Os Melhores Quadrinhos da Marvel Que Li em 2018

Chegou agora a vez da Casinha da Ideiazinhas (copiadas ou não, mas sempre relevantes), ter revelados os melhores quadrinhos que li no ano que passou. Vou fazer aqui nesta lista mais ou menos da mesma forma que fiz na lista da Distinta Concorrência: falar em geral de séries que tiveram mais de um encadernado publicado em 2018. Aqueles encadernados únicos, então, vou falar unicamente deles, tá certo? Bom, então esses eram os avisos iniciais antes da leitura da lista. Agora, senhoras e senhores, ladies and gentlemen, a dona lista:

meldemolidorDEMOLIDOR: DECÁLOGO, DE BRIAN MICHAEL BENDIS, ALEX MALEEV E OUTROS ARTISTAS

Provavelmente sua “run” no Demolidor seja a melhor história mainstream de super-heróis que Brian Michael Bendis produziu até então. Muito disso tem a ver com a colaboração com Alex Maleev, onde os dois conferiram ao herói um tom noir. Esse tom, por pelo menos cinco anos, ditou o clima de diversas outras publicações Marvel e DC Comics, inclusive do Capitão América de Ed Brubaker que cunhou o personagem Soldado Invernal. Neste encadernadaço da linha Marvel Deluxe feito pela Panini Books são compilados três arcos. O primeiro deles, A Viúva, que foca em Natasha Romanoff, a Viúva Negra, é o mais normal dos três. Normal, claro, dentro do escopo da revista. Natasha se usa da notoriedade da identidade secreta do Demolidor para tomar abrigo em sua casa. O segundo, arco, A Era de Ouro, conta a história do Rei do Crime anterior a Wilson Fisk e sua relação com o Demolidor e o ex-vilão Gladiador. Aqui Maleev usa de colorizações e estilizações para situar a história, que vai e vem no tempo. O encadernado, então, encerra com o melhor arco, Decálogo, onde Bendis mostra toda sua verve experimental e independente, seguindo um estilo Marvels e Astro City para mostrar o impacto do Demolidor na vida do cidadão comum de Nova York. Um encadernado sensacional, que, como toda boa história, nos faz largar só quando acaba mesmo. Eu não ia ler ele “todo numa sentada”, como dizia meu pai, mas foi inevitável. Uma leitura absorvente e hipnotizante, Bendis na sua melhor forma e que merece meu total respeito.

capitasCAPITÃO AMÉRICA VOL. 01: LAR DOS VALENTES, DE MARK WAID, CHRIS SAMNEE E MATTHEW WILSON

Mais uma resenha da fase Marvel legado que está começando a ser publicada em encadernados (em sua maioria) aqui no Brasil. Bem, esse encadernado traz a dupla que ficou consagrada nas páginas de Demolidor e o reinventou para uma versão mais light e menos sombria. São Mark Waid e Chris Samnee. Este encadernado, podemos assim dizer, tem duas partes. A primeira, mais ufanista, mostra o Capitão viajando pelos Estados Unidos de motocicleta e resgatando seus valores americanos e seus valores enquanto Capitão América, depois dos efeitos de Império Secreto. Elas envolvem uma espécie de aclimatização do público com uma nova galeria de vilões: a Muralha. Para então liberar uma segunda parte, quando o Capitão Steve Rogers é novamente congelado e acorda no mundo de 2025, em uma América futurista e pós-lançamento de ogivas nucleares em todo Estados Unidos. Os responsáveis? A Muralha, que tirando Steve Rogers de jogo criou um futuro onde apenas a elite americana se beneficia. Eu sei, eu sei, que a maioria vai preferir a parte futurista, toda massavéio. Mas eu realmente gostei mais da parte bucólica e pé no chão do início, até porque elas combinam mais com os desenhos de Samnee e a colorização de Wilson. De qualquer forma é um ótima introdução para aqueles que querem começar a ler o Capitão América e só o conhece dos filmes.

COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O INCRÍVEL HULK, DE VÁRIOS AUTORES

Preciso começar dizendo que de todas as Coleções Históricas Marvel lançadas pela Panini Comics até então, a do Incrível Hulk é disparada a melhor. Isso porque foi uma coleção que investiu em contar as histórias cronologicamente e não fez uma seleção disparatadas de histórias de décadas diferentes como, por exemplo, a dos X-Men. Começar pela fase de Roger Stern, quando ele estava apenas começando na Marvel e, depois iria se consagrar tanto com Vingadores como com o Superman, na DC Comics, foi uma escolha acertada. Por isso a coleção deu tão certo e levou ao começo de outra fase consagrada e longeva no verdão, que foi a de Bill Mantlo. Vale destacar o competente e perene traço de Sal Buscema, presente em todas as edições desta coleção histórica. As aventuras aqui publicadas nos fazem perceber como, depois das fases de Peter David, os roteiristas do gigante esmeralda perderam a mão e não souberam como tratar o personagem desvirtuando seus coadjuvantes em versões bizarras de outros Hulk e perdendo o encanto que a série tinha exatamente neles, que espelhavam o lado humano do Hulk. Por isso, pedimos por mais das Coleções Históricas do Hulk.

