Melhores e Piores Leituras de Março de 2019

Batemos mais um recorde! Um recorde próprio, claro! Mas se no mês passado tivemos cinquenta quadrinhos e/ou livros sobre quadrinhos resenhados, este mês nós temos 52 quadrinhos! Isso mesmo OS NOVOS 52!!! A DC Comics e o Dan DiDio curtiram muito isso, mas principalmente esse número cabalístico que apresentamos para vocês! Que coisa… Mas nem tudo são Novos Deuses neste mundo… Também temos Apokolips… Então temos uma boa dose de leituras ruins e radioativas para você evitar a todo custo. Ligue suas caixas maternas e vamos nos transportar para esse mundo das mini resenhas!

Melhores

MARabeABE SAPIEN: OS AFOGADOS, DE MIKE MIGNOLA E JASON SHAWN ALEXANDER

Eu preciso confessar: os primeiros quadrinhos de Hellboy que eu li, eu achei simplesmente um porre, historinhas supérfluas, sem eira nem beira, personagenszinhos chatos pra caceta e rasos que nem um pires. Mas o tempo passou, o mundo mudou e minha cabeça mudou. Agora consigo encontrar a graça que tanto me diziam nas historinhas do Hellboy. Que é a capacidade de reinventar a roda que Mike Mignola e seus asseclas fazem nessas histórias em quadrinhos. Eles conseguem impingir nos leitores de hoje o mesmo maravilhamento e assombro que as lendas antigas provocavam nos ancestrais nossos que ouviam esses contos serem explicados ao pé das fogueiras. Este Abe Sapien: Os Afogados, por exemplo, traz histórias marítimas que tem a ver com tantos, mas tantos mitos e lendas referenciados que às vezes fica difícil saber exatamente a qual deles o roteirista e o desenhista estão querendo aludir. Os Afogados é aquela história de atmosfera, que nos envolve e por vezes nos sufoca através do clima que nos é apresentado. Os tons contrastantes e o preto carregado da arte também dá essa sensação. Chegamos ao final da publicação querendo mais.

MARnathan

NATHAN NEVER (MINISSÉRIE DA EDIOURO), DE MICHELLE MEDDA E NICOLA MARI

Olha, preciso dizer: eu havia gostado muito das quatro edições de Nathan Never que li e que foram publicadas pela Editora Mythos ano passado. Mas essa minissérie que a Ediouro publicou (e que não é uma minissérie no original, mas números contínuos da série) é incrivelmente sensacional de boa. Isso porque ela explora mais o passado e o personagem de Nathan Never, mostrando o relacionamento dele com sua mulher (que ele traía) e sua filha (que ele não dava bola). A mulher é morta por um psicopata psíquico e assassino serial. Isso mostra o quanto o personagem é diferente dos heróis que temos por aí. Ele possui diversas falhas de caráter, mas que acaba entrando em uma busca de remissão dos “pecados” e dessas memórias (e daí o abismo) que o atormentam. Ele acaba descobrindo que o assassino da filha criou um elo mental com ela para que ela – pasmem- o matasse. Enquanto isso a filha está vegetando em um hospital psiquiátrico e só toma ações coordenadas por ele. Assim, Never embarca em um dito 11º Mandamento, que poderíamos interpretar como “honrará sua prole”, para que ele desse conta dos “pecados do pai”, salvando sua filha da influência do assassino serial. Os pontos negativos desta minissérie são os desenhos que destoam dos desenhos mais realistas da série em geral e da qualidade do acabamento do gibi, impresso em papel jornal, deixando as bordas enrugadas e o cheiro do papel e da tinta mais forte, principalmente depois de dez anos de sua impressão. De toda forma é uma BAITA história, que me dá satisfação de ter descoberto o lado bom dos fumetti da Bonelli. (resenha igual para os dois números da minissérie).

Leia mais sobre o personagem italiano Nathan Never aqui.

MARmonica

MÔNICA: TESOUROS, DE BIANCA PINHEIRO

Acho que as duas Graphic MSPs que a Bianca fez são as únicas que conseguem manter um ritmo de narrativa e um peso emocional semelhante entre aquelas que tiveram continuações. As duas falam da importância em valorizar as relações que estabelecemos com as pessoas, seja no amor ou seja na amizade, e a importância de manter essas relações. Este Mônica: Tesouros também talvez seja a Graphic MSP que mais tenha referências às outras Graphics feitas por outros artistas. Algumas pessoas gostam de chamar isso de “easter eggs”, mas eu acho que não é bem o caso. Assim, Bianca mostra que fez muito bem o tema de casa e que leu os demais trabalhos dos seus colegas. (Quê? Tem muita gente que não lê o trabalho do coleguinha!) A introdução de um personagem novo, Antonio, afro-descendente, cuja mãe precisa trabalhar dobrado para manter a família (provavelmente uma das inúmeras mães solteiras deste Brasil), mostra que o estúdio MSP está tentando corrigir o erro histórico de representatividade nas suas histórias em quadrinhos. Este Mônica: Tesouros é, assim como Jeremias, Horácio e Penadinho, uma das Graphic MSP acima da média das demais porque mesmo que de leve, trata de questões sociais que urgem serem discutidas em quadrinhos do alcance da Turma da Mônica.

MARsjaSJA: JUSTIÇA SEJA FEITA, DE JAMES ROBINSON, DAVID S. GOYER, STEPHEN SADOWSKI, DEREC AUCOIN E SCOTT BENEFIEL

Infelizmente a Sociedade da Justiça começou a ser publicada lá fora em um período tempestuoso aqui no Brasil: a iniciativa Heróis Premium da Editora Abril. Por isso, estas edições iniciais da SJA não foram publicadas no Brasil (salvo alguns anos depois na revista Wizmania). Ou seja, os leitores brasileiros só começaram a acompanhar essas histórias na fase de Geoff Johns, que é tão sensacional quanto essa inicial e presta uma bela homenagem aos heróis da Era de Ouro dos super-heróis. É uma pena que a Panini não tenha republicado essas histórias em encadernados e elas cheguem até nós apenas pela Eaglemoss, que certamente não dará continuidade no material, porque esse não é o papel dela. Fica o apelo – que vai cair em ouvidos moucos porque a Panini é a Panini – de que se publique a SJA em encadernados aqui no Brasil. É um material de primeiríssima qualidade e traz heróis da época dos bisavós para os bisnetos, só que repaginados de uma maneira que possa atrair as novas gerações. Recomendo fortemente para quem é encantado pelo Universo da DC Comics e toda a sua história dentro da história das histórias em quadrinhos! (eita quanta história!)

MARjessicaJESSICA JONES, VOL. 03: O RETORNO DO HOMEM-PÚRPURA, DE BRIAN MICHAEL BENDIS E MICHAEL GAYDOS

Eu estou gostando muito dessas séries que o Brian Michael Bendis acabou depois de sua experiência de quase morte. Acho que fez ele repensar não só a sua existência, mas a maneira morosa de como ele andava conduzindo as narrativas. Este volume de Jessica Jones não tem tantas lutas, como é de praxe dos quadrinhos de super-heróis. E tenho que confessar que não gosto desse tipo de quadrinho por causa das lutas, mas por causa da discussão que eles suscitam. Neste aqui, o nêmese de Jéssica, o Homem-Púrpura, vai atrás dela para perguntar se ela acha que ele é uma espécie de Deus e que pode oferecer a ela o que ela quiser. Afinal, ele pode fazer as pessoas fazerem tudo que ele quiser, certo? Então é esse tipo de discussão que dá outra camada para esse tipo de história, uma de ética, de moral, de valores humanos que fazem os seres humanos serem humanos e nos faz entender um pouco mais de nosso papel nas nossas vidas e no universo. E é por isso que eu gosto de Alias, Jessica Jones, ou seja como você queira chamar: Jessica em seus milhares de defeitos, mas portando poderes, faz notar que quanto mais coisas nós podemos fazer, mais responsabilidade nós temos sobre elas. E se não tivermos, como o Homem-Púrpura, certamente seremos supers, mas não seremos homens.

MARdeadpool

DEADPOOL CLÁSSICO, VOL. 11: AGENTE DA ARMA X, DE JIMMY PALMIOTTI, BUDDY SCALERA, FRANK TIERI, KARL KERSCHL E GEORGES JEANTY

Os anos 2000 foi a época quando os dois escritores deste Deadpool Clássico, Jimmy Palmiotti e Frank Tieri, se consagraram com histórias de humor duvidoso e muita violência. Tudo isso puxado para um sentido meio Garth Ennis de ver a vida, mas com bem menos qualidade nos textos. Eu simplesmente odiava as histórias de Frank Tieri no Wolverine, embora simpatizava (não sei por que) as histórias dele na malfadada série Arma X (deve ser porque gosto de restolhos). Neste encadernado eu finalmente pude saber como Vanessa Carlysle, a grande amada de Deadpool morreu pelas mãos do Dentes de Sabre (sempre ele) e como Deadpool participou do projeto Arma X de Tieri. De lá para cá, Palmiotti e Tieri viraram sinônimo de escritor enchedor de linguiça e tampador de buracos. Tanto é que os dois costumam participar de séries correlatas, como por exemplo, nas histórias da Arlequina e em tie-ins bastante contestáveis em termos de qualidade de grandes eventos tanto na Marvel como na DC Comics. Deadpool Clássico, se contar apenas com o primeiro volume da série regular do Deadpool já vai se encaminhando para um fim, com mais um ou dois encadernados a virem por aí.

