Melhores e Piores Leituras de Janeiro de 2019

Janeiro está indo embora. Mas o calor, ah amigos mergulhadores, esse parece que chegou para ficar… Quem pode, foge para os ares condicionados ou para a festa na piscina do Tony Stark. E quem não pode, bem, continua como sempre ficou: sofrendo. E esse nosso amigo Donald Trump e seu séquito terraplanista que acha que efeito estufa não existe, né? Para quem pode ficar no ar condicionado com limusine, não existe mesmo. Bem, meus amores, agora está na hora das nossa melhores e piores leituras do mês de janeiro, depois da batelada de melhores e piores leituras de 2018. São 30 minirresenhas dos mais diversos tipos de quadrinhos, então acompanha aí, vai!

Melhores

janaquamanRENASCIMENTO DC: AQUAMAN, VOLUME 6, DE DAN ABNETT, MAX FIUMARA, RICCARDO FEDERICI E PHILIP KENNEDY JOHNSON

Essa fase do Aquaman por Dan Abnett está sendo bastante divertida de acompanhar. Ela começou a ganhar corpo e sentido a partir do terceiro volume, quando o autor começou a explorar mais as peculiaridades do Reino de Atlântida. E, nesse sentido, com as conspirações para tomar e retomar o trono da cidade submersa, ela lembra bastante o filme do Aquaman que esteve em cartaz até poucos dias e já é a maior bilheteria da DC Comics nos cinemas de todos os tempos. A edição também conta com os desenhos realista de Riccardo Federici que faz a narrativa ficar ainda mais semelhante ao deslumbramento do filme do herói aquático. Neste encadernado também temos uma edição Anual de Aquaman, em que Arthur e Mera se veem capturado pela Clemência Negra, a planta que aparece na história canônica Para o Homem que Tinha Tudo, do Superman e que foi escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons. Se o Aquaman está passando por uma boa fase nos cinemas, também está acontecendo isso nos quadrinhos. O personagem está sendo valorizado e repensado como nunca foi. Quem tem a ganhar, como sempre, são os fãs.

jangarotosOS GAROTOS DO RESERVATÓRIO, DE CELIO CECARE E FÁBIO COBIACO

Sabe o que eu mais gostei deste quadrinho? Foi a escolha do formato dele. Calma, eu explico! É um quadrinho que o formato, a fisicalidade dele ajuda a contar a história e a fornecer a ela o ritmo arrastado que combina com a vida sem rumo dos personagens principais. O formato da HQ é praticamente um A5 e com pouquíssimos quadros por página, o que fornece um ritmo de leitura para seu público diferente do que estamos acostumados. Com isso, temos um reflexo do cotidiano, ao mesmo tempo de resistência e de conformidade dos personagens principais. Lá pelo meio da narrativa temos uma boa reviravolta e o tempo em que a narrativa se passa é alterado. Garotos do Reservatório vai jogando com nossas expectativas ao mesmo tempo que joga com as dos personagens. Por isso, o roteiro de Cecare e a narrativa visual de Cobiaco são belos exemplos de como usar o ritmo, o tempo e a narrativa próprias da linguagem dos quadrinhos em favor daqueles que produzem e daqueles que lêem um quadrinho. Os desenhos de Fábio Cobiaco são bastante expressivo apesar de simplificados e me lembraram os personagens da banda Gorillaz, criados visualmente por Jamie Hewlett, o que torna a HQ ainda mais atraente. Confiram!

janpunhodeferroPUNHO DE FERRO, VOLUME 2: DENTES DE SABRE – ROUND 2, DE ED BRISSON E MIKE PERKINS

Depois de Ed Brisson e Mike Perkins terem entregado um belo arco no volume passado, que faz jus às histórias mais recentes de Danny Rand, neste volume eles cumprem bem a tabela. Quer dizer, as duas histórias estrelando Shang-Chi, o Mestre do Kung-Fu são dignas de uma história de Jeph Loeb: muita pancadaria, splashs duplas, pouco diálogo e tchum, acabou. Uma dupla de edições bem whatever. Já a segunda parte deste encadernado, que tenta engatar o que aconteceu no primeiro volume de Brisson e Perkins com o que os autores anteriores deixaram para resolver acaba sendo, mais uma vez, burocrática. Parece que nem o revival da briga com o Dentes de Sabre, inimigo figadal do Wolverine que apareceu pela primeira vez nas páginas do Punho de Ferro , serviu para dar uma chacoalhada na trama. Além disso, a Panini Brasil, por alguma razão, deixou de publicar a minissérie digital Punhos de Ferro que explicaria melhor algumas coisas dessa edição para o leitor. Por exemplo: como diabos Danny Rand tem o dragão de Kun Lun crescido e dentro do seu apartamento? Agora resta saber como a Panini vai publicar as três últimas histórias da série que fazem parte do crossover Danação, como o Doutor Estranho, Aranha Escarlate e Motoqueiro Fantasma.

janmisterno

MISTER NO ESPECIAL 1: MAGIA NEGRA, DE GUIDO NOLITTA E ROBERTO DISO

Jerry Drake é o Mister No. Ele é um piloto de avião que faz viagens clandestinas para dentro da Amazônia selvagem. Mister No é um quadrinho italiano sobre o Brasil. Claro, o lado mais peculiar e mais impressionante do nosso país. Queria ver como um italiano via nosso país. Esse primeiro especial do personagem publicado pela Editora 85 traz um tema interessante para a história que são os nossos rituais das religiões afro-brasileiras. Mas antes de eu entender do que a história se tratava, o personagem é levado a um ritual que não poderia nem ser dito espírita e nem afro-brasileiro. Logo Mister No percebe que é uma farsa e desmarcar o charlatão. Ele passa a ser atormentado por um antropólogo americano que quer desvendar as “farsas” das religiões afro-brasileiras. Mas, se você pensou que, depois de muita insistência, No iria levar o professor para conhecer a umbanda ou o candomblé, ou ainda a macumba, está muito enganado. Ele leva o professor a conhecer o catimbó. Depois de fazer um fiasco no ritual do catimbó os dois vão presos. Mas o professor queria mais, queria conhecer a quimbanda, a religião afro de magia negra, devotada, principalmente, a Exu das Sete Caveiras. No nega e continua preso por um mês, enquanto o professor é libertado. O professor então acaba descobrindo a quimbanda por si mesmo e só Mister No pode evitar que o professor seja morto durante o ritual ao tentar desfazê-lo para a posteridade. Eu tenho estudado como curioso, aqui e ali, as religiões afro-brasileira, principalmente como são retratadas nos gibis. Este especial do Mister No é um prato cheio para a análise e, certamente, vou fazer um artigo este ano para um colóquio sobre este quadrinho. Guido Nollita, o escritor, se mostra um profundo conhecedor do Brasil – rá- profundo. Sem cair nas armadilhas dos clichês que os gringos costumam cair quando retratam nosso país. Uma linda história que tem a seguinte mensagem, quando um advogado yankee pede a No olhar pela janela: “Mas veja lá embaixo, Mister No: os antepassados deles vieram da distante Angola, de Dahomey e do Senegal, trazendo antigas e misteriosas tradições e culturas tribais quen nós tentamos destruir de todo jeito… por que deveriam confiar em nós? Aqueles outros viveram até há poucos anos no coração da Amazônia, onde foram caçados por nós, arrogantes invasores brancos… por que deveriam confiar em nós?” Fica a pergunta: Por que deveríamos confiar nos gringos? Sensacional HQ!

