páginas e pelo nanquim sangue fresco das páginas dessa HQ. O sofrimento de se morrer pelo que se acredita de Joana também é parecido com o martírio do artista, que acredita na sua arte, vive para e por ela e se dispõe a morrer acreditando nas incertezas que a arte proporciona. Wagner é um desses artistas que acredita nas incertezas de sua arte. E, nessa fé, ele cruzou o mundo e foi parar em vários países com seus premiados quadrinhos. Joana representa os artistas que volta e meia são jogados à fogueira das vaidades dos “civis” sem criatividade e que nada têm a questionar do mundo. Se ao mesmo tempo Joana e os artistas se submetem ao mundo, por outro lado, eles criam mundos, outros, que não esse das fogueiras. Ou, como diz a música de Ava Rocha, que também se chama Joana Dark “sou eu queimando/quem mando na fogueira do pecado/diabo”, e outras misinterpretações que podem servir para esse quadrinho e para as Joanas Defumadas presas nos artistas do mundo.

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RENASCIDA, DE MARK MILLAR, GREG CAPULLO, JONATHAN GLAPION E FCO PLASCENCIA

Gostei bastante dessa nova HQ do Millarworld. Ela é um pouco menos apelativa e um pouquinho mais profunda do que costumam ser os quadrinhos do Mark Millar. Ela discute para onde vamos depois da morte que, diferente de Céus e Infernos, vamos para uma Terra dez vezes maior que a nossa. Se formos bons renascemos como guerreiros medievais poderosos. Se formos maus, renascemos como goblins, demônios, zumbis levando uma vida imoral e nos restos de uma sociedade pós-apocalíptica. O legal da HQ, então, é esse trabalho de comparar o que os personagens eram na vida na Terra com o que são na vida pós-Terra e a suas missões a partir disso. Claro, ela não é uma HQ que super inverte clichês, ela trabalha E MUITO neles, mas é uma leitura divertida, principalmente para aqueles que acham que sua existência possui um fiapo de significado, nem que seja, como diz uma personagem lá pelas tantas, para influir na vida de outros em milhões de modificações por dia. Se por um lado a HQ tem um significado religioso interessante, por outro, ela presta um “desserviço à fé cristã”, como diz nosso amigo Alexandro. Mas quem está comprometido com a diversão e não com a fé, provavelmente vai curtir esse quadrinho, exatamente pela diversão que proporciona.

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SAVANA DE PEDRA, DE FELIPE CASTILHO, TAINAN ROCHA E WAGNER WILLIAN

Um livro muito bem feito e um livro muito necessário. Feito em três bandas de quadrinhos e por três pessoas diferentes, Savana de Pedra conta três narrativas que de alguma forma se entrecruzam. A narrativa de um policial, de um aluno de uma escola pública em ocupação e de animais em uma savana da África capturados pela lente de uma fotógrafa. Na Savana de Pedra estabelecida pelos autores deste quadrinho, não é mais possível saber quem é presa e quem é predador, quem é caçador e quem é caça, o que precisa saber é que existem situações em que precisamos reagir, senão não sobreviveremos a esta roda-viva que passa por cima de todos. A HQ é silenciosa em boa parte de sua narrativa, dando um espaço no final a um diálogo que acaba sendo uma crítica à imprensa manipuladora. No caso dos fatos das ocupações das escolas públicas, para as quais preferiu fechar os olhos e apresentar fotos da vida na Savana da África. Por isso, necessário, pois, ironia do destino, a mesma empresa que tanto veiculava as suas “verdades secretas”, a mesma mídia enrustida nesta HQ, também foi vítima da mesma roda-viva que esmaga a tudo e a todos sem piedade. A roda-viva da Savana de Pedra, onde qualquer um pode ser a presa, basta ser avistado por qualquer um que possa ser um possível predador.

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SUPER-HOMEM E O ROMANTISMO DE AÇO, DE ROGÉRIO DE CAMPOS

“Super-Homem e o Romantismo de Aço”, de Rogério de Campos, um profissional mais do que timbrado da indústria dos quadrinhos brasileira – criador da revista Animal e das Editoras Conrad e Veneta, por exemplo – é uma magnífica análise sobre o mercado editorial e sobre a indústria dos super-heróis. Contudo, se formos pensar o livro como uma análise do Superman, ele falha bastante. Uma porque é uma análise contaminada de preconceitos acerca do fenômeno do super-herói e isso influencia qualquer análise que possa se dizer como descomprometida – o que não é o caso de Rogério de Campos que, em nenhum momento afirma isso. Outra coisa que compromete o livro é a afirmação do autor de que deixou de ler as histórias do Homem de Aço há decadas. Sabemos que para fazer uma análise de conjuntura é preciso saber do contexto atual do objeto de pesquisa. No caso do Superman, as análises ficam mais em volta das suas origens e contexto de criação do que em seu legado culturas seja nos quadrinhos ou ainda nos seus produtos derivados que, aí incluem o cinema. Super-Homem e o Romantismo de Aço é um livro muito bom de crítica à indústria dos quadrinhos, mas um livro falho de crítica ao Superman per se. De qualquer forma é uma leitura enriquecedora e cheia de dados importantes sobre os super-heróis e sua epítome, o Superman.

