Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2019

Cinquenta! Cinquenta, caros mergulhadores! Temos cinquenta miniresenhas de quadrinhos e de livros sobre quadrinhos de diversos tipos neste mês de fevereiro. Com certeza um recorde! Nem um (ou nenhum) site que é mantido por diversas pessoas traz esse número de minirresenhas para vocês por mês! E esse aqui, na prática, é mantido apenas por um (com algumas colaborações bem esporádicas). Então, sente-se num lugar bem confortável que tem muito muito muito texto para ser lido a seguir e muitos quadrinhos (bons e ruins) para você chegar (ou não) a uma conclusão sobre eles!

FEVdampyrDAMPYR, VOLUME 4, DE MAURO BOSELLI, STEFANO CASINI E MAURIZIO COLOMBO

A primeira vez que eu li Dampyr, foi no Volume 1, editado pela Editora 85. Contudo, este Volume 4 veio bem antes. Isso porque a 85 quis dar continuidade às edições já publicadas pela Mythos Editora. Posteriormente editaram a primeira edição com os quatro primeiros fumetti originais. Acho que acabei começando pelo lado certo, porque achei a edição número 1 mais regular do que a edição número 4. Na primeira edição, todas as histórias são boas. Na edição 4, a segunda história é muito ruim, tanto em desenhos como em roteiros, que saem do prumo das outras histórias. Este volume 4 também traz uma história em duas partes que se passam nos pântanos da Louisiana e que envolvem bandas de rock, cantores de blues e pactos com o demônio (ou um tipo de de demônio, no caso). Já a primeira história envolve outro tipo de criaturas sobrenaturais: as bruxas e, talvez ela seja a melhor das quatro histórias desse volume, investindo em um imaginário bastante peculiar e cheio de desenvolvimentos. Seria muito interessante se os autores voltassem a esses personagens algum dia. De qualquer forma acabei a leitura do meu segundo volume de Dampyr ansiando por mais destas histórias. Então fica o meu desejo que venham mais delas!

FEVgigantesGIGANTES, CUIDADO!, DE RAFAEL ROSADO E JORGE AGUIRRE

Esse quadrinho é muito divertido e olhando assim para a capa provavelmente você na vai dar nada para ele. Mas esse é um dom dos produtos do entretenimento como os quadrinhos e as animações que são feitas para todas as idades. No começo você não tem muita expectativa e quando chega no final você já está amando de paixão. Isso acontece com a Pixar, por exemplo. Não por acaso, o roteirista Rafael Rosado trabalha no mercado dos desenhos animados, tendo criado histórias para Dora, a Aventureira e para Go, Diego, Go!, ambos desenhos educativos. Mas Gigantes, Cuidado!, não tem quase nada de educativo, na verdade ele mais quebra padrões e normas, trazendo uma menina que quer ser guerreira, uma princesa wannabe nada a ver com princesas e um garoto que quer ser ao mesmo tempo ferreiro e chef de cozinha. Além disso, a grande parte dos personagens de apoio, como o gigantes da HQ e o pai das crianças fogem dos estereótipos e é toda essa quebra e reinvenção é o que torna essa história em quadrinhos diferente, peculiar e super divertida. Dito isso, tenho me encontrado cada vez mais em produzir quadrinhos para todas as idades.

FEVsaudade

SAUDADE, DE MELISSA GARABELI, PHELLIP WILLIAN E DEYVISON MANES

Eu já curtia demais o trabalho da Mel e do Phe, desde que conheci os dois publicando seus fanzines na GibiCon 2 em Curitiba. Desde então os dois têm se tornado grandes amigos e parceiros de crime que são os quadrinhos. E dá pra sentir que o trabalho que já era bom ficou ótimo neste Saudade. Que quadrinho bonitinho e cuti-cuti. A arte da Mel é de deixar a gente de queixo caído, boca aberta e babando. Evoluiu muito desde que conheci o trabalho dela. A mesma coisa o texto do Phe que possui a sensibilidade necessária para comportar a arte da sua esposa. Eles casam bem, certo?! Ta-dum-tss! Além disso tem o trabalho do Deyvison Manes que se Saudade fosse entregue para outro letrista, menos dedicado, poderia ter estragado toda a composição e planejamento da Mel e do Phe. Saudade é sobre superar a dor e sobre guardar consigo não aquilo que faz sofrer, mas aquilo que valeu a pena, que fez aquela relação entre pessoas tomar a importância que ela tem. E é isso que eu vou guardar deste trabalho, um trabalho de fôlego, de esforço e sensibilidade, que deixa marcas no coração das pessoas e que deixa saudades. Mas nada impede que o revisitemos várias e várias vezes depois.

FEVsociedade

SOCIEDADE DA JUSTIÇA: A ERA DE OURO, DE JAMES ROBINSON E PAUL SMITH

Quando eu li pela primeira vez esta minissérie pela editora Tudo em Quadrinhos, eu li com as revistas com os cadernos, ou a ordem das páginas, trocadas na gráfica. E ainda assim eu gostei. Lendo desta vez, no formato correto, eu adorei. É uma bela homenagem aos heróis da Era de Ouro, que hoje pertencem à DC Comics, embora originariamente muitos deles pertenceram a outras editoras. Ele aborda heróis mais conhecidos e mais desconhecidos e nos transporta para uma época em que a paranoia ainda não era a ordem do dia, mas que começava a se fazer presente. Em A Era de Ouro, um arquiinimigo se instala entre os super-heróis fazendo o possível para que o nazismo renasça nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, aos poucos, os heróis se tornam conscientes desses movimentos e vão produzindo um contra-ataque para a ascensão nazista no coração do governo estadunidense. A Era de Ouro não é só uma homenagem à história dos quadrinhos de super-heróis, mas uma homenagem à própria história dos Estados Unidos, seja nos textos de James Robinson, seja na arte do prodígio Paul Smith, que emula a estética da época. Um belo trabalho que todo leitor interessado pela história dos comics deveria ler.

FEVafronta

AFRONTA, DE DIEFERSON TRINDADE

Os quadrinhos do Dieferson têm um jeito bem peculiar de se apresentarem e com certeza são a própria definição de quadrinho de autor, porque eles tem uma forma um estilo em particular e especial de interagir com o leitor. Assim como em seu quadrinho de estreia, Cornos, este Afronta também casa o cotidiano com maneiras bastante surreais de apresentá-lo. Neste Afronta, Dieferson traz um drama que acontece em boa parte dos lares brasileiros, seja de que classe seja: o do pai ausente. Uma ausência que só se faz presente em estados de consciência alterados, como a bebedeira que provoca a violência doméstica e acaba se tornando uma presença etérea nas mentes e nos corpos de toda uma família abalada. Além disso existe a dependência financeira e cultural que faz com que uma mulher, mãe de família, ache errado se separar do seu marido abusador. Esse é outro sinal da crise de masculinidade que vem acometendo nossos tempos: em que os homens por não cumprirem seu papel “de gênero” de provedores do lar, acabam se entregando aos vícios gerados por sua impotência e acabam descontando suas frustrações na mulher e nos filhos, ao mesmo tempo em que a companheira se vê obrigada a continuar com essa pessoa fraturada, por mais que ele provoque todas as disrupturas naqueles que deveria amar, por uma força sociocultural – e talvez religiosa – que acaba prejudicando inúmeras famílias mundo afora. A Afronta, então, ao meu ver, é construída pela sociedade que obriga a famílias se juntarem e depois as obriga a permanecerem juntas mesmo quando não são mais família.

FEVmisterno

MISTER NO ESPECIAL, VOLUME 2, DE GUIDO NOLITTA E ROBERTO DISO

São incríveis os roteiros de Guido Nolitta (Sergio Bonelli) para Mister No. Eu seria capaz de dizer que este italiano conhece mais o Brasil do que muitos brasileiros, embora este Especial em questão não se passe aqui, mas nas selvas da Venezuela. Este segundo especial não envolve magia negra, feitiços, crendices, nem lendas e mitos, somente a mais pura aventura. Mister No ajuda um jornalista a resgatar um explorador que se perdeu entre a fronteira do Brasil e da Venezuela. A aventura, aí é de tira o fôlego, de ler em uma tacada só as quase 200 páginas da HQ. Eu ia ler só dez páginas da HQ, quando percebi já estava na metade dela. Então pensei: quer saber, vou ler até o fim! Não me arrependi. É um quadrinho muito bom, muito legal e que a gente também acaba aprendendo muitas coisas com ele. Ele traz aqueles elementos de uma leitura que contem “sense of wonder”, que é o maravilhamento que sentimos quando lemos algo assim. A onça na capa, contudo, é apenas enfeite. Muitos animais passam pela história, mas não uma onça. De qualquer foram estou ávido para ler mais aventuras do intrépido Mister No.