JESSICA JONES, DE BRIAN MICHAEL BENDIS E MICHAEL GAYDOS

Com o sucesso da personagem em suas temporadas do Netflix, a Marvel decidiu trazer Jessica Jones de volta às suas raízes: alcoólatra, boca-suja, disposta a tudo. Nada de ficar enfiando ela no universo do Homem-Aranha e fazer ela trabalhar numa revista de celebridades. Aqui é Jessica Raiz, sorry bitches! Essa é a Jessica que amamos, fazendo cagada atrás de cagada e indo atrás para consertar. Não a mamãezinha superpoderosa que tem que cuidar da filha e não pode nem usar seu poderes. Onde já se viu? Quanto talento desperdiçado! Bendis já sai chutando a porta quando coloca Jessica dentro da prisão. Talvez uma forma de responder ao seu Demolidor, onde Matt Murdock acaba atrás das grades? Não se sabe. Mas aqui vemos o Bendis das antigas: cheio de vitalidade fazendo personagens interessantes e cheios de problemas, como eu, você e bem… talvez não sua vizinha. Michael Gaydos providencia aquela arte que estamos acostumados cheia de elementos noir que fazem as investigações da Jess ficarem ainda mais loucas. É por isso que amamos a Jessica Jones e por isso que algumas vezes a gente consegue amar o BMB.

Leia um post que conta para você Quem, Afinal, é Essa Jessica Jones?

PUNHO DE FERRO, DE VÁRIOS AUTORES
Outro herói que foi incensado por sua série no Netflix, embora não tenha nem conseguido uma segunda temporada para chamar de sua. Por outro lado, conseguiu não só uma nova série de quadrinhos, mas duas. Enquanto Punhos de Ferro permanece inédita no Brasil, temos a publicação dos últimos números da sua série dos anos 2000, por Duane Swierzinsky que faz um encerramento sensacional com A Fuga das Sete Cidades. Ao mesmo tempo, temos Ed Brisson e Mike Perkins com a nova série de Danny Rand, em outro desafio ligado à Kun Lun, sua cidade perdida. É o que ele precisa enfrentar em O Desafio dos Sete Mestres, primeiro encadernado desta nova leva. Ambas as aventuras são completas de “sense of wonder”, de um estranhamento exótico, de honra e disciplina, elementos característicos das histórias do Punho de Ferro desde os anos 70. Eu sou suspeito para falar, mas apesar desse nome “fistico” e cheio de segundos sentidos, sou bastante fã do Punho de Ferro e suas histórias.

THANOS, DE JEFF LEMIRE E MIKE DEODATO JR.

Ok gente, o Thanos virou um baita sinônimo daquele fanzoca que é totalmente Nutella pura e massaveistico ao extremo. Isso foi efeito, claro do filme Vingadores: Guerra Infinita. E esses fãs que citei acima nem tiveram a chance de ler a Guerra Infinita original. Aquilo sim era o Nutella e o massaveístico que tinha na época em que o Thanos se fez Thanos. Essa série, contudo acaba agradando tanto os 100% Nutella quanto os véio (sem massa) que criaram raízes naqueles gibis do Jim Starlin. Isso porque Lemire e Deodato trazem à baila personagens que Starlin trabalhou bastante, como o sedutor Starfox, o Campeão do Universo, a neta de Thanos, Nebulosa, entre outros. E, claro, a sua amada Morte. Graças às estrelas a dupla também dá um final ao filho Inumano de Thanos, Thane, trazido por Jonathan Hickman na esquecível saga Infinito. Uma história bem engendrada, bem ilustrada e que, pasmem, agrada a todas gerações de leitores.

Leia um post que fala sobre a dicotomia de Eros e Thanatos nas histórias de Jim Starlin.

MS. MARVEL, DE G. WILLOW WILSON E VÁRIOS ARTISTAS
Não sabemos por que cargas d’água, a Panini Comics Brasil resolveu acelerar os encadernados encalacrados da Ms. Marvel no ano de 2018 e soltou uma profusão de publicações – capa dura, infelizmente – com a personagem. Claro, é muito bom ler as aventuras de Kamala Khan, mas, porra, Panini, capa dura ninguém merece! Enfim, as aventuras da Miss Marvel estão entre as histórias em quadrinhos de super heróis mais antenadas com o mundo atual. Não digo isso apenas porque ela trata de assuntos sociais, mas também porque Willow Wilson está ligada nas transformações que a sociedade passa, seja na maneira dos jovens encaram a realidade, seja nas tecnologias que todos nós estamos utilizando. Hoje elas mudam num piscar de olhos se comparados com os escritores que faziam quadrinhos nos anos 80 e achavam que colocar um poster do Michael Jackson na parede da Kitty Pryde era muito atual. Assim, eu vejo que as histórias de Kamala Khan são aquelas que a gente aproveita mais como uma espécie de conversa com a gente, onde a HQ te dá algumas coisas e nós damos em troca outras a ela. E isso se chama diálogo com o leitor. Por isso, palmas para G. Willow Wilson.

