Os Melhores Quadrinhos Brasileiros Que Li em 2018

Para fechar com chave de ouro nossas listas de melhores de 2018, nada mais apropriado do que os Melhores Quadrinhos Brasileiros! E num dia especial! Dia 30 de janeiro também é conhecido como DIA DO QUADRINHO NACIONAL. E que maneira melhor de homenagear a produção brasileira do que indicar 15 boas leituras para aqueles que não sabem por onde começar a ler esse tipo de produção? Pois é, meus amigos mergulhadores! Vamos então à nossa última e especialíssima lista. Só não se esqueçam que depois da lista, no final do post, temos uma surpresa interativa para vocês vindo aí. E relacionada com quadrinhos nacionais!  

AGOvitoESQUADRÃO VITÓRIA Nº100, DE GIORGIO GALLI, CLÓVIS BRASIL E MARCELLO RENOIR

Um belo quadrinhos que homenageia os Vingadores de Jack Kirby (nem de longe eles citam Stan Lee), e imaginam o que aconteceria se esses heróis tivessem sido criados pelo Rei no Brasil e durante a ditadura militar. Por terem mencionado a ditadura militar no Brasil, eu imaginei que iriam meter o dedo na ferida, mas nem isso é abordado. Talvez tenha faltado coragem, ou talvez, a intenção era deixar o quadrinho sonso e descompromissado como eram os desenhos dos super-heróis da Marvel naquela época, inspirados nas revistas de Lee e Kirby. O negócio é que a homenagem foi muito bem feita e realmente lembram aquelas histórias daquele tempo – que embora eu não os tenha vivido, pude acompanhar algumas histórias antigas. Os heróis dos Vingadores, espelhados no Brasil são bem desenvolvidos e, como é uma homenagem, não tem aquela carga de seriedade que pretensos heróis nacionais possuem. Também o ar retrô dá novos contornos à história, com cor chapada e reticulada, arte-final carregada e conceitos de design kirbyanos. Esquadrão Vitória é uma bela homenagem para uma geração que cresceu com a Marvel e, principalmente, com Kirby.

AGOinfancia

A INFÂNCIA DO BRASIL, DE JOSÉ AGUIAR

Este emocionante quadrinho histórico, acompanha a infância do indivíduo brasileiro durante os seis séculos de “existência” do nosso país, contando as dores e desamores das crianças. Ao mesmo tempo, no final de cada história de cada retrato de século, o autor, José Aguiar, faz um paralelo daquela situação precária com situações precárias semelhantes vividas pela “Infância do Brasil” nos dias de hoje. O livro contou com consultoria e pesquisa histórica da historiadora Claudia Regina Baukat Silveira Moreira e prefácio da famosa historiadora de costumes brasileiros Mary del Priore. Claudia Moreira acrescenta notas históricas comentando cada século ao final do quadrinho. Esse respaldo torna o livro importante para o estudo e disseminação da História nacional, uma vez que poucas obras dão destaque para as condições de vida e tratamentos recebidos pelas crianças. A infância, não só do Brasil, mas do mundo até pouco tempo na história humana era tratada como mini-adultos, sem muita distinção ou cuidados especiais. Portanto, a obra de José Aguiar faz abrir os olhos daqueles que se recusavam a ver e aumentar o cuidado daqueles que já enxergavam com os brotos dos seres humanos que herdarão o chão que pisamos, seja enquanto se chamar Brasil, ou depois disso.

AGOjogo

O JOGO MAIS DIFÍCIL DO MUNDO, DE EDUARDO RIBAS

Conheci o Eduardo na última ComicCon RS e, de longe, o trabalho dele se destacava. Capas vistosas, traço com expressão, cores vibrantes. E um nome de um quadrinho bastante instigante. Este quadrinho e o outro dele, Pût, foram uma das poucas coisas que comprei na CCRS, devido à grana supercurta. Contudo, não me arrependi. Foi uma leitura muito boa, que não faria feio como um filme da Sessão da Tarde ou um livro da Coleção Vagalume. Dá pra ver que Eduardo foi uma criança que pegou um pouco dos anos 80, como eu, em que os produtos eram bastante focados nos petizes. A HQ é uma busca de três crianças por três pedras mágicas que, unidas, podem realizar qualquer pedido. Elas querem uní-las para vencer o bully riquinho no videogame, mas talvez a aventura possa ser mais divertida do que O Jogo Mais Difícil do Mundo. Um quadrinho bem redondinho, bem elaborado tanto em desenhos como em roteiro, que tem o potencial de agradar crianças de todas as idades. Também lembra bastante a propostas das HQs da Graphic MSP da Turma da Mônica feita pelos irmãos Cafaggi. Recomendo experimentarem essa HQ nostálgica da infância, O Jogo Mais Difícil do Mundo, por Eduardo Ribas!