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KÁROS, DE GABRIEL CALFA E ERIK SOUZA

Acho que já deu para sacar olhando essa capa que essa HQ tem uma pitada de Moebius, certo? Bem, a criatura quadrinística do Gabriel e do Erik deve ter bebido muito na fonte de Jean Giraud, porque ela junta seus cenários fantasiosos com a sua diagramação diferentosa. Além disso junta muitos elementos simbólicos e mitológicos e enreda a personagem num reino metafísico dividido em diversos cenários. Ah! Também tem os labirintos, claro! As cores também seguem uma paleta que é bem característica das produções do Risco, que geralmente são feitas pelo Gabriel, mas que nessa HQ são do Erik e o Gabe faz o roteiro. Por falar nele, uma coisa que eu mudaria no roteiro e sei que mudaria o sentido da HQ, era manter a personagem sempre dentro do cenário de fantasia, sem os pés na realidade que é sugerido e dado em várias pinceladas durante a HQ. De qualquer forma, Káros é aquela HQ em que você embarca numa jornada mais sensorial, estética e artística do que aquelas HQs que vai tirar alguma lição para sua vida ou que vai explodir a sua mente, uma definição que também, para mim, define a jornada da protagonista desta HQ.

andaANDARILHO, VOLUME 1, DE MARCUS LEOPOLDINO E DANVERDURA

É incrível a ambientação deste quadrinho. E isso que ele se passa em dois cenários: o da floresta amazônica – cenário que os brasileiros não costumam explorar, a não ser que seja para lançar super-heróis tupiniquins bem questionáveis – e também no reino de fantasia que os autores criaram. E quando eu falo nessa construção de mundo, não falo apenas dos sensacionais desenhos e cores de Danverdura, falo também da construção narrativa que o Marcus fez. Isso tem a ver com os dias em que o roteirista passou em treinamento do exército – onde ele trabalhava como psicólogo – de sobrevivência na selva amazônica! Então tem um pouco de autobiográfico nesta HQ. A parte do reino encantando, só se o Marcus tomou um ahuyasca ou comeu uns cogumelos do sol amazônicos. De qualquer forma, a construção de mundo e de narrativa que a dupla faz, neste primeiro volume, nos deixa vidrados na história, tentando entender seus mistérios. Eu acompanho o trabalho do Marcus desde o começo e vi uma baita evolução de lá para este. Então, imagina o que vem nos próximos volumes? Pois sim, a história continua mais além e nos faz pedir por mais!

asaASA NOTURNA, VOLUME 5, DE TIM SEELEY, JAVIER FERNANDEZ, MIGUEL MENDONÇA, SCOT EATON E OUTROS ARTISTAS

Esta edição marca a saída do roteirista Tim Seeley do título do Asa Noturna, depois de alguns anos que ele já acompanhando Dick Grayson desde a série Grayson, onde reinventou o personagem como um operativo secreto da organização secreta Espiral. Neste encadernado, então, Seeley fecha as pontas soltas deixadas por ele mesmo, como as ligações de Dick Grayson com a Desfiguradora e sua equipe de vilões reformados. Mas também explica alguns pontos abertos entre o herói e o anti-herói mercenário Raptor e os acertos de contas com o novo Arrasa-Quarteirão. Agora, quem assume o título será Sam Humphries, que estava encarregado do título dos Lanternas Verdes. Seeley, claro, fez um ótimo trabalho em Asa Noturna, assim como nos demais títulos que escreveu, dando dimensões maiores para os personagens, bem como construindo uma mitologia ao redor deles, com bons personagens de apoio. Este arco, entretanto, serve mais como um aparador de arestas, como falei antes do que como um arco super mega divertido e indispensável. Claro, vale a diversão, mas os desenhos de Javier Fernandez continuam me incomodando bastante. Vamos ver agora como a nova equipe criativa se sai neste título. Farewell, Tim!

cava

CAVALEIRO DA LUA, VOLUME 7: A LOUCURA ESTÁ NO SANGUE, DE MAX BEMIS E JACEN BURROWS

Bom gente, assim: fase de Warren Ellis, de Jeff Lemire, beleuze, são lindas, são bem estruturadas brincam a fu com a forma, mas no final a gente não consegue nunca saber se a história aconteceu ou não dentro das histórias do Cavaleiro da Lua. Claro, isso faz dele um “brinquedinho” que todos querem brincar porque eles têm a noção – errada – de que não se deve levar a sério as doenças mentais. Aí a Marvel entregou a revista para um cara que TEM doenças mentais. Max Bemis, além de ser líder e vocalista de uma banda de rock, ele também foi diagnosticado e se trata de transtorno bipolar. Claro, bem diferente do transtorno dissociativo de personalidade que Marc Spector sofre. Contudo Bemis soube trabalhar a transição das quatro personalidades de Spector de uma forma bem orquestrada, com pés na realidade e levando a sério cada passo que o Cavaleiro da Lua tomou, por mais extremo que fosse. E como Bemis justificou poderes de fogo de Amon Rá, o grande inimigo presente neste encadernado, a influencia da verdade proferida por outro adversário ou o fato do Cavaleiro da Lua ficar mais poderoso? A fé. Já disseram “a fé move montanhas” e sabemos que a programação neurolinguística está aí para provar isso. Então, me desculpem os fãs hardcore do Ellis e do Lemire, como meu amigo Vini, mas eu fico com essa fase aqui do da Lua. Leiam e depois me digam se vale ou não a pena. Hihihi!