FEVtwktdv

THE WICKED + THE DIVINE, VOL. 3: SUICÍDIO COMERCIAL, DE JAMIE MCKELVIE, STEPHANIE HANS, KATE BROWN, TULA LOTAY, LEILA DEL DUCA, BRANDON GRAHAM, JAMIE MCKEVIE, MATTHEW WILSON

Este é o terceiro encadernado desta série independente que imagina as estrelas da música pop como receptáculos de deuses de diversas religiões humanas. Estes deuses fazem parte de um panteão que vem manipulando e influenciando a humanidade ao longo dos séculos. Contudo, sua ascensão e queda têm sido cada vez mais meteórica. No caso dos novos integrantes do panteão, eles tem menos de dois anos de vida. Mas alguém está acelerando esse processo e assassinando seus integrantes um a um. Neste encadernado, diferente dos anteriores, a arte não é feita por Jamie McKelvie, mas por artistas convidados, que encaram a situação a partir da visão de um dos integrantes restantes do panteão. Assim ficamos sabendo um pouco mais e melhor sobre o universo de The Wicked + The Divine, que não é uma história linear e nem de fácil entendimento, embora seja legal de acompanhar, porque ela é extremamente contemporânea. Contudo, foi somente neste terceiro encadernado que eu comecei a sacar um pouco melhor do que ela trata e o que está realmente acontecendo. É uma fase que demora para engrenar e só vai pegar mesmo os leitores mais insistentes.

FEVhell

JOHN CONSTANTINE, HELLBLAZER: AMALDIÇOADO, VOL. 1 – INFERNO NA PRISÃO, DE BRIAN AZZARELLO E RICHARD CORBEN

Este encadernado de John Constantine: Hellblazer contém a famosa e polêmica cena em que o personagem-título é forçado a fazer sexo anal com um homem na cadeia. Desde então, a DC Comics começou a tratar John Constantine como bissexual. Mas será mesmo que a intenção do autor Brian Azzarello era mesmo que o personagem, que sofreu abuso sexual na cadeia, passasse a ser mostrado como bissexual? Lendo este encadernado a impressão que passa é que não. Constantine não gosta nada da forma como é tratado na cadeia, a não ser pelo prazer masoquista de ser quem ele é e fazer o que faz. Mas ele também retrata o seu sadismo na forma como se vinga de todos que tripudiaram dele na cadeia, acaba amaldiçoando o lugar, que vira um pardieiro de mortes, atrocidades e ainda condena o seu “colega de cela” a ser estuprado eternamente. Isso é acentuado pelos magníficos, mas nada carinhosos ou suaves, desenhos do autor underground Richard Corben, que acaba sendo a escolha perfeita para esse arco de história tão perverso. Assim, a bissexualidade de John Constantine acabou se tornando uma lenda e um mito na cabeça das pessoas e foi incorporada ao personagem com cânone. Coisas assim também acontecem na vida real.

FEVlendasmm

LENDAS DO UNIVERSO DC: MULHER-MARAVILHA, VOL. 4, DE GEORGE PÉREZ E VÁRIOS ARTISTAS

Este – até agora – último encadernado da coleção Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha, por George Pérez traz a marcante, tanto no conteúdo como na forma, história da morte da publicitária e relações públicas Mindy Mayer. Lá pelas tantas na leitura do testamento de Mindy, conhecemos seu irmão, Kevin, que se diz gay. A revista era Wonder Woman Annual #1 e foi publicada em 1988. Até onde eu tenho conhecimento, Kevin Mayer deve ter sido o primeiro personagem da DC Comics a se declarar gay com todas as palavras G-A-Y em uma revista da editora. Mas este encadernado não fica só nisso, claro, Diana enfrenta a migração dos deuses do Olimpo e nesse rescaldo, ela acaba vendo que suas irmãs amazonas abrem a Ilha Paraíso para visitação de forasteiros. As primeiras a fazerem isso são Julia e Vanessa Kapatelis, que se maravilham com o lugar e suas histórias. Logo após isso, Diana tem de lidar com um apaixonado Hermes, que quer viver no mundo dos humanos com seus incríveis poderes. Mas não quer só isso, ele quer veneração dos humanos em troca e em seu afã por fama e veneração pode arriscar a vida de não só muitos humanos, mas a de Diana e a sua também. Um belo encadernado e que a Panini também traga as histórias em que Perez faz as vezes de roteirista da Mulher-Maravilha também.

FEVgirls

FROM GIRLS TO GRRRLZ: A HISTORY OF FEMININE COMICS FROM TEENS TO ZINES, DE TRINA ROBBINS

Ler livros da Trina Robbins é sempre um deleite. A sua escrita é uma delícia de ler e seus livros sempre vem muito bem contextualizados e ricamente ilustrados. Ela separa este livro, em que encara os quadrinhos feito para garotas e mulheres nos Estados Unidos, em cinco partes. Em Girls Comics, ela analisa os quadrinhos feitos para garotas, começando com Betty e Verônica da turma do Archie, de Riverdale e também fala sobre os quadrinhos de profissões femininas feitos pela Timely Comics e escritos por Stan Lee. Em Women Comics, ela trata dos quadrinhos de romance, pois nos quadrinhos para garotas, as personagens nunca trocavam carícias e beijos, aqui, em meados da década de 50, elas já faziam isso com seus amados. Em Womyns Comics, Trina vai falar dos quadrinhos underground produzidos por mulheres, em fanzines e antologias, culminando com o surgimento de Love & Rockets, dos irmãos Hernandez nos anos 80. Em Grrrls Comics, ela pega emprestado o nome do grupo contracultural Guerrilla Girrrls para dar nome a um novo tipo de quadrinhos: o que aborda temas polêmicos como lesbianidade, contracepção, aborto e temas da maternidade sendo colocados nas páginas dos quadrinhos feitos pelas e para as mulheres e cita Alison Bechdel como um bom exemplo de quadrinho e quadrinista atual nesta leva. Um baita livro. Toda pessoa que estuda mulheres nos quadrinhos NECESSITA ler pelo menos um livro de Trina Robbins para fazer uma boa pesquisa no tema.

FEVartesequencial

ARTE SEQUENCIAL E SUAS SARJETAS METODOLÓGICAS, DE IURI ANDRÉAS REBLIN E NATANIA A. S. NOGUEIRA

Uma iniciativa bastante interessante e importante da ASPAS em lançar um livro que discuta uma das partes mais difíceis da pesquisa em histórias em quadrinhos, quiçá, da pesquisa em geral, pelo menos em ciências sociais: a metodologia. O livro, não obstante, não apresenta soluções, mas lança mão de alguns caminhos como nos artigos do Nildo Viana que tem também um livro muito bom sobre pesquisa em histórias em quadrinhos. Claro, que como todo livro que traz reuniões de artigos tem aqueles que são muito ruins e falam e falam sem dizer nada no final. Que se dão a arroubos teóricos complexos quando poderiam falar em uma linguagem bem mais simples, principalmente no que tange aos quadrinhos, que são uma mídia de acesso a todos e não tentar elitizá-la para conferir algum valor aos quadrinhos e ao seu trabalho. Outros trabalhos então, acabam falando da própria pesquisa e se esquecem da universalidade das metodologias. Assim, percebo a necessidade de um livro como os livros de pesquisa, que falasse de metodologias quanti, quali e mistas que falem da pesquisa em quadrinhos mas sem se voltar para uma pesquisa específica, que possa abrir caminho para demais pesquisas em outras acepções transdisciplinares dos quadrinhos.

FEVescolaAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E A ESCOLA, DE NATANIA A. S. NOGUEIRA

Este trabalho da minha amiga e colega de estudos em histórias em quadrinhos, Natania A. S. Nogueira é muito bom. Eu sempre olho com muita desconfiança esses trabalhos que envolvem quadrinhos e educação porque é um assunto em que as pessoas sempre dizem a mesma coisa e se saem com poucas novidades nesse enredo ou ainda apenas repetem o já estabelecido. Contudo, o livro de Natania é muito bem estruturado. A começar porque ela não pega apenas a sua experiência, como muitos trabalhos. Ela contextualiza. Não só a educação através dos quadrinhos no Brasil, mas ela ainda cita experiências de outros países amantes de quadrinhos tanto como o nosso país: a França, o Japão, os Estados Unidos e o Canadá. Assim ela já começa fugindo do comum. Anotei muitas fontes de informações que o livro traz nessa seara. Natania parte do universal para chegar ao singular, e então vem falar da sua experiência com a gibiteca de Leopoldina pela qual sente muito orgulho e paixão em desenvolver, num trabalho exemplar, premiado nacionalmente. O único senão do livro não envolve seu conteúdo, mas o design gráfico da capa e do interior que eu, como artífice do design editorial creio que carecia de mais cuidado e esmero para uma publicação tão bem elaborada. Quem sabe numa segunda edição?

FEVlumber

LUMBERJANES, VOL. 2: AMIZADE É TOPS, DE NOELLE STEVENSON, GRACE ELLIS, BROOKLIN ALLEN E MAARTA LAIHO

Lumberjanes é aquele quadrinho para todas as idades que tem uma naturalidade que a maioria das histórias perdeu. Ele também tem aventuras muito bem construídas e personagens cativantes. Além disso, é um quadrinho feito por mulheres que contém noções de visibilidade e empoderamento das mesmas. As personagens, por muitas vezes citam, em suas exclamações, nomes de grandes mulheres da história que – por uma certa razão chamada patriarcado e superioridade masculina – ficaram relegadas às margens da História e também sem destaque algum. Mas aqui em Lumberjanes elas tem o seu espaço, afinal. No acampamento das Lumberjanes, elas têm espaço para aprender não apenas sobre a vida de uma bandeirante, ou que seja que se considerem nesse acampamento, mas também aprender sobre mulheres importantes do nosso mundo. E assim, o leitor aprende também. Fiquei muito feliz quando elas citam Bell Hooks, uma educadora mulher negra e lésbica nos quadrinhos de Lumberjanes, cujo trabalho tem muito a ensinar a tudo e a todos. Esse segundo volume não é tão sensacional como o primeiro, mas também é muito bom e vale muito à pena ser lido, seja você um homem ou mulher adulto ou criança.