MPJbendita

BENDITA CURA, VOLUME UM, DE MÁRIO CÉSAR OLIVEIRA

Mário César Oliveira lançou mão do personagem Acácio que, desde pequeno vive uma terrível guerra dos sexos e dos gêneros em sua cabeça e no seu corpo. Dentro de uma narrativa rica, tanto em desenhos como no texto, Mário traça um parâmetro dos lugares-comuns dos gays. Contudo, esse lugar não significa um chavão, mas algo como a expressão da língua inglesa “been there”, causando identificação imediata. Em Bendita Cura, que tem o pano de fundo dessa primeira parte se passando na ditadura militar brasileira, o menino Acácio é submetido a diversos procedimentos de cura por seus pais linha-dura, Galdino e Mara. Mário, que é gay assumido há alguns anos, tem a sensibilidade necessária para escrever uma história dessas, levando em conta todo o contexto brasileiro de repressão da época. Narrativas como Bendita Cura de Mário César, ou ainda autobiografias de quadrinistas LGBTs como Alison Bechdel, são extremamente importantes. Por um lado criam uma base de apoio e de alento para outras pessoas que passam pelas mesmas situações e, por outro desenvolvem a representatividade de uma parcela da população vista como aberração, como algo fora do normal e a humaniza, mostrando que sim, os gays e queers sentem o mesmo que todo mundo sente, que é o medo de não ser aceito e a vontade de ser bem-quisto e acolhido. Que venham as partes subsequentes de Bendita Cura e mais quadrinhos voltados para a temática queer, porque o mundo e, principalmente o Brasil, estão precisando de mais representatividade para desmistificar vários preconceitos e fobias.

Leia a resenha completa de Bendita Cura neste link.

MPJladobola

O OUTRO LADO DA BOLA, DE ALE BRAGA, ALVARO CAMPOS E JEAN DIAZ

Antes de ler este quadrinho, eu considerava o melhor roteiro de quadrinho nacional, mas nacional com brasilidade, a HQ Sabor Brasilis, que tratava de outra paixão nacional, as telenovelas. Esse quadrinho tem bolas, mas não porque fala só sobre futebol, mas porque fala sobre um assunto do futebol que é sempre varrido para debaixo do tapete: a homossexualidade nesta “paixão nacional”. O futebol é realmente uma “caixinha de surpresas”, principalmente no que tange às atitudes que provoca nas pessoas, no caos que provoca, na imbecilidade que ele traduz. Mas também tem o seu lado bom, um lado que eu nunca encontrei, pois sempre sofri por não gostar do esporte, tendo sofrido uma espécie de rejeição até do meu próprio pai por causa disso. Isso sem falar da maneira como brasileiro te trata quando diz que não é ligado em futebol. O Outro Lado da Bola é um trabalho competentíssimo, de personagens multifacetados, com camadas, com a mesma esfericidade de uma bola, embora os torcedores de futebol custem para entender que a vida não é só amigos e rivais, time da casa e time visitante. Essa é a mesma forma que somos obrigados socioculturalmente a encarar a homossexualidade num eterno “nós versus eles”, como se fosse uma peladinha de moleque, como é o futebol para muitos. Como se fosse algo que desse significado a uma vida medíocre que nada mais faz além de torcer para seu time “do coração” e sair matando e ferindo gente por causa disso. E aí entra a homofobia. Respeito, atitude perante a vida, maturidade, não são coisas de moleque. Mas para aqueles que encaram a vida como um eterno “nós contra eles”, a própria existência nunca vai passar de criancice e da mais pura ignorância. Do Outro Lado da Bola é uma leitura que todas as torcidas organizadas deveriam ler. Mas se eles não leem nem os álbuns de figurinhas que compram, é um sonho que ponham a mão em um livro em quadrinhos com mais duzentas páginas.