cableCABLE, VOLUME 02: OS MAIS NOVOS MUTANTES, DE ED BRISSON, JON MALIN E JESÚS ABURTOV

Como uma combinação dessa popzera noventera pode me agradar tanto? Como um enredo em que refugos inimigos da X-Force e um desenho de um cara que é discípulo de Rob Liefeld e que faz 60 dentes numa boca pode ganhar 5 estrelinhas minhas? Simples, bilu, eu cresci lendo essas histórias. Eu cresci permeado pelo mistério dos X-Eternos, uma conspiração de mutantes imortais que poderia incluir o Míssil e que o Cable sabia disso o tempo todo. “Ah, Nostalgia, como seu fantasma ainda paira!”. Mas o roteirista Ed Brisson consegue amarrar todas aquelas pontas soltas dos anos 90 e ainda faze muito melhor, dando um propósito para cada integrante dessa nova e provisória equipe arranjada por Cable, que contém Longshot, Shatterstar, X-23, Armadura, Doop e Blink. Nesse quadrinho, alguém está matando os X-Eternos e Cable precisa saber quem e porque logo, antes que isso – mais uma vez – complique seu futuro. Esse quadrinho cumpre bem a função do Marvel Legado que é ressurgir com plots antigos vistos de maneira diferente e personagens antigos trazidos de volta para a cena. Cable é anos 90, então pra que negar as origens desse personagem tentando fazer ele funcionar de outra forma. Aqui, os autores forma fiéis às raízes e o resultado saiu bem divertido. Claro, nada mais do que isso.

capitasCAPITÃO AMÉRICA VOL. 01: LAR DOS VALENTES, DE MARK WAID, CHRIS SAMNEE E MATTHEW WILSON

Mais uma resenha da fase Marvel legado que está começando a ser publicada em encadernados (em sua maioria) aqui no Brasil. Bem, esse encadernado traz a dupla que ficou consagrada nas páginas de Demolidor e o reinventou para uma versão mais light e menos sombria. São Mark Waid e Chris Samnee. Este encadernado, podemos assim dizer, tem duas partes. A primeira, mais ufanista, mostra o Capitão viajando pelos Estados Unidos de motocicleta e resgatando seus valores americanos e seus valores enquanto Capitão América, depois dos efeitos de Império Secreto. Elas envolvem uma espécie de aclimatização do público com uma nova galeria de vilões: a Muralha. Para então liberar uma segunda parte, quando o Capitão Steve Rogers é novamente congelado e acorda no mundo de 2025, em uma América futurista e pós-lançamento de ogivas nucleares em todo Estados Unidos. Os responsáveis? A Muralha, que tirando Steve Rogers de jogo criou um futuro onde apenas a elite americana se beneficia. Eu sei, eu sei, que a maioria vai preferir a parte futurista, toda massavéio. Mas eu realmente gostei mais da parte bucólica e pé no chão do início, até porque elas combinam mais com os desenhos de Samnee e a colorização de Wilson. De qualquer forma é um ótima introdução para aqueles que querem começar a ler o Capitão América e só o conhece dos filmes.

hulkriaO INCRÍVEL HULK, VOL. 01: RETORNO AO PLANETA HULK, DE GREG PAK, GRAG LAND E JAY LEISTEN

Começando as resenhas da fase Marvel Legado. A proposta da Marvel Legado é retomar tanto a numeração antiga da Marvel, como personagens, situações e antigos arcos de histórias. No caso do Hulk – que neste momento era Amadeus Cho – a retomada foi um dos grandes sucessos dos últimos tempos do gigante esmeralda, O Planeta Hulk. Na trama, Cho é enviado em forma de Hulk ao planeta Sakaar, desde antes ele estava lidando com a sua parte Hulk que queria assumir o controle do seu corpo. Claro, o velho plot do Hulk e sua luta contra si mesmo. No planeta Sakaar, o Hulk precisa retomar seu status de Quebra-Mundos e de Cicatriz Verde enfrentando o Mestre da Guerra. Para isso, ele precisa enfrentar diversos desafios como um Thor Odinson trazido pelo mesmo portal que trouxe o Hulk. Falando nele, reparei grandes influências para essa nova saga: o filme Thor: Ragnarok, onde o Hulk e o deus do trovão lutam numa arena como neste volume e o filme Mad Max, que, inclusive teve algumas cenas extremamente chupadas do filme. Enfim, a dupla de Gregs, a gente sabe que quandos e junta, não dá suco. E nem se compara com a saga original que o próprio Pak escreveu. Por fim tenho de dizer: vocês reclamam e reclamam das mulheres da diversidade que não vendem. Mas quem não funcionou nada nessa história de “personagens legado” toda foi o Amadeus Cho transformado em Hulk. Prefiro mil vezes ele como “apenas” um garoto mega inteligente.