FEVjessucadrew

MULHER-ARANHA: AGENTE DA E.S.P.A.D.A., DE BRIAN MICHAEL BENDIS E ALEX MALEEV

Eu sempre gostei da Mulher-Aranha desde a primeira vez em que vi ela salvando a Carol Danvers do confronto com a Vampira na ponte Golden Gate. Mas a vida não foi boa com a Jessica Drew, a Mulher-Aranha. Nem dentro e nem fora das revistas. Criada para garantir os royalities da Marvel para o nome Mulher-Aranha, ela ganhou uma série animada (muito ruim) e 50 edições de quadrinhos (que a Marvel não dava a mínima). Quando Brian Michael Bendis quis reinventá-la numa série própria e adulta, a Marvel não deixou. Bendis teve de criar Jessica Jones e colocar a outra Jessica, a Drew, nos Novos Vingadores. Aí sim ela conseguiu uma certa popularidade e foi incluída como uma das personagens principais da megassaga Invasão Secreta. Aí sim, ela ganhou uma nova minissérie própria e que virou um motion comic (você pode assistir no Netflix). Gostei bastante dessa série, muito mais pela arte estupenda de Alex Maleev (acho que seu melhor trabalho até aqui e, olha que ele sempre faz trabalhos bons), do que o roteiro de Bendis, né, que sempre cumpre tabela. Ação do começo ao fim, mas muito por parte da dinâmica arte de Maleev! Vale dizer que a Panini não publicou essa série por aqui, deixando para a Salvat fazê-lo. A Panini tem histórico de ignorar as séries de personagens femininas, negrxs e/ou gays. Só está corroborando a teoria.

Conheça as diversas Mulheres-Aranha que já existiram.

FEVmantoeadagaMANTO & ADAGA: SOMBRAS E LUZ, DE BILL MANTLO, RICK LEONARDI E TERRY AUSTIN

Finalmente li nesse encadernado uma origem mais completa da dupla de heróis urbanos da luz e da escuridão criados nos anos 80 na Marvel. Finalmente entendi porque a Marvel e a Hulu resolveram criar uma série com estes heróis de protagonistas, sendo que eles sempre tiveram uma trajetória errática de publicações na Marvel. Eu sempre lia esses personagens e achava eles bem rasos, que não eram bem explorados, ou simplesmente eram chatos mesmo. Entre as várias histórias que tem nesse encadernado, a única edição da história de origem dos dois daria para preencher uma série de televisão inteira, tão cheia de reviravoltas e nuances que ela apresenta. Não por acaso, essa era a criação favorita de Bill Mantlo, que morreu há poucos anos. Ele acreditava que esse era seu legado: criar um herói negro e uma heroína branca que representam os dois lados da mesma moeda, em que ao mesmo tempo um complementa e nutre o outro. Os desenhos dessa minissérie são feitos por Rick Leonardi, mas é o finalista Terry Austin que dá vida à eles, lembrando um Arthur Adams. Não é por acaso que com a saída de Mantlo, Austin adotou a série e se manteve nela até seus últimos suspiros, mesmo ela tendo encerrado e começado várias vezes. Realmente me deu vontade de ler mais histórias solo de Manto e Adaga. Mas hoje em dia, isso é artigo raro.

FEVhoward

HOWARD, O PATO, DE STEVE GERBER, VAL MAYERICK, GENE COLAN, FRANK BRUNNER E JOHN BUSCEMA

Howard The Duck não era a típica história de heróis Marvel, afinal, ela tinha um pato antropomórfico como protagonista e não super-caras. Seus enredos eram bizarros, excêntricos. No primeiro número o Homem-Aranha faz uma aparição para alavancar as vendas, libertando a inocente, mas inabalável Beverly Switzler (que seria a sidekick de Howard) das garras de um mago da matemática e da contabilidade. A aparição do Aranha e os números envolvidos como vilões da edição são uma crítica de Gerber e do desenhista Frank Brunner à indústria dos quadrinhos e suas estratégias de alavancar as vendas. Os números conseguintes trariam a aparição de personagens ainda mais peculiares como Garkko, o Homem-Sapo, o Homem-Nabo Espacial, o Piscadela (um herói sonâmbulo), a vampira Vaca Demoníaca, o Mestre do Quack-Fu, a Incrível Criatura de Biscoitos, o psiquiatra com a cabeça de sino Doutor Bong, entre tanto outros como a reclamona e ameaçadora velhinha dos rins. No final dos anos 70, Howard era tão popular que chegou a concorrer à presidência – nos quadrinhos é claro -, mas isso não impediu que no mundo real algumas pessoas votassem nele na eleição de 1976 em que concorriam Jimmy Carter e Gerald Ford. Esta edição dos Clássicos da Marvel da Salvat também inclui a edição número de 16 que foi uma artimanha do roteirista Steve Gerber para conter os prazos de entrega dos roteiros e se chama O Zen e a Arte de Escrever Quadrinhos, que é mais um desabafo do autor do que qualquer outra coisa. História bem loucas que abriram caminho para outros personagens que quebram a quarta parede como a Mulher-Hulk, a Arlequina e o Deadpool.

Leia mais sobre a época em que Howard, o pato concorreu à presidência dos EUA.

FEVelaborar

COMO ELABORAR CÓMICS CON PERSPECTIVA DE GÉNERO: ILUSTRANDO LA REALIDAD DE LA POBLACÍON REFUGIADA PALESTINA, DE CANIZALES A PEDIDO DA UNRWA

Que. Iniciativa. Sensacional. Gente, as pessoas que são ligadas a assuntos sociais e que curtem fazer quadrinhos como eu ficam até emocionadas ao ver essa mídia sendo utilizada dessa forma assim tão transformadora e potencial. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, também conhecida pela sigla UNRWA, resolveu incentivar pessoas a realizarem jornalismo em quadrinhos sobre mulheres. E aqui, eles usaram as mulheres palestinas, que é o foco dessa organização da ONU como exemplo. Não é somente um guia de quadrinhos, mas também é um guia que ensina a fazer retratações de mulheres de povos não-hegemônicos de forma real e livre de preconceitos e estereótipos, pois ele contém diversas dicas para que o aspirante a quadrinista retrate as pessoas como elas realmente são, sem ofendê-las por mostrá-las desta ou daquela maneira, que é como a sociedade dominante as enxerga. Essa inciativa é transformadora no tocante que tem um potencial educativo e que pode demonstrar as dificuldade que as mulheres palestinas, e outras em condições vulneráveis, passam. Assim pode gerar uma identificação nas pessoas para que ajudem as pessoas em risco e também possam reagir a elas sem apelar a estereótipos de gênero ou etnia e também dirimir o preconceito que têm sobre elas.

FEVtumba

COLEÇÃO MARVEL TERROR: A TUMBA DE DRÁCULA, VOL.7, DE MARV WOLFMAN, STEVE ENGLEHART, GENE COLAN, TOM PALMER, NEAL ADAMS E SYD SHORES

Se tem uma Coleção Marvel dessas estilo Histórica/Terror que vale a pena acompanhar, além da do Incrível Hulk, essa é A Tumba do Drácula. Que historinhas mais boas de se ler. Divertidas e envolventes, com personagens que nos fazem nos importar! Nesse volume, nossos heróis finalmente se vêem livres do Conde Drácula mas, por outro lado, precisam enfrentar a ameaça de seu nêmese, o Doutor Sun. Então, nossos heróis não encontram outra solução que não ressuscitar Drácula mais uma vez e se aliar ao demônio conhecido para enfrentar o inimigo desconhecido. Também nesta edição temos uma presença intensa de Blade, o Caçador de Vampiros. Também temos um crossover entre o Drácula e o Doutor Estranho e, para finalizar, duas histórias com bela arte preto e branco, uma delas assinada por Neal Adams. Esta, conta um pouco do passado de Vlad Drácula nos Cárpatos, a seguinte conta como a propriedade de Drácula foi invadida e tomada pelo exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial e como aqueles soldados acabaram expulsos de lá. Desculpem o trocadilho, mas ler as histórias em quadrinhos do Drácula, é VIDA!

Leia mais sobre A Tumba do Drácula neste link.

FEVgazaGAZA AMAL, HISTORIETAS DE MUJERES VALIENTES EN LA FRANJA DE GAZA, DE SUSANA MARTÍN

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo, também conhecida pela sigla UNRWA, com a sede nas Ilhas Baleares da Espanha, encampou uma inciativa que privilegia às mulheres refugiadas palestina. Mas não é uma iniciativa comum, ela envolve os quadrinhos. A intenção é colher depoimentos de refugiadas palestinas para que, através de seus relatos, as pessoas se tornem conscientes de suas situações e revertam suas ação de intolerância para acolhimento. Este pequeno quadrinhos, distribuído gratuitamente tanto fisicamente como na internet, conta relatos de cinco mulheres palestinas, cada um com idades e contextos diferentes, que vivem na Faixa de Gaza. O trabalho é da quadrinista espanhola Susana Martín. É um trabalho de delicadeza ínfima, aquela necessária para lidar com pessoas em situações desesperadora. Seus desenhos também são muito bonitos, com uma paleta de cores suave que acentua a seriedade do tema. Também faz parte desta inciativa, um material didático que ensina aos interessados em colher relatos jornalísticos em quadrinhos, que o aprendam a fazer através dessa linguagem. Adoro iniciativas sociais que se utilizam dos quadrinhos para transformar realidades e esta é uma daquelas que temos que usar de exemplo. Muitos parabéns e abraços para aqueles que tiveram essa grande ideia!