MARdora

DORA, DE BIANCA PINHEIRO

No posfácio desta história em quadrinhos Bianca Pinheiro confessa que nunca foi muito fã de histórias de terror, mas que sempre teve o desejo de fazer uma. Eu não diria que Dora seja uma história de Terror. Eu diria que Dora pode se encaixar mais sendo classificada como uma história de suspense. Uma história de suspense bem construída e que se aproveita da linguagem fragmentária dos quadrinhos, suas sarjetas e suas viradas de páginas para construir a ansiedade no leitor e solicitar dele que complete o que pode ter ocorrido neste quadrinho. Para mim, uma história de terror é aquela que revela as partes mais gore da história, que se constrói no susto e não na surpresa, que tem criaturas e elementos sobrenaturais. Nada disso aparece em Dora. Nesse sentido a narrativa é mais minimalista. Uma história de suspense deixa as coisas in suspendu, suspendidas no ar, apenas sugeridas, nunca reveladas e é isso que Bianca Pinheiro faz em Dora, até mesmo no final da história que fica em aberto, para o leitor completar com as informações dadas pela autora ao longo de toda a história em quadrinhos. Por isso, para mim, Dora, é um belo quadrinho de suspense.

MARdeslocamento

DESLOCAMENTO: UM DIÁRIO DE VIAGEM, DE LUCY KNISLEY

Este é um quadrinho ótimo. É um quadrinho sensível, bonito (estética e narrativamente), e envolvente – e, sim, muitas vezes você se pega gargalhando mesmo assim. Lucy Knisley vai acompanhar seus avós em uma viagem de cruzeiro para o Caribe. Mas os avós já têm mais de 90 anos e precisam de cuidados constantes. Eu o li praticamente de cabo a rabo sem parar. Deslocamento, à primeira vista, não parece um quadrinho comum: não tem requadros, não tem sarjetas, contudo, ele trabalha a narrativa visual de um quadrinho autobiográfico de uma maneira fluida. Talvez o quadrinho autobiográfico mais fluido, mais leve que eu já tenha lido (e eles costumam ser pesados e complexos) mesmo com o tema velhice e demência envolvidos. Toda a composição do quadrinho faz com que ele seja adorável. Ao mesmo tempo preciso estender meus parabéns também à Editora Nemo, que tem um catálogo muito bonito de quadrinhos como esse. É uma editora que preza pelo cuidado das suas publicações – o que muitas e a principal do país no segmento não tem tido -, tanto que a adaptação de todas as intervenções gráficas da autora foram traduzidas e adaptadas imageticamente com trabalho e esmero, tornando a autografia da autora neste relato de si em quadrinhos em algo orgânico, inerente, que parece que todo o livro foi feito em português (e não em inglês como originalmente foi). É esse tipo de carinho, que obra passa, que o cuidado editorial passa, que faz com que a Nemo seja uma editora muito bem quista pelo seu público. Diferente das gigantes do ramo que não dão uma pataca para aqueles que a sustenta.

MARtut

BATMAN: A TUMBA DO REI TUT, DE NUNZIO DE PHILLIPS, CHRISTINA WEIR, GERRY CONWAY, JOSÉ LUIS GARCÍA-LÓPEZ E KEVIN NOLAN

Não sei por que motivo, razão ou circunstância, a Panini Comics resolveu trazer à venda vários encadernados do desenhista espanhol radicado na Argentina, José Luis García-López. Este é um deles. Ele é dividido em duas, digamos, “partes”. A primeira parte é uma história atual que reapresenta o vilão Rei Tut, do seriado do Homem-Morcego de 1966 para os quadrinhos dos anos 2000. A segunda parte são histórias clássicas dos anos 80, das revistas Batman e The Brave and The Bold. O que elas têm em comum é a arte do espanhol. É uma arte com uma bela fluidez e que empresta aos corpos um volume preciso, ainda mais na versão mais atual, finalizada por outro grande artista, Kevin Nolan. Sendo assim, a história em três partes que dá nome a este encadernado é muito mais interessante que as três, “clássicas” e, claro, o encadernado vale a lida por causa delas, envolvendo ainda o Charada, um dos meus inimigos do Batman favoritos. As três histórias dos anos 80, são bastante típicas dos encontros entre heróis daquela época, mas um pouquinho mais interessantes, principalmente por terem sido abençoadas com a arte de García-López.

MARmorte

UMA MORTE HORRÍVEL, DE PÉNÉLOPE BAGIEU

A parte rançosa do meio dos quadrinhos é, geralmente, seus fãs reacionários e ignorantes. Já no mundinho literário, a parte rançosa quase sempre são os autores de ego inflado. Neste quadrinho precisamente crítico, cáustico, bem humorado e esperto, uma garota sem expectativa de melhoras na vida acaba se encontrando com um autor de sucesso da literatura. Ela repara como ele têm hábitos esquisitos, como o de não sair nunca de casa. Mas ela, por ser uma garota humilde, nunca ouviu falar dele. Para ele, a influência dela é ótima, tanto que ela se torna sua musa inspiradora. Até que, depois de uma conversa com a editora do escritor, ela descobre que ele é um mega-autor de sucesso. Mas que ele está morto. Ao menos o mundo pensa assim. E, assim, ele vende milhares de livros. Este é um quadrinho que lida não só com a fama de uma perspectiva feminista, mas que também mostra como o ego de uma pessoa pode subir à sua cabeça de uma forma, que ela até renega a sua própria vida e existência em troca de fama e elogios da crítica. Fora isso, a parte gráfica da HQ, com uma paleta reduzida e traços leves e letras de mão conferem uma aura especial à Uma Morte Horrível.

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GEN: PÉS DESCALÇOS, VOL. 2: O TRIGO É PISOTEADO, DE KEIJI NAKAZAWA

Eu já havia gostado e me impressionado demais com este mangá no primeiro volume que li. Neste, volume, diferente do outro, que em geral era leve e cheio de peraltice dos irmãos, o segundo volume parece uma história de terror. Claro, as pessoas com as peles descolando, as larvas comendo seus corpos ainda vivos, os músculos se descolando dos ossos, os cabelos caindo, a disenteria provocada pela radiação da bomba atômica de Hiroshima, tudo isso é atenuado pelos desenhos fofinhos de Keiji Nakazawa. Quer dizer, eu não sei o quanto isso pode atenuar, ou pode destacar ainda mais o maior horror que a humanidade a.k.a. os Estados Unidos conceberam. Talvez o maior horror deste segundo volume é saber que tudo aquilo mostrado é uma história real, que o autor realmente passou por tudo aquilo e sobreviveu para contar a história. Um registro que precisa ser lido e visto por todos, principalmente por aqueles que comandam o destino de uma nação, para que não se repita. Até porque, recentemente, a Rússia rompeu com o tratado contra o armamentismo nuclear mundial. Por isso, o senhor Putin deveria receber a coleção completa de GEN na sua casa e ser forçado a ler todinho como nas cenas de Laranja Mecânica até rever suas decisões.

MARalien

O ALIENÍGENA E O MENINO, DE IURI ANDRÉAS REBLIN

Livros sobre super-heróis dos quadrinhos? Temos muitos. Livros sobre a narrativa de aventura dos super-heróis? Tempos poucos. Livros sobre superaventuras a partir do ponto de vista de uma teologia social? Temos O Alienígena e o Menino de Iuri Andréas Reblin. Iuri estabelece os super-heróis como um gênero dentro da mídia dos quadrinhos, com convenções narrativas próprias, como acontece com os gêneros literários. E, assim, como todo gênero literário, a superaventura tem sua própria evolução que, por muitas vezes foi restringida ou ainda expandida tanto criativamente como socialmente. Iuri, então, nos traz uma análise das histórias de Paul Dini e Alex Ross, Superman: Paz na Terra (o alienígena) e Shazam!: O Poder da Esperança (o menino), explicando como o tocante às questões sociais fazem parte das histórias de super-heróis e como esse fator social acaba se aproximando da teologia e dos preceitos religiosos de ajuda ao próximo. Em tempos em que fãs de super-heróis são cooptados por uma direita raivosa que prega o extermínio daqueles que são diferentes, um livro como o de Iuri são estritamente necessários para demonstrar que de ódio ao próximo, os quadrinhos de super-heróis estão praticamente livres.

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NOVO SUPER-MAN: VOLUME 4, DE GENE LUEN YANG E BRENT PEEPLES

Uma lástima que este seja o último encadernado do Novo Super-Man, o Superman Chinês que teremos por aqui. Isso porque também se encerraram suas edições originais lá fora. Pelo que entendi pelas palavras do editor-sênior da DC Comics na Panini, Gustavo Vícola, o Novo Super-Man fez bastante sucesso com os brasileiros. Mas com os americanos não fez muito pelo jeito. Esta história em quadrinhos é uma bem engendrada maneira de montar uma Liga da Justiça da China, usando o mesmo nome dos super-heróis americanos mas com um background e poderes que nada tem a ver com aqueles heróis, a não ser pelo nome que adotam. São autênticos super-heróis chineses baseados em seus costumes, religiões e lendas, Neste encadernado, depois de conhecer o Batman, o Robin, a Mulher-Maravilha, a Flash e os Lanternas Verdes da China, somos finalmente apresentados ao Aquaman chinês. É lindo ver como o enredo de Gene Luen Yang é fluido e tudo está planejado para convergir em algum momento, uma coisa bastante ausente nos quadrinhos atuais. Creio que foi essa característica que atraiu os brasileiros, que gostam de histórias bem amarradas. O ponto negativo da série foram os desenhos, feio e irregulares. Mas levando tudo em conta, será uma infelicidade que ficaremos órfãos dessa série. Quem sabe, um dia a DC Comics volte a publicá-lo.