Leia aqui a resenha completa de O Outro Lado da Bola.

lama

LAMA, DE RODRIGO RAMOS E MARCEL BARTHOLO

Imagine se dos escombros da tragédia de Mariana erigisse um monstro capaz de acabar com tudo e com todos que se envolveram naquela tragédia e ainda alienar muito mais a população? A tragédia criada pela empresa Vale, serviu de mote e inspiração para Rodrigo Ramos e Marcel Bartholo criarem o seu Lama, em que utilizam um lenda indígena para encarnar a vingança da natureza contra os homens, também inspirados no Monstro do Pântano de Alan Moore. O terror aqui é denso e explícito, tanto nas relações sexuais quanto nas mortes cruas que se passam no decorrer da história. Bartholo, sempre experimentando com sua arte, faz um trabalho quase completamente apoiado no lápis, algo bastante ousado, uma vez que a grande maioria se utiliza de arte-final. Além disso, o uso da grafite dá uma sensação ainda maior de frieza, algo que ainda não está pronto, de algo que está surgindo e nos observa nos julgando de longe, pronto para dar o bote. Os detalhes da grafite são belíssimos e creio que se fosse todo finalizado, o quadrinho não teria metade do clima e da atmosfera que ele pretende construir. Um belo trabalho de horror nacional do selo Carniça Quadrinhos. E engraçado como esse quadrinho engatou num terrível tom de realidade com mais uma tragédia, agora em Brumadinho… Isso sim é que é história de horror!

Blacoute

BLACKOUT VOL 1, DE CHRIS TEX E SANTTOS

Quem conhece a música Lost in Supermarket, do The Clash ou gosta do clipe de Fake Plastic Trees, do Radiohead possivelmente vai curtir esse quadrinho. A capa do Santtos é matadora, claro, mas ela pouco traduz o quanto esse quadrinho é interessante. Trata de um menino preso em um supermercado durante a noite, onde precisa enfrentar monstros sombrios com a ajuda de uma mendiga. Em meio a isso, seu irmão e uma menina pela qual ele está encantado precisam resgatar o menino. O roteiro de Chris Tex é mais leve e fluido que a capa leva a pensar, com uma bela construção de personagens e da trama. Mas, na minha opinião, a arte de Santtos é que conduz a trama, mesmo o roteiro sendo muito bem feito. Os cenários do mercado são deslumbrantes, ao mesmo tempo mágico e sombrio, a narrativa dos layouts funciona. O destaque, contudo são os character designs, em que os personagens parecem modelos de revista e, ao mesmo tempo reais, seja pela caracterização do roteiro de Tex e pelo traço de Santtos. É, com certeza, uma narrativa bastante envolvente. O ponto negativo é que a história não é autocontida, e nos deixa esperando por uma continuação. A HQ terá três partes, segundo os autores. Vamos aguardar ansiosos, então!

leo

LEO, DE GUILHERME DE SOUSA

Já acompanho o trabalho do Gui desde 2014, quando li um dos seus primeiros quadrinhos, Vamos Dançar? um quadrinho mudo sobre jacarés e bebês, e achei genial! Depois comecei a acompanhar seu universo de A Última Bailarina, em que uma menina, seu ursinho de pelúcia caolho e um unicórnio gay lutam contra zumbis, que é hilariante de chorar mais que gás clorídrico. Tivemos, então A Última Bailarina Contra-Ataca e o spin-off mudo e em preto e branco com a origem do ursinho de pelúcia caolho Fifo. Claro que não poderia faltar a origem do unicórnio gay Leo e não poderia ser de outra forma que não coloridérrima, néam?! A história, só pra pra variar, é divertidérrima, mara, cheia de highlight, afinal, Leo dança pole dance para derrotar seus inimigos. E o mais legal é que o Gui soube trabalhar a história de uma forma que não menospreza e nem diminui os gays, muito pelo contrário, os valoriza. Acaba mostrando que o fato de o unicórnio ser gay não é um estigma, mas apenas um traço da sua personalidade. Isso no universo de comédia do autor, pode render boas gargalhadas, mas não através de algo pejorativo, mas sim próprio do universo gay, que é de fazer piadas com si mesmo e de se apropriar das ofensas que fazem a eles. Se você quer dar boas gargalhadas, Leo é o lançamento da CCXP mais indicado!

JULcaixeta

QUEM MATOU O CAIXETA?, DE RAINER PETTER

Quem Matou o Caixeta?, de Rainer Petter, é uma crua retratação dessa geração que quer mais postar sem realmente refletir o que está fazendo e quais as responsabilidades desses comentários. Quem Matou o Caixeta? vem, então, para implantar essas dúvidas que falta para os youtubers celebridade. O próprio título já é uma pergunta. Assim como a vida é uma busca, estamos sempre atrás das respostas. Ninguém às serve numa bandeja para nós todos os dias num videozinho. Quem Matou o Caixeta? é um retrato certeiro das discussões das redes sociais, dos youtubers, mas muito mais de como essa realidade virtual vêm fazendo vítimas e desestruturando a realidade real pela falsa sensação de segurança que provoca. Rainer Petter concebeu um bela crítica para despertar o sentimento e a consciência crítica das pessoas. Então, no fim da história só não vai entendê-la quem não quer ou quem não desenvolveu o sentimento crítico necessário para atuar de forma interdependente com o mundo. E não depender de respostas prontas para tudo, como muitas narrativas, incluindo a dos “digital influencers”, fornecem.