FEVquasirosso

QUASIROSSO, DE GIOVANNI ESPOSITO

Este é um quadrinho autobiográfico que meus tios trouxeram do sul da Itália. É da editora italiana Shockdom, que já se aventura pelo Brasil, embora eu não tenha lido nenhum álbum deles lançados aqui. Este é o primeiro e este é em italiano. Meu conhecimento da língua dos meus antepassados é parco, mas aí é que está a magia dos quadrinhos: eles ajudam a entender uma língua que você mal sabe. E sim, até que deu para entender quase todas as pequenas histórias deste álbum. Se nota que Giovanni Esposito tem uma grande predileção pelas músicas e pelo design, seus desenhos, aliás, são lindíssimos, sensacionais, digitais, com cores lindas e episódios surreais. Giovanni faz parte da geração Millennium, ou seja, que cresceram com a internet já estabelecida e isso se faz notar em seu trabalho. As histórias, que não são bem histórias, são mais gags, cartoons, trabalhos de arte, são engraçadinhas mas não são um primor, não, nesse quesito deixam bastante a desejar. Mas a arte do cara é muito muito legal mesmo e os seus conceitos surreais, bem como a capa deste álbum demonstra, são bastante imaginativos, oníricos e estonteantes.

FEVgarotaaranha

GAROTA-ARANHA: LEGADO, DE TOM DEFALCO, PAT OLIFFE E RON FRENZ

Lá pelo início dos anos 2000 eu tinha uma certa fissura pelo MC2, o universo dos filhos dos heróis da Marvel e queria saber mais sobre eles e ler mais coisas desse universo. Mas a Editora Abril só publicou três histórias da Garota-Aranha (a filha de Peter Parker e Mary Jane) e nunca mais. Naquela época, para obter essas informações, ou na Internet (que não tinha muito sites bons sobre quadrinhos) ou na revista Wizard importada (o dólar estava baixo). Assim, esse é uma das coisas que eu gosto da coleção vermelha da Salvat: a oportunidade de ler em português histórias que foram relegadas pelas editoras principais da Marvel por um longo tempo. É o caso dessas histórias de May “Mayday” Parker, que são bem divertidas e que desenvolvem seu universo de maneira única. O único senão das três ou quatro primeiras histórias desses encadernados é o excesso de recordatórios e/ou locuções em off, que poderiam ser mais econômicas. Fora isso é muito legal acompanhar esse universo alternativo e nem tanto futurista da Marvel. Pena que são somente oito edições. Isso nos faz perceber o quanto nós, brasileiros, perdemos da revista da Marvel com uma personagem feminina que mais edições durou na história da companhia!

FEVhomemaranhaA COLEÇÃO DEFINITIVA DO HOMEM-ARANHA, VOL. 31: DESTINO E MORTE, DE LEE WEEKS E BRUCE JONES

Sou um grande fã do Lee Weeks. Dá para perceber no seu traço a influência da Joe Kubert School of Arts, mas ele tem uma sigularidade tanto de narrativa como de estilo que os outros alunos desta escola não têm. Quando soube que ele e eu estariamos na CCXP 2018, não tinha dúvidas de que o quadrinho que eu deveria dar para ele autografar seria esse. E agora ele está autografado. Por que este? Porque Weeks presta homenagem à cronologia do seu herói favorito, o Homem-Aranha, preenchedo um gap deixado por Stan Lee e John Romita depois da morte do Capitão Stacy. Além disso, Weeks também escreve essa minissérie, que eu já havia lido na época dos Heróis Premium da Abril. O que eu não tinha lido é a belíssima história da série Tangled Web, que é escrita por Bruce Jones e desenhada pelo Weeks. Nela, a gente percebe a singeleza nas escolhas de projetos em que Weeks se envolve. É uma história que, como todas as histórias da séries Tagled Web, apenas tangencia o Aranha, ele não é o personagem principal. Mas, como o grande maioria das histórias envolvendo o teioso, ela também perpassa a maravilhosa lição e lema do Homem-Aranha de que “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. E que quem ignora isso, um dia terá sua vida testada. Seja nessa existência ou numa próxima, ou ainda, envolvendo a existência daqueles que nos cercam que amamos.

FEVlazarus

LAZARUS, VOLUME 02, DE GREG RUCKA E MICHAEL LARK

Iuhuu! Isso sim é que é quadrinho bom! Eu tinha me proposto ler só um historinha antes de dormir, porque estava caindo de sono. E não é que li todo o encadernado porque me prendeu de uma forma que eu nem caí dormindo lendo em cima de dele como acontece normalmente. A coisa boa deste segundo encadernado de Lazarus para o primeiro é que ele apresenta um nova perspectiva do mundo que Rucka e Lark trouxeram anteriormente. Ele também dá foco nos degredados, nas pessoas que vivem à margem da ditadura de produção capitalistas das famílias que dominam este mundo pós-apocalíptico. Ele também traz vislumbres da formação da Lazarus Eve Carlysle. Quando você chega no final da história do encadernado, percebe o quanto ele rendeu na suas mãos. Dá a impressão de que você leu não um volume, mas três, de tanto que você é submergido nas histórias e submetido ao novo mundo criado aqui e nos dramas e dilemas dos personagens. Está sendo uma recompensa imensa, tanto de roteiro como de arte acompanhar essa série independente de Greg Rucka. Se você quer dar uma chance para uma nova série da Image ou do “mainstream alternativo”, tem que ser essa!

FEvgideon

GIDEON FALLS, VOL. 01 – O CELEIRO NEGRO, DE JEFF LEMIRE, ANDREA SORRENTINO E DAVE STEWART

A gente tem que ter um cuidado imenso com o hype. Mas nem sempre a gente consegue não se levar por ele, por ser bombardeado aqui e acolá com as mesmas coisas. Porque vocês sabem, quanto mais grande a altura do hype, mais grande a queda na decepção. Não que Gideon Falls não seja bom. E nem que eu tenha me decepcionado nele. Mas por todo falatório estava esperando mais. É um quadrinho de terror bem orquestrado, com conceitos bem elaborado e até inovadores, tem um clima e uma atmosfera que são consoantes com o estilo de terror, personagens bem desenvolvidos e tudo mas. Mas não faz jus a tanto hype. Não é nem o melhor quadrinho de Jeff Lemire na minha opinião, embora seja um dos melhores. Os desenhos de Andrea Sorrentino estão incrivelmente melhores do que aquilo que ele empregava em séries como Arqueiro Verde e Eu, Vampiro, utilizando diferentes estilos de traços além daqueles que estamos acostumados de ver em suas produções. É um quadrinho bem produzido? É. Mas é um quadrinho bem produzido dentro da máquina mainstream e, por isso, não se permite inovar tanto? Também. É um quadrinho ruim? Não. Eu estava esperando um mindblowing? Sim.

FEVpraticaseducativas

HISTÓRIA EM QUADRINHOS E PRÁTICAS EDUCATIVAS: OS GIBIS ESTÃO NA ESCOLA, E AGORA?, ORGANIZADO POR ELYDIO DOS SANTOS NETO E MARTA REGINA PAULO DA SILVA

Comprei esse livro no estande da Comix, na Bienal de Quadrinhos de Curitiba de 2018, achei muito interessante, elucidativo e inspirador. O bom é que, diferente da maioria dos livros sobre quadrinhos que temos como reunião de artigos, poucos deles (dois apenas) ficaram naquele chove não molha de conceituar quadrinhos. A grande maioria focou na parte educativa que os quadrinhos podem ajudar a melhorar enquanto recursos e ferramentas do saber. Existem ali muitos relatos emocionantes e instigantes, algum deles ainda nos fazem rir a partir da experiência das crianças com os quadrinhos. Por vezes também lança mão de ideias de usar quadrinhos como ferramentas para outros tipos de ações que não sejam apenas educativas, mas também como modo de interação entre as pessoas para as mais diversas atividades que demandam a comunicação, a avaliação e a análise, mas que pode acontecer de um modo mais lúdico e menos formal. Vi também que este livro possui uma primeira edição que fala sobre como usar a produção de quadrinhos em forma de fanzines na sala de aula, que, agora que gostei deste livro, também vou procurar.

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DEADPOOL CLÁSSICO, VOL. 10: JOGOS PERIGOSOS, DE JIMMY PALMIOTTI, BUDDY SCALERA, PAUL CHADWICK, DARICK ROBERTSON E ANTHONY WILLIAMS

Eu achava que não iria gostar desta fase do título do Deadpool por Jimmy Palmiotty, Buddy Scalera, Paul Chadwick (o criador do Concreto) e outros mais. Mas até que não foi tão ruim quanto eu achei que fosse. Claro, não dá para comparar com as fases anteriores de Deadpool. Mas eu gostei que os artífices deste encadernado deram destaque para o relacionamento entre Wade Wilson e Vanessa Carlysle, a Copycat, que é também o interesse romântico do Deadpool nos seus filmes, embora não tenha poderes. Também é interessante a adição do Kid Deadpool/Pollboy na jogada. A parte mais chata, realmente é o arco de duas partes que traz as Irmãs Navalha, duas irmãs gêmeas que se parecem e se vestem como a Britney Spears. Este encadernado parece mesmo que foi feito para preencher as fantasias punhetísticas masculinas heterossexuais cis do começo do século XXI, porque só tem mulher peituda e bunduda por metro quadrado – mesmo que a maioria sejam a Vanessa. Mas fico feliz de ler esse encadernado, porque na minha cabeça essa série Clássica do Deadpool teria sido encerrada há muito tempo pela Panini Comics. Deve estar vendendo bem pacarai.