jandampyr

DAMPYR, VOLUME 01, DE MAURO BOSELLI E MAURIZIO COLOMBO

Bem, amigos, já tenho um personagem favorito dos fumetti (quadrinhos italianos) da Sergio Bonelli Editore. Ele é Dampyr, ou melhor, Harlan Draka. Dampyr é o nome que se dá ao híbrido entre humanos e vampiros cujo o sangue é um veneno mortal para os vampiros e também é uma forma de matá-los, diferente das tradicionais estacas. Como diz a apresentação desta revistona de quase 400 páginas, Mauro Boselli e Maurizio Colombo buscaram evitar os clichês do gênero quando criaram Harlan Draka em um época em que sinônimo de vampiro era o Edward da Saga Crepúsculo. A série convive entre as ruínas de uma guerra civil em um país dos Balcãs ou dos Cárpatos (não definido) e gangues de elementos sobrenaturais. A cada mestre vampiro que Harlan mata e bebe o sangue, mais conhecimento e poder ele vai adquirindo. As histórias são recheadas de aventura e terror, com desenhos muito detalhados. Outros tipos de criaturas sobrenaturais além dos vampiros dão a cara na série, tornando-a menos enfadonha e mais interessante. Os companheiros de Harlan são Tesla, uma vampira “do bem” e Kurjak, um ex-capitão do exército que agora é um mercenário, que ressaltam os dois mundo, ou duas raças, a que nosso Dampyr pertence. As quatro histórias aqui apresentadas, as quatro primeiras do personagem, vão num descrescendo de emoção. Mas nem por isso deixam de nos deixar com vontade de ler mais e mais histórias desse personagem fascinante. Gostei muito.

janbluejaysamurai

BLUE JAY SAMURAI, DE TITO CAMELLO

Conheci o Tito pelo Twitter porque ele tinha dado like e compartilhado um post meu. Fui a abrir o perfil dele e vi que ele tinha um trabalho de desenho incrível. Então, conversando com ele, descobri que tínhamos outras coisas em comum: ele também era gaúcho e acadêmico. Resolvemos trocar nossos quadrinhos e o Blue Jay Samurai chegou na minha casa. Mesmo com o Tito estando poucas mesas longe de mim na CCXP, não conhecia o quadrinho dele. E foi muito legal embarcar nessa jornada com o Blue Jay por um mundo incrivelmente bem maluco, surreal, mas no bom sentido. No de que o Tito soube trabalhar os elementos que tinha e construir uma realidade incongruente para cumprir a função narrativa que ele estabeleceu para ela. No final da história, que é curtinha, 32 páginas de belos desenhos e cenas de ação, somos surpreendidos por uma revelação que destrói o sentido da realidade que o Tito e nos construímos para a história com uma bela mensagem ecológica acoplada. A único senão da HQ é que as letras dos balões variam de tamanho e, em geral são pequeninhas. De qualquer forma, recomendo uma espiada neste e nos demais trabalhos do Tito. Vale a pena.

janluciferLÚCIFER, VOLUME 3: SANGUE NAS RUAS, DE HOLLY BLACK, RICHARD KADREY, LEE GARBET, ANTONIO FABELA, MARCO RUDY E BEN TEMPLESMITH

Vinha acompanhando e curtindo muito essa nova versão do Lúcifer pela Holly Black, escritora da série de terror, As Crônicas de Spiderwick. Mas, qual a minha surpresa, quando parei para ler o terceiro encadernado que Holly apenas assinava duas histórias de Natal da série. Quem conduziria a série então, ao seu “derradeiro final” seria o escritor Richard Kadry, que não me lembro de ter lido nada feito por ele. Assim, comecei a perceber como os números feitos por Black eram melhores. Já que Kadry tem um estilo em que todo personagem precisa sair com tiradinhas espertas. Todo. Personagem. E eu pensei “taí, estragou a série”. Mas não foi o que aconteceu, tirando essa mania esquisita de personagens espertalhões para todo lado, depois a trama se ajusta e ele consegue manejá-la dando um fim satisfatório para a série. Uma lástima que a Vertigo tenha cancelado essa série, uma vez que a série de Lucifer está bombando tanto lá fora como aqui no Brasil. Mas – RÁ – era uma pegadinha do Mallandro da Vertigo, porque ela iria relançar Lucifer dentro do Sandman Universe, compondo uma das quatro revistas desse selo dentro do selo da Vertigo! Então, minhas rezas, opa, minhas maldições, para que a nova série seja tão boa quanto as duas anteriores!

jandeadpooljusticeiroDEADPOOL VERSUS JUSTICEIRO, DE FRED VAN LENTE E PÉRE PÉREZ

Não me perguntem a razão de eu ter comprado este encadernado. Eu não sou fã do Justiceiro e acho que o Deadpool tem sido muito mal explorado principalmente nesses especiais versus caça-niqueis dele. Eu nem olhei a equipe criativa. (Acho que fui é fisgado pela capa). Depois é que fui ver que era escrito pelo Fred Van Lente, um cara que costumo curtir bastante o trabalho. Então, meus amiguinhos, meus cumpádis, eu tenho que dizer que acabei gostando muito desta edição. Ela é muito bem construída e tem uma narrativa muito bem executada por Pére Pérez. Frank Castle e Wade Wilson estão numa batalha entre si e ao mesmo tempo trabalhando conjuntamente para salvar a mulher e o filho de um agiota e contador dos criminosos. Este homem, chamado Senhor Banks, precisa esconder seus segredos sobre as fortunas dos maiores fora-da-lei do mundo e que ele é o responsável pela administração das finanças. Mas o problema é que os segredos do Senhor Banks estão de posse de sua mulher e filho. Então Deadpool e Justiceiro sairão em combate e em uma aventura pelo mundo para que esta família não seja dilacerada pelo Treinador! Um surpreendentemente bom quadrinho!

