Como Jack Kirby Pode Ter Interligado os Universos da Marvel e da DC Comics?

Já vimos muitos encontros de heróis da Marvel e da DC Comics nos quadrinhos e agora um filme dos bonecos Funko promete trazer o primeiro crossover entre as duas grandes editoras de super-heróis dos Estados Unidos para o cinema. Alguns quadrinhos desses crossovers já afirmaram algumas vezes que os Universos Marvel e DC acontecem juntos. Outros disseram que se passam de duas dimensões separadas. Outros ainda dizem que somente um personagem em especial pode fazer a ligação entre estes dois universos. Mas talvez Jack Kirby tenha vindo com uma solução para tudo isso, que estava debaixo dos nossos narizes e ninguém tinha percebido. Lendo Os Novos Deuses esse estalo veio até mim. A seguir, você vai ficar por dentro desta teoria.

Eram os anos 50 e a indústria dos quadrinhos vivia uma entressafra. Depois de terem criado, com muito sucesso, o Capitão América para a Timely Comics, Jack Kirby e Joe Simon foram para a DC Comics, onde desenvolveram o gênero das revistas de romance com Young Love. Mas todos estavam precisando de dinheiro naquele momento do pós-guerra e Kirby também fazia histórias fill-inn (tapa-buraco) para algumas publicações de antologias da DC Comics. Uma delas era a revista de contos fantásticos e de ficção científica, Tales of the Unexpected.

KIRkirbyNa edição de número 16 de Tales of The Unexpected, de agosto de 1957, foi que Kirby pela primeira vez trabalhou com a mitologia. E essa era a mitologia nórdica. A história curta conta a história de um homem que encontra um martelo perdido e, toda vez que ele atira o martelo contra o chão, chove. O homem acaba enriquecendo fazendo chover onde precisa. Mas ao perceber o poder do martelo para a destruição, começa a assaltar bancos. Até que, inadvertidamente, acaba libertando Thor, o deus nórdico do trovão. Thor explica que foi amaldiçoado por Loki a vagar pelo mundo na forma mortal e diminuta até que encontrasse novamente seu martelo. Ao encontrá-lo, Thor se torna um deus novamente e assume um tamanho gigante, e o oportunista acaba castigado.

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Quando Jack Kirby retornou à Marvel nos anos 60, desenvolveu com Stan Lee o conceito de Thor como um super-herói, bem diferente daquele retratado em Tales of The Unexpected. Lá, Kirby e Lee desenvolveram melhor toda a mitologia nórdica e criaram personagens próprios das histórias do Thor, como os Três Guerreiros, Fandral, o Magnífico, Hogun, o Severo e Volstagg, o Volumoso. Como a mitologia da série de quadrinhos de Thor envolvia muitos elementos da mitologia viking ou nórdica, claro que Lee e Kirby incluiriam aqui e ali citações ao final do mundo daquelas divindades, o Ragnarok.

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O Ragnarok, além de ser o apocalipse das divindades asgardianas, também é um tempo de se cumprir profecias. Loki é libertado, Fenrir destrói Asgard e mata seus deuses. A Serpente de Midgard acaba com a Terra, entre outros. Sobra apenas Yggdrasil, a árvore da vida e dos mundos, que guarda em seus galhos o último casal de humanos da Terra, que tem a função de repovoá-la, criando, assim, um novo ciclo. Então, dentro da mitologia nórdica, o tempo é feito de ciclos, cada um com seus respectivos deuses. Onde antes haviam os Aesires, agora existem os Vanires, e assim por diante.

Quando, em 1971, Jack Kirby foi para a DC Comics e criou lá o seu Quarto Mundo, ele também criou algumas divindades para aquele universo. Foi na revista dos Novos Deuses que acompanhamos as aventuras de Órion, Magtron e companhia para evitar que o deus maligno Darkseid tomasse a Terra e se apossasse da fórmula da equação anti-vida. Mas mais do que apenas aventuras de deuses, Kirby criou toda uma mitologia para aquele Quarto Mundo que estava criando.

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Os Novos Deuses são resultado das transformações ocorridas no Ragnarok, que dispersou a energia dos Velhos Deuses pelo cosmos. Na Terra, ela criou os deuses do Olimpo, que foram responsáveis pela criação e desenvolvimento da Mulher-Maravilha. No cosmos, entretanto, ele dividiu o antigo planeta dos Velhos Deuses em dois: Nova Gênese e Apokolips, que vivem em eterna guerra. Enquanto Nova Gênese venerava a cultura e as artes, e tinha um cenário paradisíaco, sobre o qual flutuava A Cidade, onde os deuses viviam, Apokolips era um inferno, com seus poços de lava, seus parademônios, a violência e a selvageria pulsava nas veias de seus moradores.

Isso durou até um tempo, até o Pai Celestial, líder dos Novos Deuses de Nova Gênese encontrar a Muralha da Fonte. Que o aconselhou a travar uma paz de uma guerra fria com Darkseid. Para forjar essa paz, a Fonte o aconselhou a trocar seu filho com o filho de Darkseid. Assim, o Senhor Milagre foi criado na infernal Apokolips e se tornou um mestre de fugas. E o belicoso Órion foi criado sob os preceitos pacíficos de Nova Gênese, tornado-se poderoso, mas sempre tendo de lutar contra sua natureza e seu visual bestial, herdado de seu pai.

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Essa troca de filhos para forjar a paz lembra as mitologias nórdicas em que Loki, que era um filho do rei dos gigantes do gelo, Laufey, foi abandonado por ser mirrado e foi adotado por Odin e sua mulher Freya, tornado-se, assim, meio-irmão de Thor, filho legítimo de Odin e herdeiro do trono. Essa origem provocou a inveja e o ódio em Loki, que sempre foi desejoso do trono de Asgard e, cuja cobiça e seus filhos bestiais, como o lobo gigante Fenrir, vão provocar o Ragnarok.

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Assim, temos o Ragnarok acontecendo tanto na Marvel como na DC Comics. A DC é, por excelência, mais velha que a Marvel Comics e também trabalha conceitos que são, em tese, mais grandiosos e lendários que a Marvel. Já a Casa das Ideias aposta mais no humano e no pé no chão. Poderíamos, então, traçar uma teoria de que o Universo Marvel veio antes do Universo DC, de certa forma. Ao menos na visão de Kirby, que teve a chance de arranjar o Universo Marvel por primeiro e depois, foi conceber o seu Quarto Mundo na DC Comics, talvez como uma resposta ao tratamento que vinha tendo na Marvel, sendo preterido por Stan Lee, que se tornava “o Cara” e a cara da Marvel.

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Ao mesmo tempo, dentro do universo do Novos Deuses, na muralha da Fonte, estão petrificados todos os deuses gigantes que tentaram acessar o conhecimento e poder que a Fonte contém. Isso faz ligação àquela história de 1957, de Tales of the Unexpected criada por Kirby, em que Thor e os demais “antigos deuses” são retratados como gigantes, por possuírem muito mais poderes que tanto os mortais como os “Novos Deuses”. Alguns dos antigos deuses podem estar ali, ligados à Muralha da Fonte, esperando um momento em que ela seja rompida para se libertarem e, quem sabe, provocar um novo Ragnarok.

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E então, mergulhadores? Que acham dessa teoria? Absurda demais? Faz algum sentido? Tem furos demais? Nada a ver? Não deixe de comentar! Abraços submersos por detrás da Fonte.

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