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NATHAN NEVER, VOL. 4: A ÚLTIMA BATALHA, DE ANTONIO SERRA E ROBERTO DE ANGELIS

No último e derradeiro volume que a Mythos Editora trouxe para o Brasil de Nathan Never encontramos uma ação ininterrupta com nosso herói querendo impedir uma conspiração de fuzileiros do espaço para acabar com os níveis inferiores da Terra, que contém os mutados. Ao mesmo tempo, esses fuzileiros acabaram mudando seus DNAs para terem respostas de ação mais rápidas e eficientes, aproximando de tanto das características dos mutados, como da morte certa. Os fuzileiros da equipe rival, que descobriram esses planos, estão sendo aniquilados aos poucos. A esperança, então, cai sobre as mãos de Nathan Never. Impedir que a Terra sofra um cataclisma que pode destruir metade do planeta. Mas será que Never não vai receber uma ajuda inesperada de uma pessoa que acabou enganada e mudou suas opiniões? Um episódio eletrizante de encerramento que mostra os mechas sendo utilizados em simulações e lutas no espaço, mostrando algumas das influências de Nathan Never nos mangás de robôs e armaduras gigantes. Uma pena a Mythos Editora ter encerrado a série, pois Never parece ter um universo bastante rico e que dá uma vontade louca de ser explorado pelos seus leitores.

FEVdoisemumMARVEL DOIS-EM-UM: COISA & TOCHA HUMANA, VOL. 1 – O DESTINO DOS QUATRO, DE CHIP ZDARSKY, VALERIO SCHITTI E JIMMY CHEUNG

Lendo essa edição do “Quarteto Fantástico Pela Metade”, eu entendi porque Chip Zdarsky é um dos escritores mais visados da Marvel atual, já tendo passado por vários personagens de peso da editora e agora encarregado do Demolidor. Ele consegue equilibrar seriedade, emoção, aventura e humor num mesmo trabalho. Todos esses elementos são essenciais, no meu ver, para a composição de uma história em quadrinhos de super-heróis bem feita. A equipe formada por Zdarsky e os desenhistas Cheung e Schitti conseguem trazer esse “senso de maravilhamento” para o leitor no estilo das velhas histórias consagradas da Marvel. os desenhos de Cheung, como sempre, estão maravilhosos, embora a colorização deixe eles tridimensionais demais para seu estilo. Os desenhos de Schitti cumprem o necessário, embora não me atraiam tanto quanto as belezas que Cheung faz. Somos apresentados a novos personagens, como a cientista Rachna Koul, a “doutora das doenças de poderes” e o Doutor Destino como o Infame Homem de Ferro. Isso sem deixar de ter incríveis aventuras em uma realidade alternativa onde o Doutor Destino de lá se tonou o Galactus! Uhuu! Adorei esse gibi!

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HOMENS-ARANHA II, DE BRIAN MICHAEL BENDIS, SARA PICHELLI, MARK BAGLEY E RAMÓN PÉREZ

Talvez os leitores que não estão acostumados com a complexa cronologia da Marvel não endendam bem esse segundo encontro entre Homens-Aranha. Isso porque no primeiro encontro deles, cada um pertencia a um universo diferente. Agora, eles pertencem ao mesmo. E o personagem principal da história, o Miles Morales do universo 616 quer voltar para o Universo Ultimate antigo. Bem, se já é rocambolesco para leitores antigos, imagina pra quem saiu tri animado de uma sessão de Homem-Aranha: no Aranhaverso e comprou a revista. Ah, pois é! Mas o desenvolvimento da revista, se desconsiderarmos essas partes é bem interessante. Principalmente a parte que fala sobre a vida do Miles Morales, sua relação com Wilson Fisk, o Rei do Crime, e como Miles ajudou Fisk a depor Don Rigoletto, o antigo Rei do Crime da cidade de Nova York. Os desenhos de Sara Pichelli estão melhores do que nunca, mesmo que desde seu aparecimento vimos muitos imitadores do seu estilo e muitos deles a superaram, como David Marquez. De qualquer forma foi um bom fechamento paras as intrépidas aventuras crossoverianas dos Homens-Aranha.

FEVnathanNATHAN NEVER, VOL. 3: FUZILEIROS DO ESPAÇO, DE ANTONIO SERRA E ROBERTO DE ANGELIS

Eu estou tão acostumado a ler fumetti que são autocontidos, ou seja, que se encerram na mesma edição, que estranhei que a história desta terceira edição de Nathan Never estava se estendendo demais e, perto do fim das páginas não rumava a uma conclusão. Isso é porque o gibi italiano de Nathan Never foi o primeiro da Sergio Bonelli Editore que passou a ter uma noção de continuidade narrativa em suas páginas. Imagine que os demais fumetti da Bonelli funcionem como os da Turma da Mônica, são procedurais, ou seja, aquela história só vale ali. A narratividade de Nathan Never é diferente, funciona como os super-heróis: tudo que aconteceu nas suas histórias será levado em conta. Assim, aqui o fummeti tem a infuência de mangás que apresentam mechas, como Neon Genesis Evangelion, mas mais próximo de Gundam Wing. Nathan precisa investigar uma morte de um fuzileiro do espaço que morreu dentro de sua armadura de mecha, para isso ele se disfarça de militar e passa a investigar o centro de treinamento sem o conhecimento dos demais. Achei bem legal essa história e agora estou ansioso para ler a continuação e a conclusão da publicação de Nathan Never pela Mythos Editora, infelizmente…

Leia mais sobre Nathan Never neste link.

FEVneverNATHAN NEVER, VOL. 2: INFERNO, DE BEPI VIGNA E DANTE BASTIANONI

No editorial deste exemplar de Nathan Never é dito que esta aventura figura facilmente em listas de dez melhores histórias do aventureiro. Realmente é uma história bastante densa, cheia de ação e que, comparado com o primeiro número desta série pela Editora Mythos parece que submergimos bem mais na história, na construção do mundo do futuro e na luta dos personagens participantes da trama do que na anterior. Somos levados ao primeiro nível da megalópole, que é como um subterrâneo já que novos níveis de habitações foram construídos sobre os antigos. Lá vivem os excluídos da sociedade, os fora da lei, os marginais, os detritos humanos e também, os mutados, uma nova raça criada em laboratórios do futuro. Existe uma campanha de eugenia querendo limpar os mutados da sociedade e um roubo a banco incita esse ódio ainda mais. Assim, uma recompensa é estabelecida para o rebelde que sobreviveu ao assalto. A missão de Nathan Never, contudo, é trazer o rapaz são e salvo para os braços de sua família. Agora sim Nathan Never mostrou a que veio e revelou um universo narrativo incrível e cheio de recursos.

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MACONDO Y PELOTILLEHUE: UN VIAJE DESDE LA CIUDAD REAL A LA CIUDAD IMAGINARIA, DE ALEJANDRA GONZÁLEZ

Quando eu viajei pela primeira vez tanto para o Uruguai quanto para a Argentina, e fui em busca de quadrinhos, sempre o primeiro que eu me dava de cara era o Condorito. Esse personagem não é muito popular no Brasil, embora tenha sido publicado por aqui nos anos 80. Esse personagem ao mesmo tempo me intrigava e me fazia querer distância. Ano passado, a Marca de Fantasia publicou este e-book de Alejandra Gonzales e fui saber que Condorito não era nem uruguaio e nem argentino: era chileno. Foi criado na onda do filme Alô Amigos!, quando Disney promovia a política de boa vizinhança do neo-colonialismo estadunidense. A popularidade de Condorito em outros países latino-americanos, mas não no Brasil, me faz perceber como nosso país foge da identidade de latinidad, que a autora observa tanto no Condorito como em Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez. As duas obras trabalham o individual para atingir o universal da latinidad e ao mesmo tempo se utilizam de uma transculturalidade bem própria das colônias americanas. Mas se o Condorito faz estrondoso sucesso nas repúblicas latino-americanas de colonização espanhola, por que ele não logra o mesmo efeito no Brasil? Porque nosso país apesar de incluso, não compartilha da mesma latinidad e nem da mesma língua que seus hermanos. Para os brasileiros é muito mais difícil se identificar com esse personagem, que incorpora elementos muito mais próximos à hispanidade do que à nossa cultura. Uma coisa que me chamou a atenção nas histórias do Condorito é que o elemento da religião é bastante utilizado. Por outro lado, nunca vi as histórias da Turma da Mônica – a não ser pelo Chico Bento – tratarem de temas religiosos. Isso porque a religião no Brasil, não é um elemento tão urbano quanto é para os hermanos de origem hispânica. As histórias do Chico Bento, então, para nós, são aquelas que mais se aproximam das cidades fantasiosas de Macondo e Pelotillehue, porque embarcam em um sistema de crendices, lendas e religiosidades que há muito tempo deixo de ser a realidade urbana do brasileiro, mas que ainda permanece no imaginário dos hermanos de origem hispânica que vivem na urbe.