jantitas4LENDAS DO UNIVERSO DC: OS NOVOS TITÃS, VOLUME 4, DE MARV WOLFMAN, GEORGE PÉREZ, ROMEU THANGAL E ADRIENNE ROY

Estou simplesmente amando esta coleção de Lendas do Universo DC dos Novos Titãs. Uma oportunidade de ver (ou rever) algumas das histórias bases deste grupo tão querido por tantos leitores. Mas este volume tem uma diferença em especial. Ele traz a minissérie em quatro edições, Tales of The Teen Titans, também por Marv Wolfman e George Pérez. Eu leio as histórias dos Titãs desde 2001, mas mesmo assim nunca tinha lido as origens completas de Cyborg, Ravena, Estelar e Mutano, que são os personagens novos da equipe, ao lado dos antigos Robin, Kid Flash e Moça-Maravilha. Então foi um deleite poder conhecer melhor estes personagens que acompanho há quase 20 anos. E só pra fazer um fanservice eu achei as histórias de origem destes personagens na seguinte ordem: 1) Estelar 2) Ravena 3)Cyborg e 4)Mutano. Também fiquei muito satisfeito que a Panini Comics Brasil vai continuar publicando mais duas levas da coleção do Lendas do Universo DC dos Novos Titãs, trazendo ainda mais histórias que eu não tive a oportunidade de acompanhar e que nunca, nunquinha mais foram republicadas em lugar algum, no Brasil.

janescarlateARANHA ESCARLATE, VOL. 2 FERRÃO DA MORTE, DE PETER DAVID, WILL SLINEY E ANDRÉ LIMA ARAÚJO

Peter David é Peter David, não é minha gente? Ele consegue pegar personagem bem fundo de quintal e construir tramas interessantes com eles. Mas além disso, pessoalzinho, o PAD respeita a cronologia e os elementos ao redor dos personagens. Coisa que muito roteiristas incensado e massaveístico não dá conta. Neste encadernado, não satisfeito em trabalhar com os clones defeituosos dos Homem-Aranha, Ben Reilly e Kaine, ele também traz de volta a equipe dos Aracnídeos. Eles são pessoas que adquiriram identidades secretas que o Homem-Aranha usou durante a saga Crise de Identidade (uma das melhores dos anos 90, não que sobraram muitas). E, claro, Peter David também vai lidar com um tema muito caro para ele que é a religiosidade e a existência e, por isso, ele coloca também, ninguém mais, ninguém menos, do que A Morte na história do Aranha Escarlate. Que misturança, não é mesmo, pessoal? Mas Peter David consegue orquestrar tudo direitinho e ainda nos deixar curiosos para saber o que ele prepara para o próximo encadernado. E isso vai ser o crossover entre Aranha Escarlate, Motoqueiro Fantasma, Punho de Ferro e Doutor Estranho: Danação. Misturança pouca é bobagem!

janmagraMAGRA DE RUIM, DE SIRLANNEY

Quem sabe um pouquinho sobre mim, sabe que no mestrado, eu pesquiso relatos de si em quadrinhos e, mais especificamente de mulheres e, mais especificamente de lésbicas. Os relatos de Sirlanney não são exatamente de mulheres lésbicas, mas eu consigo encontrar diversos elementos da escrita de si feita por mulheres. Mas aí é que se encontra a peculiaridade da Sirlanney. Eu vejo nela um estilo que lembra muito mais os de mulheres dos quadrinhos undergrounds americanos lá dos anos 70, como Aline Kominski-Crumb e Trina Robbins – que chamam de a primeira onda do relato de si em quadrinhos – do que mulheres que produzem relatos de si em quadrinhos atualmente. Muito por causa da repetição de situações cotidianas de diferentes formas e muito também por causa da experimentação com os desenhos, a linguagem dos quadrinhos e com os textos. Mas já vou avisando: não esperem encontrar relatos cronológicos da vida de Sirlanney, ou uma tentativa dela de explicar a sua vida. Em Magra de Ruim temos acontecimentos pontuais e manifestações de sentimentos e sensações em forma de palavras e desenhos. E também não se esqueça que isso não significa que o quadrinho é ruim, ok?! Magra de Ruim é um quadrinho lisérgico.

janmaqMÄQ, DE EDUARDO RIBAS

Duas guerreiras estão em busca de uma espada mágica que ninguém consegue encontrar. Para isso precisarão dos conselhos de uma velha guerreira, morta há muito tempo, com seus espírito preso e isolado em uma ilha perdida. MÄQ fa parte de uma trilogia de espada e feitiçaria que o Eduardo Ribas vem preparando desde 2017. Embora eu não tenha curtido o PÛT, o primeiro quadrinho da trilogia, gostei bastante deste MÄQ, que é mais dinâmico, mas colorido e tem personagens bem mais interessantes do que o primeiro deles. A jornada das heroínas também é mais interessante que a dos personagens do primeiro quadrinho. Mas a verdade é que lendo este quadrinho, eu fiquei bastante curioso para ler o terceiro quadrinho e parte final da trilogia e também para ver como as três histórias se entrelaçam, se é o caso delas se entrelaçarem. Veremos, veremos.