Leia uma resenha completa de Quem matou o Caixeta? aqui neste link.

JULunicornio

CARA-UNICÓRNIO: VOLUME UM, DE ADRI A.

Super-heróis gays não são algo muito comum. Super-heróis gays que são metade unicórnio são ainda mais incomuns, principalmente aqueles picados por unicórnios radioativos, como é o caso de David. Um dos problemas dos quadrinhos gays, em geral, que se veêm hoje em dia é que eles se levam a sério demais, talvez, negando a queerness do segmento. Mas esse não é o caso de Cara-Unicórnio de Adri A., que tem um enredo surreal e provocante ao mesmo tempo que gera boas gargalhadas brincando com o gênero de super-heróis. Que Deadpool e que Arlequina, despirocar com as expectativas do mundo e do gênero de super-heróis tem que ser missão de um escracho gay. Nada mais justo dentro de um segmento que sempre foi machista, homofóbico e cheio de preconceitos sobre o que é ou não válido comprar e admirar. Cara-Unicórnio, além de uma arte e uma narrativa em quadrinhos muito bem desenvolvida, é cheio de referências que fariam o Capitão América pirar. Mas elas acontecem de uma forma que quem é discreto e fora do meio também possa curtir bastante. Por vezes até se esquece que o Cara Unicórnio é gay. Afinal, a gayzice não faz uma pessoa, ela é só um pedaço de todas identidades que nos compõem. Leiam Cara-Unicórnio!

MELjeremias

JEREMIAS: PELE, DE RAFAEL CALÇA E JEFFERSON COSTA

Posso dizer que essa é minha nova Graphic MSP favorita. Não por causa da sua história, não por causa do personagem, do desenho e do roteiro, mas porque o Estúdio Mauricio de Sousa finalmente se posicionou numa das questões mais críticas do nosso país: o racismo. Também pelo empoderamento que essa revista traz para as milhares de crianças negras que leram e para as que continuam lendo a Turma da Mônica e sempre viram o Jeremias como um personagem de canto, por vezes até portando a infame “black face”. Essa revista também falou fundo para a minha criança, sempre sofrendo bullyng por não se ajustar, por preferir estar com as meninas que com os meninos e seu futebol – isso é abordado de uma forma branda na HQ, mas seu discurso serve para todas as minorias sociais de certa forma. O pai de Jeremias fala que, nesse mundo, você tem que criar uma casca e ser duas vezes mais forte e melhor que as outras pessoas para sobreviver e conseguir respeito. É isso, mas não é só isso. Cascas deixam a gente insensível e força não leva a nada. É preciso acumular sim, conhecimento sobre as falhas – das pessoas e da sociedade – e tentar criar pontes e não cascas, embora sempre batamos de cabeça no muro da falta de respeito e da falta de educação e ética entre as pessoas. Portanto, essa se tornou minha HQ da Graphic MSP favorita, por posicionamento, por LUTAR A BOA LUTA e não brigar para conseguir vender mais só por vender ou por ser bonitinha e cuticuti sem agregar uma mudança social. Essa mudança é um dever os meios de comunicação sociais – e principalmente aqueles de grande alcance e circulação como a Turma da Mônica – têm. Ninguém gosta de ser excluído e de ser marginalizado, de ser xingado e desrespeitado por ser o que quer que seja e é preciso educar as pessoas desde pequenas a aceitar as diferenças, algo que até então os Estúdios MSP tinham se mantido muito em cima do muro quando as questões são mais polêmicas, mesmo numa questão que é considerada um mal universal como o racismo. Quem dirá nas questões de gênero. Mas, uma jornada de mil léguas começa com o primeiro passo.

Leia uma resenha completa deste quadrinho neste link.