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LENDAS DO UNIVERSO DC: MULHER-MARAVILHA, VOLUME 3, DE LEN WEIN E GEORGE PÉREZ

Tão bom, tão bom poder ler histórias de super-heróis que envolvem mitologia… Afinal, os super-heróis são os mitos modernos e quando eles fazem referências à mitologias antigas, se tornam ainda mais interessante. O meu interesse por super-heróis se deu justamente por causa dos seus elementos mitológicos e narrativos como acontecia com os deuses greco-romanos, egípcios e nórdicos. Neste terceiro volume das histórias da Mulher-Maravilha reinventada nos anos 80 por George Pérez e companhia, a mitologia tem um espaço garantido no arco de histórias que aborda a feiticeira Circe, inimiga de Ulisses, na Odisséia de Homero. Pérez confere a ela todo um background mitológico e faz uma história de terror de criaturas incrível. Este volume também tem a estreia de uma das maiores inimigas da Mulher-Maravilha e que teve diversas versões, a Cisne de Prata. Além disso, ele traz uma história que é especial para mim: a primeira história de super-heróis que li: Action Comics #600, que traz o “romance do século” entre a Mulher-Maravilha e o Superman, bem como sua luta com Darkseid. Quando eu li a história pela primeira vez, eu não goste nada. Dessa vez eu entendi porque não gostei: ela não tem nada de especial mesmo. Ainda bem que os X-Men surgiram no meu caminho anos depois, senão nem estaria aqui escrevendo isso para vocês. Mas bem, leiam esse volume que, em geral, ele é sensacional!

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MULHER AO QUADRADO: AS REPRESENTAÇÕES FEMININAS NOS QUADRINHOS NORTE-AMERICANOS: PERMANÊNCIAS E RESSONÂNCIAS (1985-1990), DE SELMA REGINA NUNES OLIVEIRA

Como diz um amigo meu pesquisador de quadrinhos, pesquisar as mulheres nos quadrinhos faz parte do “bingo” dos TCCs. Todo mundo faz. Mas nem todos esses trabalhos acabam virando livro. Curioso como sou, quis entender a razão deste trabalho de doutorado viral livro. Mas me dei mal. FUÉ! É curioso que a autora seja professora da cadeira de Histórias em Quadrinhos na UnB e erre datas, troque escritores por artistas, escreva nomes de personagens errado. Além disso, tem partes que parecem apenas encheção de linguiça, quando ela cita matérias quase inteiras de revistas de época. Ela também comete o perjúrio de usar palavras como homossexualismo e pederastas. Mas também pudera, o livro mais citado neste trabalho é a Bíblia. Claro, o trabalho de Selma Regina Nunes Oliveira não é de todo ruim. Ela usa muitos teóricos da comunicação excelentes para expor suas análises. Mas ela peca e muto na utilização de fontes de quadrinhos, que quase inexistem. Por exemplo, como falar de mulheres nos quadrinhos sem citar Trina Robbins ou Hillary Chute? Outro problema nesse sentido é o recorte da pesquisa. O título diz que ela vai abordar quadrinhos norte-americanos de 1895 a 1990, mas ela usa várias vezes exemplos como Gen13 e Glory que foram criados depois do ano de 1990. Também se se propõe a estudar quadrinhos norte-americanos, o que análises de quadrinhos franceses e brasileiros estão fazendo nesse trabalho? Enchendo linguiça, como se pode perceber em muitas partes dele e na infinidade de imagens que servem também para rechear o livro sem nenhuma análise proposta sobre aquelas que são ilustradas no trabalho. Eu posso ser muito exigente quando se trata de um assunto que eu domino, mas esse trabalho aqui, não me parece uma tese, porque não levanta e nem discute nenhuma hipótese nova ou antiga. Me parece mais uma dissertação, um trabalho de mestrado. Chegando ao final da leitura não entendi porque mereceu ser transformado em livro e ainda por uma editora de uma universidade tão conceituada como a UnB.

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BLACK HAMMER, VOLUME 2: O EVENTO, DE JEFF LEMIRE, DEAN ORMSTON, DAVID RUBÍN E DAVE STEWART

Que legalzinha essa série Black Hammer, né? Faz homenagem a um monte de elementos dos quadrinhos de super-heróis e o melhor de tudo é que a Intrínseca colocou nas livrarias um encadernado competitivo. Por que? Porque ele é mais acessível em valores que a maioria de quadrinhos de editoras “médias”, mas tem uma qualidade e um acabamento tão bom quanto (às, vezes até melhor que a da Poderosa Panini, sem erros, mais páginas e com papel melhor). Mas largando o lado editorial de lado, queria dizer que esse segundo volume deu uma caída de ritmo, embora o mistério da série esteja sendo bem alimentado. Isso porque me deu a impressão de ter mergulhado mais fundo e com mais tempo de leitura do que no segundo, que pareceu passar bem mais rápido. Claro, é uma série sensacional de se acompanhar e isso não tira o mérito dela, afinal, ainda quero saber o que está rolando naquela cidadezinha. Só é uma sugestão para leitores incautos não irem com tanta sede ao pote esperando que o segundo volume seja tão bom ou melhor que o primeiro. Contudo, ainda considero esse um dos melhores quadrinhos de Jeff Lemire na sua vibe mainstream.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: MESTRE DO KUNG FU, VOLUME 2, DE DOUG MOENCH, LEN WEIN, PAUL GULACY, ROSS ANDRU, JIM STARLIN, AL MILGROM E OUTROS

Eu sempre achava os anos 70 meio que uma década perdida dos quadrinhos. Mas acho que muito dessa minha impressão era porque não haviam quase reimpressões dos materiais dessa época. Agora, muito em parte por causa das Coleção Histórica Marvel e da Lendas do Universo DC eu tenho reconsiderado essa minha opinião. Existem quadrinhos bem legais daqueles anos como os de terror, como A Tumba de Drácula e aqueles mais socialmente conscientes como Arqueiro Verde e Lanterna Verde. E os quadrinhos de kung fu, dos quais Punho de Ferro e Mestre do Kung Fu são dois dos grandes exemplos. Mas o Punho de Ferro eu já tinha “redescoberto” antes com suas versões contemporâneas. Já Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, acabou perdido no tempo, coitado, e nunca teve uma nova versão que fizesse jus ao seu sucesso na onda das artes marciais dos anos 70. Por isso, foi uma ótima iniciativa da Panini trazer, além de A Tumba de Drácula, as histórias do Mestre do Kung Fu. Tenha achado as histórias bem mornas, mas a narrativa de Paul Gulacy nos recompensa, mas tenho a impressão que nos próximos volumes a coisa deve melhorar bastante.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: PALADINOS MARVEL, VOLUME 8, DE DOUG MOENCH E BILL SIENKIEWICZ

Quando eu comecei a ler as histórias do Cavaleiro da Lua (o herói queridinho de 10 entre 10 massaveistas) eu achava que elas tinham sérios problemas de roteiro. Na época eram escritas por Charlie Houston e desenhadas por David Finch. As coisas não faziam sentido, os personagens (tanto as personalidades de Marc Spector quanto seus coadjuvantes) não faziam sentido, não parecia ter uma trama, uma ligação entre elas. Lendo esse volume com algumas das primeiras histórias do Cavaleiro da Lua percebi que a coisa pode ser proposital para causar estranheza no leitor por causa da loucura do personagem. Sabe de nada (de loucura), inocente! De qualquer forma, o encadenado tem boas histórias, principalmente as que tem mais de uma parte como a da crise hídrica em Chicago e a do Homem da Meia-Noite. Também é interessante ver a evolução da arte do fenômeno Bill Sienkiewicz, que começa com um estilo bastante calcado no modo Marvel de desenhar e vai se soltando cada vez mais com o passar das edições, quando começa a emular a narrativa, o traço e as posições anatômicas de Neal Adams. Recomendado para fãs (massaveios ou não) do Cavaleiro da Lua.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: MESTRE DO KUNG FU, VOLUME 01, DE JIM STARLIN, STEVE ENGLEHART, GERRY CONWAY, DOUG MOENCH, PAUL GULACY, P. CRAIG RUSSELL E RON WILSON

Por um bom tempo da minha vida eu ignorei e até desprezei Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu. Ele era publicado em Superaventuras Marvel, revista que eu e o meu irmão adquirimos em sebos para poder ler as histórias dos X-Men publicadas lá na década de 80. É, amigos, naquele tempo não tinha espernear para a Panini para rererepublicar Watchmen, Piada Mortal e Terra X. Tinha que garimpar nos sebos e se virar nos 30. Enfim, eu ignorava essas histórias achando que eram como as do Justiceiro ou do Demolidor, ou ainda do Nômade. Mas estava enganado. Em um papo com meu irmão soube que ele lia e curtia as histórias do Shang-Chi e que o meu preconceito havia me impedido de ler boas histórias. Então resolvi dar uma chance comprando essa Coleção Histórica Marvel do Mestre do Kung Fu republicada pela Panini na íntegra. Descobri um personagem exótico e um mundo exótico em que ele vive, enquanto sofria, nesse começo uma rotação incrível de artistas e de roteiristas. Mas pelo que andei folhando os volumes subsequentes, muita aventura e “sense of wonder” me aguardam nesse caminho. Viram pessoal, como o preconceito pode nos impedir de conhecer muitas coisas boas? Pois é.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O INCRÍVEL HULK, VOLUME 8, DE BILL MANTLO E SAL BUSCEMA

Último volume da “segunda temporada” da Coleção Histórica Marvel dedicada ao Incrível Hulk. Devido ao sucesso destas histórias, a Panini já está em pré-venda de uma “terceira temporada”. Neste volume, depois de o Incrível Hulk ter viajado ao redor do mundo nas edições anteriores, aqui ele atravessa as dimensões e o espaço sideral. Acaba encontrando um personagem muito popular hoje em dia, mas que na revista fazia sua primeira aparição: Rocky Racum, dos Guardiões da Galáxia. Apesar dessas histórias terem todas essas aventuras mirabolantes, comparado com os volumes anteriores este parece mais fraco. As histórias são burocráticas e parece que estão ali somente para cumprir tabela, fazendo episódios praticamente “procedurais” do Incrível Hulk. O que chama mesmo a atenção é a subtrama em que Rick Jones é envenenado por Raios Gama e Betty Ross com a ajuda de uma cineasta alienígena interestelar tentam recuperar sua saúde, retornando ao lugar de maiores pesadelos do bando: a Base Gama do General Thaddeus Thunderbolt Ross. Mas para sabermos como continua a trama e a subtrama, somente acompanhando as próximas “temporadas” em que a Panini promete publicar a remarcável Saga da Encruzilhada.