jandemolidorDEMOLIDOR, VOL. 17: PREFEITO FISK, DE CHARLES SOULE, STEFANO LANDINI E RON GARNEY

Quem está por dentro das polêmicas das HQs deve saber que foi nesta edição que a Panini Comics Brasil comparou Wilson Fisk, o Rei do Crime, com o presidente eleito do Brasil , Jair Bolsonaro. A editora usou o “apelido” do presidente para se referir ao criminoso “FISK MITO” diziam os cartazes de uma população de apoiadores do mafioso. Prefiro não entrar no mérito da discussão para fazer feat. Jaiminho e “evitar a fadiga”. Vou falar é da HQ. Se percebe, desde que Charles Soule assumiu os roteiros, ela vem mostrando uma evolução nas tramas, que vão ficando mais complexas. Um exemplo foi o arco Supremo, em que o Demolidor defende a legalidade dos vigilantes mascarados no Supremo Tribunal dos EUA. Se fosse no Brasil, eles seriam caçados como cães para satisfazer alguma vontade e mamata entre amigos. Mas voltando à vaca fria, os enredos estão discutindo aspectos legais envolvendo heróis e vilões e as artimanhas que cada lado se usa favorecido das leis. Não por acaso, Soule exerceu a advocacia por um bom tempo, o que o torno um belo candidato para escrever as histórias de um advogado, mesmo que Matt Murdock, nessas histórias trabalhe como promotor público. O ponto fraco é que essa estadia de Wilson Fisk como prefeito dura somente este arco, ela poderia ser estendida por mais edições mais bem explorada. Renderia muitas histórias boas. De qualquer forma, a virada final do arco nos deixa atento para a continuação. Muito atentos.

jansurpreendentesxmenSUPREENDENTES X-MEN, VOL. 1: A VIDA DE X, DE CHARLES SOULE E VÁRIOS ARTISTAS

Quem acompanha meus escritos por aí sabe que eu e meu irmão começamos a ser fãs de X-Men por causa de uma saga que tem o Rei das Sombras como o vilão principal. Neste encadernado que retoma a tradição das histórias grandiloquentes de Supreendentes X-Men, Ahmal Farouk é novamente o antagonista. E mais: temos o Professor Xavier e o Rei das Sombras lutando e fazendo jogos psíquicos na mente de Psylocke. Então ela convoca alguns X-Men e os coloca para lutar dentro de sua cabeça, no plano astral. Meu coraçãozinho e minha emoção nostálgica de criança vibraram com cada página produzida por Charles Soule e uma gama de talentosos artistas. Isso também porque, diferente da maioria dos escritores atuais dos X-Men, Soule respeita a cronologia e as personalidades dos personagens. Assim, temos uma historinha envolvente, cheia de jogos e tramoias psíquicas e como um final bem surpreendente que resulta no retorno do Professor Charles Xavier. O ponto negativo é que não é uma história autocontida, que só vai se revelar no próximo encadernado. Mas vamos combinar: seria sensacional se o defeito de todos encadernados fosse continuar na próxima edição, né?

jandoutorestranhoDOUTOR ESTRANHO, VOLUME 1: DEUS DA MAGIA, DE DONNY CATES E GABRIEL HERNANDEZ WALTA

O legal desta nova leva de histórias do Doutor Estranho, surgidas por causa do seu filme, é que, por mais que você pense que elas poderão te decepcionar, elas não te decepcionam. Isso porque o personagem rende. E isso porque os escritores que assumem a sua revista não apagam o legado deixado pelos escritores atuais anteriores. Neste encadernado vemos o deus nórdico da mentira e da trapaça, Loki, assumir o manto de Mago Supremo da Terra, querendo fazer as coisas de forma diferente das que Stephen Strange fazia. Enquanto isso, Stephen, que não pode mais ser médico, está atuando como Veterinário e está conversando magicamente com os animais para saber o que lhes aflige. Um a trama bastante inusitada e, por essa razão, acaba conquistando os leitores. Além de inusitada, é uma trama bem construída, em que os elementos não são apresentados por uma mero acaso. Todos eles têm uma função na trama e isso também é recompensador para quem está lendo a história: ver que as peças colocadas vão lentamente se encaixando. Os desenhos de Walta, como sempre, competentes e que combinam com esse clima mais dark do Doutor Estranho. Agora vamos na estrada rumo à Danação. Sim, esse será o próximo grande evento do Doutor Estranho.

janjudokaO JUDOKA, POR FHAF (FLORIANO HERMETO DE ALMEIDA FILHO)

Em tempos de adaptações de super-heróis para a sétima arte, precisamos destacar que O Judoka foi o primeiro super-herói e o primeiro quadrinho brasileiro a ir para os cinemas. O Judoka foi interpretado, em 1972, pelo então “homem mais lindo do Brasil”, Pedro Aguinaga. Dois anos antes, a história A Caçada, de FHAF, era escolhida como a melhor história em quadrinhos do ano pelo saudoso Moacy Cirne. Isso porque FHAF era um empolgado discípulo de Guido Crepax e Jim Steranko, dois grandes virtuoses da experimentação narrativa dos quadrinhos. Embora a arte de FHAF fosse evoluir muito mais em sua estadia em Judoka, como podemos ver nesta antologia, era na narrativa em quadrinhos que o expert Cirne mirava. O mesmo pode-se dizer dos roteiros. Eles são melhores nas histórias seguintes, mas os recursos narrativos inventivos são o destaque de A Caçada. Foi muito legal ler esse compêndio organizado por Francisco Ucha e conhecer mais do Judoka, que só ouvia falar em livros sobre quadrinhos. Assim pude entender porque o personagem fez tanto sucesso mesmo tendo sido inventado para ocupar o lugar do obscuro personagem da Charlton (hoje, da DC Comics) Judomaster (Mestre Judoca). Recomendo a leitura para interessados em super-heróis e cinema, história dos quadrinhos brasileiros, artistas marciais, saudosos dos anos 70 e curiosos em geral.

janmooreMAGO DAS PALAVRAS: A VIDA EXTRAORDINÁRIA DE ALAN MOORE, DE LANCE PARKIN

Muita gente sabe que Alan Moore é considerado um gênio da escrita dos quadrinhos. Mas poucos sabem da sua trajetória de formação. Em sua escola básica, ele era uma estrela, mas quando foi para a escola de rapazes, não se acertou por lá e acabou expulso por traficar LSD. Passou por muitos trabalhos braçais até encontrar sua boia de salvação: os ArtsLabs. Os ArtsLabs eram oficina gratuitas, incentivadas pelo governo inglês e que tinham um artista renomado como curador e administrador. David Bowie chegou a ter alguns ArtsLabs nos anos 70 na Inglaterra. O da cidade de Northampton ajudou Alan Moore a encontrar seu caminho através da experimentação artística, que sempre foi um dos seus motes em seu estilo. Além disso, foi a partir deles que Alan conheceu Steve Moore (sem parentesco) que foi seu mentor no mundo dos quadrinhos e o orientou para diversos trabalhos. Este livro, diferente dos demais, apota esta fase de Moore, claro, até os dias de hoje. Mas o seu diferencial é ir direto ás raízes do escritor. Enquanto os demais apenas se focam nas suas obras e estilos, este foca muito mais nos bastidores e, principalmente nos bastidores das criações de Moore. Mostra também muitos dos problemas com as ideologias de Alan em renegar seus trabalhos passados principalmente com editoras grandes e evitar que seja creditado nos filmes que adaptam seus trabalhos. Não é uma biografia que toma lados, mas que deixa claro que a visão de Alan Moore, confrontada com as demais, está bastante equivocada. Tem uma citação da Internet que é citada por Lance Parkin, autor do livro, que resume bem a vida de Alan Moore e suas brigas e desafetos intermináveis: “Qualquer dia alguém vai se encontrar preso, porque Alan Moore está fechando TODAS as portas”. Triste que a genialidade de Moore acaba sendo restrita por seu enorme ego.