MARcapitao

CAPITÃO AMÉRICA: TERRA PROMETIDA, DE MARK WAID, CHRIS SAMNEE E LEONARDO ROMERO

Confesso que me decepcionei um pouco quando li o primeiro volume desta coleção do Capitão América por Mark Waid e “Chris Samnee”. Não estava nem aos pés do Demolidor dos dois. Passaram a explorar um futuro esquisitaço naquele arco. Bem, nesse arco também eles também desenvolvem um futuro. Cabe ao competente brasileiro Leonardo Romero cobrir os furos de Samnee. Este é um dos primeiros trabalhos mais extensos de Romero publicados no Brasil. Mas dessa vez, o tiro acerta mais que erra. Os conceitos usados por Waid e sua intenção de mostrar os historiadores, como é o descendente do Capitão América, Jack Rogers, como uma categoria de cidadãos privilegiados por terem acesso ao passado (SIM!) e investigá-lo (SIM!) são deveras interessantes. Ao mesmo tempo, Jack precisa salvar seu filho Steve de uma doença implantada pelos krees na população americana. Mas antes ele precisa se apossar do Cubo Cósmico e deter o Caveira Vermelha ao mesmo tempo. Esse quadrinho sim, é uma bela homenagem às 700 edições do Capitão América cujo número 700 foi publicado no volume anterior. Ainda assim a fase dos dois no Capitão América fica aquém de sua fase no Demolidor.

MARpanorama

PANORAMA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO BRASIL, DE WALDOMIRO VERGUEIRO

Waldomiro Vergueiro é, atualmente, o mais importante pesquisador brasileiro dos quadrinhos que continua vivo. Este livro foi uma homenagem preparada pelos amigos em honra de sua aposentadoria como professor da Universidade de São Paulo, muito embora ele continue atuante. O livro é um resgate e uma ampliação de outro que Waldomiro havia escrito para uma coletânea sobre o panorama das histórias em quadrinhos na América Latina. O livro é muito interessante, principalmente quando fala das primeiras décadas dos quadrinhos no Brasil e dos vários gêneros que aqui floresceram seja com reimpressões de material importado ou seja pela produção própria em terras tupiniquins. Contudo, a parte da contemporaneidade, a meu ver deixou um pouco a desejar e poderia ter ido mais a fundo. Principalmente quando o autor diz que a Abril escolheu deixar de publicar a Marvel no Brasil. Na verdade essa foi uma exigência da Panini, que era responsável pela representação da Marvel neste país. Isso aconteceu após a má decisão editorial de se criar a linha de Super-Heróis Premium, que acabou tirando a DC Comics, um ano depois, das mãos da Abril. De toda a forma é um lindo livro, que presta uma bela homenagem ao autor, contando ainda com uma entrevista realizada por Érico Assis e uma linha do tempo da vida de Waldomiro Vergueiro.

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AMERICA’S GOT POWERS, DE JONATHAN ROSS E BRYAN HITCH

Eu não vi acontecer o mesmo buzz que aconteceu lá fora com esse quadrinho acontecer aqui no Brasil. Não vi nenhum site ou youtube de quadrinhos comentando sobre essa história em quadrinhos, ou ainda, dos leitores elogiarem essa obra. E isso que ela é feita por dois caras que são muito bem quistos tanto lá fora quanto aqui dentro, Jonathan Ross da série Turf e Bryan Hitch de Authority e Os Supremos. Possivelmente o que tenha afastado os brasileiros seja o título americanófilo. Por mais que nós consumamos os super-heróis dos Estados Unidos, nem sempre gostamos quando as capas deles apresentam elementos tão ufanistas e patrióticos. No bem da verdade, o quadrinho nem é tão patriótico assim, já que tem uma personagem maligna calcada na Senadora Republicana do Alaska, Sarah Palin. America’s Got Power é uma conspiração sobre poder e sobre ganância e uma disputa sobre quem tem a razão, quando um jovem, o único da sua geração que não tem poderes, acaba tendo o poder -han, han – de mudar toda a situação do país. Eu adorei esse quadrinho, tanto o roteiro quanto o desenhos são muito envolventes e ele deveria ser mais elogiado, lido e pensado com cuidado do que os efeitos que acabou (não) causando em terra tupiniquins. Se você está em dúvida sobre esse quadrinho, recomendo que dê uma chance.

MARaobiwan

OBI-WAN E ANAKIN, DE CHARLES SOULE E MARCO CHECCHETTO

Digam o que digam, mas eu sou um fã da Nova Trilogia (Episódios I, II e III) de Star Wars, principalmente porque eu cresci com ela. Sou fã principalmente do Episódio I que tem as relações entre Qui-Gon, Obi-Wan e Anakin. Neste encadernado podemos ver um episódio da relação entre mestre Jedi e Padawan de Obi-Wan e Anakin que não vemos no filme. Eles precisam salvar um planeta que a República esqueceu e que trava uma eterna luta entre duas facções: os abertos e os fechados. Claro, muitos dos méritos dessa HQ ser bem avaliada são os desenhos e arte lindíssimos de Marco Checchetto, que são um deleite para a visão. Charles Soule poderia exploram muito mais a guerra entre “abertos” e “fechados” e explorar bem mais suas histórias e relações, infelizmente ele acaba focando em outras coisas. Este álbum, porém, já mostra como o Senador Palpatine já estava aliciando Anakin para o lado negro da força desde seu começo como Padawan, tentando colocar ele ao seu lado no senado em detrimento aos treinamentos Jedi de Obi-Wan. Nesta HQ, Anakin, então reafirma seu compromisso com os guardiões da força, depois de sua missão com Obi-Wan no planeta dos “abertos” e “fechados”.

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AS LINGUAGENS DOS QUADRINHOS, DE DANIELE BARBIERI

As Linguagens dos Quadrinhos, do autor italiano Daniele Barbieri é um MUST HAVE para todos aqueles que querem estudar o funcionamento dos quadrinhos. O autor busca nas diversas linguagens (escrita, pintura, música, cinema, etc.) como os quadrinhos se relacionam com os elementos que as tornam peculiares. Quando estive no Uruguai em 2007, e visitei alguns sebos da Avenida 18 de Julio em Montevidéu, comprei alguns livros sobre quadrinhos que encontrei lá. Entre eles estava este, em espanhol. Achei melhor não pegá-lo porque imaginei ser mais fácil de achar que os outros. Ledo engano. O livro só foi sair em português e eu só fui te contato com ele este ano, porque foi editado pela editora Peirópolis. Um motivo para celebrar, porque este livro já foi muito influente para pesquisas de quadrinhos brasileiras e agora também vai servir para que eu desenvolva as minhas pesquisas. O livro traz um aporte teórico não apenas sobre linguagens mais sobre a utilização das diversas mídias e suas relações com os quadrinhos, que são também uma mídia que se utiliza de uma linguagem hibridizada das demais linguagens disponíveis.

Leia mais neste post uma discussão sobre as linguagens que os quadrinhos incluem.

MARacor

A COR (LIVREMENTE INSPIRADO NA OBRA DE H. P. LOVECRAFT), DE RICARDO FONSECA E DREYFUS SOLER

Entrei em contato com essa história em quadrinhos no seu lançamento na Galeria Hipotética neste final de semana. Eu tenho lido muitos contos de Lovecraft desde o ano passado e “A Cor Que Veio do Espaço”, eu diria que não é um conto muito simples de ser adaptado. Mas Ricardo e Dreyfus conseguem fazer um trabalho de fôlego, em preto e branco, mas não totalmente, porque “a cor” tem a sua própria tonalidade. O quadrinho consegue se mostrar tão perturbador quanto o conto de Howard Phillips Lovecraft, porém enfocando um outro ponto de vista: o de um advogado que representa os interesses de uma represa e que investiga as ramificações da “cor” na água da cidade. Alan Moore também trabalhou elementos deste conto em seu genial e inquietante Providence, mas de uma forma diferente de A Cor. Por fim, A Cor é um trabalho muito interessante para os amantes das mitologias lovecraftianas. Se eu tivesse que colocar um senão na produção seria no tamanho da publicação, que poderia ser diminuída na proporção de um quadrinho americano, para valorizar mais a arte de Ricardo e também para dar uma dimensão melhor para as páginas em que “A Cor” aparece.