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O NOVELO #1, DE MARDEN MÜLLER

Não deixe a capa enganar você, dentro dela existe uma história em quadrinhos bem mais interessante e reflexiva do que sua superfície revela. Ela começa com um homem e uma mulher discutindo sobre o quanto de autobiográfico deve conter uma obra e o quanto disso pode ser incluído no trabalho de um artista, mesmo que suas intenções sejam autobiográficas mesmo. Além disso, a discussão acaba indo mais profundamente até chegar em uma mulher que possui olhos nas costas, o que poderia ser vantajoso para alguém, mas ao mesmo tempo, poderia ser bizarro. Os desenhos são muito acolhedores para o leitor, bem como a grafia do Marden, feita de forma “autográfica”, ou seja, em que o artista usou sua própria letra. Um fanzine com proposta de fanzine mas com acabamento muito profissional, bem estruturado, com desenhos convidativos e sem experimentações rocambolescas demais. Chegamos no final com uma boa discussão realizada e uma surpresa para os personagens e para os leitores. Um belo quadrinho que merecia uma capa que os leitores pudessem sacar mais do que lhes espera dentro da publicação. Como é vendida dentro de um plástico, ela provoca um afastamento do leitor, que não pode – a princípio – folheá-la. Então fica a dica para o próximo número do Novelo. E, se vocês virem o Novelo, com sua capa pouco reveladora e seu plástico, comprem sem atinar.

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RENASCIMENTO DC: BATGIRL & AS AVES DE RAPINA – VOLUME 3, DE JULIE E SHAWNA BENSON, ROGÊ ANTONIO, MARCIO TAKARA E OUTROS ARTISTAS

Sempre falo que Aves de Rapina são meus “guilty pleasure” na leitura de quadrinhos, mas durante a fase de Os Novos 52, a condução das Aves estava uma palhaçada sem tamanhos. Era imensamente mais “guilty” do que “pleasure”. As irmãs Benson, vindas da série televisiva, The 100, conseguiram dar uma guinada muito boa na Aves de Rapina em Renascimento DC. Para começar, elas pegaram uma Oráculo que havia voltado a ser Batgirl, uma Canário Negro que era uma rockstar e uma Caçadora que era líder de uma rede de espionagem mundial e construíram uma equipe coesa a partir da “trindade” das Aves. Uma tarefa difícil, pois na encarnação anterior da equipe, tínhamos a Hera Venenosa e Strix, uma “garra desgarrada” da Corte das Corujas. Além disso, todo o passado da Canário com Oliver Queen havia sido limado. Infelizmente esse é o último volume das Aves no Renascimento DC, acompanhando uma onda de cancelamentos de títulos protagonizados por mulheres. Tá certo que não era uma obra-prima o que foi feito em Renascimento DC, mas voltou a dar alguma dignidade às Aves de Rapina e, o melhor, meu “Guilty pleasure” voltou a ter algum pleasure nele.

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PANSY #1, DE KATIÚSCIA NUNES

Esse um quadrinho para as “chans”, ou seja, meninas que “shippam” e gostam de ler e ver romances entre dois meninos/rapazes/homens. Claro também pode ser para qualquer pessoas que seja tolerante, mas a intenção é que se volte a meninas. Como a autora me disse, a intenção é que no mundo em que os personagens vivem seja natural o relacionamento entre homens. O complicado lá é a resistência entre as pessoas para se relacionarem. È o caso do militar Brian, que dispensa as investidas do pintor Paulo, para se abrir com ele. Este primeiro volume (de 4) mostra como Paulo faz com que Brian se abra com ele e, a partir desta tentativa surge um amor perfeito – o tal Pansy do título da HQ. Os desenhos de Katiúscia são muito bonitos e sua narrativa em estilo mangá funciona adequadamente para o segmento que ela se propôs destinar o seu quadrinho. A única coisa que me incomodou um pouco foi o design dos balões e das letras, que são grandes demais na proporcionalidade das páginas, mas nada que interfira nessa ousada tentativa de fazer um mangá Boys Love dentro de um cenário e de um mercado tão machista como é o brasileiro. Por isso, essa iniciativa merece todo meus apoio e todos meus aplausos!

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PRODÍGIO., DE MARK MILLAR E RAFAEL ALBUQUERQUE

Ninguém sabia, mas na surdina começaram a distribuir, de graça, no último dia de Comic Con Experience 2018, no estande do Netflix, essa edição de degustação, publicada no Brasil pela Panini Comics. Prodígio é a nova parceria entre Mark Millar e o brasileiro Rafael Albuquerque (a dupla já havia feito Huck juntos), que conta a história de um homem capaz de absorver conhecimento de forma rápida e inigualável. Por estar sempre a frente dos outros, seja mental ou fisicamente, Edison Crane precisa estar sempre se desafiando, nem que isso possa custar sua vida. Até que ele e a CIA se deparam com uma invasão de outra dimensão. Bem, a HQ é bem estilo Millar, choque atrás de choque, tentando mostrar – e isso é legal – como o personagem é foda. Só que tem um probleminha aí que poderia incorrer em plágio. Já existe um Prodígio, que tem os mesmíssimos poderes que Edison Crane, e ele também é um afro-americano. Ele já fez parte dos Novos X-Men e dos Jovens Vingadores. Ele é David Alleyne e ele também é um dos vários personagens gays dos X-Men. Claro que ele nunca teria uma série nem um destaque desses na Marvel. O que Millar e Albuquerque fizeram foi alçar David à enésima potência com essa nova criação. Mas que poderia configurar plágio, ah isso poderia, sim.