SETmenino

O MENINO QUE NÃO SABIA VOAR, DE YURI AMARAL

O Menino Que Não Sabia voar é mais uma prova do amadurecimento da produção de quadrinhos nacional. Com uma construção de mundo e de personagens incrivelmente instigantes e interessantes, é um quadrinho com potencial para agradar a todas as idades. Além disso, ele está ligado à outras alternativas de interação e busca de interesse do público por seu universo ficcional. É possível encontrar possibilidades de acompanhar histórias paralelas à história no site do quadrinho no site apoia.se. Assim, o autor, Yuri Amaral, acaba exercendo a transmídia de forma mais eficiente do que muitas grandes editoras com enormes universos ficcionais super desenvolvidos e cheios de possibilidades narrativas. Além disso, “O Menino…” é uma história que ajuda adultos e crianças que sabem interpretar histórias a exercer a tolerância à diversidade, afinal, o protagonista, Kei, é acusado de trazer uma maldição para seu vale, por ter sido a primeira criança a nascer sem o dom de voar. Em busca de aceitação, em tentativas de voar, Kei acabou perdendo um olho. Mas isso não quer dizer que a HQ seja trágica, pelo contrário, possui uma carga de mistério e de aventura que empolgam o leitor. O ponto negativo é que ficamos com vontade de ler rapidamente o próximo número. Que venham mais!

SETanesia

ANÉSIA, DE WILL LEITE

A Anésia é um sarro. Ela lembra aquelas pessoas que são tão sérias e mal-humoradas que quando alguém faz uma piada com elas fica mais gostoso ainda dar uma gargalhadona. Mas a verdade é que por “cortar” as pessoas em suas alegrias, ou seja, o contrário do que falei antes, é que Anésia fica incrivelmente hilária. Eu conheço e sei que vocês também devem conhecer vários Anésios e Anésias da vida e que nem são tão velhinhos, mas que carregam uma nuvenzinha preta sobre suas cabeças. De tão mal-humorados acabam caricatos. Este livro reúne várias tirinhas da vovó azeda desde 2007, mas o mais legal na minha opinião foi a “faixa bônus” do álbum, uma paródia geriátrica super bem elaborada de O Mágico de Oz. Imagine Anésia como a Dorothy querendo sair de Oz, que na verdade é um Asilo. Ok, mas não seja tão literal, tá?! Outra coisa legal do livro do Will Leite são pequenos desenhos no canto das páginas à la Sergio Aragonés em MAD, em que eles comentam as tirinhas das páginas referentes. Uma baita sacada e que confere mais valor para quem já conhece as tirinhas e compra o álbum da vovó azeda. Por fim, vale destacar que pedi para o Will autografar o quadrinho para a minha mãe. Que foi? Ela gosta da Anésia… Mas não tanto quanto a Dona Dolores.

SEtsantosangue

O SANTO SANGUE, DE LAUDO FERREIRA E MARCEL BARTHOLO

Um belo lançamento da Jupati Books na Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Pelas hábeis mãos e mentes de Laudo Ferreira e Marcel Bartholo vem O Santo Sangue, uma história sobre devoção, desvio e desterro. Uma história cheia de brasilidade, como as devoções por santas proclamadas pelo povo como curandeiras, folclore nativo e jagunços de aluguel, mas que também poderia ser universal, já que esses elementos se repetem também em outras culturas e literaturas. A Santa em questão usa seu santo sangue menstrual que jorra da tarde à noite para curar pessoas. Um mote bastante tenebroso e bizarro para essa HQ que, misturada à arte provocativa e sombria de Bartholo, conferem a ela um clima único. Em determinados momentos, os cenários e as ambientações da arte me lembraram as paisagens e as paragens coloniais que visitava com meu pai e meu irmão no interior do Rio Grande do Sul. Além disso, o artista confere a seus personagens uma característica própria que os tonam ao mesmo tempo sinistros e misteriosa, mas que também os torna de fácil identificação durante a história. Um belo quadrinho de embasbacamento e de costumes – sejam eles quebrados ou não.

SETpile

PILE UP, DE BRUNO SOARES

É praticamente impossível olhar para a capa do quadrinho Pile Up, de Bruno Soares e não querer pegar para olhar melhor, saber do seu conteúdo e do que se trata a história. Folheando a revista o leitor vai perceber que se trata de um trabalho em preto e branco e sem diálogo nenhum. A história se passa no espaço, em que dois exploradores – que acredito serem um espécie de botânicos ou biólogos – procuram formas de vida vegetais em diversos planetas. Pile Up, conforme descrito no posfácio, foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Bruno, que também fez intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras na Universidade de Savannah, uma das mais conceituadas em termos de estudos em quadrinhos. Os desenhos e a construção que Bruno trava em Pile Up são memoráveis, encantadores. Também são misteriosos e essa aura paira ainda mais pelo fato de ser um quadrinho “mudo”, silencioso. Afinal, no espaço, ninguém pode ouvir você gritar, certo? E nessa aura de mistério e ambiguidade genial, Bruno também encerra a história, deixando ao leitor decidir se Pile Up é uma historia bonita e fofinha, ou se é macabra e aterradora. Um belo trabalho!

A SURPRESINHA…

Você pode conferir neste link aqui. Have fun!

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