MARgen1GEN: PÉS DESCALÇOS, VOL. UM: O NASCIMENTO DE GEN, O TRIGO VERDE, DE KEIJI NAKAZAWA

Havia se tornado realmente um buraco na minha formação quadrinística não ter lido um volume sequer de Gen: Pés Descalços, ainda mais sendo um estudioso de quadrinhos autobiográficos. Que mangá sensacional, envolvente, bonito, lindo. Para começar, os traços de Keiji Nakazawa conseguem ser mais formosos que os de Osamu Tezuka, dando uma dimensão fofinha aos personagens em face ao horror da bomba atômica que, no fim do primeiro volume, eles precisam se defrontar. É maravilhoso acompanhar as travessuras de Gen e seu irmãozinho para conseguirem comida e dinheiro para sustentar a família enquanto a mesma é execrada por ser contra a guerra e ser tachada de antinacionalista e acaba boicotada pela vizinhança. Mesmo que muitas vezes as travessuras dos irmãos seja recebida com muita violência pelo pai, o que fica bem complicado aos olhos de um ocidental no início do século XXI, é impossível não perceber o amor que circunda aquela família e como uns apoiam aos outros. Infelizmente, no fim do volume um, a bomba atômica cai sobre a cidade e tudo muda. Rumo ao volume 2.

MARnicoealf

NICO E ALF: JUNTOS, DE JULIO ALMEIDA

O Julio Almeida fez a campanha do Nico e do Alf nas vésperas da Comic Con Experience, mas eu não pude participar por estar bem mal de grana. Passado o turbilhão, pude adquirir a HQ com ele. Se trata de um relacionamento homossexual e interracial entre dois bruxinhos, em que um deles está condenado a se tornar um poderoso monarca, mas ao mesmo tempo, uma terrível besta. Esse destino acaba complicando o relacionamento entre Nico e Alf, e Alf começa a duvidar de si mesmo, quando se encontra no meio de uma guerra entre tecnologia e feitiçaria (a Feiticeira curtiu isso!). A arte do Julio é muito bonitinha e ao mesmo tempo nos apresenta alguns conceitos bem legais como o terceiro olho de Alf e o manto estrelado do seu irmão mais velho e maligno. Também nos apresenta um conceito de mundo que mal arranha a superfície nesta edição, mas que eu creio daria muito pano para a manga em edições subsequentes. Será que vai ter? A HQ também veio com dois pequenos quadrinhos spin-offs deste mundo, chamados Gie, The Witch e Ursula, ambos enfocados no universo de bruxarias e feitiçarias criado pelo autor. Uma bela forma de enfocar relacionamentos homossexuais nos quadrinhos e desmistificá-los utilizando, por ironia, a mística!

MARfanatico

HOMEM-ARANHA: NADA PODE DETER O FANÁTICO, DE ROGER STERN E JOHN ROMITA JR.

A história do confronto entre o Homem-Aranha e o Fanático, “Nada Pode Deter o Fanático”, sempre figurou em diversas listas de melhores histórias do herói aracnídeo. Por isso eu fui com muita expectativa para ler a história e, realmente, ela cumpre todas elas. É uma história muito bem orquestrada. O problema neste encadernado são as outras histórias, que não são nada de mais. As duas com o Abutre são medianas e as com a Gata Negra e o “Homem das Aranhas” são muito fraquinhas. Isso acaba deixando a avaliação deste encadernado mais baixa, mesmo que a história do encontro entre o Homem-Aranha e o Fanático para salvar a debilitada vidente Madame Teia (eu adoro ela!) seja muito boa mesmo. Roger Stern é um escritor que colaborou por demais na mitologia de diversos personagens como Hulk, Vingadores, Capitão América e Superman, e fez histórias que marcaram gerações. Temos aqui também a primeira passagem de John Romita Jr. pelo Homem-Aranha, que voltaria depois, com toda a carga e um novo estilo no final dos anos 90. Infelizmente, as demais histórias não são tão boas como a que dá título ao encadernado.

MARastronauta

ASTRONAUTA: ENTROPIA, DE DANILO BEYRUTH E CRIS PETER

Tenho acompanhado a evolução, ou melhor, a trajetória da releitura que Danilo Beyruth faz do Astronauta de Mauricio de Sousa, desde a primeira e celebrada edição da iniciativa das Graphics MSP. Se compararmos o primeiro número desta linha com este, o último até então, percebemos uma diferenciação bem grande no teor das histórias. Enquanto o primeiro tinha uma narrativa de ficção científica minimalista, solitária, fria como o vácuo espacial, onde diversos elementos científicos eram explicados e abordados, neste quarto volume temos uma guinada nestes conceitos. Beyruth e sua equipe devem ser parabenizados por não terem feito essa mudança de maneira radical. Foram inserindo elementos cada vez mais fantásticos e “irreais” com o passar de cada volume da graphic novel. As mudanças nas histórias do Astronauta, que foi o personagem que recebeu o número um das Graphic MSP, que acabou, de certa forma, revolucionando o mercado de quadrinhos brasileiros – e veja bem, mercado, não cenário -, mostra que o quadrinista brasileiro está não evoluindo, mas amadurecendo.

Leia aqui um post que fala sobre a evolução das Graphic MSP estreladas pelo Astronauta.

MARbatgirl

BATGIRL, VOL. 2: FAMILY BUSINESS, DE CAMERON STEWART, BRENDEN FLETCHER E BABS TARR

Não tive a oportunidade de ler as histórias da Batgirl por Babs Tarr, Cameron Stewart e Brenden Fletcher quando saíram no Brasil porque estavam no mix de A Sombra do Batman. Tive a honra de conhecê-los no FIQ 2015, e eles são muito legais. Faltava conhecer essas histórias, mas baseado com o que eu tinha lido de Academia Gotham, sabia que não irá me decepcionar. Não me decepcionei, mas para mim, o melhor seria ler em português. De qualquer forma eu entendi porque essas histórias tiveram tanto impacto sobre a DC Comics e sobre as leitoras meninas. Elas realmente tem um humor e uma pegada com uma narrativa de ritmo bem mais próximo do mangá. Contudo, algumas histórias parecem ter uma arte-final mais caprichada que as outras. Esse encadernado traz histórias mostrando a reação da Batgirl ao “Batman Coelhão” que o Comissário Gordon, pai da Batgirl, assumiu a identidade por um tempo. Também tem um arco com o primeiro casamento transsexual da DC Comics, da ex-roomie de Babs, Alisa Yeoh. Além disso o anual da Batgirl dá conta do encontro dela com várias mulheres poderosas da bat-família como a Caçadora, a Batwoman, a Spoiler e as meninas da Academia Gotham. Como não amar? Também é interessante como ela reconhece Dick Grayson “retornado da morte” e disfarçado: pela bunda dele, objeto sexual de 10 entre 10 man exploitations. Depois, um encontro cheio de perseguição e de discussão coloca Dick Grayson frente a frente com Babs Gordon. Seria bom se a Panini ouvisse aos leitores e publicasse esses 3 míseros encadernadinhos dessa fase da Batgirl por aqui. Certamente não iria perder dinheiro. Mas a Panini é a Panini, né xentm?!

MARmauricio

COLEÇÃO HISTÓRICA MAURICIO: AS CLÁSSICAS HISTÓRIAS DE BIDU E ZAZ-TRAZ!, DE MAURICIO DE SOUSA

Que belo tesouro dos quadrinhos nacionais é esse volume que compila as histórias de Mauricio de Sousa nas revistas Bidu e Zaz-Traz!, da editora Continental/Outubro, da década de 60. Aqui a gente vê a criatividade do pai da Turma da Mônica a mil! Não é por acaso que muitas dessas histórias foram “remasterizadas” para a modernidade e algumas delas até ganharam versões em animações. A gente também percebe como alguns personagens evoluíram, como o mudo Humberto, mas principalmente o Cebolinha que, aqui nessas histórias, rouba totalmente a cena do Franjinha. Outros personagens, como o Manézinho, acabaram esquecidos e, que eu saiba, não fazem parte da Turma da Mônica dos dias atuais. Seria interessante um estudo acadêmico para mostrar e comparar como essas histórias sofreram mutações durante os anos e nas diversas mídias em que foram adaptadas, e de que maneira foram. Como eu disse, esse é um tesouro para os fãs da Turma da Mônica, um compilado de histórias que continua influenciando e definindo fortemente a produção das histórias desses personagens na Mauricio de Sousa Produções. Imperdível!

Leia aqui um post sobre as revistas e publicações lançadas em ocasião do octogésimo aniversário de Mauricio de Sousa.

MARsala

SOCIEDADE SECRETA DE HERÓIS: A SALA DE ESTUDOS DA JUSTIÇA, DE DEREK FRIDOLFS E DUSTIN NGUYEN

Este livrinho – ou seria histórias em quadrinhos? – tem tudo para agradar crianças e adultos de todas as idades. A proposta dele é se utilizar de diversas linguagens comunicativas, inclusive a dos quadrinhos, para contar como os pequenos Superman, Batman e Mulher-Maravilha enquanto crianças lidariam com uma escola cheia de supervilões. A narrativa assume o ponto de vista de Bruce Wayne, o pequeno Batman, para contar sua investigações sobre os reais motivos por trás daquela escola. As páginas interna são em papel pólen (lux cream) e impressas em preto e branco. Quem produz este livro são Derek Fridolfs e Dustin Nguyen, que já são bastante conhecidos dos leitores de quadrinhos da DC Comics por fazerem a série Pequena Gotham e outros quadrinhos da Editora das Lendas voltadas para um público mais infantil. Por isso, o traço inconfundível de Nguyen e suas belíssimas aquarelas (embora em preto e branco) estão presente neste A Sociedade Secreta de Heróis. A editora SESI-SP também está lançando outros números desta coleção nas livrarias do Brasil. Fiquei curioso para saber como serão as partes seguintes.

