A Primeira Edição da “Nova” Justiça Jovem e a Volta da Princesa Ametista

[CONTÉM SPOILERS] A Justiça Jovem foi uma equipe de super-heróis adolescentes da DC Comics, criada nos anos 90 por Peter David e Todd Nauck. Ela estreou na minissérie Liga da Justiça: Um Mundo Sem Adultos, em que os heróis jovens Superboy, Robin e Impulso precisavam defender o mundo que havia tido seus adultos erradicados da existência. Logo ganharam uma revista própria que durou mais de 50 edições. Mais para frente, foi desenvolvido um desenho de sucesso pelo Cartoon Network, que retorna agora em sua terceira temporada no serviço de streaming DC Universe. Pensando no impacto da equipe na cultura popular, a DC Comics trouxe o título de volta na linha Wonder Comics capitaneada por Brian Michael Bendis. E é sobre ela que vamos falar agora!

rco001Primeiro precisamos falar sobre a linha Wonder Comics, que já fizemos uma análise mais detalhada neste post aqui. É uma linha com personagens jovens da DC Comics, que a revista da Justiça Jovem vai ser o título principal, ladeada pelas séries Naomi e Super Gêmeos, e a minissérie Disque H para Herói. A revista da Justiça Jovem é desenhada por Patrick Gleason, um tradicional desenhista da DC Comics que já trabalhou, por exemplo, como a Tropa dos Lanternas Verdes, Batman & Robin e Superman, onde criou o novo Superboy, Jonathan Kent. O estilo de Gleason está mais refinado, lembrando um desenho de um Rafael Albuquerque que estivesse mais preocupado com os detalhes e com a mudança da espessura do traço. O traço de Gleason, portanto, está mais fluido, perfeito para um quadrinho que aborda personagens jovens.

 

Esses personagens jovens são o Superboy (mas não Jonathan Kent, e sim Conner Kent), Robin (Tim Drake), e Impulso (Bart Allen). Depois do Reboot da DC Comics, nos Os Novos 52, houve um problema imenso em usar esses personagens, que foram totalmente descaracterizados nas histórias dos Jovens Titãs por Scott Lobdell e Brett Booth. Com o final daquela série e início de outra, os três heróis ficaram vagando num literal limbo. O Superboy foi para no espaço, em uma escola para heróis intergaláticos e apareceu pela última vez nas histórias da Supergirl. Tim Drake foi dado como morto, mas havia sido capturado pelo nefasto Senhor Oz (que era Jor-El disfarçado). E Bart Allen ficou preso no futuro (um plot terrível, amigos, terrível). Então, a DC Comics safada deu um jeito safado de se livrar desses heróis safadamente. O que vai intrigar os leitores dessa nova revista da Justiça Jovem é justamente o retorno de Superboy e Impulso. Tim Drake já havia retornado e se afastado da comunidade super-heróica na série Detective Comics.

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A edição começa com uma menina caipira trazendo algo suspeito no porta-malas de sua picape, quando é abordada por um guarda de trânsito. Ela é Ginny Hex, uma descendente do cowboy desfigurado Jonah Hex. Enquanto isso, o Robin se encontra com Cassie Sandsmark, a Moça Maravilha, que também habitava algum limbo, ainda mais desconhecido da DC Comics, depois que descobriu ser filha de Ares, o deus da Guerra. Enquanto os dois conversam, são atacados por uma horda de seres de outras dimensões: os guerreiros das doze casas do Mundo das Jóias. E, junto com Ginny Hex e a novíssima Teen Lantern, eles começam uma luta contra esses seres.

 

Agora precisamos fazer um parêntese para explicar o que é esse tal mundo das jóias. É de lá que vem uma personagem muito cult da DC Comics, principalmente nos anos 80 e principalmente aqui no Brasil: a Princesa Ametista. Criada por Dan Mishkin, Gary Cohn e Ernie Colón, e sua primeira aparição foi em Legion of Super-Heroes #298, de abril de 1983. A princesa Ametista lembra muito a heroína dos desenhos animado, She-Ra, que também está voltando, agora pelo Netflix. Ametista também possui um unicórnio alado. Ela estreou nos quadrinhos antes de She-Ra estrear nos desenhos animados. Ametista é Amy Winston, uma garota da Terra, que ganhou uma jóia no seu aniversário de 13 anos. Ao tocar na jóia é transportada para outra dimensão, o Mundo de Cristal, um lugar místico dividido em doze partes, onde seus regentes e reinos possuem o nome de doze pedras preciosas. Ao chegar àquela dimensão, Amy se torna uma jovem mulher, num mecanismo de trama semelhante ao de Shazam.

 

Amy descobre, então, que é filha de Lorde e Lady Ametista, que foram mortos durante um golpe de estado perpetrado pelo Opala Negra, que governa o Mundo de Cristal numa cruel ditadura. Amy, então foi levada à Terra para ficar segura, até que retornasse ao Mundo de Cristal com a missão de restaurar o equilíbrio de poderes das doze casas e tornar o lugar um espaço seguro para todos e torná-lo belo novamente. Ametista chegou a ter uma versão durante Os Novos 52, em que era desenhada por Aaron Lopresti e escrita por Christy Marx (criadora de Jem e os Hologramas e escritora de diversos desenhos animados dos anos 80 e 90), na revista Sword of Sorcery, inédita no Brasil. Mais tarde, a garota acabou se juntando com a Liga da Justiça Dark, onde permaneceu por algumas edições.

DC Millennium #02: Impulso, o velocista adolescente.

Acabado o interlúdio para explicarmos Ametista, voltamos à Justiça Jovem, onde Bart Allen reaparece para ajudar seus amigos, restaurando sua maneira louca e espevitada que aprendemos a amar quando Mark Waid e Mike Wieringo criaram o personagem nos anos 90 para a revista do Flash. De longe, o personagem mais divertido da série. Conduto, a dinâmica que se estabelece entre os heróis é bastante divertida, bem estruturada e, claro Bendis não se furta de usar os seus diálogos tão característicos. Mas isso, de modo algum, atrapalha na história. Acredito que o estilo de diálogo do roteirista até se encaixe melhor ao abordar heróis adolescentes do que um grupo de heróis adultos.

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Com a Justiça Jovem praticamente reunida, é a vez de Robin dar de cara com uma moça, segurando uma espada de cor… Ametista. É ela mesma, Amy Winston, sendo apresentada para os novos leitores do Renascimento DC. Também ao final da história, o Impulso, Bart Allen, acaba perdido no fluxo do tempo e do espaço, e acaba se encontrando em um mundo que parece totalmente devastado, com Conner Kent, o Superboy, que agora criou uma barbinha pubescente que também é um dos mistérios da edição. E assim temos o famoso “TO BE CONTINUED…” encerrando essa fantástica primeira edição.

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Sempre gostei da Justiça Jovem, mas aqui no Brasil os leitores tiveram poucas chances de ler as histórias deles, sendo a última compilação tendo saído na coleção de graphic novels da Eaglemoss no ano passado. Espero que essa linha Wonder Comics também saia aqui no Brasil de alguma maneira, porque realmente gostei dessa pegada bendística para a equipe, sendo que, ultimamente eu estava fatigado do estilo de Brian Michael Bendis. E então, mergulhadores, alguém leu a edição? E se não leu, o que está esperando para essa nova revista? Não deixe de comentar! Abraços jovens justiceiros e submersos!

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