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JUSTICEIRO, VOL. 8: MÁQUINA DE COMBATE, DE MATTHEW ROSENBERG, GUIU VILANOVA E LEE LOUGHRIDGE

Quando eu vi a primeira imagem desta “nova série” achei que era mais uma coisa “massaveista” como da vez em que o Juju vestiu a roupa do Capitão América. Aí li a sinopse e dizia que ele iria ajudar o povo necessitado de uma ditadura militar. Bom, aí fiquei curioso. Com a manutenção do mesmo escritor depois de dois arcos e em uma nova série, bem, parecia um chamado para ler a HQ. Afinal, eu sou curiosão quando acontecem essas mudanças drásticas nos personagens – podem me crucificar com suas pedras de tetos de vidro. Então peguei a HQ na banca com expectativa baixa. E gostei, o roteiro é bem feito, apresentando o novo Justiceiro Máquina de Combate através do ponto de vista de cada um dos cidadãos da republiqueta que ele vai defender a mando de Nick Fury Juninho. Os desenhos de Guiu Vilanova são bem diferentosos, até a armadura fica estranha, mas você se acostuma. As cores do veterano Lee Loughridge dão o clima necessário de uma república nos Balcãs abandonada por todos, menos seu povo e os militares que querem extrair tudo deles. O Juju cumpre sua missão pro Niquinho e resolve usar a armadura para combater o crime em Nova York e o bicho vai pegar no próximo volume. Então, pra uma história do Justiceiro, que vêm sendo uma bomba atrás da outra desde Greg Rucka, até que foi uma boa experiência. E eu sobrevivi a ela.

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ARMA X, VOL 3: A BUSCA PELA ARMA H, DE GREG PAK, FRED VAN LENTE, IBRAIM ROBERSON, MARC BORSTELMANN E FRANK D’ARMATA

Ah, a expectativa, essa nossa amiga treteira, mentirosa e infiel! Com ela por perto todas as nossas noções de gosto ficam alteradas. Mas com ela longe, elas se alteram também. Então a expectativa é uma amiga sazonal, pisca-pisca, que às vezes te visita e te enche de presntes e às vezes ela bagunça tua casa de um jeito que você nem consegue arrumar, e ela ainda sai com o papel higiênico colado na sola do sapato. Fui nesse encadernado do Arma X sem esperar nada, nadica de bom, lendo só por tabela porque sou um verme-x, um mutuninha desgraçado, uma corja mutuna. Os dois encadernados anteriores tinham sido um desastre de tão pífios. E, de repente, lendo esse encadernado, o terceiro, me peguei empolgadaço com a história, querendo descobrir mais sobre o Arma H, o misto massaveistico de Hulk com Wolverine. Droga! Estou cogitando até ler as histórias solo dele e não era isso que eu queria. Mais uma vez fui traído pela expectativa, essa vaca! Mas a explicação é simples. Se chama Fred Van Lente, que foi adicionado para ajudar Greg Pak na revista. Greg Pak sozinho fez os dois encadernados anteriores. Com a ajuda do Fredsy tudo ficou mais empolgante, até os desenhos se destacaram mais, que coisa, gemt! O bom é que o Fred vai continuar com Greg por um bom tempo no gibi. O ruim é que agora eu vou ter que comprar o gibi do Arma H (se ele sair aqui)…

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LAMA, DE RODRIGO RAMOS E MARCEL BARTHOLO

Imagine se dos escombros da tragédia de Mariana erigisse um monstro capaz de acabar com tudo e com todos que se envolveram naquela tragédia e ainda alienar muito mais a população? A tragédia criada pela empresa Vale, serviu de mote e inspiração para Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo criarem o seu Lama, em que utilizam um lenda indígena para encarnar a vingança da natureza contra os homens, também inspirados no Monstro do Pântano de Alan Moore. O terror aqui é denso e explícito, tanto nas relações sexuais quanto nas mortes cruas que se passam no decorrer da história. Bartholo, sempre experimentando com sua arte, faz um trabalho quase completamente apoiado no lápis, algo bastante ousado, uma vez que a grande maioria se utiliza de arte-final. Além disso, o uso da grafite dá uma sensação ainda maior de frieza, algo que ainda não está pronto, de algo que está surgindo e nos observa nos julgando de longe, pronto para dar o bote. Os detalhes da grafite são belíssimos e creio que se fosse todo finalizado, o quadrinho não teria metade do clima e da atmosfera que ele pretende construir. Um belo trabalho de horror nacional do selo Carniça Quadrinhos.

Blacoute

BLACKOUT VOL 1, DE CHRIS TEX E SANTTOS

Quem conhece a música Lost in Supermarket, do The Clash ou gosta do clipe de Fake Plastic Trees, do Radiohead possivelmente vai curtir esse quadrinho. A capa do Santtos é matadora, claro, mas ela pouco traduz o quanto esse quadrinho é interessante. Trata de um menino preso em um supermercado durante a noite, onde precisa enfrentar monstros sombrios com a ajuda de uma mendiga. Em meio a isso, seu irmão e uma menina pela qual ele está encantado precisam resgatar o menino. O roteiro de Chris Tex é mais leve e fluido que a capa leva a pensar, com uma bela construção de personagens e da trama. Mas, na minha opinião, a arte de Santtos é que conduz a trama, mesmo o roteiro sendo muito bem feito. Os cenários do mercado são deslumbrantes, ao mesmo tempo mágico e sombrio, a narrativa dos layouts funciona. O destaque, contudo são os character designs, em que os personagens parecem modelos de revista e, ao mesmo tempo reais, seja pela caracterização do roteiro de Tex e pelo traço de Santtos. É, com certeza, uma narrativa bastante envolvente. O ponto negativo é que a história não é autocontida, e nos deixa esperando por uma continuação. A HQ terá três partes, segundo os autores. Vamos aguardar ansiosos, então!