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UM PEQUENO ASSASSINATO, DE ALAN MOORE E OSCAR ZARATE

Aí gente! Me desculpem mas acho que, de longe, este é o PIOR quadrinho do Alan Moore que eu já li em toda a minha vida. Muito mais do que um quadrinho experimental, é um quadrinho CHATO PACARAI, muito chato. Comprei esse quadrinho usado me perguntando por que raios o seu dono se livraria de um quadrinho do Alan Moore. E infelizmente entendi. Não adianta todo o buzz que a editora e seus afiliados provocam sobre o quadrinho se ele não cumpre o seu papel, né?! Além disso, a arte de Oscar Zarate é extremamente datada, um estilo bem anos 90 daqueles clip arts que vinham com o Word ou ainda o Write, e que você podia encontrar em capas de livros didáticos e outras coisas que queria pregar de moderninhas. Realmente esse quadrinho não me agradou nem um pouco, foi muita expectativa para pouquíssima entrega. O personagem não convence, o enredo não convence, a história é cheia de diálogos desnecessários e passa longe de qualquer genialidade que Alan Moore tenha apresentado em qualquer momento da sua carreira. Por sorte eu comprei essa HQ usada, porque ficaria muito irritado de ter pago o valor cheio dela.

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DEMOLIDOR, VOL. 18, DE CHARLES SOULE, MIKE HAWTORNE E MATT MILLA

Charles Soule vem fazendo uma longa estrada com o título do Demolidor, já representando um dos escritores que mais fez histórias do personagem. Mas a gente já começa a perceber os sinais do cansaço do escritor no personagem. Um sinal disso é a besta-fera do tentáculo, que tem um visual que parece o Mojo dos X-Men. Menos ameaçador, mais zoado. Não dá pra levar a sério como ameaça. Fora que o Soule no Demolidor acabou adotando uma fórmula que é assim: em um arco ele faz uma coisa drástica que deixa Matt Murdock em apuro e no seguinte ele vai lá e conserta, revertendo tudo. E assim vai. Outra coisa que essa fase não tem me agradado (não que a fase seja ruim, mas que vai piorando ao longo do tempo) é a irregularidade da arte. Começou com Ron Garney dando um show de estilo e neste encadernado temos um artista com um estilo no mínimo esquisito, como o de Mike Henderson, que em pouco se assemelha com o que Garney estabeleceu lá no começo. Por sorte, em breve, veremos Soule largar o osso do Demolidor e deixar para novos escritores que estejam menos cansados do personagem. Nem que para isso, o Demolidor precise morrer no processo.

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VENOM/HOMEM-ARANHA: CORPORAÇÃO VENOM, DE DAN SLOTT, MIKE COSTA, RYAN STEGMAN, GERARDO SANDOVAL E JAVIER GARRÓN

Bem, vamos lá falar deste crossover feito para lucrar sobre o buzz do filme do Venom. Comprei ele porque sou muito fã do Agente Venom, que é Venom bom, encarnado pelo Flash Thompson. Quem acompanha as histórias do Aranha sabe que o Flash é um cara com uma história complicada. De bully de Peter Parker a fã do Homem-Aranha, de soldado em várias guerras a alcoólatra que perdeu as pernas, de agente secreto a simbionte demoníaco. Ele é um personagem bastante interessante e, aqui neste encadernado ele se torna o Agente Anti-Venom, que tem a missão de destruir os simbiontes. Claro, depois em outro arco, ele acaba morto por Norman Osborn. Se o arco não tivesse o mote principal, que é a criação de uma Corporação de Venoms e se focasse em Lee Price, o Maníaco, ele provavelmente seria muito melhor. Infelizmente existem esses elementos “vendedores” para atrapalhar a história, passando pelos roteiros sofríveis de Mike Costa, que fez uma fase bem esquecível do Venom. Tanto que o personagem, posteriormente foi passado para Donny Cates, que vem sendo muito elogiado. Então, no fim das contas, é um encadernado dispensável.

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DEADPOOL: MASSACRA OS CLÁSSICOS, DE CULLEN BUNN E MATTEO LOLLI

A gíria no “meio dos quadrinhos” para quem compra tudo sem pensar muito, é “verme”. Pode até ser verme de livros, verme de quadrinhos e tal, mas desconfio que seja no sentido mais desprezível da palavra. Dito isso, ainda não sei uma razão para eu ter comprado esse encadernado, a não ser pelo fato único e absurdo de eu ser um verme e ter achado a campa muito bonita. Este encadernado faz parte de uma trilogia, é o segundo, da chamada “Killogy” do Deadpool em que ele sai matando geral. Legal, né? Só. Que. Não. Neste, ele assassina vários personagens clássico da literatura (diga-se de passagem da literatura que importam para os dominantes da cultura, ou seja, aquela produzida por brancos, homens, e anglo-saxões, em sua maioria). Se fosse um quadrinho de outro personagem, até poderia ter dado uma história legal, mas do jeito que o Deadpool tem se “comportado” ultimamente, mais parece que esse quadrinho foi feito para adultos que gostam de ser crianças, mas que na sua criancice gostam também de sexo e violência. Os desenhos de Matteo Lolli cumprem a tabela, não são nada de mais, na verdade são até feinhos. Provavelmente esse encadernado vai dançar um tango nos sebos…

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PETER PARKER ESPECIAL: HOMEM-ARANHA – “AMAZING FANTASY”, DE CHIP ZDARSKY, JOE QUINONES E ADAM KUBERT

Eu não sei bem o que dizer sobre essa revista. Chip Zdarsky tem se tornado o novo queridinho da Marvel, o novo grande nome da editora, depois que a maioria dos grandes nomes debandaram. Ele também vem amealhando diversos títulos de peso da editora. Ele escreve bem e tem aventura e tem humor nos seus escritos. Mas eu não gostei tanto deste especial maluco da Panini. E vou dizer, amigos, que a maior parte da culpa é da Panini. Porque o leitor desembarca em Peter Parker Especial: Homem-Aranha (eita nominho bizarro) com a história em andamento. Não sabe por que razão Peter, Teresa e Jameson estão no passado, então a graça de acompanhar a aventura deles se perde. Por que? Porque sem o “McGuffin” da história, bem, não tem historia, né? Eles ficam falando de uma raça de alienígenas, mas não se tem nenhuma contextualização de quem é essa raça, o que eles querem, daonde eles tiraram (é claro que foi do **, Robin!). Então não recomendaria para leitores que, como eu, não estavam lendo a revista mensal do Homem-Aranha, vão ficar boiando lindinho! Mas tudo bem, isso significa que não vou gastar meu rico dinheirinho com a continuação dessa “minissérie”. FACEPALM!

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: MESTRE DO KUNG FU, VOL. 4, DE DOUG MOENCH, ROGER STERN, JOHN BUSCEMA, PAUL GULACY, KEITH POLLARD, JEFF ACLIN

Oi! Aqui estou eu dando continuidade à minha leitura dos volumes da Coleção Histórica Marvel: Mestre do Kung Fu. Este é o volume 4. E, por sua vez, este é o volume com histórias mais bizarras dessa coleção que eu li até agora. E, sim, existem histórias bizarras que são divertidas e existem histórias bizarras que… bem… são só bizarras. Um exemplo é quando Shang-Chi se junta a um circo e a cada página ele retira um pano sobre a jaula de uma “aberração” do circo. Tem fauno, centauro, sereia, lobisomem, serpente-humana. Eles são amigos do dono do circo e o ajudam e tal. Mas, então, por que vivem em jaulas? Outra história bizarra é a que Shang Chi e seus amigos vão resgatar uma donzela em uma ilha remota. Lá existe um castelo, um domo geodésico, uma pirâmide do Egito e uma casa em forma de sapato gigante. É um parque de diversões particular de um milionário que é servido por um robozinho feliz e animatrônico. Essas histórias compreendem metade do encadernado número 4 do Mestre do Kung Fu. E, sinceramente, nossa, que histórias mais nada a ver essas, hein, sem falar no rodízio interminável de artistas que passaram pelo título. Bem, ruin, hein?!