janmeianoiteMIDNIGHTER, VOL. 1: OUT, DE STEVE ORLANDO, ACO, STEPHEN MOONEY, ALEC MORGAN E ROMULO FAJARDO JR.

Apolo e Meia-Noite foram o primeiro casal gay de super-heróis a trocarem alianças em uma história em quadrinhos. Nesta HQ, que eu tive de recorrer ao importado, por desistência da Panini Brasil em publicá-la, o Meia-Noite está “dando um tempo” no relacionamento com Apolo. Assim, como o personagem teve toda sua vida inventada depois que foi abduzido por alienígenas que o tornaram aprimorado, ele quer pela primeira vez viver uma vida “de verdade”. E essa vida de verdade inclui sim, exercer sua sexualidade como gay. Portanto, essa é a história em quadrinhos de super-heróis que mais e melhor explora as nuances e as miríades dos relacionamentos gays. Pelo menos daquelas que eu li, e não foram poucas. Isso porque o roteirista, Steve Orlando, é bissexual assumido. O Meia-Noite voltou à cena porque o roteirista Tim Seeley passou a utilizá-lo nas histórias de Dick Grayson, enquanto ele trabalhava como espião para a agência Espiral. A HQ é, de longe, um dos melhores trabalhos de Steve Orlando, que já trabalhou com a Liga da Justiça América e com Supergirl. Midnighter também ganhou diversos prêmios tanto da mídia gay como da mídia tradicional de quadrinhos. Outra coisa que chama atenção neste encadernado é a arte e a narrativa de ACO, muito bem engendrada e tudo a ver com o personagem. Podemos definir a participação do artista neste encadernado como essencial para seu sucesso principalmente quando comparamos sua narrativa em quadrinhos com os demais desenhistas que se encarregaram de outras histórias neste mesmo compilado. Mas mais do que isso, mais do que a espionagem, a ação, a violência, Midnighter é um quadrinho sobre pessoas que passaram anos e anos em um mesmo relacionamento e, quando, por alguma razão, se libertam dele, passam a enxergar novos horizontes e novos mundos na frente de si. Por isso, ela fala muito também sobre frustração, a de não encontrar pessoas como aquela do relacionamento antigo, em quem podia-se confiar. Uma jornada não só de encontrar um novo “outro”, mas como de encontrar um novo “mesmo” e isso também diz respeito a sua própria identidade e àquilo que você acredita que é. E deixei para o final para dizer que o encadernado encerra com um reviravolta mindblowing, que faz jus a todos os prêmios e críticas positivas recebidas por essa HQ. Leiam. Leiam. Leiam! Panini, você foi uma PANACA em não publicar, confirmando sua fama de homofóbica! Beijinhos!

Leia aqui um post que fala sobre o Meia-Noite, o herói mucho macho que é gay.

jancaioO SEGREDO DE BABA GANUSH, DE CAIO YO

Esse é o quadrinho mais longo que o Caiolino fez e acho que também é o mais dark de todos. Fiquei muito feliz quando ele conquistou o PROAC/SP, porque venho acompanhando a evolução do trabalho dele desde que ele participou de Pequenos Heróis e, depois, quando nos tornamos amigos e vizinho de mesa no FIQ 2015. Eu vejo que o Caio sempre coloca muito do que é dele nos quadrinhos que ele faz e, algumas vezes eu consigo identificar os protagonistas do Caio em quem ele é, principalmente nas feições dos personagens. Este O Segredo de Baba Ganush traz, como sempre, a linda arte do Caio, com seus matizes e pinceladas muito bem detalhadas, dando o tom da história. Ela também lida com rejeição, que um tema bastante recorrente em quase todos os trabalhos do Caio e também com aceitação, que é outro tema recorrente. Mesmo que essa aceitação, no caso de Baba Ganush, seja aceitar o monstro que possuímos e que configuramos para os outros. Como dizem as histórias dos super-heróis: “ou você morre cedo para se tornar herói, ou se vive o bastante para se tornar o vilão”, ou ainda, “todo vilão é herói da própria história”. Um bel trabalho do Caio e espero que venham mais belos trabalhos longos e mais prêmios em editais e outros reconhecimentos para ele!

janautobioAUTOBIOGRAPHICAL COMICS (BLOOMSBURY COMICS STUDIES), DE ANDREW J. KUNKA

Se alguém me pedisse para indicar um livro para começar a estudar quadrinhos autobiográficos, eu diria este, este e este. É o livro mais completo em termos do estudo dos quadrinhos autobiográficos no sentido de que, diferente dos outros, ele primeiro traça um panorama geral dos elementos que conceituam os quadrinhos autobiográficos, depois conta um pouco da história e dos avanços de cada onda de produção dos quadrinhos autobiográficos, para depois contar um pouco mais sobre cada marco deste tipo de produção. Claro, o foco do livro é nos quadrinhos estadunidenses, mas alguns quadrinhos franceses e japoneses também são abordados. O importante neste livro não é tanto os exemplos que ele aprofunda, mas o panorama geral que ele traz, diferente da maioria dos livros do tipo que apenas se aprofunda nas questões de diversos trabalhos. Não por acaso, Andrew J. Kunka afirma lá pelas tantas que o interesse pelos quadrinhos autobiográficos é diretamente proporcional ao interesse pelo estudo dos quadrinhos em geral nesta nova leva contemporânea. Por isso, não é de se exagerar quando se afirma que os quadrinhos autobiográficos em formato graphic novel vieram para trazer uma outra dimensão para a importância da mídia quadrinhos no âmago da memória coletiva de nossa sociedade.