leo

LEO, DE GUILHERME DE SOUSA

Já acompanho o trabalho do Gui desde 2014, quando li um dos seus primeiros quadrinhos, Vamos Dançar? um quadrinho mudo sobre jacarés e bebês, e achei genial! Depois comecei a acompanhar seu universo de A Última Bailarina, em que uma menina, seu ursinho de pelúcia caolho e um unicórnio gay lutam contra zumbis, que é hilariante de chorar mais que gás clorídrico. Tivemos, então A Última Bailarina Contra-Ataca e o spin-off mudo e em preto e branco com a origem do ursinho de pelúcia caolho Fifo. Claro que não poderia faltar a origem do unicórnio gay Leo e não poderia ser de outra forma que não coloridérrima, néam?! A história, só pra pra variar, é divertidérrima, mara, cheia de highlight, afinal, Leo dança pole dance para derrotar seus inimigos. E o mais legal é que o Gui soube trabalhar a história de uma forma que não menospreza e nem diminui os gays, muito pelo contrário, os valoriza. Acaba mostrando que o fato de o unicórnio ser gay não é um estigma, mas apenas um traço da sua personalidade. Isso no universo de comédia do autor, pode render boas gargalhadas, mas não através de algo pejorativo, mas sim próprio do universo gay, que é de fazer piadas com si mesmo e de se apropriar das ofensas que fazem a eles. Se você quer dar boas gargalhadas, Leo é o lançamento da CCXP mais indicado!

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ORIXÁS: RENASCIMENTO, DE ALEX MIR, LAUDO FERREIRA, GERMANA VIANA E OMAR VIÑOLE

Já venho acompanhando o trabalho do Alex Mir em seu universo de Contos e Lendas dos Orixás há um bom tempo. Então posso dizer com propriedade que com este volume, Renascimento, o trabalho atingiu o seu ápice até aqui. Duas histórias muito bem contadas e ainda focando em personagens femininas fortes, que fazem toda a diferença nas suas histórias. A arte é um capítulo à parte, com o prolífico e parceria contumaz de Mir, Laudo Ferreira, que são arrematados pelas competentes cores de Omar Viñole, e a sensacional nova contribuidora, Germana Viana, que conferem o visual arrebatador do mundo africano dos Orixás de Mir. A obra é um importante instrumento de manutenção do patrimônio imaterial brasileiro através dos quadrinhos. Patrimônio imaterial é tudo aquilo que é produzido pela humanidade mas não tem um repositório material do conhecimento, como a cultura africana que, para se manter, teve ser passada oralmente através de seus descendentes, de forma irregular, gerando assim os rituais diversos das inúmeras casas de religião afro, como a macumba, o candomblé e a umbanda, para citar alguns. Daí a importância de obras como a de Mir que, de volta a um tempo de resistências, se coloca como registro dessas bases de conhecimento, quando as religiões afro aparecem ameaçada por um estado religioso.

reinovaz

REINO VAZIO: BLECAUTE, DE CLAUDIO ALVES, DANIEL ALVES E THIAGO RIBEIRO

Que belo trabalho esse dos irmãos Alves! Você já viu o Thanos estalar os dedos e dizimar metade da população do universo. Mas o que aconteceria se, de repente, num apagão, pessoas e, principalmente, animais, desaparecessem do Brasil. Eu falo do Brasil porque a dimensão que os irmãos Alves dão neste quadrinho é brasileira. As coisas acontecem no interior de São Paulo, na Amazônia, no Rio de Janeiro, na capital de São Paulo. Uma bela ficção científica na realidade brasileira – um projeto que nutro há um tempo e ainda vou lançar, não sei em que mídia. tem uma pegada parecida. Acho que por isso eu gostei tanto desta HQ, que deixa um mistério difícil de ser resolvido pelo leitor, como em boas histórias da linha Vertigo como Y: O Último Homem e Sweet Tooth. Se você acha que é impossível fazer boa ficção científica por brasileiros e se passando no Brasil, devia ler Reino Vazio e entender que é possível, sim. A HQ, infelizmente não é autocontida, mas dá uma enorme vontade de ler a edição seguinte e se embrenhar mais nesse mistério que deixa poças de um líquido negro no lugar daquilo que foi uma vida antes do blecaute que mudou tudo. Por favor, leiam Reino Vazio, não vão se arrepender, vão é querer mais!

ego

SUPEREGO: ASSUNTOS DE FAMÍLIA, DE CAIO OLIVEIRA E LUCAS MARANGON

Quem conhece o Caio aqui do Brasil acha que ele faz só quadrinhos de humor. Mas este quadrinho é sério. Sério mesmo. O Caio reimagina os arquétipos dos super-heróis mais populares do mundo através dos olhos de um psiquiatra de super-heróis. Sim, vale lembrar que isso já foi feito antes pelo Peter David analisando o X-Factor, em duas de suas melhores histórias já escritas. Acontece que as análises no universo do Caio fazem todas parte de um plano. Além disso, ele insere personagens inéditos – digo, que não são decalcados de outros -, que são muito interessantes. Por vezes esse quadrinho me lembrou Ex Machina, mas também me lembrou do Supremo, do Alan Moore. Também me lembrou alguns quadrinhos (bons) do Mark Millar e alguns projetos meus que continuam na gaveta. Para quem está acostumado a ver os desenhos do Caio em preto e branco ou em cores chapadas é uma boa oportunidade para ver como a arte do piauiense toma outra dimensão quando toma uma colorização industrial. Pensei que pela capa do Glenn Fabry iria encontrar algo no estilo Garth Ennis em The Boys, mas não, achei um quadrinho bem no estilo que o Alan Moore, o Mago Supremo gostaria de ter feito – mas com menos referências obscuras e com mais diversão.