MARthor

THOR: A MORTE DE THOR, VOL. 2, DE JASON AARON, RUSSELL DAUTERMAN, RAMÓN PÉREZ E JEN BARTHEL

Depois de ter me decepcionado muito com o conteúdo – e principalmente com o preço – do encadernado anterior, cheguei a esse segundo encadernado desesperançado. E talvez por isso eu tenha gostado dele, porque ele renova nossas esperanças. Claro muito mais na vida do que nos quadrinhos da Panini. Porque esses não têm esperança, não viu?! Eles nunca ouvem nada que os leitores dizem. Mas acho que fiquei feliz de como a tal “morte da Thor” foi conduzida, fechando uma era e abrindo espaço para outra nova. Esse movimento de transformar o personagem Thor em uma mulher foi importante para a Marvel ver que, não importa se um personagem é homem ou mulher, ele pode vender bem – e muito bem – e muito mais, como a Thor Jane Foster vendia mais que o Thor Odinson. Claro, aqui no Brasil, um país cheio de ranço primata e machista, a coisa não acontece da mesma forma. Mas isso é o que a Panini diz. E a história nos ensinou a nunca confiar no que a Panini Comics Brasil diz, visto o imbróglio “Senhor dos Milagres” entre Panini Comics Brasil e Amazon Brasil. Então a gente não sabe o que dizer nesse sentido. Apenas esperar pelo melhor.

MARhentai

A ESTRELA DO HENTAI: APRENDENDO HENTAI DESDE O PRINCÍPIO, VOL. 1, DE MORIHITO KANEHIRA

Quando encontrei esse mangá nas prateleiras de uma Livrarias Saraiva, achei a proposta bastante interessante. Os mangás costumam ter propostas interessantes quando se põem a ensinar alguma coisa através da linguagem dos quadrinhos. Esse não é diferente. Ele é bastante divertido, apesar do tema polêmico, que é fazer hentai, os quadrinhos eróticos japoneses. Ele lembra bastante o mangá de Akira Toriyama, criador do Dragon Ball, chamado “Mangaka! – Até um macaco pode desenhar mangá”, na irreverência e na forma de usar um discípulo idiota e um mestre rigoroso para ensinar a arte dos quadrinhos (eróticos no caso deste mangá). Esse discípulo idiota aqui que vou escrever, então, acabou conhecendo mais do que previa sobre os hentais, como as convenções do gênero – e existem muitas – como das onomatopéias para fazer o som de sexo e para os diferentes tipos de “líquidos do gozo” que, acreditem, cada um possui um nome diferente dentro da indústria japonesa de hentais. Como o mangá é em duas parte, e que foram lançadas ano passado, agora eu tenho de ir atrás de encontrar a segunda parte dessa história doida. Mas que vale a pena.

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MAURICIO. A HISTÓRIA QUE NÃO ESTÁ NO GIBI, DE MAURICIO DE SOUSA E LUIS COLOMBINI

Para quem cresceu lendo as historinhas feitas por Mauricio de Sousa e seu estúdio, ler esse livro “de bastidores” é um deleite. Sim, algumas histórias contadas aqui já eram sabidas do grande público que acompanha sua trajetória, mas muitas delas não. Como por exemplo que Mauricio foi uma criança prodígio do rádio que ganhou diversos concursos de canto infantil. Ou ainda que ele passou mais de 20 anos com seus estúdios no prédio da Folha de S. Paulo e nunca teve de pagar um centavo pelo aluguel ou as despesas do imóvel. Também os bastidores do acordo com a Globo, que sempre era noticiado nos jornais, mas nunca teve o resultado que era divulgado pelos meios de comunicação. Um livro gostoso de ler e de se sentir, de alguma forma, parte dessa história, através dos produtos adquiridos. Não tem como, para um leitor que aprendeu a ler com a Turma da Mônica não se emocionar ao chegar no final do livro. Eu, como sou manteigona derretida, me lavei no final do livro. Mas é legal ver como Mauricio foi ousado nos seus empreendimentos, sempre se perguntando “Por que não?” quando uma ideia lhe surgia na frente. É disso que são feitos os grandes negócios: de boas ideias.

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AGENTES DA S.H.I.E.L.D.: PROTOCOLOS COULSON, DE MARC GUGGENHEIM E GERMÁN PERALTA

A grande maioria das histórias em quadrinhos escritas por Marc Guggenheim que li vão de medianas para ruins. Contudo, as séries de televisão escritas e comandadas por ele que vi, eu acabei gostando. Então ficou a pergunta: como ele se sairia redigindo roteiros para uma publicação que é inspirada em um série de televisão? A resposta é que ele se saiu bem. Conseguiu imprimir à HQ um ritmo de série de televisão e ainda incorporar elementos do Universo Marvel 616 nela. Ele brinca com a origem do nome do carro Lola do Agente Coulson, que é muito popular na TV trazendo uma agente do Pentágono que pode ler as mentes dos indivíduos. Isso leva os Agentes da SHIELD em uma corrida atrás de um artefato que possui instruções de como exterminar cada superser do planeta Terra. A arte de Germán Peralta, por sua vez, é bastante irregular, ora reproduzindo bem os rostos dos atores da série, ora derrapando feio nesse quesito. De qualquer forma, eu tinha um sentimentinho de que essa série ia ser bomba, mas na verdade foi um grato momento estar entre suas páginas. Agora é ler o segundo e encadernado final da série também pela mesma equipe criativa.

MARcampeoesvingadoresVINGADORES/CAMPEÕES: MUNDOS COLIDEM, DE MARK WAID, JAVIER PINA, JESUS SAIZ E HUMBERTO RAMOS

A publicação deste quadrinho já estava virando lenda. Prometido há uns cinco meses em uma nota de rodapé da Panini Comics, o quadrinho não aparecia nem em checklists e nem em bancas e, para variar a Panini Comics se fazia de surda, muda e cega e não dava satisfações ao leitor. Eis que um belo dia, a revista surge num checklist – PUF!. Ok, a história nem é assim tão legal, mas tem seus momentos. Como por exemplo o sacrifício de um filho que foi enganado por um pai manipulador com a promessa de redimir um mundo de suas dores. Você já ouviu essa histórias muitas vezes. Está no livro mais importante da civilização ocidental. Pequenas críticas enuviadas como essa é que fazem valer alguns quadrinhos. Neste aqui, os Campeões e os Vingadores se unem para debelar a ameaça do Alto Evolucionário, que quer fazer colidir a Terra e a Contraterra, o planeta em que ele e seus Homens-Animais vivem. O resultado muda drasticamente a vida do Visão e da sua filha Viv Visão, que é “evoluída” de sintozóide para humana pelo Alto Evolucionário. É um quadrinho que com certeza é divertido e um pouco acima da média das HQs de heróis que temos por aí.

MARmangá

MANGÁ: O PODER DOS QUADRINHOS JAPONESES, DE SONIA BIBE LUYTEN

Este livro da pesquisadora Sonia Bibe Luyten é pioneiro nos estudos dos mangás no Brasil e esta já é a sua terceira edição. Ela contém prefácio de Mauricio de Souza que fala sobre o sucesso de sua Turma da Mônica Jovem em versão mangá. Mas esse não é o mérito do livro de Sonia, e sim da mescla funcional que ela faz ao analisar ao mesmo tempo a composição da sociedade japonesa e o poder e a influência que os mangás possuem na mesma. Além disso, ela também analisa as influências que os mangás acabaram acarretando nas sociedades ocidentais. O livro de Luyten é tão influente que já me peguei lendo passagens copiadas ipsis litteris em outros livros que tratam da cultura dos quadrinhos japoneses. É leitura obrigatória para quem estuda mangás no Brasil. Contudo, esta edição de 2012 da hedra que li possui erros de revisão técnica, com muitos nomes de artistas e empresas escrito errado, mostrando que o responsável pela revisão não era alguém da área, e sim, um leigo. A revisão técnica também é essencial para a correção de um livro, não importa se ele é pioneiro ou qual o seu nível de importância na produção da pesquisa. De qualquer forma, é um belíssimo livro, leitura ótima.

MARvingadorescentrais

VINGADORES CENTRAIS: O TOMBO, DE DAN SLOTT E PAUL PELLETIER

É amigos, os detratores podem falar o que quiserem do Dan Slott, mas eu acho ele um baita roteirista de quadrinhos de super-heróis. Ele constrói tramas como ninguém e sabe utilizar o humor da maneira correta como pede uma história em quadrinhos desse tipo. Essa minissérie dos Vingadores Centrais (Great Lake Avengers) é um ótimo exemplo de seu esmerado trabalho. Ele não só mostra conhecimento sobre personagens de pouco conhecimento da maioria dos leitores como sabe usar e parodiar de maneira criativa o Universo Marvel em geral. Nessa minissérie Slott foi responsável por colocar a Garota-Esquilo (uma personagem Z criada por Steve Ditko) nos holofotes. Foi a partir daqui que ela ganhou sua série própria na Marvel, conquistando muitos leitores (lá fora). Os desenhos de Paul Pelletier, sempre muito competentes e detalhados, dão o tom que a trama precisa para se encaixar no vasto Universo Marvel. Os dois juntos criam um pano de fundo para os GLA ou VC, que até então ninguém havia ousado dar, tornando-os mais que os Vingadores Perdedores, mas personagens interessantíssimos, mesmo que seja para rir da cara deles.