jantitas3LENDAS DO UNIVERSO DC: OS NOVOS TITÃS, VOLUME 3, DE MARV WOLFMAN, GEORGE PÉREZ, DICK GIORDANO E ADRIENNE ROY

Este foi o melhor volume lido até agora dos três desta coleção de Lendas do Universo DC: Os Novos Titãs. As histórias dos Novos Titãs, por Wolfman e Pérez apenas de terem uma boa dose de texto e muitos quadrinhos por página são dinâmicas. Isso porque a dupla de criadores consegue instigar eintrigar o leitor de uma maneira bem-engendrada, mas que não se repete. Afinal, temos uma epopéia de resgate da família quando Mutano vai atrás dos assassinos da Patrulha do Destino, temos uma história de amor e de tragédia com Estelar se envolvendo com um espião da Colméia, temos uma história de horror e possessão macabra com o destino da amiga do Kid Flash e, por fim, temos uma história de intriga e espionagem internacional da Guerra Fria com o combate dos Novos Titãs com o Estrela Vermelha (ex-Estelar). Assim é fácil de entender porque os Novos Titãs, assim como os X-Men, eram um sucesso na década de 80. Wolfman e Pérez usam vários dos códigos de Claremont e Byrne na esquipe da DC Comics e isso, para quem é fã dos X-Men fica bem claro. Nada que prejudique curtir por demais os Novos Titãs. Afinal, ninguém aqui é um conservador fundamentalista, é?!

jandefensoresOS DEFENSORES (#1): OS DIAMANTES SÃO ETERNOS, DE BRIAN MICHAEL BENDIS, DAVID MARQUEZ E JUSTIN PONSOR

Então, acho que esse quadrinho é o melhor quadrinho de equipes que Brian Michael Bendis já fez. Claro, aqui ele tem apenas quatro personagens para trabalhar as dinâmicas e um deles ele já trabalhou bastante, que é o Demolidor e outro deles, a Jessica Jones, ele criou. Assim, mesmo a dupla Punho de Ferro e Luke Cage não é terreno novo para Bendis, já que trabalhou os dois por muito tempo em Novos Vingadores. Assim, Bendis está, de certa forma, em uma zona de conforto. Por isso, a trama fica muitíssimo mais interessante do que em seus trabalhos com os X-Men ou os Vingadores. Vemos muitos elementos abordados nas séries do Netflix aqui: Reba, Cascavel, Enfermeira Noturna, entre outros, fazendo a ligação necessária para leitores provenientes dessa mídia. A arte de David Marquez, como sempre, é sensacional, embora tenha mudado um pouco, talvez para imprimir um ritmo mais profícuo em compensação aos atrasos de Guerra Civil 2. O ponto negativo da história é que ela vai te atraindo, te conquistando, te deixando curioso, mas quando você chega no final, vai precisar compra o segundo e último encadernado para saber o resultado e resolver o mistério da história…

janarchieARCHIE: MUNDO DOS MORTOS, VOL. 1 – FUGA DE RIVERDALE, DE ROBERTO AGUIRRE-SACASA E FRANCESCO FRANCAVILLA

Se você curte hoje a série Riverdale, do CW Channel (Warner, aqui no Brasil) deveria ler esse quadrinho. Foi a partir dele – mais precisamente de uma brincadeira de uma capa de Francesco Francavilla – que seus editores passaram a olhar mais seriamente e mais contemporaneamente para os quadrinhos que tinham na mão. Na verdade, isso começou um pouco antes, com a criação e publicação da revista de Kevin Keller, o primeiro personagem gay da turma do Archie, dando à Archie Comics mais importância. Isso chamou a atenção de um escritor de musicais, peças de teatro e produtor de Glee chamado Roberto Aguirre-Sacasa que, por acaso, também era gay. Ele levou a ideia da capa de Francavilla para os diretores da Archie Comics e então eles tomaram a decisão de fazer um quadrinho chamado Afterlife With Archie (Pós-Vida com Archie), que aqui ficou chamado como Archie: O Mundo dos Mortos – um nome meio bobinho, e que incluia também as personagens da série Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, cujas histórias se desenvolvem em Greendale, a cidade vizinha a Riverdale. Este quadrinho, então, comparado com os demais quadrinhos de Archie da época, foi o máximo. Pediu quatro reimpressões da primeira edição. A Archie Comics nunca tinha vendido tanto quadrinho assim desde que lançaram a edição de Kevin Keller, por Dan Parent. A história é mesmo divertida, principalmente pela causa da praga zumbi. O cachorro de Jughead é revivido por Sabrina, morde seu dono, que vira zumbi e infecta a cidade toda. Archie e seus amigos, precisam se refugiar na mansão do pai de Verônica Lodge para se salvarem. Mas claro que tudo dá errado. A arte de Francesco Francavilla é maravilhosa para uma história de terror, já que ele se inspira tanto em quadrinhos da EC Comics como nas capas de livros pulp. Depois desta minissérie (em 9 edições lá fora, em 2 volumes aqui no Brasil) Aguirre-Sacasa foi convidado para se tornar editor-chefe da Archie Comics e começou a reviver os quadrinhos da editora com uma pegada mais contemporânea. Foi isso que levou à criação da série Riverdale com um tom mais de mistério e sobrenaturalidade e depois levou à criação da série de Sabrina no Netflix. Está contada a história, agora vá e leia o gibi!