febre

FEBRE, DE GABRIEL KOLBE, JADER CORRÊA E MATIAS STREB

Esta HQ contém uma arte insana do Gabriel, Jader e Matias e foi feita a seis mãos, tanto em digital quanto analógica.O Gabriel fez os personagens, o Jader fez as criaturas e o Matias fez os mechas. Febre tem uma verve tanto lovecraftiana quanto steampunk e o enredo nos faz nos interrogar, afinal, de que febre que estamos falando no título? Será que é a febre que está acometendo os passageiros da nave espacial ou será a febre que acometeu anos atrás a jovem Alice, protagonista desta história? Conceitos e artes sublimes, mas a forma como a HQ foi roteirizada me incomodou um pouco, com um texto em off muito invasivo e verborrágico. Muito to tell e pouco to show. A história em quadrinhos, engrena, pra vale lá pela metade. Eu sei que os autores me disseram que a intenção era de emular contos de Poe e Lovecraft com seu clima pesado e detalhista, mas eu acredito que uma coisa é trazer esse clima para a prosa e outra, para os quadrinhos. Sim, foi uma escolha consciente dos autores, mas que eu acho que sua intencionalidade poderia chegar a outros resultados caso a forma escolhida para apresentar a história se aproximasse mais de uma atmosfera visual que textual. De qualquer forma, fãs de FC e horror (seja ele cósmico ou de criaturas) vão curtir a HQ (se não ficarem cricrizando com o texto como eu).

batnene

BATMAN: O GUARDIÃO DE GOTHAM, NÃO CREDITADO

Este livro-quebra-cabeças é mais um lançamento da Editora Ciranda Cultural que recebi de cortesia e é ideal para bebês e crianças que estão começando a se interessar por histórias. E nada melhor que começar lendo histórias de super-heróis, cheias de ação e aventura. Claro, a história deste livrinho é bem simples, em que o Batman enfrenta o Morcego-Humano e o Pinguim e os prende., mas ideal para as crianças. Quando meu afilhado viu o outro livrinho do Superman que recebi, ele se encantou pelas histórias, mas também quis montar várias vezes a figurinha do Super que a união dos livrinhos forma. No caso deste livro quebra-cabeças, é possível montar o herói dentro das páginas do livro, porém com uma ludicidade um pouco mais complexa que no caso do conjunto dos mini-livrinhos. Esta coleção não conta somente com o livro do Batman, mas também um do Superman e outro da Mulher-Maravilha, para nenhum herói favorito da trindade da DC Comics ficar de fora. Se você tem crianças pequenas ao seu redor e acha que elas vão curtir super-heróis, os livros da Editora Ciranda Cultural são ideais para elas.

krykrySUPERMAN: A AMEAÇA DA KRYPTONITA VERMELHA, DE ROGER STERN, JOHN BYRNE, BRETT BLEVINS, DAN JURGENS, JERRY ORDWAY E OUTROS

Esta saga foi a última grande saga do Superman antes de começar todo aquele grande arco que envolveu a Morte e o Retorno do Superman. Eu gosto muito dessas duas fases do Superman porque ela envolve dois grandes escritores da Marvel, que eu curto muito que são o Roger Stern e a Louise Simonson. No caso deste arco, ele é todo engendrado pelo Roger Stern, que escreveu Vingadores por um tempão, numa fase bem elogiada. Neste A Ameaça da Kryptonita Vermelha, o Sr. Mxyzptlk faz um acordo com Lex Luthor e lhe concede uma pedra que, quando Luthor e Superman estiverem no mesmo recinto, eles trocam de poderes. Superman, então, vira humano e Lex todo-poderoso. Contudo, a saga foca muito mais no Superman, que em Luthor, que está morrendo por envenenamento radioativo. Interessante também é a participação do Starman da época, que fora criado por Stern e que se faz passar pelo Superman enquanto Clark Kent está sem poderes. Mas esse encadernado também contém mais surpresas, como o noivado de Lois e Clark (pegando carona na série de TV) e a morte do Lex Luthor careca e gordo para da lugar ao Lex II, seu “filho e clone” para também se aproximar mais do Lex da série de TV. E você achando que alterações nos quadrinhos por causa de suas versões no audiovisual era coisa de hoje em dia. Tolinho…