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GUARDIÕES DA GALÁXIA: PRELÚDIO PARA CONTAGEM REGRESSIVA INFINITA, VOL. 3, DE GERRY DUGGAN, AARON KUDER E MARCUS TO

Esta fase de Gerry Duggan nos Guardiões da Galáxia está anos-luz à frente das duas fases de Brian Michael Bendis na equipe. Duggan não só voltou com a equipe notória do filme, como também acrescentou o Homem-Formiga às suas bases. Ele também tem plantando sementes aqui e e ali em diversos números da revista original para desenvolver mais à frente, uma coisa que eu admirava nele quando escrevia o Deadpool e o Nova. As subtramas estão em muito esquecidas nos quadrinhos de super-heróis nos últimos anos e é bom que alguém as valorize, porque elas também são substrato para as vendas das revistas, sua perenidade e fidelidade dos leitores. Contudo, também preciso dizer que este terceiro encadernado (pela numeração da Panini) é o mais fraquinho de todos de Duggan. Nele, os Guardiões entram para a Tropa Nova para ajudar contra a ameaça dos Rapinantes, ao mesmo tempo que Adam Warlock renasce na joia da Alma e a joia do Poder reaparece. Os desenhos de Marcus To também são menos interessantes que os de Aaron Kuder, que faz uma aparição especial na última história. Mesmo assim, continuo curioso por Contagem Regressiva Infinita que vai desembocar em Guerras Infinitas. E vamos lá porque o Duggan sabe envolver a gente nas suas tramas!

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A VIDA DA CAPITÃ MARVEL, DE MARGARET STOHL, MARGUERITE SAUVAGE E CARLOS PACHECO

Eu havia lido algumas críticas negativas sobre esse quadrinho por aí, mas DÁ LICENÇA… Eu sou fã da Carol Danvers desde criancinha e defenderei sua honra com a minha vida… Hã, ok, não precisa exagerar, só defenderei sua honra, a vida deixa pra mim… Eu conheço bastante da trajetória da personagem para saber que Margaret Stohl orquestrou uma bela mudança na sua origem e cânone. E que fique bem claro que isso foi uma decisão da Marvel em função do filme que vem aí e não da escritora. Ela soube tecer uma trama instigantes que aproveitou de maneira eficiente os traços de Marguerite Sauvage e de Carlos Pacheco (que há tempos não tinha um trabalho de tanto fôlego) para retratar respectivamente os flashbacks e o presente da história. Também foi acertada (pelo menos um acerto!) a decisão da Panini Brasil em trazer essa mini encadernada a tempo do filme, sem muito prejuízo para a cronologia vigente. Para mim, a história ficou muito empolgante, muito melhor que esperava, uma mistura de Brothers & Sisters, com Jericho e Exterminador do Futuro que apesar das alterações na história, as faz de maneira menos devastadora e estrondosa do que outras alterações em origem já fizeram. Se fosse um Bendis, iria esquecer todo o Legado de Carol Danvers e iria partir de onde suas memórias afetivas começavam, sem respeitar nenhuma cronologia. Portanto, A Vida da Capitã Marvel é um quadrinhos que é vanguardista e honra o cânone ao mesmo tempo. Muito bom!

Leia mais sobre a trajetória da Capitã Marvel nos quadrinhos neste link.

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SAINT ALAMO: BALAS NÃO SENTEM CULPA, VOL. 1, DE JONATHAN NUNES E RAFAEL CONTE

Primeiro queria pedir aqui uma desculpa pública aos amigos e parceiros de eventos e feitura de quadrinhos Jonathan Nunes e Rafael Conte, por ainda não ter lido o Saint Alamo. Bem, agora eu finalmente li, e gostei, e aqui vão meus pitacos. A história é bem desenvolvida, os diálogos são inteligentes e bem azeitados, mas só lá pelas tantas que eu fui me dar conta (talvez tenha sido um problema da minha leitura, que anda meio baqueada ultimamente), que a história se passava em dois tempos. Isso poderia ser resolvido facilmente com a mudança dos requadros ou uma estilização na arte para o leitor conseguir diferenciar o que é tempo presente e o que é flashback. A história demora um pouco pra engrenar e quando engrena fica mais cruel e mais brutal, como todo bom faroeste tem de ser. Mesmo que seja com bichinhos fofinhos. De qualquer forma tem uma cena que deixaria os Happy Tree Friends encabulados e que funciona muito bem em Saint Alamo, deixando quem está lendo o quadrinho com mais vontade de ler a continuação (serão 2 volumes). Como é um quadrinho western que anda de mãos com o gore, ficamos curiosos para saber que crueldades ainda estão por vir. E para saber sobre o desfecho da história, é claro. Saint Alamo é um belíssimo exemplar de um quadrinho de estreia, que inverte todas nossas expectativas. Que venha o próximo!

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DRAGONERO: O CAÇADOR DE DRAGÕES – EDIÇÃO ESPECIAL DE LANÇAMENTO, DE LUCA ENOCH, STEFANO VIETTI E GIUSEPPE MATTEONI

Quando eu vi pela primeira vez o título dessa revista, eu jurei ter lido “DragoNerd”, é que a gente está tão acostumados a ver sites wannabes de quadrinhos como QuadrinhosNerd, CinemaNerd, SériesNerd, que já virou lugar comum. Mas o nome é DragoNero, de Dragão Negro. Ele envolve uma coisa bem cara aos nerds: as raças e classes medievais desenvolvidas contemporaneamente por J. R. R. Tolkien no seu O Senhor dos Anéis, então quem curte Dungeons & Dragons, seja o RPG ou a animação de A Caverna do Dragão, vai adorar esse fumetto lançado originalmente na Itália em 2007. A HQ tem um enredo envolvente e um mundo cheio de mapas e quetais, muito bem desenvolvido e com seu funcionamento próprio, criados por Luca Enoch e Stefano Vietti. Além disso, a arte de Giuseppe Matteoni é espetacular, lembrando às vezes os estilos de Moebius (Jean Giraud) e de Mike Mignola, claro, dentro das possibilidades de um fumetto. Se essa publicação possui um ponto negativo é o seu acabamento gráfico, efeito no papel offwhite, quando os novos fumetti da Mythos vêm sendo publicados em offset. Fica a dica pras próximas edições para a editora. Para os leitores de quadrinhos, fica a dica de lerem esse empolgante publicação, com quase 300 páginas de aventura e fantasia medieval!

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OS DEFENSORES, VOL. 2: OS REIS DO CRIME DE NOVA YORK, DE BRIAN MICHAEL BENDIS, DAVID MARQUEZ E MICHAEL AVON OEMING

Parece que Brian Michael Bendis percebeu que era hora de ele fazer nos seus últimos meses na Marvel aquilo que ele não fez em seus mais de dezessete anos. E o que é isso? Integrar de forma orgânica as séries em que ele trabalha. E parabéns, seu Bendis, você conseguiu realizar isso com Jessica Jones, Spider-Man, The Invincible Iron Man e esta, The Defenders. Bendis nos dá uma sensação de universo interligado, onde as coisas de uma revista realmente ecoam uma na outra sem, necessariamente, estarem numa megassaga fodástica em que você precisa ler trinta títulos para entender. Contudo, essa é uma desvantagem que nós brasileiros temos em relação aos americanos: não acompanhamos essas revistas mensalmente para unir as pecinhas de forma certeira. Dois desses títulos são publicados em mensais e dois deles em encadernados aqui no Brasil. E olha, por mais que eu tenha reclamado do Deadpool na capa, o bendis trabalhou bem até esse personagem. Nesses títulos Bendis se redimiu de toda saga insossa dos Vingadores, dos X-Men e dos Guardiões da Galáxia que já produziu. O melhor é que ele deixou diversas pontas soltas divertidas para que os escritores que venham depois dele trabalhem em possíveis bons arcos de história. Esse é o Bendis que queríamos todo o tempo e não tínhamos. Esse é o Bendis pós-experiência de quase-morte. Que coisa, não?!

Piores

MARfuturequestFUTURE QUEST APRESENTA, VOL. 01, DE JEFF PARKER, ARIEL OLIVETTI E STEVE RUDE

Eu sei que tem gente que está vibrando com grande parte dessas HQs novas da DC Comics feitas para reimaginar os personagens dos desenhos animados da Hanna-Barbera. Mas eu não sou tão empolgado com isso não, sorry. As pessoas nas redes sociais costumam reclamar que as histórias de super-heróis não são mas boas nem mais empolgantes, mas pagam pau direto para esse tipo de história bem mediana da Hanna-Barbera. Então, vai entender esse pessoal? Future Quest Presents traz histórias focando em determinados heróis da minissérie Future Quest. Neste primeiro volume, os dois que recebem atenção são Space Ghost e o Homem-Pássaro. São histórias burocráticas e que cumprem suas tabelas, pelo menos pela parte do roteiristas Jeff Parker. O melhor desse encadernado certamente se encontra na arte. O argentino Ariel Olivetti empresta sua arte digital às histórias do Space Ghost e o virtuose Steve Rude dá suas tintas retrô para a história do Homem-Pássaro. A história do Space Ghost é bem melhor que a do Homem-Pássaro, por exemplo, mas eu prefiro a arte de Steve Rude. Enfim, fora coisas aqui e ali, esse selo da Hanna-Barbera não me empolga muito não.