CAVALEIRO DA LUA, DE JEFF LEMIRE, MAX BEMIS, JACEN BURROWS E OUTROS ARTISTAS

Neste ano que passou tivemos o encerramento da fase de Jeff Lemire – que está se celebrizando em escrever personagens com transtorno mentais (que são os mais legais, com licença) – e o início da fase de Max Bemis, um escritor praticamente novato nos super-heróis. Enquanto a fase de Lemire nos conduziu por um jogo às vezes genial, às vezes bem bobinho, entre realidade e doença mental, a de Bemis veio e disse: “não leitores, eu não quero confundir vocês ainda mais, então prestem atenção: tudo que eu mostrar aqui aconteceu mesmo”. E trouxe uma filha para o Cavaleiro da Lua que ele mesmo desconhecia. E aqui está uma boa diferença entre as duas pegadas. Lemire quer enganar o leitor e Bemis quer enganar o personagem que, por sua vez, é enganado por sua própria mente. Entendemos que para Lemire, um cara distante dos distúrbios mentais, Marc Spector é um cara que não deve ser considerado e sua loucura é apenas diversão para outros. Já Bemis, diagnosticado com bipolaridade, sabe que não é bem assim. Pessoas com distúrbios mentais são ao mesmo tempo vítimas delas mesmas, ou seja, de suas mente e também da sociedade que as escorraça por não compreendê-las. Essa é a diferença entre os dois. Não que, de suas formas peculiares, os dois acabem trabalhando mal as histórias. Pelo contrário, só provam como personagens e pessoas assim são ricas em possibilidades, diferentes daqueles que nãos seriam capazes de gerar narrativas interessantes e que levam uma vida regrada e rotineira, dentro da sua caixa quadrada.

VISÃO, DE TOM KING E GABRIEL HERNANDEZ WALTA
A série do Visão por Tom King arrebatou diversos prêmios pelo mundo e ele segue uma linha parecida do que os dois escritores acima trabalharam com o Cavaleiro da Lua. Ele põe em xeque aquilo que as pessoas acreditam que é normal e até mesmo aquilo que os robôs acreditam que é normal porque eles foram feitos pelas pessoas. Mas existe algo mais normal, mas metronômico, mais encompassado, mas estéril e sem emoções do que um robô ou, no caso, um sintozóide? Do qual se espera que aja sempre da mesma forma para a que foi programado e cumpra as funções que sempre foi destinado a cumprir? Essa série nos faz questionar o quanto a sociedade nos faz robozinhos andróides bem azeitados dela e nos faz com que cumpramos as funções pelas quais ela espera de nós. Mas, e quando algo sai fora da programação? Somos vistos como “algo menos que um homem, como algo pouco mais que uma besta”, como dizem os títulos dos encadernados do Visão. Então, o cotidiano passa a não fazer mais sentido e, ou somos consertados de alguma forma, para sermos colocados de volta à máquina-sociedade ou nos transformamos em escória e somos penalizados por nossos “crimes” de estranhamento e desajustamento. Visão é uma baita HQ sobre um robô que é uma baita crítica sobre o que é ser humano e viver com outros humanos ao nosso redor.

Leia uma resenha do quadrinhos do Visão por King e Walta neste link.

EXCALIBUR, DE CHRIS CLAREMONT, ALAN DAVIS E OUTROS ARTISTAS

Um dos quadrinhos mais descompromissados da linha mutante. E por descompromissado eu quero dizer que esses personagens não estão muito interessados em cronologias, apesar de viajarem no tempo e na realidade. Ele não estão interessados na realidade, apesar de viajarem nela e discutirem a existência, mas o leitor acaba, invariavelmente se divertindo e dando boas gargalhadas de suas aventuras inesperadas. E foi ótimo a Panini republicar esses heróis, que são, talvez, a minha segunda equipe mutante favorita. Nunca pensei que eles seriam publicados e nunca pensei que seriam tantos volumes. Claro, gostaria de mais, mas preciso parabenizar a Panini Comics Brasil por essa iniciativa. Trouxe não só histórias clássicas do Excalibur como trouxe narrativas que nunca tinham respirado os ares brasileiros aqui, muito pela política de recortes da Editora Abril. Histórias que para mim não faziam sentido porque foram picotadas, agora consigo entender. Por isso, Obrigado Panini por essa iniciativa e por favor, pensem com carinhos nos fãs dos mutantes, como esse aqui que vos fala!

Leia mais sobre a fase de Chris Claremont no Excalibur.

E leia também sobre a fase de Alan Davis no Excalibur.

E então, Marvecos Marvetinhos como eu? Que acharam da lista? Concordam comigo? Discordam? Adicionaram algum a mais? Trocariam algum deles? Não deixem de comentar! Abraços maravilhosamente submersos!

Deixe um comentário, caro mergulhador!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.