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SOLDADO DESCONHECIDO, DE GARTH ENNIS E KILIAN PLUNKETT

O Soldado Desconhecido é, como várias propriedades da DC Comics, um personagem do passado da editora que foi revitalizado por um escritor britânico. o escritor, no caso é o irlandês de Glasgow, Garth Ennis, num cara que tem predileção por escrever quadrinhos de guerra. Quando Ennis escreve quadrinhos de guerra, ou ele faz um trabalho muito muito bom, ou muito muito ruim. O caso deste encadernado, infelizmente, é o segundo. Talvez ele faça alguma sentido para os estadunidenses e para os britânicos que são mais belicosos que nós e tem sua história manchada por conflitos armados. Mas, sinceramente, a história não me captou, nem mesmo a tal reviravolta no número final da minissérie. Os desenhos de Kilian Plunkett também não colaboram muito, com suas diagramações de páginas verticais demais e também o layout bastante desajustado em que ele desenvolveu a narrativa de Soldado Desconhecido. A série viria a continuar como uma série regular por outros artífices na Vertigo, anos depois. Soube que ela foi bastante elogiada. Essa minissérie, vendida em encadernado por aqui, já foi publicada em duas edições por outra editora, a Tudo em Quadrinhos/Atitude e a tradução daquela era bem pior que a dessa, deixando a leitura ainda mais desagradável. Eu fico imaginando como deve ter sido essa série regular do Soldado Desconhecido, porque se for ineglutível como essa daqui, a verdade é que ela não foi feita para povos como o dos brasileiros.

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COLEÇÃO HISTÓRICA MARVEL: O MESTRE DO KUNG FU, VOLUME 3, DE DOUG MOENCH, PAUL GULACY, JOHN BUSCEMA, KEITH POLLARD, RON WILSON, AUBREY BRADFORD E ED HANNIGAN

Esta edição apresenta dois dos Giant-Sized Master of Kung Fu, publicados pela Marvel. São cinco no total e aqui temos o 3 e o 4. Enquanto um é uma intrépida aventura ao redor do planeta, com perseguições lutas, maravilhamento e exotismo, o que segue é uma galhofa. Olhem só, nada contra a galhofa, mas não ficou nada bem com um personagem como Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu que é mais sério do que as condições da cultura e da educação no Brasil. Saiu do prumo, perdeu a mão, embora tenha sido escrita pelo mesmo Doug Moench que fez o Giant-Sized anterior. As outras histórias, que aí sim, vêm do título regular, também não apresentaram nada de mais, foram bem planas no sentido de apresentar sempre o mesmo enredo burocrático da lutinha e da perseguição. Ao meu ver, parece que a coisa muda nos próximos volumes da coleção, que vinha num crescendo. Este volume, no entanto, caiu num buraco de ruinzice. Se não fosse pelo primeiro Giant-Sized seria bem pior a minha avaliação. Ou eu também posso estar meu deprimido e com mais raiva do que da última vez que li o Mestre do Kung Fu. Isso influencia nossas leituras, sim.

FEVnn1NATHAN NEVER, VOL. 01: OS OLHOS DE UM ESTRANHO, DE MICHELE MEDDA E STEFANO CASINI

A Editora Mythos deu continuidade na numeração original italiana de Nathan Never iniciada pela Editora Globo nos anos 90. Essa, então, foi a primeira leitura do personagem, se não contarmos o especial Fumetti – O Melhor do Quadrinho Italiano, publicado em 1991 pela Editora Globo. A história segue o fluxo de uma trama comum de detetive, porém, que se passa no futuro. Nathan Never está lidando, através de sua agência particular de investigações, a Agência Alfa, com um serial killer de mulheres. O poético desta narrativa está quando o roteirista faz alusões aos olhos dos seres humanos com os olhos da câmera, fazendo um paralelo que ambos podem revelar o íntimo de uma pessoa. Preciso dizer que essa trama ficou abaixo das minhas expectativas e não me empolgo tanto quanto eu imaginei que me empolgaria, mas já é bem melhor que os fumetti de faroeste da Bonelli, mas não me pareceu tão boa quanto Dampyr ou Mister No, por exemplo. Nas edições seguintes, contudo, a trama melhora bastante e Nathan Never mostra, então, a que veio.

FEVpaola

QP, DE POWERPAOLA

Quando eu me deparei com os desenhos de Marjane Satrapi em Persépolis eu pensei: “que desenho simples, assim todos mundo pode fazer quadrinhos, mesmo não sabendo desenhar”. Quando me deparei com os desenhos de Powerpaola neste quadrinhos aqui eu pensei “tudo bem, eu mesmo posso desenhar de qualquer jeito mesmo, mesmo achando que não sei desenhar, o importante é eu cair nas graças do povo”. Os desenhos de Powerpaola são horrendos, horríveis, desproporcionais, anatomicamente errados, a histórias são bem sem graça e sem nexo. Mesmo assim, de alguma forma, ela caiu nas graças do povo e foi publicada em várias línguas. Eu achava que tinha visto desenhos feios e histórias autobiográficas sem pé nem cabeça, mas esse quadrinho elevou a barra para um outro nível estratosférico. Eu gostaria de saber o que aconteceu durante a trajetória de Powerpaola que a incensou a esse nível, porque este quadrinho, qp, não me conquistou de nenhum jeito. Como estudo quadrinhos autobiográficos vou manter ele comigo, até para poder dizer, olha, esse não é um bom exemplo. Mas se você está pensando em comprar, eu desrecomendo fortemente.

FEVthorette

THOR: A MORTE DE THOR, VOLUME 1, DE JASON AARON, RUSSELL DAUTERMAN, JAMES HARREN, MAHAMUD ASRAR E OUTROS ARTISTAS

Se, no futuro, alguém for pesquisar sobre a flutuação de preços na realidade das bancas brasileiras, vai se deparar com esta edição. A Morte de Thor foi reprecificada – uma prática da época de recessão econômica e de crise de inflação – trazendo um adesivo que aumentava em quase 10 reais o seu valor corrente. Talvez os historiadores dos quadrinhos (e no futuro haverá isso) perceberão A Morte de Thor como um momento parecido com o início dos anos 90, quando tabelas em cada banca dizia que preço um código impresso nas revistas significava. As tabelas eram renovadas toda a semana, quiçá, todo dia, na época da inflação galopante. Fora isso, é uma edição bastante insípida que mostra que Jason Aaron à frente do Thor e da Thor já está mostrando sinais de cansaço e repetição. Nem os fabulosos desenhos de Russell Dauterman ocupam metade desta edição. O destaque mesmo fica para o encontro do Indigno Thor com a Poderosa Thor, quando os dois precisam enfrentar o vilão mutante Apocalipse no Egito Antigo. Vale dizer que a segunda edição desta saga manteve o mesmo preço absurdo, enquanto outras edições semelhantes continuam apresentando preços antigos. Lógica ilógica e sem explicações da Panini Comics Brasil como sempre. Quem sofre são os leitores.


E então garoutos e garoutas e aqueles que não se identificam nem com um nem com outro, curtiram? Tá bom ou querem mais? Se querem mais terão de esperar o final de março, quando voltaremos com mais uma batelada de minirresenhas! Abraços submersos numa pilha de gibis!

 

4 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Fevereiro de 2019

  1. Olá, Guilherme, tudo bem.

    Então, missão cumprida, aprovação no mestrado em Mídia e Cultura da UFG. Estou como o Hobbit atravessando a porta para uma jornada inesperada rsrsrsrs

    Vou falar de quadrinhos no meu projeto e tem um livrinho seu que está na minha estante pronta para ser analisada e utilizada. Não é de hoje que acesso seu site e tenho o prazer de ler suas resenhas, que são como referências na hora de comprar ou não um quadrinhos. Já selecionei, destas cinquenta, um grupo interessante: Afronta, Arte Sequencial e Quadrinhos e Escola.

    No mais, fiquei bem curioso em ler Liga dos Pampas (versão brasuca de Liga Extraordinária, do Alan Moore) e Sigrid (jornada do herói, né). Parabéns pelo trabalho. Ainda não li A Morte de Thor e Demolidor do Soule, mas uma pena que as histórias não sejam tão legais assim. Nós, leitores mais velhos, sempre estamos a procura de leituras que não sejam apenas entretenimento e que transcendam a mídia por um viés sociocultural mais contundente.

    Abraços, cara. Sucesso no seu site e em seus trabalhos.

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    1. Oi Brasuka! Parabéns pela aprovação! Acho que tu vais curtir de montão o mestrado! Eu curti o meu! Agora é se jogar nas pesquisas! =)

      Que bom que curtiu as resenhas, afinal, no meio de TANTAS não tem como não curtir pelo menos uma, né?! Agora fiquei curioso… qual livro meu está na tua estante?

      Sobre a Sigrid e A Liga dos Pampas, se quiser adquirí-las, peço para escrevever para o meu e-mail guilhermesmee@gmail.com que conversamos como a gente faz pra acertar e enviar pra ti. =)

      Valeu pelos comentários, sempre bom te ver por aqui! Um grande abraço e sucesso nessa nova “jornada inesperada”! =)

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      1. Estou lendo “Tanta coisa me interessa mas nada tanto assim”. Escrita boa, sem enrolação e que não patina como certos livros teóricos existentes por aí.

        O seu livro abre as perspectivas de pensamento e oferece ganchos para pensar fora da caixa. Terminei de ler agora pouco em meio a pesquisa de um artigo que estou começando a preparar, sobre Farenheit 451 e a relação sujeito e leitura. Como você falou, acho que vou curtir esse mestrado.

        Daqui a pouco lhe envio o e-mail. Abraços.

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