Piores

miracleMIRACLEMAN: UM OUTRO MITO ARIANO, DE MÁRCIO SALERNO

Eu havia lido este livro pela primeira vez há mais ou menos dez anos atrás. Na época foi muito informativo, porque Miracleman mal havia saído no Brasil com seu primeiro livro (de três). mas lendo hoje com todas as leituras de análise de quadrinhos que já fiz, este livro se mostra bem raso, ao menos dentro de sua proposta que é a de comparar o Miracleman com o übermensch de Nietzsche. na verdade o livro é mais um desfile de descrições das histórias escritas por Alan Moore e as suas idas e vindas editorias do que propriamente uma análise. Serve sim, como uma introdução, mas agora que as histórias do personagem por Moore saíram todas no Brasil, sua funcionalidade deixou de ser. Além de serem poucas e rasas as comparações com Assim Falou Zaratustra, o livro “pisa na bola”, para ficar numa expressão do autor, quando trata de identidade de gênero. Usa muitas vezes a expressão chula “boiola” e também trata homossexualidade e lesbianidade como doenças, ainda colocando-as como opostos sendo que podem ser sinônimos. O autor usa muitas vezes “homossexualismo e lesbianismo”. É aquela velha história: não se deve dar pitacos quando não se entende do assunto. E isso que o livro foi lançado em 2004. Complicado, levando tudo isso em consideração, ser simpático com o autor. Complicado mesmo…

hellhorror

JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER – ORIGENS VOL, 8: a HORRORISTA E SANGUE RUIM, DE JAMIE DELANO, DAVID LLOYD, PHILIP BOND E WARREN PLEECE

Este oitavo e, a posteriori, último volume da coleção Origens de Hellblazer, escrita por Jamie Delano, é um quadrinho bastante confuso. Isso porque ele reúne em seu compilado duas minisséries e uma história curta que nada têm em comum uma com a outra. A primeira minissérie, dos anos 90, se chama A Horrorista e tem aquela pegada de horror físico do começo do selo Vertigo, ainda que seja um quadrinho mais sensório do que narrativo. A segunda minissérie, Sangue Ruim, possui um clima farsesco e se passa em uma Inglaterra do futuro onde uma mestiça filha bastarda da realeza é a próxima na linha sucessória do trono inglês. Ele mistura elementos do início do século XX como o culto desmedido à fama meteórica com os reality shows. A arte das duas HQs também não poderia ser mais disparatada: a primeira tem o realismo cru de David Lloyd e a segunda tem o desenho quase caricatural e infantil de Philip Bond. Claro, essa diferenças entre as duas minisséries não precisaria ser um problema. Mas acaba sendo na medida em que nenhuma delas consegue arrebatar o leitor da mesma forma que a maioria das histórias de John Constantine faz. Mesmo sendo tão desiguais e uma tendo as chances de conquistar o leitor que não curtiu a outra, nem mesmo assim elas atingem seu intento e acabam sendo duas histórias extremamente medianas, onde tanto faz e tanto fez.

esquadra

ESQUADRÃO SUICIDA ESPECIAL, VOL. 1, DE ROB WILLIAMS, JOHN OSTRANDER, JIM LEE, GUS VASQUES, SEAN “CHEEKS” GALLOWAY, CARLOS RODRIGUES E OUTROS

Este especial do Esquadrão Suicida traz duas histórias que, cronologicamente já deviam ter saído no Brasil há muito tempo, tanto é que eu pensei que se tratava de um ou outro especial da equipe lançados mais recentemente. No especial de Dia dos Bobos, de primeiro de abril, somos apresentados às motivações que fizeram a Arlequina se unir ao Esquadrão Suicida. A história, com tom hilário, é dividida entre os desenhos realistas de Jim Lee e a arte fofinha de Cheeks. A segunda história, por John Ostrander, criador do modernos Esquadrão Suicida, é mais interessante ao menos na ação frenética e pouco mais nas motivações dos personagens, quando precisam ir à Europa resgatar um figurão americano que pretende dedurar esquemas corruptos para o mundo todo. Essa também é uma outra história do começo do Esquadrão Suicida e faz uma ligação entre o que aconteceu com a equipe da iniciativa dos Novos 52, incluindo o Cachorro Louco, com a equipe que passou a integrar o Esquadrão já na iniciativa Renascimento DC. Um especial bastante dispensável para quem não é fã e não se importa com a equipe, mas indispensável para os seus amantes.


E então caros leitores mergulhadores? Que acharam das revistas e das resenhas pequenuchas? Não deixem de comentar! Grandes abraços submersos e fiquem de olho no blog para vários posts a partir de 01/01/2019 com nossos apanhados de melhores leituras do ano! Fiquem com a Xanadu! =)

 

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4 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Dezembro de 2018

  1. Olá gui, Eu gostaria de ligar para a madame Xanadu para saber se a Panini irá continuar com aquele reajuste safado. Senão eu irei ter que vender um rim para poder acompanhar os encadernados.
    E sobre o hellblazer, eu acho que se a minissérie bad blood fosse numa pegada mais séria ela teria mais peso, o tom cômico não me pegou

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    1. Bah, Jime! Tá complicado mesmo! Capa cartão a 40 reais é pra sofrer com o Xanadu do palhaço! Vamos ver o que aguarda nós, reles mortais enquanto os deuses paninisticos reinam sobre nós. Também me decepcionei bastante com essa edição de Constanta e com a da coleção do Ellis. Acho que a do Azzarello vai ser mais legal. pelo menos daquelas que eu li dele eu curti. Abraços! =)

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  2. REINO VAZIO: BLECAUTE, DE CLAUDIO ALVES, DANIEL ALVES E THIAGO RIBEIRO eu não li mas parece lembrar muito “Blecaute”(ou Blackout” não lembro) , o segundo livro de Marcelo Rubens Paiva. Que por sinal é um livro muito bom.

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