MARhulkO INCRÍVEL HULK, VOL. 02: HULK CONTRA O MUNDO II, DE GREG PAK, CARLO BARBERI, MARCO LORENZANA E MATTEO BUFFAGNI

De todos esses “heróis de legado” da Marvel, o Totalmente Incrível Hulk, “interpretado” por Amadeus Cho foi o que gerou o pior resultado. Uma porque estragou o personagem Amadeus Cho que já era cheio das suas próprias nuances, outra porque tentou conferir a Amadeus um dilema parecido com o do Hulk original, que era o de conter a fúria presa no seu âmago. Este encadernado lida exatamente com isso, como Chulk que está dominado pela raiva e pela fúria e começa a destruir Nova York. Assim, seus amigos mais próximos vão tentar impedi-lo de fazê-lo. Mas é um trama tão fraca, tão fraca, tão chata e tão sem nenhum atrativo, que você lê todas essas páginas como se tivesse usando uma peneira ainda mais furada de um jeito que, no final, nada fica. Ou seja, essa nova fase e esse novo Hulk acabam se despedindo do leitor neste encadernado sem deixar um pingo de saudades, mostrando que essa decisão de transformar Amadeus Cho em um Hulk Jr. foi uma das piores decisões tomadas pela Marvel juntando-se ao fato de a revista do Totalmente Incrível Hulk, foi a pior publicações desses novos “heróis de legado” da editora.

MARmsmarvel
MS. MARVEL: MECA, DE G. WILLOW WILSON, MARCO FALLA, DIEGO OLORTEGUI

No último volume de Ms. Marvel que eu resenhei aqui eu havia dito que alguns autores, depois de um bom tempo em um personagem, vão dando sinais de cansaço, e que esse não era o caso de G. Willow Wilson. Bem, preciso dar o braço a torcer e reparar que a mocinha muçulmana está apresentando esses sinais de cansaço neste encadernado, Meca, de longe o pior de todos da Miss Marvel. Nele, ela parece repetir alguns conceitos e ideias que já tinha usado anteriormente com Kamala Khan e sua turma. Enquanto os desenhos dão uma bela melhorada, o enredo fica massante, enjoativo, chato, que parece que vai do nada para lugar nenhum. Não é por acaso que teremos somente mais três encadernados de G. Willow Wilson na Miss Marvel, personagem que ajudou a criar. Depois, ela passa o bastão para Saladin Ahmed, elogiado escritor de Raio Negro. Wilson atualmente está encarregada de uma elogiada fase da Mulher-Maravilha. Como diz a música da Nelly Furtado: “All Good Things Come To an End”, todas as coisas boas chegam a um final, e a fase “áurea” das histórias de Kamala Khan também está dando a impressão de ter passado.

MARshield

AGENTES DA S.H.I.E.L.D.: SOB NOVA DIREÇÃO, DE MARC GUGGENHEIM, GERMÁN PERALTA, RAMÓN BACHS E ARIO ANDINITO

Eu havia gostado do primeiro volume de Agentes da S.H.I.E.L.D. pelo novo escritor Marc Guggenheim, mas então surgiu um megaevento no caminho. E, conforme minhas experiências com spin-offs relacionados com eventos, eles tem o potencial de ou transformar uma história em uma coisa muito sensacional, ou de transformar a história em uma bela duma porcaria. No caso deste encadernado, me desculpe, mas foi a segunda opção. O nível da história desandou de um jeito rápido numa queda vertiginosa da qualidade. Coulson é demitido e Maria Hill coloca Elektra no lugar dele para chefiar os agentes. Elektra? Uma ninja assassina? Ah, pois é. Totalmente nada a ver. Ao mesmo tempo ele transforma Gemma Simmons em um Deathlok, as pessoas vão e vem na equipe sem parar. Isso que temos apenas 4 edições da série neste volume. Ah sim, e Guggenheim ainda consegue inserir o personagem Graymalkin, que criou para Jovens X-Men em uma aparição totalmente gratuita. Isso me faz pensar e agradecer que essa série de quadrinhos tenha sido cancelada e que a tentativa de televisar essa parte do Universo Marvel nos quadrinhos não deu certo.

MARbatmansinalBATMAN & SINAL, DE SCOTT SNYDER, CULLY HAMNER E TONY PATRICK

Que historinha mais chata e dispensável. Para mim serviu só para a DC Comics mostrar que fim levou o líder da gangue Nós Somos Robin, Duke Thomas, depois que deixou de ser Robin e apresentar uma origem – para lá de complicada e bizarra – para os seus poderes luminosos. Os desenho de Cully Hamner podem ter funcionado em R.E.D.: Aposentados e Perigosos, mas aqui neste quadrinho, para mim, não funcionou. O vilão, Gnômon, é muito clichesístico. Claro, da minha parte existiu uma certa simpatia para com Duke Thomas e para a detetive que o ajuda na investigação do Gnômon, mas maneira que a história é conduzida é tão, mas tão chatinha. Se você não é um fã do Batman ou do Duke Thomas (eu sou do Duke, claro), você pode passar reto por esse encardernadinho que não vai se arrepender nem um pouco, não. Duke Thomas vai voltar a aparecer na série cancelada e então retomada, do Batman e os Renegados, que vai trazer a reunião do Homem-Morcego com outros heróis étnicos, como o Raio Negro, a Katana e a Órfã. Espero realmente que essa série vingue e seja superior a esta minissérie aqui de Batman & Sinal.

MARfenixA RESSURREIÇÃO DA FÊNIX: O RETORNO DE JEAN GREY, DE MATTHEW ROSENBERG, LEINIL FRANCIS YU, CARLOS PACHECO, JOE BENNETT E RAMON ROSANAS

A entidade Fênix é uma dos elementos mais importantes da mitologia dos X-Men. Não por acaso, ela estrela a maior e melhor saga dos Filhos do Átomo, A Saga da Fênix Negra. Jean Grey é uma das personagens da Marvel que é conhecida por não permanecer morta. Mas a Marvel conseguiu o feito de deixar ela no caixão por quase 15 anos. Porém, quando ela a traz de volta, o faz em uma história chatinha, burocrática e totalmente esquecível. Ao ler apenas este encadernado, não conseguimos ter uma noção das motivações da entidade Fênix em trazer Jean Grey de volta (talvez saibamos no segundo encadernado da versão jovem de Jean Grey, e sim, você leu certo). A ideia de fazer esse encadernado com quatro desenhistas diferentes também não faz sentido, porque a história é a mesma, e não tem quebras na linearidade. O bom do retorno de Jean Grey para a Marvel é que ela vai gerar a série X-Men Red, por Tom Taylor e Mahmud Asrar, muito elogiada lá fora. Contudo, essa minissérie em questão: A Ressurreição da Fênix: O Retorno de Jean Grey é um material totalmente dispensável. A não ser que você seja um fã radical dos X-Men feito eu.

MARamuletoO AMULETO, VOLUME 3: EM BUSCA DA CIDADE DAS NUVENS, DE KAZU KIBUISHI

Eu vinha bastante empolgado com a leitura desta série em quadrinhos, O Amuleto, de Kazu Kibuishi, que assume um não-lugar entre o mangá e os quadrinhos de animais fofinhos. Mas neste terceiro volume, na minha humilde opinião, a história deu uma caída. Enquanto os volumes um e dois nos apresentavam conceitos visuais e narrativos diferentes e cativantes, este volume eu achei que não vingou também. Claro, uma razão pode ser que eu já tenha me acostumado com os elementos da história de tal maneira que eles não me causam nem mais maravilhamento e nem estranhamento, o que é uma característica e um problema das narrativa seriadas. Por outro lado, neste volume ficamos conhecendo um pouco mais sobre os elfos os, até então, grandes inimigos de Emily, Navin e companhia, e conhecemos mais as motivações do Rei dos Elfos e as razões pelas quais o príncipe dos elfos acabou se revoltando contra seu pai. Esse volume não é tão ruim a ponto de me fazer desistir de ir atrás da continuação e do encerramento da série. Mas ele acabou não deixando um gostinho de quero mais que seus volumes antecessores deixaram.

MARbatmanlendasBATMAN – LENDAS DO CAVALEIRO DAS TREVAS: OUTRAS VIDAS, DE JAMES ROBINSON, GERRY CONWAY, JOSÉ LUIS GARCÍA-LÓPEZ, CARMINE INFANTINO, JOHN ESTES

Esse encadernado faz parte de uma recompilação de uma revista “mucho loca” que a Opera Graphica Editora colocava nas comic shops do Brasil. Uma revista carésima com histórias do Batman que não foram publicadas aqui, incluindo materiais de Lendas do Cavaleiro das Trevas original. Neste encadernado, temos duas histórias do Coringa. A primeira assinada por Gerry Conway e desenhada por José Luis García-López. A segunda, uma história rara desenhada por Carmine Infantino que fazia parte de uma material promocional que vinha com o cereal matinal Kelloggs na onda da Batmania de 1966. Por fim, a revista encerra com um encontro entre o Homem-Morcego e o Homem-Morto, Desafiador em uma história sem pé e nem cabeça escrita pelo aclamado (mas não por essa história) James Robinson. O destaque dessa minissérie compilada aqui é mesmo da arte de John Estes, muito bonita e que serve a diversos artifícios do roteiro. Na verdade, o que vale a pena mesmo neste encadernado é muito mais a arte dos virtuoses aqui envolvidos do que pelos roteiros, que são bastante fraquinhos.