Leia mais sobre a jornada de Archie, Riverdale e Sabrina dos quadrinhos para a televisão.

janguardiGUARDIÕES DA GALÁXIA: PRELÚDIO PARA CONTAGEM REGRESSIVA INFINITA, VOLUME 2, DE GERRY DUGGAN, AARON KUDER, GREG SMALLWOOD, ROD REIS E OUTROS ARTISTAS

Como é bom quando os personagens que você curte passam a ser escritos por um roteirista que realmente entende suas características e constrói tramas intrigantes e envolventes com eles. Desde o primeiro filme dos Guardiões da Galáxia, os heróis espaciais da Marvel estiram sob o jugo de Brian Michael Bendis e suas histórias de grupos insossas. Gerry Duggan já chega dando um ritmo diferente para os Guardiões, envolvendo-os com as Jóias do Infinito e com os Anciões do Universo, ampliando e venerando a mitologia do Universo Marvel, diferentemente do que Bendis fazia. Além disso ele d´s novos propósitos para Drax – agora pacifista -, Gamora – buscando se fazer completa -, e Groot – na versão baby outra vez. Além isso temos outros heróis que expandem a mitologia galáctica da Marvel, como o Nova Robbie Rider e Scott Lang, o Homem-Formiga acabam se juntando e reforçando a equipe. Não por acaso, logo mais, aqui no Brasil, os Guardiões da Galáxia protagonizarão uma enorme saga cósmica intitulada Guerras Infinitas. Escolher Gerry Duggan, então, para tomar as rédeas dos Guardiões foi uma boa decisão da Marvel Comics.

janjackUNION JACK: LONDRES CAÍNDO, DE CHRISTOS N. GAGE E MIKE PERKINS

Eu já havia lido esta minissérie do Union Jack na época da falecida revista Marvel Action, da Panini Comics, que também publicou concomitantemente a minissérie Doutor Estranho: Juramento. Na época, foram duas das melhores leituras de super-heróis que tive. Union Jack voltava às luzes da ribalta por ter participado das histórias do Capitão América por Ed Brubaker, atrás do Soldado Invernal. Lá ele era desenhado pelo mesmo Mike Perkins que faz um ótimo serviço nesta minissérie. Esta minissérie também tem como mérito colocar no holofote outros heróis classe B/C da Marvel, como a israelense Sabra e o saudita Cavaleiro das Arábias, que formam um “odd couple”. Completa a equipe a Contessa Valentine DeFonatine, amante de Nick Fury pai, desalojada pela SHIELD. A equipe baseada em Londres tem como missão evitar diversos ataques terroristas ao redor da cidade por supervilões acostumados com o terreno americano. Uma bela HQ de contra espionagem recheada de ação, mas que não é aquela ação besta e brucutu dos filmes dos anos 80, é uma ação mais inteligente ao nível da espionagem britânica mesmo.

janunionUNION JACK: TRADIÇÃO, FÉ E DESTINO, DE BEN RAAB E JOHN CASSADAY

O personagem que veste a bandeira inglesa, Union Jack, sempre rende boas histórias. Principalmente quando a terceira geração do herói transformou a sina do herói de um personagem aristocrático para um herói da classe trabalhadora. O Union Jack atual é Joey Chapman, um pintor de casas e essa dicotomia entre as classes está presente nessa primeira minissérie do herói, bem como a ameaça sempre presente dos vampiros. Escrita por Ben Raab, escritor inglês que esteve vinculado com personagens anglo-saxônicos como o Excalibur e o Cavaleiro Negro, e desenhada pelo superstar John Cassaday em início de carreira, a aventura em três edições é bastante divertida, deixando a comer poeira trabalhos atuais em minisséries como as de Brian Michael bendis, por exemplo. A edição que eu li foi compilada pela Salvat em sua coleção vermelha junto com outra minissérie boa e recente do herói. Além disso, existe a grande batalha contra os vampiros que migraram para a Grã-Bretanha e os problemas envolvendo as família de Lorde Fallsworth, o Union Jack original e Jacqueline Chrichton, a Spitifire original. Union Jack, então, dá conta de uma nova geração vampírica neste volume.

Leia mais sobre o Union Jack, um dos principais heróis ingleses da Marvel, neste link.

OS NOVOS DEUSES, DE JACK KIRBY
Finalmente consegui ler na íntegra aquela que consideram a obra-prima do Rei Jack Kirby, Os Novos Deuses. As onze edições foram publicadas em dois volumes da Coleção de Graphic Novels DC Comics da editora Eaglemoss. E eu percebo como eu sabia muito, mas muito pouco sobre os Novos Deuses. Não sabia, por exemplo, que a série era protagonizada por Órion e também não sabia que ele tinha o nome terrestre de O’Ryan. É interessante que Kirby usa deuses poderosos e com uma tecnologia ultra-avançada, mas não deixa o lado humano de lado. Ele sempre expõe coadjuvantes terrestres e os seus dramas e neuroses ao mesmo tempo em que os Novos Deuses usam a Terra como campo de batalha contra Apokolips. No começo eu não estava levando muita fé na HQ, mas lá pela metade dela eu já estava vibrando com as aventuras de Orion, Magtron e do misterioso Corredor Negro. A maior lástima dessa HQ é que ela foi cancelada precocemente por uma enorme junça de fatores inesperados e Kirby nunca terminou o que planejou para esses personagens. Assim, muitas coisas acabaram ficando sem resposta, mesmo que criadores como John Byrne e Walt Simonson tenham tentado dar continuidade décadas depois. Ano passado, o Rei Jack Kirby completaria 100 anos de idade. Mas fora a DC Comics, a Marvel e a Panini Brasil deixaram muito a desejar nessa comemoração. Kirby merecia mais. Não só desta editoras, mas de nós, fãs, que acabamos sempre dando a maior parte do crédito de suas grandes criações ao boquirroto Stan Lee. Excelsior!

Piores

janxomanowarX-O MANOWAR, VOLUME 1: SOLDADO, DE MATT KINDT, TOMÀS GIORELLO E DIEGO RODRÍGUEZ

Eu ainda não achei alguém que me explicasse a necessidade da Valiant Comics rebootar os seus quadrinhos de linha. Eu acompanhava as HQs que eram publicadas pela HQM, tanto do personagem deste encadernado aqui, X-O Manowar, como do personagem que fiz a resenha anterior da editora, o Bloodshot. Eram histórias boas, ok. Não eram as melhores da Valiant, mas não eram ruins a ponto da editora precisar rebootar sua continuidade. Este volume de X-O Manowar e o outro, de Bloodshot mostram, outra vez, que esse reboot foi pretensioso e desnecessário, já que as histórias não são nem de longe boas ou parecidas com a qualidade da onda anterior. O bom mesmo nestas edições são as artes, que mantêm o mesmo nível de qualidade ou ainda se mostram bem melhores do que suas antecessoras. O trabalho editorial, herdado pela Jambô Editora da HQM continua impecável e bem feito, mas nem sempre adianta um belo trabalho editorial quando o material que se tem para reeditar, ou seja,verter para outra língua e público não colabora. Esse encadernado novo do X-O Manowar parece muito um videogame “bate e corre”. Se você curte histórias assim, beleza, pode ser que curta esta HQ.