MARvalentinaVALENTINA: OS SUBTERRÂNEOS, DE GUIDO CREPAX

As pessoas me perguntam: “Nossa, Guilherme, como você consegue ler tantos livros?”. A resposta é que eu uso meu tempo ocioso para ler, no trem, no Uber, no ônibus, no banheiro, antes de dormir, esperando a internet pegar no tranco. Este livro da Valentina eu li quase todo esperando na fila do banco. Praticamente três quartos dele lidos no banco e a espera ficou menos chata. Agora, falando sobre o conteúdo deste livro, eu li Valentina pela primeira vez num quadrinhos que peguei na biblioteca da PUCRS, que se chamava Valentina de Botas. Os quadrinhos aqui apresentado vêm antes de Valentina de Botas. Então ele têm uma carga maior de surrealismo do que do erotismo sadomasô que marcava aquele álbum, embora esse álbum flerte com isso na parte Perdida no País dos Sovietes. O que tem nesse quadrinho que caracteriza suficientemente a obra de Crepax é o experimentalismo narrativo e a virtuose em retratar cenários e construir layouts, mesmo que as histórias, por si só, não façam muito sentido. E é por causa disso que essa nova edição da L&PM perde pontos: não conseguimos ver os detalhes dos maravilhosos layouts de Crepax nesse tamanho reduzido. Esse formato de quadrinhos não faz jus à intensidade que essas pranchas provocam no leitor quando vistas no tamanho de um álbum europeu. É realmente uma lástima trazer de volta essa obra-prima dos quadrinhos (eróticos ou não) mas reduzi-la a um formato que destrói sua beleza.

MARinjustica

INJUSTIÇA: DEUSES ENTRE NÓS, VOL. 12, DE BRIAN BUCCELLATO, TOM DERENICK, JHEREMY RAAPACK, DANIEL SAMPERE E OUTROS ARTISTAS

Por mais que eu goste da Arlequina e da parceria Arlequina/Shazam, este encadernado de Injustiça: Deuses Entre Nós, não me agradou muito. Aliás, desde que o Brian Buccellato começou a escrever essa série, a qualidade decaiu em muito. Muitos artifícios bestas que ele acaba usando às vezes apenas para encher linguiça. Este encadernado reúne a primeira parte da minissérie Injustice: Ground Zero, quando Batman e Companhia trazem heróis de outra realidade para a realidade do jogo. As histórias são narradas pelo ponto de vista da Arlequina, por isso comecei o título falando dela (e do Shazam). Mas, não funcionou para mim, ficou cansativo, chato, enfadonho. Os desenhos também não são lá essas coisas. Só melhoram no último capítulo quando Daniel Sampere assume a arte, que fica mais harmoniosa. De resto, foi a primeira vez que eu parei para perguntar: por que razão mesmo que eu continuo acompanhando Injustiça, se a qualidade caiu muito, caiu para valer, desde o primeiro número que eu curti tanto? Bem, se o próximo volume não me convencer, vai estar na hora de realmente parar com essa revista.

MARdarthvaderSTAR WARS: DARTH VADER, VOL. 4: FIM DOS JOGOS, DE KIERON GILLEN E SALVADOR LARROCA

Se você estava esperando um final bombástico e impactante para as relações entre as manipulações de Darth Vader, do Imperador e da Doutora Aphra neste último encadernado da série do Darth Vader, vai se arrepender como eu. A série toda foi cheia de reviravoltas, surpresas e traições, mas esse último encadernado se contenta mesmo em fechar algumas pontas soltas que foram deixadas. Neste encadernado também Salvador Larroca começa a exercer seu peculiar estilo de hachuras em estilo pontilhista de riscos intermitentes. Eu ainda não decidi se gosto dele. Na tela, com certeza é ruim, mas no papel ele reage diferente. Este encadernado abre espaço para a série da Doutora Aphra, primeira personagem criado nos quadrinhos de Star Wars a ganhar uma série própria. E não é só isso, ela é uma mulher asiática e lésbica. Ou seja, um grande avanço desde a trilogia clássica, onde a única mulher de destaque era a Princesa Léia, certo?! Mas ainda precisa muito mais. Então, no final, este encadernado de Star Wars: Darth Vader fica bastante aquém da qualidade que os demais álbuns da série vinham apresentando até então.

MARjusticeiroJUSTICEIRO, VOL. 9: CRIMINOSO DE GUERRA, DE MATTHEW ROSENBERG E STEFANO LANDINI

Dicona de migue: quando uma história de super-heróis for uma perseguição implacável de um montão de supers atrás de um único personagem, pode acreditar que 8/10 dessas histórias são bomba. E essa não é diferente. Os super-heróis da Casa das ideias vão atrás do Justiceiro que roubou, a mando de Nick Fury, nas sombras, a armadura do falecido James Rhodes, o Máquina de Combate. Isso desperta a fúria de pessoas superpoderosas como Carol Danvers, a Capitã Marvel e Tony Stark, o Homem de Ferro. Por outro lado, outros como Gavião Arqueiro, Harpia, Viúva Negra e Soldado Invernal querem impedir o Justiceiro de matar StEvil, o Steve Rogers líder da Hidra e Capitão América malvadão. História pra lá de previsível. Se a arte fosse boa, pelo menos poderia compensar a história nhé, mas não. A arte de Stefano Landini parece tão desleixada quanto o roteiro de Matthew Rosenberg, que dão a impressão de terem criado essas histórias à toque de caixa para a Marvel. As cores de Lee Loughridge, que costumam ser boas, não deram o tom (capisce?!) para esse encadernado. Então, amigues, a não ser que vocês sejam ultrafãs do Frankie, desrecomendo a compra.

MARhentaiHENTAI, A SEDUÇÃO DO MANGÁ, DE FRANCO DE ROSA (ORG.)

Para quem, como eu, estuda sexualidade como identidade, também é importante estudar o consumo da sexualidade e que identidades que estão sendo ali representada e, portanto, consumidas. É muitíssimo interessante perceber o desenvolvimento dos quadrinhos, nesse caso os mangás, como uma peça dentro do comércio do erótico. Mais peculiar ainda é perceber a nuances que esse tipos de transação econômica possui no Japão, uma sociedade que é ao mesmo tempo muito fechada e liberada, pudica e aberta, mas acima de tudo, extremamente machista. Isso se reflete neste livro que em nenhum momento fala dos quadrinhos com cenas homossexuais (de homens ou de mulheres) feitas no Japão. O livro, em si, apesar de trazer informações pertinentes e curiosas, é muito mal editado. As informações se repetem, a revisão é esquecida, parece feito a toque de caixa. E para encher linguiça tem uma lista de “convenções do hentai”, que poderia servir para qualquer material feito com intenções de comercializar pornografia para homens heteros. Sim, existem algumas informações pertinentes, mas lá pelas tantas o leitor se depara com um texto mal elaborado ou erros que uma revisão simples poderia ter evitado, como sinais de pontuação trocados. Mais tarde, lendo o livro Mangá, da Sônia Bibe Luyten percebi que muitas partes deste livro foram copiadas do livro dela. Ou seja, isso é plágio.

MARinferno

HOMEM-ARANHA: INFERNO, DE DAVID MICHELINIE, GERRY CONWAY, TODD MCFARLANE, SAL BUSCEMA E ALEX SAVIUK

Será que sou só eu que acho bizarro o fato de que na megassaga da Marvel, Inferno, os objetos inanimados ganham vida porque estão possuídos por demônios do limbo? Bem, neste encadernado do Homem-Aranha isso acontece direto. Mas outra coisa bizarra acontece nele. A principal ocorrência de Inferno que afetou a vida de Peter Parker foi a transformação do Duende Macabro no Duende Demoníaco, a partir de um pacto que ele fez com o demônio Nastirth. Contudo, este encadernado da Salvat, da Coleção do Homem-Aranha, não aborda esse aspecto, apenas mostra um pouco de combate entre o Duende Demoníaco e o Duende Verde. Eu imagino que isso aconteça porque a arte de Todd McFarlane estava nas edições referentes a este encadernado e que não contemplam tanto o Duende Demoníaco. As histórias não são nada surpreendentes, seguem aquele feijão com arroz feito naquela época com o Homem-Aranha e suas idas e vindas no casamento com Mary Jane e suas preocupações com a saúde da Tia May. Também não são histórias ruins, é um encadernado ok, e que não traz nada de memorável.


E então, caros mergulhadores? O que acharam destas mini resenhas? Curtiram? Concordam? Discordam? Bem, não deixem de comentar! Abraços submersos em cinquenta e duas terras mais uma!

 

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2 comentários sobre “Melhores e Piores Leituras de Março de 2019

  1. Fiquei surpreso com algumas coisa:

    – Não li America’s Got Powers porque vi críticas bem ruins do material. Vou dar uma chance.

    – Em contra partida, li que Future Quest era de longe o melhor material dessas séries Hannah-Barbera.

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    1. Oi Will! Gosto é gosto né… geralmente é bom se pautar com aqueles que tem avaliações parecidas com a nossa. Mas isso também não quer dizer nada… Das Hanna Barbera, as que mais gostei foi Flintstones e Corrida Maluca! Abraços! =)

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