janafrosamuraiAFRO SAMURAI, VOL. UM, DE TAKASHI OKAZAKI

Sempre ouvi falar muito bem de Afro Samurai. Na época em que foi lançado, em 2009, era muito hypado, tinha anime e até um filme ia ser feito com o Samuel L. Jackson. Mas esse mangá é mais Samurai do que Afro. Na verdade de Afro só tem o black power. Além disso, um dos personagens é cuspido e escarrado no Lobo Solitário. Então não entendi porque tanta celebração ao personagem. A história é boba, como homens lutando em testes de masculinidade para saber quem é o homem número 1. Os desenhos não são lá grande coisa também. A edição que a Panini Comics Brasil fez para o mangá, com impressão em papel pisa brite, o famoso papel jornal, que absorve muita tinta de impressão e deixa borrado as nuances que o desenhista fez, atrapalhando na compreensão geral da história. Eu sei que mangás não são a minha praia, mas vez que outra eu dou uma chance para eles. E, na maioria das vezes, eu acabo me arrependendo disso. Eu gostaria de saber explicar essa minha aversão por alguns mangás, mas nem sempre consigo. Neste aqui, a história não me conquistou nem um pouquinho e a arte foi prejudicada pela impressão porca. Mas, ok, isso não vai me impedir de tentar ler um mangá novamente.

janactionSUPERMAN 80 ANOS: ACTION COMICS ESPECIAL, DE VÁRIOS AUTORES

Não espere encontrar nenhuma história que será lembrada por décadas e décadas neste encadernado. Ele é um compêndio que serve mesmo como uma festa, como uma celebração de aniversário pela existência do Super-Homem e de todos os super-heróis desde 1938. Assim, as histórias são uma homenagem a elementos do Superman: seu altruísmo, como a passagem do tempo o tratou, seu cargo de jornalista, a relação com a Terra e com os seus pais terráqueos, e, confesso que duas histórias aqui eu não entendi o seu propósito, mas ok. Outro ponto negativo é que pelo menos um quarto da edição é de capas alternativas, sem nenhum texto homenageando o herói ou coisa parecida. nenhum material editorial que preste para homenagear o maior de todos super-herói. Bola foríssima da Panini, como sempre, que não investe nunca em textos editoriais. Também somos brindados com um preview da nova fase de Brian Michael Bendis no título do Superman, com desenhos de Jim Lee. Essa foi a parte que posso dizer que foi realmente boa da edição. O resto é de mais ou menos para ruim. Poderia ter tido mais planejamento editorial tanto lá fora como aqui no Brasil. Que lástima!

Então é isso que temos para janeiro, amigos. Além do calor é claro. Isso me lembra aquela tirinha do Tocha Humana reclamando do calor para o Wolverine. O Wolverine pergunta para o Tocha se ele não estava acostumado com o calor. E ele responde. Eu não sou o Tocha Humana, eu sou o Homem de Gelo! É, mergulhadores, tá complicado! Abraços submersos em um balde de gelo!

2 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Janeiro de 2019

  1. Fala, moço. Beleza. Fico sempre animado com suas indicações de quadrinhos, pois me ajudam na separação entre joio e trigo kkkkkkkkk.

    Então, você faz mestrado, hein. Que bom, fico feliz de verdade. Sei bem como é difícil conquistar uma vaga. Tenho alguns artigos sobre quadrinhos publicados, para deixar o Lattes encorpado. Semana que vem, farei uma prova em processo seletivo para mestrado em comunicação e cultura. Mas pensa como é difícil uma prova dessas, é pra arrancar Pica-Pau da árvore. Mas se der certo e eu passar, terei o prazer de estudar sobre quadrinhos pelo viés sociocultural. Torça por mim na segunda-feira de manhã.

    Quanto aos quadrinhos, estou curtindo demais X-Men e Aquaman (este último até escrevi uma resenha com uma colega de trabalho, mas ainda não publiquei devido a férias da universidade). E Titãs, nem se fala, que coisa boa de ler e ver a arte. Não sei se você tem o hábito de ler mangás mas, se sim, tente abordá-los no seu site também. Se me permite indicar, leia Golden Kamuy, One Piece, Fullmetal Alchemist, My Hero Academia, Pluto, Lobo Solitário, Battle Angel Alita, Psicho Pass e Dragon Ball.

    Agora, me tira uma dúvida: esses Novos Deuses da Eaglemoss contém as mesmas histórias que saíram anos atrás pela Opera Graphica? Se sim, preciso de alguma forma encontrar a edição n. 01, pois só falta esta para ter a coleção completa (lembrando que está totalmente preto e branco).

    Até mais, abraços.

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    1. Oi Brasuka! Beleza?! Valeu pelos elogios! Sempre é bom lê-los!
      Sobre mestrado, vou te dizer, não é fácil mesmo. Passei por três seleções antes de passar no que estou acabando agora. Não sei em que estado e cidade tu está tentando, mas aqui no RS, em São Leopoldo, nosso grupo de pesquisa organiza todo ano o Colóquio de Arte Sequencial. Em São Paulo na ECA tem todo ano o Jornadas de Estudos em Histórias em Quadrinhos. São duas dicas de lugares e momentos para discutir HQs e encorpar o Lattes.
      X-Men deu uma melhoradinha com as equipes Azul e Dourada, mas já teve muitos outros tempos melhores. Aquaman tenho curtido essa nova fase, mas que vai acabar logo, logo. Titãs só as fases antigas, porque desde Os Novos 52 está bem complicado de acompanhar as aventuras dessa “turminha do barulho que apronta altas confusões na sua tarde”.
      Sobre mangás, é um assunto capcioso. Não costumo me dar muito bem com eles, não. Algumas vezes aqui e acolá eu acho algum que me agrada. Mas é bem difícil. Difícil mesmo. Não fui criado a Jaspion e Jiraya, nem Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z para apreciar da maneira correta.
      Sobre os Novos Deuses, sim, as histórias são as mesmas da Opera Graphica, mas com duas histórias bônus mais antigas do Kirby. Uma em cada volume. A diferença é que os da Opera Graphica saíram em 3 volumes preto e branco e da Eaglemoss sairam em dois volumes coloridos e capa dura, no formato original. Aconselharia a pegar as duas da Eaglemoss, pelas histórias extras, pelas cores, pelo formato original e também pela mão que vai ser achar (e pagar) essa edição nº1 da Opera Graphica.
      Abração!
      =)

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